A partir do dia 6 de Maio, está patente no Museu Municipal da Ribeira Grande, uma exposição documental sobre “A escrita do tempo de Vieira”, promovida pela Câmara Municipal e inserida nas comemorações do ano vieirino.A exposição gira em torno da caligrafia do tempo do Padre António Vieira, com documentos originais do Arquivo Municipal da Ribeira Grande, que ilustram a forma de escrita do século XVII. Para além disso, faz parte da exposição a mostra de livros que falam sobre a vida e obra do Padre António Vieira, que foi um pensador, ensaísta, pregador, defensor dos direitos dos cristão-novo e dos índios do Brasil, consultor real e diplomata. Foi muito polémico na sua época, tendo sido detido pela inquisição.
A exposição está aberta no horário normal do museu, de segunda a sexta-feira, entre as 08h30 e as 17h30.
AZORESDIGITAL 30.4.08
quarta-feira, 30 de abril de 2008
sexta-feira, 18 de abril de 2008
Ano Vieirino em Ponta Delgada
O descerramento de uma placa toponímica, uma sessão solene evocativa, na Câmara Municipal, com uma conferência, o lançamento de uma publicação e um sarau cultural, concretizam, em Ponta Delgada, a primeira iniciativa açoriana das comemorações do “Ano Vieirino”.
Este conjunto de iniciativas terão lugar já no próximo dia 30 de Abril, em resultado de um protocolo assinado, no passado mês, entre a Câmara Municipal de Ponta Delgada, a Comissão Nacional para as Comemorações do Ano Vieirino, com vista a assinalar o IV Centenário do nascimento do Padre António Vieira.
O programa de 30 de Abril prevê o descerramento da placa toponímica “Rua Padre António Vieira”, na freguesia de Arrifes, a designar a via onde está instalada a “Urbanização da Piedade”, a norte da Rua Cardeal Humberto Medeiros.
Esta inauguração de nova toponímia terá lugar às 18h00 e terá como orador convidado o Presidente da Comissão Organizadora 2008 do Ano Vieirino, Professor Doutor Manuel Cândido Pimentel.
Às 21h00, no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Ponta Delgada, terá início uma sessão solene evocativa do Ano Vieirino, em que intervirão a Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada e o Presidente da Comissão Organizadora do Ano Vieirino.
A evocação ao IV Centenário do nascimento do Padre António Vieira prossegue com uma conferência de Professora Doutora Maria do Céu Fraga, da Universidade dos Açores, subordinada ao tema “O Padre António Vieira nos Açores. Os desígnios da providência”.
Às 21h45 será lançado o Tomo I da Edição Nacional Crítica dos Sermões do Padre António Vieira (Edição da Imprensa Nacional – Casa da Moeda e CEFI (Centro de Estudos de Filosofia). A apresentação desta publicação será feita pelo Professor Doutor José Luís Brandão da Luz, Vice-Reitor da Universidade dos Açores, bem como pelo Professor Doutor responsável Arnaldo do Espírito Santo, Presidente da Comissão Científica 2008 do Ano Vieirino e Coordenador Científico dos Sermões do Padre António Vieira.
A finalizar a sessão solene, haverá um Sarau musical, que terá lugar pelas 22h15 com a pianista Ana Paula Andrade e a soprano Cármen Subica.A ligação da Câmara Municipal de Ponta Delgada às comemorações do Ano Vieirino honra a passagem do Padre António Vieira pelos Açores, designadamente, pela ilha de São Miguel, onde fez na igreja do Colégio, a sua primeira pregação com um sermão que, segundo fontes autorizadas, nunca chegou a ser escrito.
Refira-se que António Vieira chegou, acidentalmente, aos Açores, em 1654, quando o navio em que seguia, entre o Brasil e Lisboa, naufragou, tendo aqui ficado a pregar.Para além da iniciativa do próximo dia 30, as entidades açorianas que se associam às comemorações vieirinas – Câmara Municipal de Ponta Delgada, Universidade dos Açores e a Comissão Nacional para as Comemorações do Ano Vieirino – estão a organizar uma exposição de pintura, a protagonizar por vários artistas plásticos açorianos, que irão pintar quadros alusivos a excertos dos sermões do Padre António Vieira, para serem expostos no último trimestre de 2008. Esta exposição será mostrada inicialmente nos Açores com o objectivo de percorrer vários pontos do país.
Este conjunto de iniciativas terão lugar já no próximo dia 30 de Abril, em resultado de um protocolo assinado, no passado mês, entre a Câmara Municipal de Ponta Delgada, a Comissão Nacional para as Comemorações do Ano Vieirino, com vista a assinalar o IV Centenário do nascimento do Padre António Vieira.
O programa de 30 de Abril prevê o descerramento da placa toponímica “Rua Padre António Vieira”, na freguesia de Arrifes, a designar a via onde está instalada a “Urbanização da Piedade”, a norte da Rua Cardeal Humberto Medeiros.
Esta inauguração de nova toponímia terá lugar às 18h00 e terá como orador convidado o Presidente da Comissão Organizadora 2008 do Ano Vieirino, Professor Doutor Manuel Cândido Pimentel.
Às 21h00, no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Ponta Delgada, terá início uma sessão solene evocativa do Ano Vieirino, em que intervirão a Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada e o Presidente da Comissão Organizadora do Ano Vieirino.
A evocação ao IV Centenário do nascimento do Padre António Vieira prossegue com uma conferência de Professora Doutora Maria do Céu Fraga, da Universidade dos Açores, subordinada ao tema “O Padre António Vieira nos Açores. Os desígnios da providência”.
Às 21h45 será lançado o Tomo I da Edição Nacional Crítica dos Sermões do Padre António Vieira (Edição da Imprensa Nacional – Casa da Moeda e CEFI (Centro de Estudos de Filosofia). A apresentação desta publicação será feita pelo Professor Doutor José Luís Brandão da Luz, Vice-Reitor da Universidade dos Açores, bem como pelo Professor Doutor responsável Arnaldo do Espírito Santo, Presidente da Comissão Científica 2008 do Ano Vieirino e Coordenador Científico dos Sermões do Padre António Vieira.
A finalizar a sessão solene, haverá um Sarau musical, que terá lugar pelas 22h15 com a pianista Ana Paula Andrade e a soprano Cármen Subica.A ligação da Câmara Municipal de Ponta Delgada às comemorações do Ano Vieirino honra a passagem do Padre António Vieira pelos Açores, designadamente, pela ilha de São Miguel, onde fez na igreja do Colégio, a sua primeira pregação com um sermão que, segundo fontes autorizadas, nunca chegou a ser escrito.
Refira-se que António Vieira chegou, acidentalmente, aos Açores, em 1654, quando o navio em que seguia, entre o Brasil e Lisboa, naufragou, tendo aqui ficado a pregar.Para além da iniciativa do próximo dia 30, as entidades açorianas que se associam às comemorações vieirinas – Câmara Municipal de Ponta Delgada, Universidade dos Açores e a Comissão Nacional para as Comemorações do Ano Vieirino – estão a organizar uma exposição de pintura, a protagonizar por vários artistas plásticos açorianos, que irão pintar quadros alusivos a excertos dos sermões do Padre António Vieira, para serem expostos no último trimestre de 2008. Esta exposição será mostrada inicialmente nos Açores com o objectivo de percorrer vários pontos do país.
Memorial da America Latina comemora Vieira
O Memorial da América Latina, em parceria com o Centro de Estudos Fernando Pessoa, realiza, nos dias 22, 23 e 24 de abril, o Colóquio 400 anos de Padre Antônio Vieira, "Imperador da Língua Portuguesa". Entre os palestrantes estão o advogado e professor Ives Gandra e o escritor Antonio Machado. A entrada é franca.
A abertura, no dia 22, será realizada na Biblioteca do Memorial da América Latina. No dia 23, as palestras acontecerão no Anexo dos Congressistas do mesmo Memorial e, no dia 24, o colóquio terá lugar na Casa de Portugal.
Para dar mais destaque à versatilidade que distinguiu Vieira ao longo da História, os conferencistas convidados abordarão a vida e a obra do padre sob as mais diversas perspectivas, de acordo com suas profissões e experiência de contato com a literatura do autor. De pesquisadores e ensaístas a arquitetos e advogados, todos têm em sua alma um pouco de Vieira para contar e muito a transmitir às novas gerações.
Nascido em Lisboa no dia 6 de Fevereiro de 1608, o Padre Antônio Vieira veio para o Brasil aos seis anos, onde estudou e missionou durante a maior parte da sua vida; escreveu cerca de 200 sermões e mais de 500 cartas, e sua obra foi tão significativa quanto sua vida.
Antônio Vieira destacou-se, não somente como literato, mas também no campo da política e economia. Era um homem à frente de seu tempo, defendeu o direito dos "cristãos-novos" (judeus que eram obrigados a adotar a religião católica para fugir da inquisição) de permanecer em terras portuguesas numa época marcada pela intolerância. Acreditava que Portugal só tinha a ganhar economicamente com os investimentos financeiros dessa classe perseguida. Era também contra a escravização indígena.
Fernando Pessoa refere-se a ele em seu livro "Mensagem" como o "Imperador da Língua Portuguesa". Sua obra tem como característica marcante jogo de conceitos/idéias por meio do uso do raciocínio lógico e da retórica aprimorada. É tido como modelo de prosador e orador até os dias de hoje. Dentre os sermões de destaque temos: "Sermão de Santo Antônio" e "Sermão pelo Bom Sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda". Padre Antônio Vieira morreu aos 89 anos, na Bahia.
Colóquio 400 anos de Padre Antônio Vieira, "Imperador da Língua Portuguesa"
Dia 22 de Abril (terça-feira) – Abertura
Memorial da América Latina – Biblioteca Latino-Americana Victor Civita
19 h Mesa de Abertura
Dr. Fernando Leça (Diretor Presidente da Fundação Memorial da América Latina)
Prof. João Alves das Neves (Presidente do Centro de Estudos Fernando Pessoa)
20h Conferência
Tereza Rita Lopes (Escritora e professora da Universidade Nova de Lisboa): "Vieira e Pessoa"
21h Leitura Dramática de Textos Vieirianos
Carlos Carranca (Professor da Escola Superior de Teatro, Portugal)
Dia 23 de Abril (quarta-feira) – Colóquio
Memorial da América Latina – Anexo dos Congressistas
9h às 10h Conferências: Padre Vieira do Brasil
Regina Anacleto (Professora - Universidade de Coimbra): "A Arte no Tempo de Vieira"
Hernâni Donato (Historiador e professor universitário): "Vieira, o Crente"
10h Intervalo
10:15h às 12:30h Conferências: Recepções de Vieira
José Eduardo Franco (Professor - Universidade Lusófona, Lisboa): "A Mulher nos sermões de Vieira"
Carlos Francisco Moura (Escritor e arquiteto – Real Gabinete Português de Leitura): "Vieira Viajante, Navegante, Naufragante"
Eduardo Navarro (Professor Literatura Brasileira - FFLCH / USP): "A Idéia da Inconstância da Alma Selvagem no Sermão do Espírito Santo"
12:30h Almoço
14h às 16h Conferências: Vieira, o dono da História
Maria Beatriz Rocha-Trindade (Escritora e professora - Universidade Aberta de Lisboa): "O Saudosismo na Literatura Portuguesa"
Raul Francisco Moura (Escritor e museólogo, Rio de Janeiro): "Três Antónios Lisboetas"
Teodoro Koracakis (Professor - Universidade Estadual do Rio de Janeiro): "A Relevância do Sermão da Quadragésima para o Estágio Atual dos Estudos Literários"
Antonio Lopes Machado (Escritor): "O Padre Vieira, Protetor dos Índios e Africanos"
16h Intervalo
16:15 às 18:15 Conferências: Vieira de mil faces
Paulo de Assunção (Professor Titular - USJT/ Unifai/ Inicapital e FAENAC): "O Pensamento Econômico do Padre Antonio Vieira"
Beatriz Alcântara (Professora - Universidade Estadual do Ceará): "Vieira – o Quinto Império e o Saudosismo"
Odete da Conceição Dias (Professora - Universidade Ibirapuera): "Iconografia Vieiriana"
Dia 24 de abril (quinta-feira) – Colóquio e Encontro Cultural de Língua Portuguesa
Casa de Portugal
9h às 12h Comunicações: Recepções Lusófonas no século XX - I
Marcia Arruda Franco (Professora DLCV – Literatura Portuguesa da FFLCH / USP): "Duas Cantigas em Movência"
Flavio Vichinski (Professor e mestrando FFLCH /USP): "Saramago, Leitor de Camões"
Anísio Justino da Silva Filho (Teólogo, professor e mestrando da FFLCH / USP): "A Defesa e a Ilustração da Língua Portuguesa nos Gramáticos e em Antonio Ferreira"
Vera Helena Amatti (Jornalista e mestranda da FFLCH /USP): "A Construção do Sermonista no jovem 'repórter' Antônio Vieira"
12h Almoço
14h às 16h Comunicações: Recepções Lusófonas no século XX - II
Luiz Antônio Lindo (Professor de Filologia Românica da FFLCH / USP): "Caminho e caminharei a passos duros, pensando"
Rita de Cássia Alves (Escritora e ensaísta): "Presença da Saudade na Alma Portuguesa: Vieira e Pessoa"
Cristiane Prando Martini Simeoni (Professora e mestranda (Letras) da FFLCH / USP) "A Desconstrução do Eu em Fernando Pessoa"
Intervalo
16:15h às 18:15h Comunicações: Estudos Lusófonos
Ives Gandra Martins (Escritor e Professor Emérito da Universidade Mackenzie): "A Presença de Vieira no Maranhão e a Integração Futura de uma Nação com a Vinda da Corte Portuguesa"
Carlos Carranca (Professor da Escola Superior de Teatro, Portugal): "O Iberismo: Torga, Unamuno, e a visão da América Latina"
Dalila Teles Veras (Escritora) "A Obra de Joaquim de Montezuma de Carvalho"
Teodoro Antunes Mendes Tamen (Poeta e pesquisador): "O Padre Antônio Vieira e o Sonho do Quinto Império".
Apoio Cultural:
Fundação Calouste Gulbenkian
Biblioteca Nacional de Portugal
Real e Benemérita Associação Portuguesa de Beneficência
Casa de Portugal de São Paulo
Viagens Numatur
Banco Banif
Serviço:
Colóquio 400 anos de Padre Antônio Vieira, "Imperador da Língua Portuguesa"
Data: de 22 a 24 de abril
Memorial da América Latina
Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664, Barra Funda, São Paulo - SP
Tel. (11) 3823-4605
Entrada franca
Inscrições pelo site http://www.memorial.sp.gov.br/
Mais informações: (11) 3823-4780 ou cursos@memorial.sp.gov.br
Casa de Portugal (dia 24/02)
Av. da Liberdade, 602. Tel: (11) 3209-5554
Assessoria de Comunicação: (11) 3823-4605
A abertura, no dia 22, será realizada na Biblioteca do Memorial da América Latina. No dia 23, as palestras acontecerão no Anexo dos Congressistas do mesmo Memorial e, no dia 24, o colóquio terá lugar na Casa de Portugal.
Para dar mais destaque à versatilidade que distinguiu Vieira ao longo da História, os conferencistas convidados abordarão a vida e a obra do padre sob as mais diversas perspectivas, de acordo com suas profissões e experiência de contato com a literatura do autor. De pesquisadores e ensaístas a arquitetos e advogados, todos têm em sua alma um pouco de Vieira para contar e muito a transmitir às novas gerações.
Nascido em Lisboa no dia 6 de Fevereiro de 1608, o Padre Antônio Vieira veio para o Brasil aos seis anos, onde estudou e missionou durante a maior parte da sua vida; escreveu cerca de 200 sermões e mais de 500 cartas, e sua obra foi tão significativa quanto sua vida.
Antônio Vieira destacou-se, não somente como literato, mas também no campo da política e economia. Era um homem à frente de seu tempo, defendeu o direito dos "cristãos-novos" (judeus que eram obrigados a adotar a religião católica para fugir da inquisição) de permanecer em terras portuguesas numa época marcada pela intolerância. Acreditava que Portugal só tinha a ganhar economicamente com os investimentos financeiros dessa classe perseguida. Era também contra a escravização indígena.
Fernando Pessoa refere-se a ele em seu livro "Mensagem" como o "Imperador da Língua Portuguesa". Sua obra tem como característica marcante jogo de conceitos/idéias por meio do uso do raciocínio lógico e da retórica aprimorada. É tido como modelo de prosador e orador até os dias de hoje. Dentre os sermões de destaque temos: "Sermão de Santo Antônio" e "Sermão pelo Bom Sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda". Padre Antônio Vieira morreu aos 89 anos, na Bahia.
Colóquio 400 anos de Padre Antônio Vieira, "Imperador da Língua Portuguesa"
Dia 22 de Abril (terça-feira) – Abertura
Memorial da América Latina – Biblioteca Latino-Americana Victor Civita
19 h Mesa de Abertura
Dr. Fernando Leça (Diretor Presidente da Fundação Memorial da América Latina)
Prof. João Alves das Neves (Presidente do Centro de Estudos Fernando Pessoa)
20h Conferência
Tereza Rita Lopes (Escritora e professora da Universidade Nova de Lisboa): "Vieira e Pessoa"
21h Leitura Dramática de Textos Vieirianos
Carlos Carranca (Professor da Escola Superior de Teatro, Portugal)
Dia 23 de Abril (quarta-feira) – Colóquio
Memorial da América Latina – Anexo dos Congressistas
9h às 10h Conferências: Padre Vieira do Brasil
Regina Anacleto (Professora - Universidade de Coimbra): "A Arte no Tempo de Vieira"
Hernâni Donato (Historiador e professor universitário): "Vieira, o Crente"
10h Intervalo
10:15h às 12:30h Conferências: Recepções de Vieira
José Eduardo Franco (Professor - Universidade Lusófona, Lisboa): "A Mulher nos sermões de Vieira"
Carlos Francisco Moura (Escritor e arquiteto – Real Gabinete Português de Leitura): "Vieira Viajante, Navegante, Naufragante"
Eduardo Navarro (Professor Literatura Brasileira - FFLCH / USP): "A Idéia da Inconstância da Alma Selvagem no Sermão do Espírito Santo"
12:30h Almoço
14h às 16h Conferências: Vieira, o dono da História
Maria Beatriz Rocha-Trindade (Escritora e professora - Universidade Aberta de Lisboa): "O Saudosismo na Literatura Portuguesa"
Raul Francisco Moura (Escritor e museólogo, Rio de Janeiro): "Três Antónios Lisboetas"
Teodoro Koracakis (Professor - Universidade Estadual do Rio de Janeiro): "A Relevância do Sermão da Quadragésima para o Estágio Atual dos Estudos Literários"
Antonio Lopes Machado (Escritor): "O Padre Vieira, Protetor dos Índios e Africanos"
16h Intervalo
16:15 às 18:15 Conferências: Vieira de mil faces
Paulo de Assunção (Professor Titular - USJT/ Unifai/ Inicapital e FAENAC): "O Pensamento Econômico do Padre Antonio Vieira"
Beatriz Alcântara (Professora - Universidade Estadual do Ceará): "Vieira – o Quinto Império e o Saudosismo"
Odete da Conceição Dias (Professora - Universidade Ibirapuera): "Iconografia Vieiriana"
Dia 24 de abril (quinta-feira) – Colóquio e Encontro Cultural de Língua Portuguesa
Casa de Portugal
9h às 12h Comunicações: Recepções Lusófonas no século XX - I
Marcia Arruda Franco (Professora DLCV – Literatura Portuguesa da FFLCH / USP): "Duas Cantigas em Movência"
Flavio Vichinski (Professor e mestrando FFLCH /USP): "Saramago, Leitor de Camões"
Anísio Justino da Silva Filho (Teólogo, professor e mestrando da FFLCH / USP): "A Defesa e a Ilustração da Língua Portuguesa nos Gramáticos e em Antonio Ferreira"
Vera Helena Amatti (Jornalista e mestranda da FFLCH /USP): "A Construção do Sermonista no jovem 'repórter' Antônio Vieira"
12h Almoço
14h às 16h Comunicações: Recepções Lusófonas no século XX - II
Luiz Antônio Lindo (Professor de Filologia Românica da FFLCH / USP): "Caminho e caminharei a passos duros, pensando"
Rita de Cássia Alves (Escritora e ensaísta): "Presença da Saudade na Alma Portuguesa: Vieira e Pessoa"
Cristiane Prando Martini Simeoni (Professora e mestranda (Letras) da FFLCH / USP) "A Desconstrução do Eu em Fernando Pessoa"
Intervalo
16:15h às 18:15h Comunicações: Estudos Lusófonos
Ives Gandra Martins (Escritor e Professor Emérito da Universidade Mackenzie): "A Presença de Vieira no Maranhão e a Integração Futura de uma Nação com a Vinda da Corte Portuguesa"
Carlos Carranca (Professor da Escola Superior de Teatro, Portugal): "O Iberismo: Torga, Unamuno, e a visão da América Latina"
Dalila Teles Veras (Escritora) "A Obra de Joaquim de Montezuma de Carvalho"
Teodoro Antunes Mendes Tamen (Poeta e pesquisador): "O Padre Antônio Vieira e o Sonho do Quinto Império".
Apoio Cultural:
Fundação Calouste Gulbenkian
Biblioteca Nacional de Portugal
Real e Benemérita Associação Portuguesa de Beneficência
Casa de Portugal de São Paulo
Viagens Numatur
Banco Banif
Serviço:
Colóquio 400 anos de Padre Antônio Vieira, "Imperador da Língua Portuguesa"
Data: de 22 a 24 de abril
Memorial da América Latina
Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664, Barra Funda, São Paulo - SP
Tel. (11) 3823-4605
Entrada franca
Inscrições pelo site http://www.memorial.sp.gov.br/
Mais informações: (11) 3823-4780 ou cursos@memorial.sp.gov.br
Casa de Portugal (dia 24/02)
Av. da Liberdade, 602. Tel: (11) 3209-5554
Assessoria de Comunicação: (11) 3823-4605
terça-feira, 8 de abril de 2008
Prémio de Dramaturgia
Armando Nascimento Rosa recebeu o prémio Albufeira de Literatura 2008 – Dramaturgia pela obra “O último sermão de António Vieira”. A cerimónia decorreu no passado sábado, 5 de Abril.
Armando Rosa nasceu em 1966 em Évora. Escreve teatro e não “para teatro”, como costuma dizer, desde há 20 anos. Lecciona na Escola Superior de Teatro e Cinema. São muitos já os êxitos somados. Os seus ensaios, nomeadamente sobre Beckett e António Patrício, são textos de elevada referência não só no panorama intelectual do País como no estrangeiro. No que refere as obras teatrais, o autor conta com cerca de 20 títulos. Refira-se, o Prémio Albufeira de Literatura é atribuído nos anos pares a obras de Dramaturgia e nos ímpares a Narrativa, sendo que no caso das obras de teatro o valor é de 5100 euros e no caso da Narrativa, de 10 mil euros. Conta com os patrocínios da Caixa de Crédito Agrícola – Albufeira e do Petchey Leisure Group. Receberam já este prémio os escritores Hugo Santos, Jorge Paulo, Rui Costa e, agora, Armando Nascimento Rosa. Após a entrega do Prémio Albufeira de Literatura 2008 decorreu a cerimónia de lançamento da obra vencedora da edição do ano passado, o romance “A resistência dos materiais”, de Rui Costa.
REGIÃO SUL 8.4.2008
Armando Rosa nasceu em 1966 em Évora. Escreve teatro e não “para teatro”, como costuma dizer, desde há 20 anos. Lecciona na Escola Superior de Teatro e Cinema. São muitos já os êxitos somados. Os seus ensaios, nomeadamente sobre Beckett e António Patrício, são textos de elevada referência não só no panorama intelectual do País como no estrangeiro. No que refere as obras teatrais, o autor conta com cerca de 20 títulos. Refira-se, o Prémio Albufeira de Literatura é atribuído nos anos pares a obras de Dramaturgia e nos ímpares a Narrativa, sendo que no caso das obras de teatro o valor é de 5100 euros e no caso da Narrativa, de 10 mil euros. Conta com os patrocínios da Caixa de Crédito Agrícola – Albufeira e do Petchey Leisure Group. Receberam já este prémio os escritores Hugo Santos, Jorge Paulo, Rui Costa e, agora, Armando Nascimento Rosa. Após a entrega do Prémio Albufeira de Literatura 2008 decorreu a cerimónia de lançamento da obra vencedora da edição do ano passado, o romance “A resistência dos materiais”, de Rui Costa.
REGIÃO SUL 8.4.2008
domingo, 6 de abril de 2008
Vieira - Um grande mestre a descobrir
POR JOSÉ JORGE PERALTA*
1. Um Patriarca da Lusofonia
Vieira foi um homem admirável pelo caráter, pela coragem e pela energia, pela diversidade e profundidade de seus conhecimentos, pelo amor e dedicação à pátria, ao povo e aos bens espirituais, por sua extraordinária atuação política e diplomática e por suas estimulantes utopias.
Vieira foi um grande Patriarca da Civilização Lusófona, pelo mundo espalhada. Sua força matricial vem da tradição humanística e solidária do povo português que tem sua raiz profunda, nos diversos povos que na Lusitânia viveram e se miscigenaram (celtas, fenícios e visigodos, gregos, árabes, hebreus e romanos). O espírito do cristianismo articulou estas culturas e as temperou.
O povo lusitano foi um povo guerreiro e forte que precisou de muita sabedoria e astúcia para sobreviver e prosperar. Esta foi a força matricial que pelo mundo se espalhou e que Vieira propagou. Este é um quadro de referências necessárias para poder vivenciar toda a força e grandeza que neste homem se manifestou.
Vieira foi um dos maiores homens de toda a história do Brasil e também de Portugal de todos os tempos. Iluminou o século XVII com grande esplendor. Produziu uma obra para sempre, ultrapassando os limites do tempo e do espaço. É um clássico. É um patrimônio da humanidade.
Foi grande como orador vibrante, arrebatador e consistente; foi grande como escritor, como filósofo e como pensador; foi grande como gestor eclesiástico e político; foi grande como conselheiro, como diplomata, como articulador e como estrategista; foi grande como “historiador”, como agente e como observador da história; foi grande teólogo, exegeta e biblista; foi grande nas suas impressionantes e instigantes utopias; foi grande e implacável contra as injustiças sociais e contra toda a discriminação, por motivos étnicos ou de religião; foi um grande escritor e um grande artista; foi o homem da esperança, de pensamento e ação; foi grande humanista na sua luta pelos valores humanos e cristãos, pelos valores éticos e pelos valores espirituais; (foi um defensor dos direitos humanos, defendendo o respeito à dignidade humana dos índios, dos negros e dos brancos espoliados e dos judeus perseguidos); foi um patriota, lutando pela consolidação da independência de seu país e pela manutenção da unidade no Brasil, na guerra contra os invasores estrangeiros; foi um universalista lutando pela harmonia entre os povos e pela paz. Queria um mundo onde todos os povos se confraternizassem; queria o reino de Cristo na terra implantado.
Dizer que Vieira foi um orador monumental, um dos maiores de todos os tempos, embora seja muito, é muito pouco para sua atuação múltipla. Foi muito grande como orador e como escritor, mas foi maior ainda em sua atuação sócio - política e estratégia.
Vieira produziu uma obra múltipla, indispensável no nosso tesouro cultural. Aliou a teoria à prática. Nunca foi um homem de gabinete.
Vieira é mais conhecido por seus magistrais Sermões. Mas sua atuação político - social é ainda de maiores dimensões. Participou de alguns dos mais brilhantes momentos da história do Brasil, de Portugal e do mundo.
Além de todas as grandezas, Vieira é um mestre de nossa estirpe humana e cultural e é um homem universal. É um homem da estirpe dos gigantes. Viveu sempre com os pés firmes no chão ainda quando tratava das coisas do Alto, até mesmo quando se envolvia com suas geniais utopias.
Como Homero, Dante, Camões, Shakespeare, Goethe, Pessoa, Yung e tantos outros homens da elite moral e intelectual, Vieira pertence à humanidade que quis aperfeiçoar, livrando-a das opressões, baixezas e limitações. Todos são patrimônios e reservas morais da humanidade.
Vieira é um Atlas, erguendo o mundo em suas mãos.
Vieira é uma das glórias máximas de nossa língua, de nossa cultura e de nossa nação, no âmbito cultural, político e humanístico. Feliz do povo que tem um homem da estirpe espiritual e sócio-cultural de Vieira.
É um ser humano de extraordinário talento, com uma grande missão. Precisamos escutar suas lições.
É uma glória de seu povo e da humanidade.
2. O Preço da Grandeza
Vieira operou dentro de novos paradigmas de civilização. Atuou num cristianismo dinâmico e comprometido com o bem-comum, criativo, inovador, propositivo, afirmativo, transformador. Foi um homem do Evangelho: um autêntico, adepto do cristismo.
Vieira foi grande lutador pela paz entre os povos, pela justiça, pela liberdade e dignidade das pessoas; foi um grande patriota; foi grande pensador. Foi também um grande sofredor, porque encontrou na vida alguns mesquinhos traiçoeiros e interesseiros que colocaram espinhos no seu caminho, como aliás é de se esperar. Ele mesmo dizia que é mais honroso ter inimigos do que não os ter.
Assumiu o papel de guardião de sua pátria e de seu povo que queria ver livres e altaneiros, unidos na fé, na esperança, na liberdade e na prosperidade.
Pagou caro por suas audácias, mas seguiu até o fim com sua missão. Teve gloriosas vitórias e algumas desilusões, como é de praxe para todos os mortais que se projetam além do trivial.
Vieira foi um Mestre hábil, sagaz e sábio em tudo o que fez. Nunca teve vida fácil, mas foi um homem realizado e sempre autêntico e leal. Seus olhos brilhavam, felizes e confiantes em cada projeto que assumia. Seu sol nunca conheceu o poente.
De tudo o que fez e na vida passou, restou a glória de um imortal.
Os sofrimentos e inquietações que passou, hoje são pérolas que lhe ornam a fronte e brilham nos caminhos por onde passou.
Foi um homem incansável, com dedicação integral e irrestrita à sua missão.
Sabia que tinha uma grande missão na terra. Não fugiu nunca de suas responsabilidades. Nada o impedia. Ninguém conseguiu fazê-lo desistir. Tentaram, mas ele prosseguiu até o fim. Queria o reino de Cristo na terra consumado, onde todos se confraternizassem, com a união de todos e as diferenças de cada um, como irmãos que respeitam o mesmo Deus. Este era o tema básico do seu livro “Clavis Prophetarum”. Queria a paz, bem-estar e prosperidade solidária, para todas as pessoas de boa vontade sem distinção.
Vieira foi, talvez, o primeiro cidadão do mundo. Todos os humanos eram seus irmãos. Este era o lema da “Clavis Prophetarum”, que ficou inacabado
3. O Mestre Máximo de Nosso Idioma
Vieira ergueu um imenso, elevado e imortal monumento a Língua Portuguesa, com seus Sermões, Cartas e outras Obras.
Vieira desenvolveu, em grau sublime, as potencialidades estilísticas, semânticas e rítmicas do seu idioma materno. Explorou suas propriedades expressivas, suas delicadezas, sua força tonitruante, suas energias vitais, seu potencial de comunicação e de expressão, sua poesia. Dominou as mais profundas sutilezas de seu idioma.
A obra de Vieira é um dos mais ricos tesouros de nossa língua.
É um dos pilares centrais de nossa língua, de nossa cultura e de nossa nação, da lusofonia.
4. Monumento à Língua Portuguesa
Se quisermos erguer um monumento à Língua Portuguesa, teremos de colocar, lá no alto, Vieira com seus Sermões na mão e Camões à sua direita, com os Lusíadas, seguidos de uma plêiade de escritores de escol, de grande mérito: os Mestres e Guardiões de nossa língua portuguesa, de nosso pensamento e de nossa cultura.
Entre os escritores de escol estarão, entre muitos outros, os mestres Machado de Assis, Rui Barbosa, Fernando Pessoa, Bernardes, Eça de Queirós, Almeida Garret, Gonçalves Dias, etc, etc. Alguém precisa completar a lista, que pode conter 30 mestres geniais, ou 50, ou 100. Não será fácil fazer tal seleção pelo alto contingente dos candidatos. É possível, mas sem unanimidade, logicamente. O que é essencial é que na lista constem nomes de toda a lusofonia em todos os continentes sediados.
Não foi sem razão que Fernando Pessoa nomeou Vieira como “Imperador da Língua Portuguesa”.
Vieira, ele só é um monumento, pela grandeza de sua obra e de seu caráter, por sua dignidade humana, por sua atuação na transformação social, por seu espírito empreendedor, por sua fé, por sua arte e por suas sublimes ousadias, pela esperança e solidariedade que de sua obra irradiam.
Não queremos abordar aqui o Vieira total. Cada qual busque em Vieira o que mais lhe fala e mais lhe convém. Vieira é inesgotável, como outros luminares que a humanidade produziu, através dos séculos.
5. Gravações a Ouro em Granito
A sociedade ainda não gravou a ouro, em granito, sua gratidão para com este homem tão especial.
O Brasil ainda não lhe fez justiça, à altura de seus méritos. Portugal também não.
Fernando Pessoa procurou fazer-lhe justiça, em diversos escritos. Roma lhe fez alguma justiça pelas mãos da Rainha Cristina da Suécia, ao coroá-lo de louros dourados, após uma conferência magnífica e magistral. Também o Papa Clemente X lhe fez justiça ao libertá-lo da Inquisição. Os cardeais, os bispos, as autoridades e o povo de Roma acorriam a ouvi-lo e aplaudi-lo.
Muitos ainda nem sabem que a farsa da Inquisição foi desmascarada e que ele foi absolvido de todas as acusações... Outros até repetem tais farsas, como se fossem verdadeiras (?!). Não sabem que é falcatrua: uma armação persecutória, cheia de indignidades. Alguns fizeram tudo para fazer o linchamento moral de Vieira. Conseguiram feri-lo, moralmente, mas nada que o tempo não cure. De quem o agrediu moralmente pouco ou nada restou.
Os professores e intelectuais precisam fazer Vieira mais conhecido pelas novas gerações. Ele faz bem a todos e está fazendo muita falta.
Vieira é sempre um novo tesouro a descobrir. É uma inesgotável fonte de pesquisa.
Queremos que este texto seja um perene convite à leitura da obra deste benemérito escritor e digno homem público. Neste trabalho tentamos entreabrir as cortinas por onde poderemos ter acesso a este autor e à sua obra, naquilo que ele tem de atual, para abrir novos rumos à modernidade.
Falamos aqui de Vieira enquanto personagem presente para sempre em nossa história e na nossa cultura, ainda que muitos ainda o desconheçam. Divulgar a obra de Vieira é também um ato cívico. É divulgar a nossa cultura, é divulgar bem-querença. É aderir à eterna luta pela paz e pela fraternidade.
Vieira, em vida, exercia um grande magnetismo sobre as pessoas. Tinha um carisma extraordinário. Sua mensagem atraia multidões. Foi talvez a primeira grande estrela popular de dimensões mundiais.
Vieira sempre teve e sempre terá uma imensa rede de leitores. Se essa rede fosse mais ampla, o mundo seria melhor para todos.
6. Perseguição, Reconhecimento e Gratidão
Finalmente no séc. XXI, no seu 4° Centenário, Vieira começa a ser conhecido como é, em plenitude, com seus méritos e suas grandes realizações. Muitos pesquisadores vêm se debruçando sobre a sua obra.
Finalmente temos disponíveis os documentos básicos de sua ação, de suas agruras, das perseguições e das farsas em que o enredaram, e de suas obras e vida efetivamente monumental.
Quatrocentos (400) anos foram precisos para podermos começar a olhar o Vieira de frente, sem preconceitos. Nele descobrimos um homem moderno, ágil e versátil, de visão cósmica e holística.
Algumas autoridades da Igreja nem sempre o compreenderam. Por falta de informações, talvez. Ou por injunções adversas e persecutórias. É que sem dúvida, as audácias plenamente evangélicas de Vieira chegaram a causar constrangimento à sua Congregação. As questões “políticas” e as religiosas nem sempre estão em sintonia. A ousadia dos profetas sempre geram contradições. Isto é natural.
Vieira, um homem genial, foi sempre um homem do bem e da paz com justiça. Covardemente perseguido, enfrentando torpes conspirações e deletérias injúrias, difamações e intrigas por alguns, contrabalançadas com imensa admiração e veneração de muitos, foi sempre um homem de pensamento e de ação. Um homem de coragem e dedicação. Nada deteve sua missão.
A brutal perseguição que lhe moveu a Inquisição não o dominou. Apenas o humilhou e até o reanimou. Nunca desconhecia o risco de sua ousadia.
O homem que mais conviveu com Vieira foi seu secretário particular, que o assessorou por mais de 30 (trinta) anos, o Pe. José Soares. Não sabemos se mesmo ele compreendeu Vieira em toda a sua complexidade. O que sabemos é que foi muito dedicado e eficiente.
Esta é a hora de efetivamente resgatar o Vieira total das incompreensões e equívocos dos que ainda hoje o injuriam com as maledicências da Inquisição, e por sua posição política numa peculiar situação, no caso das invasões holandesas. Uma posição estratégica naquele momento.
Revertida à situação, ele continuou lutando com denodo pela unidade e integridade do país.
É sabido que Vieira, um homem de altos talentos, alto saber e sabedoria e um homem de ação, um grande estrategista, passou pela vida vivendo circunstâncias paradoxais: teve dias de glória e dias inglórios; viveu o sucesso e a depressão; viveu a aclamação de Domingo de Ramos, a dor e o constrangimento da Via Sacra, nas mãos da Inquisição, entre Pilatos e a cruz; e viveu a glória do Sábado da Aleluia com a publicação de seus Sermões e com a coroa de louros dourada que recebeu em Roma[i].
7. Um Herói Perseguido e Vencedor
Foi brutal e devastadora a perseguição da Inquisição sobre Vieira. Este teve pouca chance de se defender das sádicas, vazias e até ridículas e cínicas denúncias que recebeu. Teve sua liberdade tolhida. Sofreu um quase esquartejamento moral. Aliás, pouco fez para apagar as falsidades escritas a seu respeito. Tinha mais o que fazer. Defender-se? Outros que o fizessem futuramente. Contava com o bom-senso das futuras gerações que via com esperanças: Vieira foi um mártir legítimo da liberdade e do humanismo e sua fé.
Em parte, a perseguição era por motivos políticos. Os pseudo motivos religiosos eram apenas justificativas para tolher-lhe a ação. As razões ele as denunciou em Roma, onde podia falar e era ouvido e respeitado. O Papa o ouviu e o atendeu, contra as pressões terríveis que sofria para não atendê-lo.
Em outras religiões como em outras nações meritocráticas Vieira seria para todo o sempre, uma pessoa venerável, com direitos a painéis nos templos e nos espaços culturais.
Vieira é um herói do Brasil, de Portugal e da humanidade.
Que a Igreja lhe reconheça o lugar que merece, por seus méritos e por seu heroísmo, ao vencer as adversidades, pela sua dedicação à causa dos deserdados, pela herança cultural inestimável que nos legou e pela sua valentia, nas missões, na política e nas perseguições.
Por tudo o que fez, sem favor, Vieira merece nossa veneração. Vieira é um homem venerável por sua obra e por seu heroísmo. Como Joana D’Arc e como muitos outros heróis da fé e da pátria e por sua luta pela justiça social, Vieira é um mártir.
Um Mártir pelas injúrias e torturas que padeceu e pelos riscos que enfrentou de cabeça erguida; por sua audácia, coragem e dedicação.
Com sua coragem, persistência e humildade, Vieira, sozinho, abalou a toda-poderosa Inquisição. Venceu-a em Roma. Merece respeito e calorosos aplausos e não o silêncio cúmplice das pessoas que deveriam ser solidárias e responsáveis
Apesar da grande projeção da sua obra, Vieira ainda é por demais desconhecido nos tempos atuais, em muitas universidades. Só é estudado sumariamente, em aulas de literatura. Vieira é muito mais que literatura, embora na literatura seja monumental.
Vieira é um grande arsenal de cultura que não podemos desperdiçar, num mundo tão carente de exemplos fortes e convincentes.
Quem tem a oportunidade de conviver com a obra de Vieira tem a obrigação moral de o divulgar e o defender de seus algozes. É questão de justiça e cidadania. Vieira é um imenso tesouro moral que não pode continuar escondido nos escombros das maledicências de alguns.
8. Recuperando a Imagem, Abolindo Preconceitos
Vieira foi sempre um homem aberto ao mundo: Foi o homem do diálogo: diálogo entre pessoas, diálogo intercultural, diálogo inter-religioso e diálogo inter-étnico; diálogo com o passado, com o presente e diálogo com o futuro.
É preciso retomar esse “diálogo” com ele mesmo: o diálogo da vida, para além do tempo e do espaço: a diálogo da modernidade, o diálogo com o nosso tempo, o diálogo com os valores perenes de nossa civilização e diálogo com o passado, com a nossa história de que ele faz parte ativa.
Vieira, como os profetas e como os grandes clássicos, é um homem plenamente atual, por sua vida e por sua obra. É um homem perseguido, por seus atos e intenções mais nobres, mas sempre aplaudido pelo povo, sempre muito respeitado e venerado. Seus paradigmas têm plena atualidade.
De Vieira e de muitos outros profetas de todos os tempos, também falava Jesus, em Mateus 23,34 e37: “Serpentes, raça de víboras (...). Eu vos envio profetas e sábios e escribas. Vós matareis e crucificareis uns e açoitareis outros(...) e os perseguireis de cidade em cidade”. “Jerusalém, Jerusalém! Tu matas os profetas e apedrejas os que te são enviados...”.
Vieira foi um homem que lutou pelos grandes valores cristãos e humanistas: pela justiça, pela liberdade, pela dignidade, pelo amor e pela paz. Lutou pelo alegre convívio das pessoas, num espaço fraternal e descontraído, como um reino celestial instituído entre os mortais, sempre plural.
Foi um homem que teve a competência e a coragem de sonhar e soube lutar por seus sonhos para conseguir realizá-los. Os pigmeus riem com desdém das utopias de Vieira. É que nada entenderam, se julgam muito sabidos e dão vexame.
Está na hora de afastar dele os preconceitos que, desde a Inquisição, prejudicam sua imagem. Está na hora de abolir a Inquisição de nossa visão cultural. Muitos ainda nela se espelham (?!). Alguns não sabem, ou não se deram conta de que a Inquisição é irmã gêmea de todos os fascismos que vicejam em todas as sociedades.
Está na hora de recuperar a imagem de Vieira na sua pureza, nos seus méritos e no seu poder de transformação. A sociedade e a Igreja, todos têm muito a ganhar com isso. Minimamente é uma atitude cristã.
É uma questão de justiça. Justiça póstuma, mas justiça pelo qual tanto lutou.
Está na hora de a Igreja o assumir como um filho predileto que sempre foi, por sua fé, por sua dedicação, por sua lealdade e por seu heroísmo.
Está na hora de a sociedade declarar a obra de Vieira patrimônio cultural do país e da humanidade, na categoria de Patrimônio Imaterial, pelo Iphan, ou algo semelhante. A cidade de Salvador poderia estudar esta hipótese.
Vieira fez mais por sua Igreja e pela humanidade; do que muitos Papas e muitos Cardeais e muitos Bispos juntos. Fez mais por seu país e por seu povo do que muitos presidentes, muitos governadores e muitos intelectuais juntos. No Brasil é considerado um dos 13 (treze) homens que mais fizeram pelo nosso país. Não foi menor a sua ação por Portugal.
Vieira pode ter cometido erros que alguns lhe atribuem, o que colocamos em dúvida. Mas o saldo de seus acertos foi infinitamente superior. Lembremo-nos de que é melhor errar tentando acertar do que omitir-se em silenciosa cumplicidade.
Vieira precisa ser mais divulgado e mais conhecido pelas novas gerações. As pessoas responsáveis precisam assumir mais esta tarefa grande, benemérita e construtiva, para uma sociedade mais justa, mais livre e mais solidária.
Quem assumirá esta tarefa? A resposta é dada na ação. Todos são chamados. Atenda quem puder. Quem convoca é a voz da história que cultua nossas raízes. É a voz da justiça
A recuperação interessa a toda a sociedade civil, por sua arte e por seus feitos e pelos valores que defendeu. Não interessa menos à Igreja de que foi filho generoso e onde ancorou seu gênio e bebeu seu saber. Interessa ao nosso país, ao qual tanto se dedicou e interessa à humanidade da qual foi filho muito especial.
*Professor da Universidade de São Paulo (aposentado) Fundador de Instituições Universitárias Modelares e de Instituições Culturais. Doutor em Lingüística e Semiótica. Autor de Poética Multissemiótica de Fernando Pessoa e de Celebrando Vieira.
[i] Conta-se que a rainha Cristina, da Suécia, coroou Antônio Vieira, com uma coroa de louros dourada, em Roma, na ocasião em que Vieira preferiu o discurso sobre as “Lágrimas de Heráclito”
1. Um Patriarca da Lusofonia
Vieira foi um homem admirável pelo caráter, pela coragem e pela energia, pela diversidade e profundidade de seus conhecimentos, pelo amor e dedicação à pátria, ao povo e aos bens espirituais, por sua extraordinária atuação política e diplomática e por suas estimulantes utopias.
Vieira foi um grande Patriarca da Civilização Lusófona, pelo mundo espalhada. Sua força matricial vem da tradição humanística e solidária do povo português que tem sua raiz profunda, nos diversos povos que na Lusitânia viveram e se miscigenaram (celtas, fenícios e visigodos, gregos, árabes, hebreus e romanos). O espírito do cristianismo articulou estas culturas e as temperou.
O povo lusitano foi um povo guerreiro e forte que precisou de muita sabedoria e astúcia para sobreviver e prosperar. Esta foi a força matricial que pelo mundo se espalhou e que Vieira propagou. Este é um quadro de referências necessárias para poder vivenciar toda a força e grandeza que neste homem se manifestou.
Vieira foi um dos maiores homens de toda a história do Brasil e também de Portugal de todos os tempos. Iluminou o século XVII com grande esplendor. Produziu uma obra para sempre, ultrapassando os limites do tempo e do espaço. É um clássico. É um patrimônio da humanidade.
Foi grande como orador vibrante, arrebatador e consistente; foi grande como escritor, como filósofo e como pensador; foi grande como gestor eclesiástico e político; foi grande como conselheiro, como diplomata, como articulador e como estrategista; foi grande como “historiador”, como agente e como observador da história; foi grande teólogo, exegeta e biblista; foi grande nas suas impressionantes e instigantes utopias; foi grande e implacável contra as injustiças sociais e contra toda a discriminação, por motivos étnicos ou de religião; foi um grande escritor e um grande artista; foi o homem da esperança, de pensamento e ação; foi grande humanista na sua luta pelos valores humanos e cristãos, pelos valores éticos e pelos valores espirituais; (foi um defensor dos direitos humanos, defendendo o respeito à dignidade humana dos índios, dos negros e dos brancos espoliados e dos judeus perseguidos); foi um patriota, lutando pela consolidação da independência de seu país e pela manutenção da unidade no Brasil, na guerra contra os invasores estrangeiros; foi um universalista lutando pela harmonia entre os povos e pela paz. Queria um mundo onde todos os povos se confraternizassem; queria o reino de Cristo na terra implantado.
Dizer que Vieira foi um orador monumental, um dos maiores de todos os tempos, embora seja muito, é muito pouco para sua atuação múltipla. Foi muito grande como orador e como escritor, mas foi maior ainda em sua atuação sócio - política e estratégia.
Vieira produziu uma obra múltipla, indispensável no nosso tesouro cultural. Aliou a teoria à prática. Nunca foi um homem de gabinete.
Vieira é mais conhecido por seus magistrais Sermões. Mas sua atuação político - social é ainda de maiores dimensões. Participou de alguns dos mais brilhantes momentos da história do Brasil, de Portugal e do mundo.
Além de todas as grandezas, Vieira é um mestre de nossa estirpe humana e cultural e é um homem universal. É um homem da estirpe dos gigantes. Viveu sempre com os pés firmes no chão ainda quando tratava das coisas do Alto, até mesmo quando se envolvia com suas geniais utopias.
Como Homero, Dante, Camões, Shakespeare, Goethe, Pessoa, Yung e tantos outros homens da elite moral e intelectual, Vieira pertence à humanidade que quis aperfeiçoar, livrando-a das opressões, baixezas e limitações. Todos são patrimônios e reservas morais da humanidade.
Vieira é um Atlas, erguendo o mundo em suas mãos.
Vieira é uma das glórias máximas de nossa língua, de nossa cultura e de nossa nação, no âmbito cultural, político e humanístico. Feliz do povo que tem um homem da estirpe espiritual e sócio-cultural de Vieira.
É um ser humano de extraordinário talento, com uma grande missão. Precisamos escutar suas lições.
É uma glória de seu povo e da humanidade.
2. O Preço da Grandeza
Vieira operou dentro de novos paradigmas de civilização. Atuou num cristianismo dinâmico e comprometido com o bem-comum, criativo, inovador, propositivo, afirmativo, transformador. Foi um homem do Evangelho: um autêntico, adepto do cristismo.
Vieira foi grande lutador pela paz entre os povos, pela justiça, pela liberdade e dignidade das pessoas; foi um grande patriota; foi grande pensador. Foi também um grande sofredor, porque encontrou na vida alguns mesquinhos traiçoeiros e interesseiros que colocaram espinhos no seu caminho, como aliás é de se esperar. Ele mesmo dizia que é mais honroso ter inimigos do que não os ter.
Assumiu o papel de guardião de sua pátria e de seu povo que queria ver livres e altaneiros, unidos na fé, na esperança, na liberdade e na prosperidade.
Pagou caro por suas audácias, mas seguiu até o fim com sua missão. Teve gloriosas vitórias e algumas desilusões, como é de praxe para todos os mortais que se projetam além do trivial.
Vieira foi um Mestre hábil, sagaz e sábio em tudo o que fez. Nunca teve vida fácil, mas foi um homem realizado e sempre autêntico e leal. Seus olhos brilhavam, felizes e confiantes em cada projeto que assumia. Seu sol nunca conheceu o poente.
De tudo o que fez e na vida passou, restou a glória de um imortal.
Os sofrimentos e inquietações que passou, hoje são pérolas que lhe ornam a fronte e brilham nos caminhos por onde passou.
Foi um homem incansável, com dedicação integral e irrestrita à sua missão.
Sabia que tinha uma grande missão na terra. Não fugiu nunca de suas responsabilidades. Nada o impedia. Ninguém conseguiu fazê-lo desistir. Tentaram, mas ele prosseguiu até o fim. Queria o reino de Cristo na terra consumado, onde todos se confraternizassem, com a união de todos e as diferenças de cada um, como irmãos que respeitam o mesmo Deus. Este era o tema básico do seu livro “Clavis Prophetarum”. Queria a paz, bem-estar e prosperidade solidária, para todas as pessoas de boa vontade sem distinção.
Vieira foi, talvez, o primeiro cidadão do mundo. Todos os humanos eram seus irmãos. Este era o lema da “Clavis Prophetarum”, que ficou inacabado
3. O Mestre Máximo de Nosso Idioma
Vieira ergueu um imenso, elevado e imortal monumento a Língua Portuguesa, com seus Sermões, Cartas e outras Obras.
Vieira desenvolveu, em grau sublime, as potencialidades estilísticas, semânticas e rítmicas do seu idioma materno. Explorou suas propriedades expressivas, suas delicadezas, sua força tonitruante, suas energias vitais, seu potencial de comunicação e de expressão, sua poesia. Dominou as mais profundas sutilezas de seu idioma.
A obra de Vieira é um dos mais ricos tesouros de nossa língua.
É um dos pilares centrais de nossa língua, de nossa cultura e de nossa nação, da lusofonia.
4. Monumento à Língua Portuguesa
Se quisermos erguer um monumento à Língua Portuguesa, teremos de colocar, lá no alto, Vieira com seus Sermões na mão e Camões à sua direita, com os Lusíadas, seguidos de uma plêiade de escritores de escol, de grande mérito: os Mestres e Guardiões de nossa língua portuguesa, de nosso pensamento e de nossa cultura.
Entre os escritores de escol estarão, entre muitos outros, os mestres Machado de Assis, Rui Barbosa, Fernando Pessoa, Bernardes, Eça de Queirós, Almeida Garret, Gonçalves Dias, etc, etc. Alguém precisa completar a lista, que pode conter 30 mestres geniais, ou 50, ou 100. Não será fácil fazer tal seleção pelo alto contingente dos candidatos. É possível, mas sem unanimidade, logicamente. O que é essencial é que na lista constem nomes de toda a lusofonia em todos os continentes sediados.
Não foi sem razão que Fernando Pessoa nomeou Vieira como “Imperador da Língua Portuguesa”.
Vieira, ele só é um monumento, pela grandeza de sua obra e de seu caráter, por sua dignidade humana, por sua atuação na transformação social, por seu espírito empreendedor, por sua fé, por sua arte e por suas sublimes ousadias, pela esperança e solidariedade que de sua obra irradiam.
Não queremos abordar aqui o Vieira total. Cada qual busque em Vieira o que mais lhe fala e mais lhe convém. Vieira é inesgotável, como outros luminares que a humanidade produziu, através dos séculos.
5. Gravações a Ouro em Granito
A sociedade ainda não gravou a ouro, em granito, sua gratidão para com este homem tão especial.
O Brasil ainda não lhe fez justiça, à altura de seus méritos. Portugal também não.
Fernando Pessoa procurou fazer-lhe justiça, em diversos escritos. Roma lhe fez alguma justiça pelas mãos da Rainha Cristina da Suécia, ao coroá-lo de louros dourados, após uma conferência magnífica e magistral. Também o Papa Clemente X lhe fez justiça ao libertá-lo da Inquisição. Os cardeais, os bispos, as autoridades e o povo de Roma acorriam a ouvi-lo e aplaudi-lo.
Muitos ainda nem sabem que a farsa da Inquisição foi desmascarada e que ele foi absolvido de todas as acusações... Outros até repetem tais farsas, como se fossem verdadeiras (?!). Não sabem que é falcatrua: uma armação persecutória, cheia de indignidades. Alguns fizeram tudo para fazer o linchamento moral de Vieira. Conseguiram feri-lo, moralmente, mas nada que o tempo não cure. De quem o agrediu moralmente pouco ou nada restou.
Os professores e intelectuais precisam fazer Vieira mais conhecido pelas novas gerações. Ele faz bem a todos e está fazendo muita falta.
Vieira é sempre um novo tesouro a descobrir. É uma inesgotável fonte de pesquisa.
Queremos que este texto seja um perene convite à leitura da obra deste benemérito escritor e digno homem público. Neste trabalho tentamos entreabrir as cortinas por onde poderemos ter acesso a este autor e à sua obra, naquilo que ele tem de atual, para abrir novos rumos à modernidade.
Falamos aqui de Vieira enquanto personagem presente para sempre em nossa história e na nossa cultura, ainda que muitos ainda o desconheçam. Divulgar a obra de Vieira é também um ato cívico. É divulgar a nossa cultura, é divulgar bem-querença. É aderir à eterna luta pela paz e pela fraternidade.
Vieira, em vida, exercia um grande magnetismo sobre as pessoas. Tinha um carisma extraordinário. Sua mensagem atraia multidões. Foi talvez a primeira grande estrela popular de dimensões mundiais.
Vieira sempre teve e sempre terá uma imensa rede de leitores. Se essa rede fosse mais ampla, o mundo seria melhor para todos.
6. Perseguição, Reconhecimento e Gratidão
Finalmente no séc. XXI, no seu 4° Centenário, Vieira começa a ser conhecido como é, em plenitude, com seus méritos e suas grandes realizações. Muitos pesquisadores vêm se debruçando sobre a sua obra.
Finalmente temos disponíveis os documentos básicos de sua ação, de suas agruras, das perseguições e das farsas em que o enredaram, e de suas obras e vida efetivamente monumental.
Quatrocentos (400) anos foram precisos para podermos começar a olhar o Vieira de frente, sem preconceitos. Nele descobrimos um homem moderno, ágil e versátil, de visão cósmica e holística.
Algumas autoridades da Igreja nem sempre o compreenderam. Por falta de informações, talvez. Ou por injunções adversas e persecutórias. É que sem dúvida, as audácias plenamente evangélicas de Vieira chegaram a causar constrangimento à sua Congregação. As questões “políticas” e as religiosas nem sempre estão em sintonia. A ousadia dos profetas sempre geram contradições. Isto é natural.
Vieira, um homem genial, foi sempre um homem do bem e da paz com justiça. Covardemente perseguido, enfrentando torpes conspirações e deletérias injúrias, difamações e intrigas por alguns, contrabalançadas com imensa admiração e veneração de muitos, foi sempre um homem de pensamento e de ação. Um homem de coragem e dedicação. Nada deteve sua missão.
A brutal perseguição que lhe moveu a Inquisição não o dominou. Apenas o humilhou e até o reanimou. Nunca desconhecia o risco de sua ousadia.
O homem que mais conviveu com Vieira foi seu secretário particular, que o assessorou por mais de 30 (trinta) anos, o Pe. José Soares. Não sabemos se mesmo ele compreendeu Vieira em toda a sua complexidade. O que sabemos é que foi muito dedicado e eficiente.
Esta é a hora de efetivamente resgatar o Vieira total das incompreensões e equívocos dos que ainda hoje o injuriam com as maledicências da Inquisição, e por sua posição política numa peculiar situação, no caso das invasões holandesas. Uma posição estratégica naquele momento.
Revertida à situação, ele continuou lutando com denodo pela unidade e integridade do país.
É sabido que Vieira, um homem de altos talentos, alto saber e sabedoria e um homem de ação, um grande estrategista, passou pela vida vivendo circunstâncias paradoxais: teve dias de glória e dias inglórios; viveu o sucesso e a depressão; viveu a aclamação de Domingo de Ramos, a dor e o constrangimento da Via Sacra, nas mãos da Inquisição, entre Pilatos e a cruz; e viveu a glória do Sábado da Aleluia com a publicação de seus Sermões e com a coroa de louros dourada que recebeu em Roma[i].
7. Um Herói Perseguido e Vencedor
Foi brutal e devastadora a perseguição da Inquisição sobre Vieira. Este teve pouca chance de se defender das sádicas, vazias e até ridículas e cínicas denúncias que recebeu. Teve sua liberdade tolhida. Sofreu um quase esquartejamento moral. Aliás, pouco fez para apagar as falsidades escritas a seu respeito. Tinha mais o que fazer. Defender-se? Outros que o fizessem futuramente. Contava com o bom-senso das futuras gerações que via com esperanças: Vieira foi um mártir legítimo da liberdade e do humanismo e sua fé.
Em parte, a perseguição era por motivos políticos. Os pseudo motivos religiosos eram apenas justificativas para tolher-lhe a ação. As razões ele as denunciou em Roma, onde podia falar e era ouvido e respeitado. O Papa o ouviu e o atendeu, contra as pressões terríveis que sofria para não atendê-lo.
Em outras religiões como em outras nações meritocráticas Vieira seria para todo o sempre, uma pessoa venerável, com direitos a painéis nos templos e nos espaços culturais.
Vieira é um herói do Brasil, de Portugal e da humanidade.
Que a Igreja lhe reconheça o lugar que merece, por seus méritos e por seu heroísmo, ao vencer as adversidades, pela sua dedicação à causa dos deserdados, pela herança cultural inestimável que nos legou e pela sua valentia, nas missões, na política e nas perseguições.
Por tudo o que fez, sem favor, Vieira merece nossa veneração. Vieira é um homem venerável por sua obra e por seu heroísmo. Como Joana D’Arc e como muitos outros heróis da fé e da pátria e por sua luta pela justiça social, Vieira é um mártir.
Um Mártir pelas injúrias e torturas que padeceu e pelos riscos que enfrentou de cabeça erguida; por sua audácia, coragem e dedicação.
Com sua coragem, persistência e humildade, Vieira, sozinho, abalou a toda-poderosa Inquisição. Venceu-a em Roma. Merece respeito e calorosos aplausos e não o silêncio cúmplice das pessoas que deveriam ser solidárias e responsáveis
Apesar da grande projeção da sua obra, Vieira ainda é por demais desconhecido nos tempos atuais, em muitas universidades. Só é estudado sumariamente, em aulas de literatura. Vieira é muito mais que literatura, embora na literatura seja monumental.
Vieira é um grande arsenal de cultura que não podemos desperdiçar, num mundo tão carente de exemplos fortes e convincentes.
Quem tem a oportunidade de conviver com a obra de Vieira tem a obrigação moral de o divulgar e o defender de seus algozes. É questão de justiça e cidadania. Vieira é um imenso tesouro moral que não pode continuar escondido nos escombros das maledicências de alguns.
8. Recuperando a Imagem, Abolindo Preconceitos
Vieira foi sempre um homem aberto ao mundo: Foi o homem do diálogo: diálogo entre pessoas, diálogo intercultural, diálogo inter-religioso e diálogo inter-étnico; diálogo com o passado, com o presente e diálogo com o futuro.
É preciso retomar esse “diálogo” com ele mesmo: o diálogo da vida, para além do tempo e do espaço: a diálogo da modernidade, o diálogo com o nosso tempo, o diálogo com os valores perenes de nossa civilização e diálogo com o passado, com a nossa história de que ele faz parte ativa.
Vieira, como os profetas e como os grandes clássicos, é um homem plenamente atual, por sua vida e por sua obra. É um homem perseguido, por seus atos e intenções mais nobres, mas sempre aplaudido pelo povo, sempre muito respeitado e venerado. Seus paradigmas têm plena atualidade.
De Vieira e de muitos outros profetas de todos os tempos, também falava Jesus, em Mateus 23,34 e37: “Serpentes, raça de víboras (...). Eu vos envio profetas e sábios e escribas. Vós matareis e crucificareis uns e açoitareis outros(...) e os perseguireis de cidade em cidade”. “Jerusalém, Jerusalém! Tu matas os profetas e apedrejas os que te são enviados...”.
Vieira foi um homem que lutou pelos grandes valores cristãos e humanistas: pela justiça, pela liberdade, pela dignidade, pelo amor e pela paz. Lutou pelo alegre convívio das pessoas, num espaço fraternal e descontraído, como um reino celestial instituído entre os mortais, sempre plural.
Foi um homem que teve a competência e a coragem de sonhar e soube lutar por seus sonhos para conseguir realizá-los. Os pigmeus riem com desdém das utopias de Vieira. É que nada entenderam, se julgam muito sabidos e dão vexame.
Está na hora de afastar dele os preconceitos que, desde a Inquisição, prejudicam sua imagem. Está na hora de abolir a Inquisição de nossa visão cultural. Muitos ainda nela se espelham (?!). Alguns não sabem, ou não se deram conta de que a Inquisição é irmã gêmea de todos os fascismos que vicejam em todas as sociedades.
Está na hora de recuperar a imagem de Vieira na sua pureza, nos seus méritos e no seu poder de transformação. A sociedade e a Igreja, todos têm muito a ganhar com isso. Minimamente é uma atitude cristã.
É uma questão de justiça. Justiça póstuma, mas justiça pelo qual tanto lutou.
Está na hora de a Igreja o assumir como um filho predileto que sempre foi, por sua fé, por sua dedicação, por sua lealdade e por seu heroísmo.
Está na hora de a sociedade declarar a obra de Vieira patrimônio cultural do país e da humanidade, na categoria de Patrimônio Imaterial, pelo Iphan, ou algo semelhante. A cidade de Salvador poderia estudar esta hipótese.
Vieira fez mais por sua Igreja e pela humanidade; do que muitos Papas e muitos Cardeais e muitos Bispos juntos. Fez mais por seu país e por seu povo do que muitos presidentes, muitos governadores e muitos intelectuais juntos. No Brasil é considerado um dos 13 (treze) homens que mais fizeram pelo nosso país. Não foi menor a sua ação por Portugal.
Vieira pode ter cometido erros que alguns lhe atribuem, o que colocamos em dúvida. Mas o saldo de seus acertos foi infinitamente superior. Lembremo-nos de que é melhor errar tentando acertar do que omitir-se em silenciosa cumplicidade.
Vieira precisa ser mais divulgado e mais conhecido pelas novas gerações. As pessoas responsáveis precisam assumir mais esta tarefa grande, benemérita e construtiva, para uma sociedade mais justa, mais livre e mais solidária.
Quem assumirá esta tarefa? A resposta é dada na ação. Todos são chamados. Atenda quem puder. Quem convoca é a voz da história que cultua nossas raízes. É a voz da justiça
A recuperação interessa a toda a sociedade civil, por sua arte e por seus feitos e pelos valores que defendeu. Não interessa menos à Igreja de que foi filho generoso e onde ancorou seu gênio e bebeu seu saber. Interessa ao nosso país, ao qual tanto se dedicou e interessa à humanidade da qual foi filho muito especial.
*Professor da Universidade de São Paulo (aposentado) Fundador de Instituições Universitárias Modelares e de Instituições Culturais. Doutor em Lingüística e Semiótica. Autor de Poética Multissemiótica de Fernando Pessoa e de Celebrando Vieira.
[i] Conta-se que a rainha Cristina, da Suécia, coroou Antônio Vieira, com uma coroa de louros dourada, em Roma, na ocasião em que Vieira preferiu o discurso sobre as “Lágrimas de Heráclito”
sexta-feira, 4 de abril de 2008
Jornada Vieirina em Évora
Jornada Vieirina na Universidade de Évora 30 de Maio de 2008, pelas 10 horas, na sala 131 do Colégio do Espírito Santo da Universidade de Évora.
Programa
10 horas - Sessão de Abertura Intervenções:
Magnífico Reitor da Universidade de Évora, Prof. Doutor Jorge Araújo
Presidente da Comissão Organizadora de 2008 Ano Vieirino, Prof. Doutor Manuel Cândido Pimentel
Presidente da Comissão Organizadora da Jornada Vieirina, Profª. Doutora Ana Paula Banza
10h30 - Conferência de abertura
Prof. Doutor Arnaldo do Espírito Santo (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa): "A Clavis Prophetarum, outra face do pensamento do Padre António Vieira"
11h30
Prof.ª Doutora Sara Marques Pereira (Universidade de Évora): "A Universidade de Évora no tempo de Vieira".
12 horas
Prof.ª Doutora Ana Paula Banza (Universidade de Évora): "Fontes e referências eborenses na obra do Padre António Vieira".
12h30
Prof. Doutor Manuel Cândido Pimentel (Universidade Católica Portuguesa em Lisboa): "A meditação filosófica do Padre António Vieira sobre o pranto e o riso".
15 horas
Prof.ª Doutora Teresa Amado (Universidade de Évora): "Palavra e Utopia": a profecia, "O Passado e o Presente"
15h30
Prof.ª Doutora Isabel Almeida (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa): "Ver as vozes: o valor das imagens nos sermões de Vieira".
16 horas
Padre António Vaz Pinto (SJ): "Formação, Acção e Missão, na Vida e Obra do P. António Vieira."
17 horas
Prof.ª Doutora Maria Cristina Pimentel (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa): "Historiadores latinos nos Sermões do Padre António Vieira"
17h30
Prof. Doutor Francisco Ramos (Universidade de Évora): "O Alentejo e António Vieira Ravasco"
18 horas - Conferência de encerramento:
Prof. Doutor Manuel Ferreira Patrício (Universidade de Évora): "Profecia, Escatologia e Utopia na doutrina vieirina do Quinto Império".
18h45 - Encerramento dos trabalhos.
Organização: 2008 Ano Vieirino / Universidade de Évora
Informações e Contactos:Comissão Organizadora da Jornada Vieirina na Universidade de Évora
Departamento de Linguística e Literaturas da Universidade de Évora, Apartado 94, 7002-554 Évora Tel.: 266 759 350/266 759 365 Fax: 266 759 356Email: anabanza@uevora.pt (Prof.ª Ana Paula Banza)
Local: 10:00 Sala 131 do Colégio do Espírito Santo da UE
Programa
10 horas - Sessão de Abertura Intervenções:
Magnífico Reitor da Universidade de Évora, Prof. Doutor Jorge Araújo
Presidente da Comissão Organizadora de 2008 Ano Vieirino, Prof. Doutor Manuel Cândido Pimentel
Presidente da Comissão Organizadora da Jornada Vieirina, Profª. Doutora Ana Paula Banza
10h30 - Conferência de abertura
Prof. Doutor Arnaldo do Espírito Santo (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa): "A Clavis Prophetarum, outra face do pensamento do Padre António Vieira"
11h30
Prof.ª Doutora Sara Marques Pereira (Universidade de Évora): "A Universidade de Évora no tempo de Vieira".
12 horas
Prof.ª Doutora Ana Paula Banza (Universidade de Évora): "Fontes e referências eborenses na obra do Padre António Vieira".
12h30
Prof. Doutor Manuel Cândido Pimentel (Universidade Católica Portuguesa em Lisboa): "A meditação filosófica do Padre António Vieira sobre o pranto e o riso".
15 horas
Prof.ª Doutora Teresa Amado (Universidade de Évora): "Palavra e Utopia": a profecia, "O Passado e o Presente"
15h30
Prof.ª Doutora Isabel Almeida (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa): "Ver as vozes: o valor das imagens nos sermões de Vieira".
16 horas
Padre António Vaz Pinto (SJ): "Formação, Acção e Missão, na Vida e Obra do P. António Vieira."
17 horas
Prof.ª Doutora Maria Cristina Pimentel (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa): "Historiadores latinos nos Sermões do Padre António Vieira"
17h30
Prof. Doutor Francisco Ramos (Universidade de Évora): "O Alentejo e António Vieira Ravasco"
18 horas - Conferência de encerramento:
Prof. Doutor Manuel Ferreira Patrício (Universidade de Évora): "Profecia, Escatologia e Utopia na doutrina vieirina do Quinto Império".
18h45 - Encerramento dos trabalhos.
Organização: 2008 Ano Vieirino / Universidade de Évora
Informações e Contactos:Comissão Organizadora da Jornada Vieirina na Universidade de Évora
Departamento de Linguística e Literaturas da Universidade de Évora, Apartado 94, 7002-554 Évora Tel.: 266 759 350/266 759 365 Fax: 266 759 356Email: anabanza@uevora.pt (Prof.ª Ana Paula Banza)
Local: 10:00 Sala 131 do Colégio do Espírito Santo da UE
quarta-feira, 2 de abril de 2008
Colóquio sobre o Padre António Vieira
O Centro de Estudos Humanísticos da Faculdade de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa, em Braga, está a preparar a realização do Colóquio Padre António Vieira, que terá lugar a 7 de Junho.
A iniciativa desta reunião científica, que vai decorrer na Aula Magna da Faculdade de Filosofia, pertence aos docentes Cândido Oliveira Martins, Mário Garcia, S.J., João Amadeu Silva e Luís da Silva Pereira. Esta comissão organizadora afirma estar receptiva a propostas de comunicações, com a duração de 20 minutos, que lhe forem entretanto envia- das, para algumas sessões do colóquio.
No que diz respeito a prazos, o envio de propostas de comunicações deve ser feito até 27 de Abril, devendo os interessados indicar o nome e a instituição a que estão vinculados, bem como o título do trabalho a apresentar e um breve resumo.
Deste modo, os interessados podem enviar as suas propostas de comunicação através do endereço postal da Faculdade de Filosofia, das informações e contactos que constam da página web da Faculdade de Filosofia, ou ainda através do endereço electrónico cmartins@ braga.ucp.pt.
A organização recorda que desde o passado mês de Fevereiro até Fevereiro de 2009 várias universidades e academias, quer de Portugal quer de outros países, assinalam o Ano Vieirino, a pretexto da celebração do IV Centenário do Nascimento do Padre António Vieira.
São conhecidos e apreciados o perfil e a obra marcantes do Padre António Vieira, S.J., como jesuíta e missionário em terras do Brasil; como diplomata itinerante em várias cortes europeias; como pregador e mestre exímio da língua; e como fecundo pensador e profeta do Quinto Império.
A partir do séc. XVII e até à actualidade, constata-se a influência e magistério de Vieira aos mais diversos níveis, sobretudo os leitores de sucessivas gerações. Mau grado a evolução do gosto estético ao longo dos tempos, a leitura de Vieira tem atraído a admiração dos próprios criadores, como homem de acção e de pensamento, mas também como cultor modelar da língua portuguesa.
É sobre a riqueza da figura, da actuação e da obra de Vieira que variadíssimos estudiosos de diferentes países se irão encontrar em variadas reuniões académicas. Ao longo deste Ano Vieirino, terão lugar inúmeras comunicações e conferências, múltiplas publicações, diversas exposições, e outras formas de celebração de uma das figuras maiores da literatura e cultura portuguesas.
(Diário do Minho 01/04/2008)
A iniciativa desta reunião científica, que vai decorrer na Aula Magna da Faculdade de Filosofia, pertence aos docentes Cândido Oliveira Martins, Mário Garcia, S.J., João Amadeu Silva e Luís da Silva Pereira. Esta comissão organizadora afirma estar receptiva a propostas de comunicações, com a duração de 20 minutos, que lhe forem entretanto envia- das, para algumas sessões do colóquio.
No que diz respeito a prazos, o envio de propostas de comunicações deve ser feito até 27 de Abril, devendo os interessados indicar o nome e a instituição a que estão vinculados, bem como o título do trabalho a apresentar e um breve resumo.
Deste modo, os interessados podem enviar as suas propostas de comunicação através do endereço postal da Faculdade de Filosofia, das informações e contactos que constam da página web da Faculdade de Filosofia, ou ainda através do endereço electrónico cmartins@ braga.ucp.pt.
A organização recorda que desde o passado mês de Fevereiro até Fevereiro de 2009 várias universidades e academias, quer de Portugal quer de outros países, assinalam o Ano Vieirino, a pretexto da celebração do IV Centenário do Nascimento do Padre António Vieira.
São conhecidos e apreciados o perfil e a obra marcantes do Padre António Vieira, S.J., como jesuíta e missionário em terras do Brasil; como diplomata itinerante em várias cortes europeias; como pregador e mestre exímio da língua; e como fecundo pensador e profeta do Quinto Império.
A partir do séc. XVII e até à actualidade, constata-se a influência e magistério de Vieira aos mais diversos níveis, sobretudo os leitores de sucessivas gerações. Mau grado a evolução do gosto estético ao longo dos tempos, a leitura de Vieira tem atraído a admiração dos próprios criadores, como homem de acção e de pensamento, mas também como cultor modelar da língua portuguesa.
É sobre a riqueza da figura, da actuação e da obra de Vieira que variadíssimos estudiosos de diferentes países se irão encontrar em variadas reuniões académicas. Ao longo deste Ano Vieirino, terão lugar inúmeras comunicações e conferências, múltiplas publicações, diversas exposições, e outras formas de celebração de uma das figuras maiores da literatura e cultura portuguesas.
(Diário do Minho 01/04/2008)
sexta-feira, 28 de março de 2008
Por mares outrora navegados
Foram 356 dias. Durou praticamente um ano a ‘empreitada’ marítima e cultural transatlântica que Abreu Freire, investigador e professor convidado na Universidade de Aveiro (UA), e mais alguns tripulantes moveram a bordo de um veleiro para percorrer o caminho traçado pelo padre António Vieira no século XVII. No ano em que se comemoram quatro séculos do nascimento do jesuíta, Abreu Freire recorda a O AVEIRO os fundamentos e o que fica na memória de uma viagem que quase lhe ceifou a vida.
No dia 17 de Março de 2007 começou a aventura do CHIC - Cruzeiro Histórico Identidade e Cidadania. Um veleiro de 43 pés atracaria no mesmo pontão de Aveiro a 7 de Março de 2008, com cerca de mil páginas de histórias na bagagem.
Duas ordens de razões inspiraram a partida: "divulgar e entender" Vieira. A paixão pela figura brotou em Abreu Freire há mais de 30 anos, a ponto de o ter como "um dos grandes monumentos da cultura portuguesa e um dos maiores portugueses de sempre"."Pela grandeza que previu para este país, pelo seu espírito crítico e positivo, pelo empenho que teve em todas as tarefas que assumiu e pela sua visão do futuro", considera.
Ao lado do autor e comandante da expedição seguiu o alemão Dietmar Schramm, engenheiro e artista plástico e ainda o realizador Jaime Ribeiro e o cineasta Luís Costa (na viagem de ida), com o seu cão Quetzal. João Quaresma e Rafael Quaresma, marinheiros práticos do Amazonas, acompanharam-nos no regresso.
Dos assaltos a Camocim e a Belém
Na primeira paragem, em Cabo Verde, onde o Padre António Vieira passou uma semana no Natal de 1652, o grupo sofreu o primeiro "grande choque" ao ser vítima de um assalto à mão armada. Nada que desmotivasse ‘as tropas’.
Chegaram depois a Salvador da Bahia, já no Brasil, uma cidade "lindíssima, a primeira grande capital do império português, a cidade branca mais negra do mundo [risos], a cidade dos orixas, candomblés e da mistura de raças", descreve o investigador.
Depois de passarem pelo Recife, chegaram ao sítio que mais impressionou: a pequena cidade piscatória de Camocim (Ceará). "Foi quase um oásis na nossa viagem, foi a grande descoberta! É praticamente uma cidade europeia, onde tudo é português. Os nomes, as casas, o estilo... Parece uma cidadezinha do Alentejo ou das Beiras. A simpatia das pessoas foi tão grande que praticamente não nos deixaram comprar comida nenhuma. Todos os dias vinham trazer-nos peixe fresco e tomavam conta do barco".
Também São Luiz do Maranhão e Belém do Pará resgatam semelhanças "portuguesas e aveirenses", como os azulejos. A calma de Camocim contrastou com o "pandemónio" de Belém, "muito violenta, complicada e difícil" e onde foi preciso vigilância policial para proteger o barco.
Redescobrindo António Vieira
Ao longo das cidades, o grupo fez várias incursões pelo interior do Brasil, calcorreando os espaços por onde Vieira andou como educador, pregador e missionário.
"Foi em Belém do Pará e no Maranhão que ele imaginou e começou a descrever o Quinto Império e a globalização. Não foi nem em Roma, nem na Holanda, nem em Salvador da Bahia ou Lisboa, foi lá, no meio dos indígenas mais primitivos da terra onde esteve como missionário", sustenta Abreu Freire.
No Maranhão, Vieira "criou uma estratégia fantástica e fez com que hoje o Brasil fosse um só país", promovendo a ligação terrestre entre o Norte e o Sul [a navegação era impossível] através de "missões para pacificar os indígenas".
Ver a vida por um fio
O veleiro regressou à Europa fazendo escalas técnicas nas ilhas das Caraíbas, Bermudas e nos Açores e, já no continente, em Oeiras e Peniche. Porém, a volta foi melindrosa, demorando quatro penosos meses.
Atravessaram o Atlântico em pleno Inverno e enfrentaram uma tempestade tropical imprevista. Já a noite se instalara quando de repente uma "vaga imensa" fez com que o barco capotasse por completo e a tripulação temesse pela própria vida. Tiveram mais sorte que companheiros de outros barcos e não sofreram baixas.
Apesar dos muitos prejuízos a bordo e de terem de improvisar nos arranjos para "conseguirem chegar a casa", foram bem sucedidos. Percorreram quase 11 mil milhas, o equivalente a um "pouco mais de metade da volta ao mundo".
PEDRO JOSÉ BARROS, O AVEIRO, 27 de Março de 2008
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No dia 17 de Março de 2007 começou a aventura do CHIC - Cruzeiro Histórico Identidade e Cidadania. Um veleiro de 43 pés atracaria no mesmo pontão de Aveiro a 7 de Março de 2008, com cerca de mil páginas de histórias na bagagem.
Duas ordens de razões inspiraram a partida: "divulgar e entender" Vieira. A paixão pela figura brotou em Abreu Freire há mais de 30 anos, a ponto de o ter como "um dos grandes monumentos da cultura portuguesa e um dos maiores portugueses de sempre"."Pela grandeza que previu para este país, pelo seu espírito crítico e positivo, pelo empenho que teve em todas as tarefas que assumiu e pela sua visão do futuro", considera.
Ao lado do autor e comandante da expedição seguiu o alemão Dietmar Schramm, engenheiro e artista plástico e ainda o realizador Jaime Ribeiro e o cineasta Luís Costa (na viagem de ida), com o seu cão Quetzal. João Quaresma e Rafael Quaresma, marinheiros práticos do Amazonas, acompanharam-nos no regresso.
Dos assaltos a Camocim e a Belém
Na primeira paragem, em Cabo Verde, onde o Padre António Vieira passou uma semana no Natal de 1652, o grupo sofreu o primeiro "grande choque" ao ser vítima de um assalto à mão armada. Nada que desmotivasse ‘as tropas’.
Chegaram depois a Salvador da Bahia, já no Brasil, uma cidade "lindíssima, a primeira grande capital do império português, a cidade branca mais negra do mundo [risos], a cidade dos orixas, candomblés e da mistura de raças", descreve o investigador.
Depois de passarem pelo Recife, chegaram ao sítio que mais impressionou: a pequena cidade piscatória de Camocim (Ceará). "Foi quase um oásis na nossa viagem, foi a grande descoberta! É praticamente uma cidade europeia, onde tudo é português. Os nomes, as casas, o estilo... Parece uma cidadezinha do Alentejo ou das Beiras. A simpatia das pessoas foi tão grande que praticamente não nos deixaram comprar comida nenhuma. Todos os dias vinham trazer-nos peixe fresco e tomavam conta do barco".
Também São Luiz do Maranhão e Belém do Pará resgatam semelhanças "portuguesas e aveirenses", como os azulejos. A calma de Camocim contrastou com o "pandemónio" de Belém, "muito violenta, complicada e difícil" e onde foi preciso vigilância policial para proteger o barco.
Redescobrindo António Vieira
Ao longo das cidades, o grupo fez várias incursões pelo interior do Brasil, calcorreando os espaços por onde Vieira andou como educador, pregador e missionário.
"Foi em Belém do Pará e no Maranhão que ele imaginou e começou a descrever o Quinto Império e a globalização. Não foi nem em Roma, nem na Holanda, nem em Salvador da Bahia ou Lisboa, foi lá, no meio dos indígenas mais primitivos da terra onde esteve como missionário", sustenta Abreu Freire.
No Maranhão, Vieira "criou uma estratégia fantástica e fez com que hoje o Brasil fosse um só país", promovendo a ligação terrestre entre o Norte e o Sul [a navegação era impossível] através de "missões para pacificar os indígenas".
Ver a vida por um fio
O veleiro regressou à Europa fazendo escalas técnicas nas ilhas das Caraíbas, Bermudas e nos Açores e, já no continente, em Oeiras e Peniche. Porém, a volta foi melindrosa, demorando quatro penosos meses.
Atravessaram o Atlântico em pleno Inverno e enfrentaram uma tempestade tropical imprevista. Já a noite se instalara quando de repente uma "vaga imensa" fez com que o barco capotasse por completo e a tripulação temesse pela própria vida. Tiveram mais sorte que companheiros de outros barcos e não sofreram baixas.
Apesar dos muitos prejuízos a bordo e de terem de improvisar nos arranjos para "conseguirem chegar a casa", foram bem sucedidos. Percorreram quase 11 mil milhas, o equivalente a um "pouco mais de metade da volta ao mundo".
PEDRO JOSÉ BARROS, O AVEIRO, 27 de Março de 2008
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quarta-feira, 26 de março de 2008
Padre António Vieira
O que há de grande na vida e obra do Padre António Vieira é a harmonia do cristão, pregador e missionário, do português, patriota e combatente, do homem, humanista e lutador pela dignidade dos outros homens. Uma harmonia entre o explorador da Amazónia, o mensageiro secreto e discreto do rei, humanista de grande saber e de voz profética, orador e estilista ímpar. É o lutador do pensamento, o visionário realista destes quase 90 anos passados numa e noutra margem do Atlântico, dos faustos da Roma barroca dos papas aos sertões da Baía, da companhia dos grandes da política europeia aos míseros índios do Maranhão, entre o favor dos reis e a perseguição dos grandes. No Brasil português, Vieira bateu-se pela dignidade dos índios, defendendo-os contra as injustiças e opressão, ao mesmo tempo que procurava para eles a protecção da Coroa, o que lhe valeu a fúria dos colonos. Deste tempo e circunstância data o mais célebre dos seus sermões, o Sermão de Santo António aos Peixes. Também neste tempo brasileiro ele explorou a bacia do Amazonas, viajando milhares de quilómetros rio acima, embrenhando-se pelo Tocatins e pelo Madeira, e nessas paragens terá redigido o Quinto Império do Mundo, Esperanças de Portugal.
Esta actividade no terreno não o impede, porém, de dar largas a uma outra das suas facetas: a de conceber grandes projectos estratégicos para Portugal, tais como o de conseguir o retorno ao reino dos cristãos-novos emigrados na Europa e dos seus capitais, a troco da liberdade religiosa; e a concepção de uma grande companhia multinacional de comércio e navegação, para o Brasil e o Oriente, à semelhança das companhias majestáticas holandesas. Entretanto, a maioria destes projectos malogrou-se, pois Vieira, como outros portugueses de excepção, teve dificuldade em ser entendido pelos poderosos do seu tempo e gerou, bem pelo contrário, um cortejo de invejas, de calúnias, de intrigas, de golpes baixos.
Quatrocentos anos depois do seu nascimento, o que ainda impressiona na pessoa, na vida e na obra do Padre António Vieira é precisamente esta "harmonia da discordância" das actividades, a extraordinária qualidade do trabalho desenvolvido em áreas tão diversas, em ambientes tão distantes, em "províncias do saber" tão variadas, em terras e gentes tão remotas. E sempre fiel ao seu Deus e à sua Pátria, aos seus ideais católicos e portugueses, sem parar por isso de interrogar o tempo e os seus modos, o passado, o presente e o futuro. E que espantosa modernidade, assente num profundo conhecimento da natureza humana, das suas limitações e grandezas, expressa de forma ímpar no sermão Pelo Bom Sucesso das Nossas Armas: "A mais perigosa consequência da guerra e a que mais se deve recear nas batalhas, é a opinião. Na perda de uma batalha arrisca-se um exército; na perda da opinião arrisca-se um reino. Salomão, o Rei mais sábio, dizia que 'o melhor era o bom nome, que o óleo com que se ungiam os reis'; porque a unção pode dar reinos, a opinião pode tirá-los.
"Vieira era, por tudo isto, um visionário genial. Tendo lutado por um poder português no mundo, assente nos factores materiais do poder - nas armas, nas armadas, nas fortalezas -, procurando consequentemente o dinheiro e negócios necessários para os manter, ele viu também que o destino de Portugal era o de poder vir a ser um Quinto Império: um Império de "mil e muitos anos", uma utopia político-social, sem limite e sem distância, para chegar ao futuro, depois de cumpridos e acabados todos os impérios - inclusive o império português! Seria esse império do futuro a luta que ele travou contra o preconceito racial e esclavagista que expulsara o cristão-novo e oprimia o índio brasileiro? Talvez. Mas, de qualquer modo, um genial profetismo este, nos meados do século XVII, um padre jesuíta que pensa uma companhia transnacional para responder à globalização dos mercados e dos interesses, que prega a grande unidade e dignidade universais das criaturas do Reino de Deus neste mundo, e que a tudo isto dá um sentido cristão e português.
(MARIA JOSÉ NOGUEIRA PINTO, "DIÁRIO DE NOTÍCIAS", 27.3.08)
Esta actividade no terreno não o impede, porém, de dar largas a uma outra das suas facetas: a de conceber grandes projectos estratégicos para Portugal, tais como o de conseguir o retorno ao reino dos cristãos-novos emigrados na Europa e dos seus capitais, a troco da liberdade religiosa; e a concepção de uma grande companhia multinacional de comércio e navegação, para o Brasil e o Oriente, à semelhança das companhias majestáticas holandesas. Entretanto, a maioria destes projectos malogrou-se, pois Vieira, como outros portugueses de excepção, teve dificuldade em ser entendido pelos poderosos do seu tempo e gerou, bem pelo contrário, um cortejo de invejas, de calúnias, de intrigas, de golpes baixos.
Quatrocentos anos depois do seu nascimento, o que ainda impressiona na pessoa, na vida e na obra do Padre António Vieira é precisamente esta "harmonia da discordância" das actividades, a extraordinária qualidade do trabalho desenvolvido em áreas tão diversas, em ambientes tão distantes, em "províncias do saber" tão variadas, em terras e gentes tão remotas. E sempre fiel ao seu Deus e à sua Pátria, aos seus ideais católicos e portugueses, sem parar por isso de interrogar o tempo e os seus modos, o passado, o presente e o futuro. E que espantosa modernidade, assente num profundo conhecimento da natureza humana, das suas limitações e grandezas, expressa de forma ímpar no sermão Pelo Bom Sucesso das Nossas Armas: "A mais perigosa consequência da guerra e a que mais se deve recear nas batalhas, é a opinião. Na perda de uma batalha arrisca-se um exército; na perda da opinião arrisca-se um reino. Salomão, o Rei mais sábio, dizia que 'o melhor era o bom nome, que o óleo com que se ungiam os reis'; porque a unção pode dar reinos, a opinião pode tirá-los.
"Vieira era, por tudo isto, um visionário genial. Tendo lutado por um poder português no mundo, assente nos factores materiais do poder - nas armas, nas armadas, nas fortalezas -, procurando consequentemente o dinheiro e negócios necessários para os manter, ele viu também que o destino de Portugal era o de poder vir a ser um Quinto Império: um Império de "mil e muitos anos", uma utopia político-social, sem limite e sem distância, para chegar ao futuro, depois de cumpridos e acabados todos os impérios - inclusive o império português! Seria esse império do futuro a luta que ele travou contra o preconceito racial e esclavagista que expulsara o cristão-novo e oprimia o índio brasileiro? Talvez. Mas, de qualquer modo, um genial profetismo este, nos meados do século XVII, um padre jesuíta que pensa uma companhia transnacional para responder à globalização dos mercados e dos interesses, que prega a grande unidade e dignidade universais das criaturas do Reino de Deus neste mundo, e que a tudo isto dá um sentido cristão e português.
(MARIA JOSÉ NOGUEIRA PINTO, "DIÁRIO DE NOTÍCIAS", 27.3.08)
O dia da Paixão
Neste ano, meu artigo de Sexta-Feira da Paixão corresponde aos 400 anos do nascimento do Padre Antonio Vieira, a quem Fernando Pessoa chamou de imperador da língua portuguesa. Vieira sobreviveu quatro séculos e continuará vivo porque não foi somente o pregador, o divulgador da fé, o evangelizador dos índios e o inconformado com todos os tipos de escravidão humana. Foi um humanista e um grande escritor. E, como escritor, vive na eternidade de grande pensador. Fazem parte dos seus grandes sermões os quaresmais. Ele não se continha no relembrar os fatos litúrgicos da Paixão, os episódios que levaram à crucificação, mas enfrentava os sentimentos maiores contidos na visão cristã da morte pelos homens do filho de Deus. Tomemos por exemplo o ‘Sermão da Primeira Sexta-Feira da Quaresma’ de 1644. Não é um convite ao recolhimento, é a proposta de meditar sobre um tema difícil e sempre dentro de nós: amor e ódio. O mais difícil de todos os ensinamentos de Cristo, que é aquele que manda ‘amar vossos inimigos’ (‘Diligite inimicos vestros’, Mt. 5). Esse preceito é ‘o mais rigoroso da lei evangélica’, sustentavam santo Agostinho e são Jerônimo. ‘Repugnante à natureza humana’, e sobre esta natureza devia ser a meditação de todo o tempo dos 40 dias da Quaresma, que comparava aos 40 dias do dilúvio. ‘Neste chovia água, naquele, misericórdia’. A chave de cumprir aquele princípio está em Sêneca: 'Se queres ser amado, ama' ('Si vis amari, ama'). A Quaresma, para Vieira, é tempo de ‘desenganos’, em que se tem o exemplo do ‘destino da existência humana’. Começa com cinzas, a lembrar que somos pó e ao pó retornaremos, em seguida vem o sacrifício de jejum, a cobertura dos altares, para que nem os santos vejam essa ‘semana penosa’, na expressão de são Bernardo, mas a semana maior do calendário da igreja. E nos propõe meditar sobre ‘quem padece, o que padece, por quem padece’. Com Alçada Batista, grande escritor português, numa Semana Santa em Lisboa, discutíamos sobre a fé, o difícil espaço das religiões nos dias atuais, e ele me resumiu todo o simbolismo da Sexta-Feira da Paixão: ‘Só há uma maneira de afastarmos todas as dúvidas: é saber que ela traz um mistério e os mistérios não são revelados. Acreditar sem indagações’. Eu acrescentaria a chave de nossa fé, que seria vã, na expressão de são Paulo, se não fosse a ressurreição. ‘Sem ressurreição, não há cristianismo’. E aqui vai o meu sermão com o mesmo Deus da minha infância, da minha juventude, da minha maturidade, da minha velhice, que um dia me cobrará: ‘José, onde estão tuas mãos que eu enchi de estrelas?’.
(DIÁRIO DO AMAZONAS, 26.3.08)
(DIÁRIO DO AMAZONAS, 26.3.08)
quarta-feira, 19 de março de 2008
Padre Antônio Vieira 400 anos
Na sessão solene na Câmara Municipal de Salvador, no dia 11.03.2008, em homenagem ao IV Centenário de nascimento do Pe. Antônio VieiraO menino Antônio Vieira chegou à Cidade da Bahia nos idos de 1614, vindo de Lisboa, com a família. Tinha seis anos de idade. As ruas desta cidade, então capital da Colônia, testemunharam a trajetória do menino que morava nos arredores do Mosteiro de São Bento e freqüentava as aulas do Colégio do Jesuítas, no Terreiro de Jesus. O Paço Municipal, este edifício em que nos encontramos agora, ficava bem no meio do trajeto que o pequeno Antônio fazia todos os dias até à escola. Esta cidade viu aquele menino crescer “em idade, sabedoria e graça”, até se tornar o gigante que atravessou o séc. XVII, deixando a sua marca definitiva na nossa história. O jovem que aos 15 anos, escolhendo servir à maior glória de Deus, desafiou o mundo – disse não ao próprio pai que queria vê-lo noutra posição, noutra carreira - para se tornar jesuíta, amadureceu no confronto com a dura realidade do seu tempo.
Tendo recebido toda a sua formação acadêmica aqui, no Colégio dos Jesuítas da Bahia, tornou-se o maior autor de língua portuguesa do século XVII, um dos mais celebrados oradores sacros de todos os tempos.
Para se ter uma idéia do – digamos – magnetismo de sua oratória, vejamos a descrição que faz um de seus biógrafos, o padre André de Barros: “Correu fama e antes de repontar o dia, começou a ocupar-se o largo terreiro adjacente ao Colégio. Via-se das janelas a multidão e prevendo-se as conseqüências dela, celebraram-se as missas a portas fechadas. Mas, logo que se abriram e entrou a imensa turba, viu-se tomado o amplíssimo espaço, impedindo só o respeito o não subirem também aos altares. Chegadas as horas de sair a missa solene para o altar-mor, como era grande a multidão de gente, foi dificultoso o passarem com decência os celebrantes, não sendo menor depois a dificuldade para chegar ao púlpito o esperado orador.”.
Podemos nos perguntar: Qual a relevância da palavra do Pe. Antônio Vieira para os dias de hoje? O que a vida e a obra de um jesuíta que viveu 400 anos atrás pode nos inspirar? Sugiro que escutemos o próprio Antônio Vieira.
Sobre a pretensão de nobreza, de prestígio, da honra vã do mundo, ele diz: “A verdadeira fidalguia é a ação... Cada um é as suas ações, e não outra coisa... Quando vos perguntarem quem sois vós, não vades revolver o nobiliário de vossos avós, ide ver a matrícula de vossas ações... O que fazeis, isso sois, nada mais.”
A igualdade de todos perante Deus é matéria de reflexão de Vieira: “A lei de Cristo é uma lei que se estende a todos, com igualdade, e que obriga a todos sem privilégio: ao grande e ao pequeno: ao alto e ao baixo: ao rico e ao pobre: a todos mede pela mesma medida”, diz o Pe. Vieira no Sermão de Santo Antonio.
Sobre a escravização dos índios, causa que consumiu não poucos anos de sua longa e atribulada vida de missionário, junto com os seus companheiros jesuítas pelos sertões do Brasil, faz a seguinte reflexão: “Não posso, porém, negar que todos nesta parte, e eu em primeiro lugar, somos muito culpados... porque devendo defender os gentios que trazemos a Cristo... acomodando-nos à fraqueza do nosso poder e à força do alheio, cedemos da sua justiça, e faltamos à sua defesa...à força de persuasões e promessas (que se lhes não guardam) os arrancamos das suas terras, trazendo as povoações inteiras a viver ou morrer junto das nossas...não só não lhes defendemos a liberdade, mas pactuamos com eles e por eles, como seus curadores, que sejam meio cativos, obrigando-os a servir alternadamente a metade do ano” (Sermão da Epifania, l662).
A escravidão negra, ferida ainda aberta na nossa consciência de povo brasileiro, foi também tema de suas exortações. Em um dos Sermões do Rosário, compara os escravos negros ao próprio Cristo. Ele diz: “Em um engenho sois imitadores de Cristo crucificado: porque padeceis em um modo muito semelhante o que o mesmo Senhor padeceu na sua cruz, e em toda a sua paixão... Cristo despido, e vós despidos: Cristo sem comer, e vós famintos: Cristo em tudo maltratado, e vós maltratados em tudo.” Falando da crueldade dos senhores de engenho no trato com os escravos: “Eles mandam e vós servis; eles dormem e vós velais; eles descansam, e vós trabalhais; eles gozam o fruto de vossos trabalhos... Não há trabalhos mais doces que o das vossas oficinas; mas toda essa doçura para quem é? Sois como abelhas... as abelhas fabricam o mel, sim; mas não para si.” Em outro texto, Vieira convida a uma reflexão a respeito da dignidade dos negros, filhos de Deus e herdeiros do Cristo: “Estes homens não são filhos do mesmo Adão e da mesma Eva? Estas almas não foram resgatadas com o sangue do mesmo Cristo? Não há escravo no Brasil, e mais quando vejo os mais miseráveis, que não seja para mim matéria de profunda meditação... Comparo o presente com o futuro, o tempo com a Eternidade, o que vejo com o que creio, e não posso entender que Deus, que criou estes homens tanto à sua imagem e semelhança, como os demais, os predestinasse para doces infernos, um nesta vida, outro na outra.”
Condena o luxo e a riqueza dos abastados de seu tempo, em contraste com o sofrimento dos pobres: “Se as galas, as jóias e as baixelas ... foram adquiridas com tanta injustiça e crueldade, que o ouro e a prata derretidos, e as sedas se se espremeram, haviam de verter sangue; como se há-de ver a fé nessa falsa riqueza? Se as vossas paredes estão vestidas de preciosas tapeçarias, e os miseráveis a quem despistes para as vestir a elas, estão nus e morrendo de frio; como se há-de ver a fé, nem pintadas nas vossas paredes?” (Sermão da Quinta Dominga da Quaresma)
A corrupção dos governantes, mal secular que envergonha nossa civilização, é motivo também da denúncia do jesuíta profeta. No Sermão do Bom ladrão, ele diz: “O ladrão que furta para comer, não vai, nem leva ao inferno; os que não só vão, mas levam, de que eu trato, são outros ladrões, de maior calibre e de mais alta esfera, os quais debaixo do mesmo nome e do mesmo predicamento, distingue muito bem S. Basílio Magno: Não são só ladrões, diz o santo, os que cortam bolsas ou espreitam os que se vão banhar, para lhes colher a roupa: os ladrões que mais própria e dignamente merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais já com manha, já com força, roubam e despojam os povos. Os outros ladrões roubam um homem: estes roubam cidades e reinos; os outros furtam debaixo do seu risco: estes sem temor, nem perigo; os outros, se furtam, são enforcados: estes furtam e enforcam”.
Sobre o Brasil e a Bahia, e a ganância dos que exploravam as riquezas desta terra, diz Vieira no final do Sermão da Visitação: “quero acabar este sermão com uma profecia alegre...e é que desta vez se há de restaurar o Brasil... Muitos transes... tens padecido, desgraciado Brasil, muitos te desfizeram para se fazerem, muitos edificam palácios com os pedaços de tuas ruínas, muitos comem o seu pão ou o pão não seu com o suor do teu rosto; eles ricos, tu pobre; eles salvos, tu em perigo; eles por ti vivendo em prosperidade, tu por eles a risco de expirar. Mas agora alegra-te, anima-te, torna em ti, e dá graças a Deus, que já por mercê sua estamos em tempo que se concorrermos com o nosso suor, há de ser para a nossa saúde.” ... “Anime-se, pois, a fidelidade e liberalidade deste povo a se socorrer e ajudar nesta causa tão justa e tão sua, estando mui certo e seguro que se der o suor, se der o sangue, não há de ser para que outros vivam e triunfem, senão para que nós vivamos e triunfemos de nossos inimigos. Tudo o que der a Bahia, para a Bahia há de ser; tudo o que se tirar do Brasil, com o Brasil se há de gastar.”
A palavra do Pe. Antônio Vieira, lapidada em meio aos conflitos políticos e religiosos da Colônia e da Metrópole no século XVII, ecoa hoje profética, denunciando os nossos pecados como nação, como Igreja, como povo. E anuncia a redenção dos que preferem trilhar o caminho apontado por Jesus no seu Evangelho: o caminho da caridade, da ética, da solidariedade com os empobrecidos, da promoção da justiça que a própria fé exige. O caminho da retidão do coração, da consciência limpa.
Homens e mulheres do século XXI, se quisermos de fato encarar os males de nosso mundo, de nosso país, de nossa cidade, com o olhar crítico, com a visão limpa e o desejo de escrever a “história do nosso presente e do nosso futuro”, olhemos o exemplo deste homem que nos precedeu no limiar de nossa história enquanto nação.
A palavra – eterna! – de Vieira atravessa os séculos. E hoje é fonte de inspiração a todos nós, que desejamos construir um mundo mais humano, mais bonito, onde o ser humano possa brilhar, como a glória de Deus!
Pe. Miguel de Oliveira Martins Filho sj
Padre jesuíta, assistente da Direção,
Professor e Orientador Espiritual
no Colégio Antônio Vieira.
miguel@jesuitas.org.br
Vieira em Salvador
Dois eventos marcam a abertura das comemorações do IV Centenário em SalvadorMúsica Barroca para celebrar o IV Centenário de Antônio Vieira
O Colégio Antônio Vieira, dos Jesuítas da Província Brasil Nordeste da Companhia de Jesus, abriu as comemorações do IV Centenário de nascimento de seu patrono na capital da Bahia, com um concerto solene de música barroca na Catedral Basílica de Salvador, no domingo, dia 09 de março (na imagem) . Sob a regência do maestro alemão Hans Bönisch, mestre de Capela da Catedral, o Coro e Orquestra Barroco na Bahia apresentou peças de Govanni Baptista Pergolesi (“Stabat Mater”), Antonio Vivaldi (”Beatus Vir”), e Johann Sebastian Bach (“Meinen Jesum Iass ich nicht – BWV 124”), com a participação das solistas Cyrene Paparotti, Anatália Jatobá Neta e Isabelle Aguiar. A Catedral Basílica é a antiga Igreja do Colégio dos jesuítas da Bahia, uma belíssima expressão do barroco jesuítico, palco da vida do Pe. Antônio Vieira no século XVII.
Sessão solene na Câmara Municipal de Salvador
A Câmara Municipal de Salvador promoveu uma sessão solene para marcar o IV Centenário de nascimento do Pe. Antônio Vieira e o aniversário de 97 anos do Colégio que leva seu nome. A sessão especial foi proposta pelo Vereador Silvoney Sales, e contou com a presença de alunos, professores, funcionários e jesuítas do Colégio Antônio Vieira, instituição educativa da Província Brasil Nordeste da Companhia de Jesus, que conta hoje com 4.500 alunos. O Pe. Domingos Mianulli, diretor do Colégio, lembrou no seu discurso as motivações que levaram os jesuítas portugueses a escolherem o nome do Pe. Antônio Vieira como patrono do colégio que fundaram em Salvador no dia 15 de março de 1911, ano do retorno dos jesuítas ao nordeste brasileiro, muitos anos depois da sua expulsão, no final do século XVIII.
Ver no post seguinte a imagem dessa sessão e a intervenção nela proferida
segunda-feira, 17 de março de 2008
Cruzeiro nas rotas de Vieira
Terminou, no início deste mês de Março, a viagem pela rota marítima que o Padre António Vieira traçou, há quatro séculos, e que o Cruzeiro Histórico Identidade e Cidadania (CHIC) percorreu ao longo de aproximadamente um ano. A expedição marítima está integrada no projecto “ICIPAV.2008 – Identidade e Cidadania: Padre António Vieira 2008”, em associação com o Mestrado em Ciências da Educação, ministrado pelo Departamento de Ciências da Educação da Universidade de Aveiro (UA).
A coordenação do projecto, a cargo Abreu Freire, faz parte da programação comemorativa do Ano Vieirino (os 400 anos do nascimento de António Vieira foram assinalados a 6 de Fevereiro). Tal como recorda a UA em comunicado, o CHIC largou, a 17 de Março de 2007, de Aveiro em direcção aos caminhos marítimo percorridos por António Vieira, um dos maiores escritores de língua portuguesa.
Numa primeira fase, com quatro tripulantes a bordo, o CHIC atravessou o Atlântico rumo ao Brasil. A 21 de Março chegou à ilha da Madeira e, a 1 de Abril, a Cabo Verde de onde partiu, a 12, para atravessar a linha do Equador (21 de Abril). A chegada a São Salvador da Bahia deu-se a 30 desse mês, 43 dias depois de abandonar Aveiro.
A segunda fase da jornada reconstituiu o percurso de Vieira no Brasil (Recife, 27 de Julho, Ceará, 18 de Agosto e 16 dias depois, Camocim. A viagem prosseguiu por São Luís do Maranhão e Belém do Pará).A viagem foi registada por dois tripulantes, profissionais do audiovisual, para edição breve em formato de cinema, televisão e multimédia. No blogue do projecto, Abreu Freire descreveu os passos do CHIC, construindo o “Dário de Bordo”.
Em http://www.ua.pt/vieira2008/ pode ler-se “A viagem de regresso começou a 30 de Outubro, fazendo escala em diversas ilhas das Caraíbas. Martinique a 10 de Novembro, Guadeloupe no dia 20, Barbuda e Antígua nos dias seguintes. Em Saint Martin, alguns dias de reparações e largada a 6 de Dezembro. Uma violenta tempestade tropical fez “capotar" o CHIC e obrigou a uma nova paragem forçada em Hamilton nas Bermudas. Depois de escalar nos Açores, chegou a Oeiras, de onde o padre António Vieira partia no seu tempo. Mais uma paragem em Peniche e regressou às águas calmas da Ria de Aveiro, completando quase um ano de viagem pelas rotas de Vieira”.
Apesar de todos os contratempos vividos durante o ano de navegação, o veleiro CHIC espalhou, com êxito, a palavra de António Vieira pelo Atlântico. É desta forma que o mentor do projecto sintetiza a experiência: “Pelo longo roteiro desta viagem encontrámos paisagens deslumbrantes, no mar como na terra, florestas e desertos, (…) grandes cidades e aldeias remotas, e sobretudo seres humanos maravilhosos com quem partilhámos as nossas paixões e o nosso vinho. Valeu a pena percorrer estes espaços de um dos maiores portugueses de sempre, para melhor entendermos a sua mensagem, para dar a conhecer a todos quantos hoje se apaixonam pela nossa língua a grandeza inimitável do seu poder de crítica construtiva, do seu patriotismo, da sua visão optimista de um futuro grandioso para todos os que falam português, o que tarda a acontecer”.
A próxima etapa levará Abreu Freire a cruzar os percursos de Vieira na Europa.
Veja a notícia no CienciaPT.
A coordenação do projecto, a cargo Abreu Freire, faz parte da programação comemorativa do Ano Vieirino (os 400 anos do nascimento de António Vieira foram assinalados a 6 de Fevereiro). Tal como recorda a UA em comunicado, o CHIC largou, a 17 de Março de 2007, de Aveiro em direcção aos caminhos marítimo percorridos por António Vieira, um dos maiores escritores de língua portuguesa.
Numa primeira fase, com quatro tripulantes a bordo, o CHIC atravessou o Atlântico rumo ao Brasil. A 21 de Março chegou à ilha da Madeira e, a 1 de Abril, a Cabo Verde de onde partiu, a 12, para atravessar a linha do Equador (21 de Abril). A chegada a São Salvador da Bahia deu-se a 30 desse mês, 43 dias depois de abandonar Aveiro.
A segunda fase da jornada reconstituiu o percurso de Vieira no Brasil (Recife, 27 de Julho, Ceará, 18 de Agosto e 16 dias depois, Camocim. A viagem prosseguiu por São Luís do Maranhão e Belém do Pará).A viagem foi registada por dois tripulantes, profissionais do audiovisual, para edição breve em formato de cinema, televisão e multimédia. No blogue do projecto, Abreu Freire descreveu os passos do CHIC, construindo o “Dário de Bordo”.
Em http://www.ua.pt/vieira2008/ pode ler-se “A viagem de regresso começou a 30 de Outubro, fazendo escala em diversas ilhas das Caraíbas. Martinique a 10 de Novembro, Guadeloupe no dia 20, Barbuda e Antígua nos dias seguintes. Em Saint Martin, alguns dias de reparações e largada a 6 de Dezembro. Uma violenta tempestade tropical fez “capotar" o CHIC e obrigou a uma nova paragem forçada em Hamilton nas Bermudas. Depois de escalar nos Açores, chegou a Oeiras, de onde o padre António Vieira partia no seu tempo. Mais uma paragem em Peniche e regressou às águas calmas da Ria de Aveiro, completando quase um ano de viagem pelas rotas de Vieira”.
Apesar de todos os contratempos vividos durante o ano de navegação, o veleiro CHIC espalhou, com êxito, a palavra de António Vieira pelo Atlântico. É desta forma que o mentor do projecto sintetiza a experiência: “Pelo longo roteiro desta viagem encontrámos paisagens deslumbrantes, no mar como na terra, florestas e desertos, (…) grandes cidades e aldeias remotas, e sobretudo seres humanos maravilhosos com quem partilhámos as nossas paixões e o nosso vinho. Valeu a pena percorrer estes espaços de um dos maiores portugueses de sempre, para melhor entendermos a sua mensagem, para dar a conhecer a todos quantos hoje se apaixonam pela nossa língua a grandeza inimitável do seu poder de crítica construtiva, do seu patriotismo, da sua visão optimista de um futuro grandioso para todos os que falam português, o que tarda a acontecer”.
A próxima etapa levará Abreu Freire a cruzar os percursos de Vieira na Europa.
Veja a notícia no CienciaPT.
quinta-feira, 13 de março de 2008
Sermões de Vieira
Em seus cerca de 220 sermões (são peças oratória de cerca de 50 páginas, em média), Vieira abordou temas sacros e profanos, sempre com paixão e eloquência, com objetividade e sapiência, com amor e inteligência, com oportunidade e consciência; e, entre os nove sermões designados de Santo Antônio (de Lisboa, dito de Pádua), o que hoje abordamos é o dos peixes, decerto o mais conhecido, e, indiscutivelmente, entre todos o mais brilhante, até porque inspirado no famosíssimo e homónimo sermão do Santo, também ele brilhantíssimo orador sacro, se bem que, ambos, profundos psicólogos, sensíveis sociólogos, sapientíssimos filósofos, brilhantes estilistas, atributos diuturnamente comprovados, pelo que muitos e profundos ensinamentos transmitem aos leitores. Neste sermão, começa Vieira por declarar: "Nas festas dos santos, é melhor pregar como eles, que pregar deles". Foi pregado a 13 de junho de 1654 em São Luís do Maranhão, e é como que uma continuação do Sermão das Tentações, também pregado perante os colonos, em defesa da libertação do índios escravos, quando Vieira lhes atirou: Que vós, que vossas mulheres, que vossos filhos e que todos nós nos sustentássemos DOS NOSSOS BRAÇOS; porque melhor é SUSTENTAR do SUOR PRÓPRIO, QUE DO SANGUE ALHEIO"!.
O "Sermão das Tentações" teve certo impacto entre os colonos esclavagistas, mas, com o tempo, tudo foi regressando ao estado anterior, pelo que o nosso EVANGELIZADOR, no ano seguinte, achou por bem voltar à carga, e fê-lo magistralmente com o "Sermão de Santo Antônio", ou dos Peixes, onde usou abundantemente de metáforas e alegorias, no sentido de impressionar e influenciar as "almas" de seus ouvintes, deles conseguindo, assim, algumas regalias para os pobres índios seus protegidos, objecto, meta e razão de ser de seu apostolado. Neste sermão, Antônio Vieira começou por dissertar sobre o tema "
Vós sois o sal da Terra", enquanto elemento inibidor da CORRUPÇÂO - das almas, que também dos corpos - após o que passou ao tema principal (os homens peixes), para, logo depois, apontar a sua bateria de argumentos, exemplos e questionamentos contra as injustiças e violencias dos "grandes" contra os "pequenos", dos poderosos contra os indefesos, dos parasitas contra os que trabalham. Foi então que desferiu esta certeira acertiva:
"A primeira coisa que me desedifica de vós - peixes - É QUE VÓS VOS COMEIS UNS AOS OUTROS. Não só vos comeis uns aos outros, SENÃO QUE OS GRANDES COMEM OS PEQUENOS. Se fora pelo contrário, era menos mal. Se os pequenos comessem os grandes, bastaria um grande para muitos pequenos; mas, como os grandes comem os pequenos, NÃO BASTAM 100 PEQUENOS, nem 1.000, PARA UM SÓ GRANDE, e, para que vejais que estes comidos na terra são os pequenos, e pelos modos que vós vos comeis no mar...OS HOMENS, COM SUAS MÁS E PERVERSAS COBIÇAS, vêm a ser como os peixes, que se comem uns aos outros...Santo Agostinho, que pregava aos homens, para encarecer a fealdade deste escândalo, mostrou-lho nos peixes; e eu, que prego aos peixes, para que vejais quão feio e abominável é,QUERO QUE O VEJAIS NOS HOMENS. Olhai, peixes, lá do mar para a terra...cuidais que só os tapuias (índios) se comem uns aos outros?. Muito maior açougue é o de cá, MUITO MAIS SE COMEM OS BRANCOS".
Desde então - como agora e sempre, por todos os séculos - vêm os homens de bem (recordemos os Homens Bons, como eram chamados os venerandos vereadores dos municípios de antanho, que nada ganhavam para - com competência e honradez - governar os seus munícipes, e cotejêmo-los com a caterva de hoje) pregando mais para os peixes que para os governantes e poderosos, uns e outros, na maioria dos casos, comendo por si e por muitos, "quando um só dos GRANDES daria para sustentar 100 ou 1.000 dos pequenos"!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!. Como dizia Camões - mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, muda-se o prazer e a confiança - tudo é feito de mudança...- só neste caso continua a mesma dança!!!, diríamos nós, olhando as misérias deste mundo, face a tanto desperdício, a violência, que atinge principalmente os pacíficos, a maldade, que ataca especialmente os bons, a indignidade, de que são vítimas normalmente os dignos, a miséria em que se encontram os que mais arduamente trabalham e produzem. PENSEM EM TUDO ISTO!!!
(José Verdasca, escritor português)
O "Sermão das Tentações" teve certo impacto entre os colonos esclavagistas, mas, com o tempo, tudo foi regressando ao estado anterior, pelo que o nosso EVANGELIZADOR, no ano seguinte, achou por bem voltar à carga, e fê-lo magistralmente com o "Sermão de Santo Antônio", ou dos Peixes, onde usou abundantemente de metáforas e alegorias, no sentido de impressionar e influenciar as "almas" de seus ouvintes, deles conseguindo, assim, algumas regalias para os pobres índios seus protegidos, objecto, meta e razão de ser de seu apostolado. Neste sermão, Antônio Vieira começou por dissertar sobre o tema "
Vós sois o sal da Terra", enquanto elemento inibidor da CORRUPÇÂO - das almas, que também dos corpos - após o que passou ao tema principal (os homens peixes), para, logo depois, apontar a sua bateria de argumentos, exemplos e questionamentos contra as injustiças e violencias dos "grandes" contra os "pequenos", dos poderosos contra os indefesos, dos parasitas contra os que trabalham. Foi então que desferiu esta certeira acertiva:
"A primeira coisa que me desedifica de vós - peixes - É QUE VÓS VOS COMEIS UNS AOS OUTROS. Não só vos comeis uns aos outros, SENÃO QUE OS GRANDES COMEM OS PEQUENOS. Se fora pelo contrário, era menos mal. Se os pequenos comessem os grandes, bastaria um grande para muitos pequenos; mas, como os grandes comem os pequenos, NÃO BASTAM 100 PEQUENOS, nem 1.000, PARA UM SÓ GRANDE, e, para que vejais que estes comidos na terra são os pequenos, e pelos modos que vós vos comeis no mar...OS HOMENS, COM SUAS MÁS E PERVERSAS COBIÇAS, vêm a ser como os peixes, que se comem uns aos outros...Santo Agostinho, que pregava aos homens, para encarecer a fealdade deste escândalo, mostrou-lho nos peixes; e eu, que prego aos peixes, para que vejais quão feio e abominável é,QUERO QUE O VEJAIS NOS HOMENS. Olhai, peixes, lá do mar para a terra...cuidais que só os tapuias (índios) se comem uns aos outros?. Muito maior açougue é o de cá, MUITO MAIS SE COMEM OS BRANCOS".
Desde então - como agora e sempre, por todos os séculos - vêm os homens de bem (recordemos os Homens Bons, como eram chamados os venerandos vereadores dos municípios de antanho, que nada ganhavam para - com competência e honradez - governar os seus munícipes, e cotejêmo-los com a caterva de hoje) pregando mais para os peixes que para os governantes e poderosos, uns e outros, na maioria dos casos, comendo por si e por muitos, "quando um só dos GRANDES daria para sustentar 100 ou 1.000 dos pequenos"!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!. Como dizia Camões - mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, muda-se o prazer e a confiança - tudo é feito de mudança...- só neste caso continua a mesma dança!!!, diríamos nós, olhando as misérias deste mundo, face a tanto desperdício, a violência, que atinge principalmente os pacíficos, a maldade, que ataca especialmente os bons, a indignidade, de que são vítimas normalmente os dignos, a miséria em que se encontram os que mais arduamente trabalham e produzem. PENSEM EM TUDO ISTO!!!
(José Verdasca, escritor português)
Antônio Vieira
Passou quase despercebida a data do quarto centenário de nascimento do Padre Antonio Vieira, um dos mais importantes missionários, oradores, escritores, diplomatas, e defensores da unidade territorial na história colonial luso-brasileira. Exceto o belo e oportuno texto do padre e professor José Carlos B. Aleixo, publicado no Correio Braziliense em 11 de fevereiro, pouco mais foi escrito sobre a magna data.
Natural de Lisboa, nascido em 6 de fevereiro de 1608, era filho de Cristóvão Vieira Ravasco e de Maria de Azevedo, “fidalgos de nobre linhagem”. No final de 1615 transferem-se para o Brasil, indo residir em Salvador, onde o pai fora nomeado escrevente do Tribunal de Relação.
Aos 15 anos contraria os pais e ingressa como noviço no colégio dos jesuítas. Um ano depois, com a cidade sob ameaça de invasão pelos soldados holandeses, fogem padres e seminaristas para se abrigar entre indígenas. Aos 17 anos já se achava encarregado de elaborar, em latim, o relatório anual da congregação aos superiores em Roma. Aos 18 passa a lecionar retórica no seminário de Olinda e, em 1633, profere o primeiro sermão público, intitulado Quarta dominga da quaresma, em que toma como mote o versículo 12 do capítulo 6 do Evangelho de São João, sobre a multiplicação dos pães: “Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca”. Em 1635, finalmente, recebe as ordens sacerdotais.
Com parte do território colonial dominado pela Holanda, e ante os repetidos fracassos dos nossos soldados e colonos diante de tropas melhor aparelhadas, Vieira, em 1640, na Igreja de Nossa Senhora da Ajuda, da cidade de Salvador, prega o sermão “Pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as da Holanda”, na opinião dos críticos o mais veemente libelo contra o desamparo divino jamais lavrado em língua portuguesa. Empunhando o Salmo 44 como estandarte, depreca: “Acorda, ó Senhor! Por que dormes? Acorda! Não me rejeites para sempre. Por que escondes a tua face, e te esqueces da nossa miséria e da nossa opressão?” Escreve João Viegas, no posfácio de A missão de Ibiapaba, “Vieira chama Deus ao conflito. Irá Ele permitir que o Brasil caia nas mãos de calvinistas?” Por certo não, eis que, logo depois, incapazes de quebrar a resistência dos sitiados, os agressores levantam o cerco e se retiram.
Vieira foi, antes de tudo, o missionário evangelizador que se opôs às violências praticadas contra os nativos, submetidos a trabalho escravo antes da chegada dos negros africanos, atuação que lhe trouxe o ódio de colonizadores e a hostilidade de representantes da Coroa portuguesa.
Sob distintos pontos de vista é insuperável a obra sacra e documental deixada por Vieira. São 15 volumes de sermões e três de cartas, escritos esparsos, alguns extraviados e outros não concluídos, apesar de haver trabalhado doente e quase cego até as vésperas da morte, em 18 de julho de 1697, aos 90 anos de idade. Algumas das obras-primas de Vieira permanecem surpreendentemente atuais, como a Carta de 1654, em que D. João IV pede-lhe que opine sobre haver na capitania do Pará dois capitães-mores ou um só governador. Responde o jesuíta que “menos mal lhe parecia que houvesse um só ladrão do que dois”, e que “mais dificultoso serão de achar dois homens de bem do que um”. Invoca, a seguir, o romano Catão, a quem fora indicada a designação de dois comandantes para provimento de duas praças-fortes. Redargüiu o imperador que nenhum dos dois nomes o satisfaziam, “um porque nada tinha; outro porque nada lhe bastava”. Conclui Vieira, “e eu não sei qual a maior tentação, se a necessidade, se a cobiça”.
Revestido do mesmo ímpeto acusatório é o sermão do Bom Ladrão, pregado na Igreja da Misericórdia de Lisboa, em 1655. Narra Vieira que, tendo D. J oão III solicitado a São Francisco Xavier que o informasse sobre o estado em que se encontravam os interesses portugueses na Índia, respondeu-lhe o santo que ali o verbo rapio (arrebatar, roubar, pilhar, saquear) era conjugado em todos os tempos e modos. Furtava-se no indicativo, imperativo, mandativo, optativo, conjuntivo, potencial, permissivo, infinitivo, “porque não tem fim o furtar com o fim do governo, e sempre lhe deixam raízes em que se vão continuando os furtos”. Acrescentou Vieira: “Não lhes escapam os imperfeitos, perfeitos, plusquam perfeitos e quaisquer outros, porque furtam, furtaram, furtavam, furtariam e haveriam de furtar mais, se houvesse”.
Numa época em que a moralidade pública baixou a níveis críticos, e tanto a política como as confissões religiosas transformaram-se em fontes de súbito e duvidoso enriquecimento, não é de surpreender o silêncio que se fez em torno do quarto centenário de nascimento do extraordinário e santo jesuíta. Padre Vieira, com efeito, caiu no esquecimento.
(Almir Pazzianotto Pinto, in O Imparcial, São Luis do Maranhão)
Natural de Lisboa, nascido em 6 de fevereiro de 1608, era filho de Cristóvão Vieira Ravasco e de Maria de Azevedo, “fidalgos de nobre linhagem”. No final de 1615 transferem-se para o Brasil, indo residir em Salvador, onde o pai fora nomeado escrevente do Tribunal de Relação.
Aos 15 anos contraria os pais e ingressa como noviço no colégio dos jesuítas. Um ano depois, com a cidade sob ameaça de invasão pelos soldados holandeses, fogem padres e seminaristas para se abrigar entre indígenas. Aos 17 anos já se achava encarregado de elaborar, em latim, o relatório anual da congregação aos superiores em Roma. Aos 18 passa a lecionar retórica no seminário de Olinda e, em 1633, profere o primeiro sermão público, intitulado Quarta dominga da quaresma, em que toma como mote o versículo 12 do capítulo 6 do Evangelho de São João, sobre a multiplicação dos pães: “Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca”. Em 1635, finalmente, recebe as ordens sacerdotais.
Com parte do território colonial dominado pela Holanda, e ante os repetidos fracassos dos nossos soldados e colonos diante de tropas melhor aparelhadas, Vieira, em 1640, na Igreja de Nossa Senhora da Ajuda, da cidade de Salvador, prega o sermão “Pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as da Holanda”, na opinião dos críticos o mais veemente libelo contra o desamparo divino jamais lavrado em língua portuguesa. Empunhando o Salmo 44 como estandarte, depreca: “Acorda, ó Senhor! Por que dormes? Acorda! Não me rejeites para sempre. Por que escondes a tua face, e te esqueces da nossa miséria e da nossa opressão?” Escreve João Viegas, no posfácio de A missão de Ibiapaba, “Vieira chama Deus ao conflito. Irá Ele permitir que o Brasil caia nas mãos de calvinistas?” Por certo não, eis que, logo depois, incapazes de quebrar a resistência dos sitiados, os agressores levantam o cerco e se retiram.
Vieira foi, antes de tudo, o missionário evangelizador que se opôs às violências praticadas contra os nativos, submetidos a trabalho escravo antes da chegada dos negros africanos, atuação que lhe trouxe o ódio de colonizadores e a hostilidade de representantes da Coroa portuguesa.
Sob distintos pontos de vista é insuperável a obra sacra e documental deixada por Vieira. São 15 volumes de sermões e três de cartas, escritos esparsos, alguns extraviados e outros não concluídos, apesar de haver trabalhado doente e quase cego até as vésperas da morte, em 18 de julho de 1697, aos 90 anos de idade. Algumas das obras-primas de Vieira permanecem surpreendentemente atuais, como a Carta de 1654, em que D. João IV pede-lhe que opine sobre haver na capitania do Pará dois capitães-mores ou um só governador. Responde o jesuíta que “menos mal lhe parecia que houvesse um só ladrão do que dois”, e que “mais dificultoso serão de achar dois homens de bem do que um”. Invoca, a seguir, o romano Catão, a quem fora indicada a designação de dois comandantes para provimento de duas praças-fortes. Redargüiu o imperador que nenhum dos dois nomes o satisfaziam, “um porque nada tinha; outro porque nada lhe bastava”. Conclui Vieira, “e eu não sei qual a maior tentação, se a necessidade, se a cobiça”.
Revestido do mesmo ímpeto acusatório é o sermão do Bom Ladrão, pregado na Igreja da Misericórdia de Lisboa, em 1655. Narra Vieira que, tendo D. J oão III solicitado a São Francisco Xavier que o informasse sobre o estado em que se encontravam os interesses portugueses na Índia, respondeu-lhe o santo que ali o verbo rapio (arrebatar, roubar, pilhar, saquear) era conjugado em todos os tempos e modos. Furtava-se no indicativo, imperativo, mandativo, optativo, conjuntivo, potencial, permissivo, infinitivo, “porque não tem fim o furtar com o fim do governo, e sempre lhe deixam raízes em que se vão continuando os furtos”. Acrescentou Vieira: “Não lhes escapam os imperfeitos, perfeitos, plusquam perfeitos e quaisquer outros, porque furtam, furtaram, furtavam, furtariam e haveriam de furtar mais, se houvesse”.
Numa época em que a moralidade pública baixou a níveis críticos, e tanto a política como as confissões religiosas transformaram-se em fontes de súbito e duvidoso enriquecimento, não é de surpreender o silêncio que se fez em torno do quarto centenário de nascimento do extraordinário e santo jesuíta. Padre Vieira, com efeito, caiu no esquecimento.
(Almir Pazzianotto Pinto, in O Imparcial, São Luis do Maranhão)
terça-feira, 11 de março de 2008
Busto de Vieira para o Rio de Janeiro
Segundo a Agência Lusa, o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, que esteve no Brasil integrado na comitiva do Presidente da República portuguesa, referiu que a sua Câmara decidiu oferecer à cidade do Rio de Janeiro um busto do padre António Vieira, para ser colocado numa rua da cidade.
segunda-feira, 10 de março de 2008
António Vieira astrónomo
O magistério plural do padre António Vieira não se esgotou na defesa da condição humana ou na diplomacia, de par com prédicas do alto do púlpito tem-se omitido ou subalternizado, ao evocar os créditos do afamado jesuíta, que os céus foram para ele algo mais do que um local piedoso e refrigério das almas; leitor de Johannes Kepler, o grande matemático, Vieira recorreu com frequência aos seus argumentos. Aliás, o elemento celeste esteve, amiúde, em uso na palavra e na escrita modelar do mestre, mormente a pretexto da observação de cometas e consequentes implicações proféticas, ajustadas à causa sebastianista da Restauração portuguesa.
Num relance sobre as notificações astronómicas do pregador jesuíta, vemos que este teorizava sobre a manifestação dos cometas ao jeito de alguns dos seus mais considerados coevos, como o referido Kepler, o matemático suíço Jacques Bernouilli ou o filósofo italiano Tommaso Campanella. Se António Vieira acalentava, sem equívocos, uma figuração ideal dos cometas para uso teológico, como "avisos de Deus", por outro lado, procurou sempre distanciar-se da astrologia "judiciária", prognóstica.
Esta faceta do jesuíta não prejudica a sua feição mista de físico natural e teólogo um breve relance pelas "Cartas" do insigne jesuíta confirmam-nos a sua proficiente catalogação de inúmeros eventos astronómicos a que procedeu, mormente no decurso da sua estada em Coimbra e, mais tarde, em terras brasileiras, na Baía. Nas suas trocas epistolares com D. Rodrigo de Meneses e o Marquês de Gouveia, Vieira denota a sua acuidade face a todos os episódios astronómicos, o cuidado rastreio de toda a espécie de prodígios celestes e atmosféricos que remete invariavelmente para a sua "cometomância" político-messiânica. Típica desta permanente atenção aos céus é uma missiva endereçada ao cónego Francisco Barreto: "Cá apareceu um cometa aos 6 de Dezembro, dia em que foi coroado El-Rei, muito maior que o grandíssimo que lá vimos no ano de oitenta, em figura de palma, que se estendia desde o horizonte até ao zénite e levava o curso para a parte austral tão arrebatado qual nunca se viu em outro".
Textos de António Vieira, como o opúsculo "Voz de Deus ao mundo", ilustram as suas leituras sobre o significado dos cometas, das suas origens e matéria constituinte, do aparecimento de novas estrelas, do posicionamento dos planetas da ordem ptolomaica, e dos vaticínios políticos que ele recolhe das diversas conjugações celestes. No que toca à matéria e essência cometárias, o emérito jesuíta mostra, com clareza, num dos seus sermões, em 1641, a sua fidelidade às concepções de Aristóteles, subscrevendo que "a matéria dos cometas são os vapores ou exalações da terra subidas ao céu". Deve-se a Vieira a primeira descrição mundial do cometa Jacob ( 1695 ), rastreado por ele na Baía aos 87 anos. Então, o pregador retorna a Kepler, confessando dúvidas acerca da explicação aristotélica para a formação daqueles corpos celestes.
De quando em vez, emerge a experiência sensorial do nosso orador sacro, simultaneamente descrente da arquitectura fabulosa dos signos do Zodíaco, projectados no firmamento, conquanto firmemente convicto dos "sinais" que dele deduz. De facto, Vieira assume um cepticismo perceptivo unilateral perante as aparências e "mentiras do céu", impugnando as construções dos matemáticos e dos astrólogos face a "este céu cá de baixo", o "céu da terra", numa amostra de realismo súbito e paradoxal. Percebe-se qual o céu visado pelo pregador o "lá de cima", como diz. De resto, "cuida o vulgo que vê o Céu e engana- -se, porque não chega lá a nossa vista. Isto que chamamos céu é uma mentira azul: e se as mentiras do céu da terra são tão formosas, quais serão as verdades do Céu"?
Adepto do geocentrismo, sinal da impoluta estabilidade da sua cosmovisão, não espanta a divergência de Vieira ante Copérnico, provada nos seus sermões. Todavia, deixa ao livre arbítrio dos seus ouvintes/leitores a escolha do modo como queiram representar a sua relação com o Sol, vincando embora a sua postura. Em defesa dos juízos eclesiásticos, o homem de fé socorre-se de excertos bíblicos para asseverar a imobilidade intransigente do orbe terrestre. Como poderia Copérnico ter lugar nesta centralidade terrestre, insondável e única, na lógica religiosa centrípeta do "mundo" de António Vieira?
(in "Jornal de Notícias", 11.3.08)
Num relance sobre as notificações astronómicas do pregador jesuíta, vemos que este teorizava sobre a manifestação dos cometas ao jeito de alguns dos seus mais considerados coevos, como o referido Kepler, o matemático suíço Jacques Bernouilli ou o filósofo italiano Tommaso Campanella. Se António Vieira acalentava, sem equívocos, uma figuração ideal dos cometas para uso teológico, como "avisos de Deus", por outro lado, procurou sempre distanciar-se da astrologia "judiciária", prognóstica.
Esta faceta do jesuíta não prejudica a sua feição mista de físico natural e teólogo um breve relance pelas "Cartas" do insigne jesuíta confirmam-nos a sua proficiente catalogação de inúmeros eventos astronómicos a que procedeu, mormente no decurso da sua estada em Coimbra e, mais tarde, em terras brasileiras, na Baía. Nas suas trocas epistolares com D. Rodrigo de Meneses e o Marquês de Gouveia, Vieira denota a sua acuidade face a todos os episódios astronómicos, o cuidado rastreio de toda a espécie de prodígios celestes e atmosféricos que remete invariavelmente para a sua "cometomância" político-messiânica. Típica desta permanente atenção aos céus é uma missiva endereçada ao cónego Francisco Barreto: "Cá apareceu um cometa aos 6 de Dezembro, dia em que foi coroado El-Rei, muito maior que o grandíssimo que lá vimos no ano de oitenta, em figura de palma, que se estendia desde o horizonte até ao zénite e levava o curso para a parte austral tão arrebatado qual nunca se viu em outro".
Textos de António Vieira, como o opúsculo "Voz de Deus ao mundo", ilustram as suas leituras sobre o significado dos cometas, das suas origens e matéria constituinte, do aparecimento de novas estrelas, do posicionamento dos planetas da ordem ptolomaica, e dos vaticínios políticos que ele recolhe das diversas conjugações celestes. No que toca à matéria e essência cometárias, o emérito jesuíta mostra, com clareza, num dos seus sermões, em 1641, a sua fidelidade às concepções de Aristóteles, subscrevendo que "a matéria dos cometas são os vapores ou exalações da terra subidas ao céu". Deve-se a Vieira a primeira descrição mundial do cometa Jacob ( 1695 ), rastreado por ele na Baía aos 87 anos. Então, o pregador retorna a Kepler, confessando dúvidas acerca da explicação aristotélica para a formação daqueles corpos celestes.
De quando em vez, emerge a experiência sensorial do nosso orador sacro, simultaneamente descrente da arquitectura fabulosa dos signos do Zodíaco, projectados no firmamento, conquanto firmemente convicto dos "sinais" que dele deduz. De facto, Vieira assume um cepticismo perceptivo unilateral perante as aparências e "mentiras do céu", impugnando as construções dos matemáticos e dos astrólogos face a "este céu cá de baixo", o "céu da terra", numa amostra de realismo súbito e paradoxal. Percebe-se qual o céu visado pelo pregador o "lá de cima", como diz. De resto, "cuida o vulgo que vê o Céu e engana- -se, porque não chega lá a nossa vista. Isto que chamamos céu é uma mentira azul: e se as mentiras do céu da terra são tão formosas, quais serão as verdades do Céu"?
Adepto do geocentrismo, sinal da impoluta estabilidade da sua cosmovisão, não espanta a divergência de Vieira ante Copérnico, provada nos seus sermões. Todavia, deixa ao livre arbítrio dos seus ouvintes/leitores a escolha do modo como queiram representar a sua relação com o Sol, vincando embora a sua postura. Em defesa dos juízos eclesiásticos, o homem de fé socorre-se de excertos bíblicos para asseverar a imobilidade intransigente do orbe terrestre. Como poderia Copérnico ter lugar nesta centralidade terrestre, insondável e única, na lógica religiosa centrípeta do "mundo" de António Vieira?
(in "Jornal de Notícias", 11.3.08)
quarta-feira, 5 de março de 2008
Vieira na Madeira
O Funchal associou-se ontem às iniciativas que, um pouco por todo o mundo, estão a assinalar o 4.º centenário do nascimento do Pe. António Vieira. Foi através de um colóquio promovido pela diocese (Departamento de Educação Cristã para Adultos), na APEL, e trouxe até nós dois notáveis conferencistas.
“Nós somos pigmeus, anões aos ombros de gigantes, dizia o Pe. António Vieira. Cada geração nova coloca-se aos ombros da geração anterior,dos gigantes, e aos ombros deles vemos mais longe. Vieira foi um deles”, considera o Professor José Eduardo Franco.
Do Padre António Vieira nunca se sabe tudo, nem muito. A sua grandeza literária já percorreu quatro séculos da História portuguesa e, no entanto, permanece actual.
A sua memória foi ontem recordada no Funchal, num colóquio com dois especialistas: o Prof. José Eduardo Franco e a Prof.ª Carlota Urbano. Enquanto o historiador da cultura falou do “Pe. António Vieira: A palavra e a utopia”, e ainda “Vieira, crítico social: o combate à Inquisição e à escravatura”; a docente da Universidade de Coimbra desenvolveu o tema da “formação do génio de Vieira” no contexto da Companhia de Jesus de que era membro.
À margem da sua conferência, em declarações ao Jornal da Madeira, Carlota Urbano lamentou que as “Humanidades” não sejam hoje em dia tão consideradas como no passado. A falta de interesse ou a eventual “crise não é provocada pelas novas tecnologias”, explicou, “mas por uma certa cegueira, um certo entusiasmo que nos está a fazer perder os horizontes e não há um empenho em alargar a todos os domínios do saber as ciências humanas, como no tempo de António Vieira. Hoje em dia, realmente, está-se a descurar isso e é uma grande perda para as gerações do futuro porque estamos a cortar as raízes da sua própria identidade e da própria construção do futuro; omitindo essas raízes culturais, sobretudo de índole clássica e cristã, retiramos-lhes a memória e não se sabendo realmente quem é dificilmente se sabe aquilo que quer ser”.
Neste caso, o exemplo vem de fora, pois, grandes países desenvolvidos, “como os EUA e a Ingaterra dão importância, valor, às Humanidades e talvez possamos aprender com isso”. Conclusão, “estamos a ser lentos em perceber que precisamos de manter vivo um valioso património e de o comunicar às gerações seguintes”. A mesma opinião foi partilhada pelo Prof. José Eduardo Franco ao JM:“Precisamos de figuras inspiradoras, espécies de faróis que nos guiem para ousar ir mais longe”.Uma nota final: o colóquio sobre o Pe. António Vieira que, à partida, devia suscitar grande interesse por parte das escolas e universidade foi pouco aproveitado; valeu ao escasso público presente “saborear” a cultura de qualidade que não se encontra facilmente.
(Vera Luza no Jornal da Madeira 2.3.08)
Vera Luza
“Nós somos pigmeus, anões aos ombros de gigantes, dizia o Pe. António Vieira. Cada geração nova coloca-se aos ombros da geração anterior,dos gigantes, e aos ombros deles vemos mais longe. Vieira foi um deles”, considera o Professor José Eduardo Franco.
Do Padre António Vieira nunca se sabe tudo, nem muito. A sua grandeza literária já percorreu quatro séculos da História portuguesa e, no entanto, permanece actual.
A sua memória foi ontem recordada no Funchal, num colóquio com dois especialistas: o Prof. José Eduardo Franco e a Prof.ª Carlota Urbano. Enquanto o historiador da cultura falou do “Pe. António Vieira: A palavra e a utopia”, e ainda “Vieira, crítico social: o combate à Inquisição e à escravatura”; a docente da Universidade de Coimbra desenvolveu o tema da “formação do génio de Vieira” no contexto da Companhia de Jesus de que era membro.
À margem da sua conferência, em declarações ao Jornal da Madeira, Carlota Urbano lamentou que as “Humanidades” não sejam hoje em dia tão consideradas como no passado. A falta de interesse ou a eventual “crise não é provocada pelas novas tecnologias”, explicou, “mas por uma certa cegueira, um certo entusiasmo que nos está a fazer perder os horizontes e não há um empenho em alargar a todos os domínios do saber as ciências humanas, como no tempo de António Vieira. Hoje em dia, realmente, está-se a descurar isso e é uma grande perda para as gerações do futuro porque estamos a cortar as raízes da sua própria identidade e da própria construção do futuro; omitindo essas raízes culturais, sobretudo de índole clássica e cristã, retiramos-lhes a memória e não se sabendo realmente quem é dificilmente se sabe aquilo que quer ser”.
Neste caso, o exemplo vem de fora, pois, grandes países desenvolvidos, “como os EUA e a Ingaterra dão importância, valor, às Humanidades e talvez possamos aprender com isso”. Conclusão, “estamos a ser lentos em perceber que precisamos de manter vivo um valioso património e de o comunicar às gerações seguintes”. A mesma opinião foi partilhada pelo Prof. José Eduardo Franco ao JM:“Precisamos de figuras inspiradoras, espécies de faróis que nos guiem para ousar ir mais longe”.Uma nota final: o colóquio sobre o Pe. António Vieira que, à partida, devia suscitar grande interesse por parte das escolas e universidade foi pouco aproveitado; valeu ao escasso público presente “saborear” a cultura de qualidade que não se encontra facilmente.
(Vera Luza no Jornal da Madeira 2.3.08)
Vera Luza
Carta de um leitor
Do leitor Carlos Maduro, recebemos a seguinte carta, que agradecemos:
Em primeiro lugar os meus parabéns pela ideia da criação deste blog dedicado ao Pe António Vieira.
Ironia do destino, que já mantive algum tempo um site acerca de Vieira, vejo-me presentemente muito afastado da Net por causa do mesmo Padre António Vieira, sempre Vieira.
Um Vieira que me atraiu a curiosidade por um mero acaso de inscrição num mestrado para assinalar o centenário da morte, levado a cabo pela Faculdade de Filosofia de Universidade Católica de Braga, orientado pelo Sr. Professor Doutor Aníbal Pinto de Castro, e agora matriculado na mesma Universidade para defender uma dissertação de Doutoramento intitulada: As cartas de Vieira, Um Paradigma da Retórica Epistolar do Barroco, também orientado pelo mesmo professor, diga-se em abono da verdade, a outra fonte de motivação para levar esta tarefa a bom termo.
Desta experiência de trabalho, que até à data teve como base uma formação teórica sobre a epistolografia em termos retóricos, remetida para segundo plano nos estudos literários em Portugal, tenho vindo a elaborar uma base de dados, que inclui a digitalização dos textos de todas as cartas de modo a aceder, com as possibilidades que a informática dá, a uma série de informações dispersas ao longo de cerca de 750 cartas que tenho catalogadas, tendo como ponto de partida a edição de Lúcio de Azevedo, mas também as várias edições apógrafas e autógrafas que felizmente ainda se encontram em bom estado de conservação na Biblioteca Pública de Évora, Biblioteca Nacional, Torre do Tombo e Casa de Cadaval.
Mas, se este era o projecto inicial, tem sido a leitura minuciosa da epistolgrafia de Vieira que me tem ajudado a descobrir, e lembrando o Presidente Jorge Sampaio, de que há Vieira para além do orador, do político, diplomata e visionário. Vieira homem importa redescobri-lo e ele está nas cartas. Cartas essas que foram sempre um parente pobre dos estudos vieirianos, ou então, quando feitos, ao serviço de estudos já realizados.
É, pois, neste rumo que me disponibilizo para dar a colaboração que entenderem nesta área, nomeadamente inoformações acerca dos destinatários da correspondência de Vieira.
E tratando-se de um Blog da embaixada, lembro a figura de Duarte Ribeiro de Macedo que julgo ocupar o lugar mais importante em toda a correspondência e acerca do qual, quando tiver alguns dados mais organizados, pois ainda me faltam estudar algumas cartas, terei todo o gosto em enviar algumas conclusões.
Com os meus cumprimentos,
Carlos Maduro
Este blogue fica à inteira disposição deste leitor para acolher as contribuições que nos quiser prestar.
Em primeiro lugar os meus parabéns pela ideia da criação deste blog dedicado ao Pe António Vieira.
Ironia do destino, que já mantive algum tempo um site acerca de Vieira, vejo-me presentemente muito afastado da Net por causa do mesmo Padre António Vieira, sempre Vieira.
Um Vieira que me atraiu a curiosidade por um mero acaso de inscrição num mestrado para assinalar o centenário da morte, levado a cabo pela Faculdade de Filosofia de Universidade Católica de Braga, orientado pelo Sr. Professor Doutor Aníbal Pinto de Castro, e agora matriculado na mesma Universidade para defender uma dissertação de Doutoramento intitulada: As cartas de Vieira, Um Paradigma da Retórica Epistolar do Barroco, também orientado pelo mesmo professor, diga-se em abono da verdade, a outra fonte de motivação para levar esta tarefa a bom termo.
Desta experiência de trabalho, que até à data teve como base uma formação teórica sobre a epistolografia em termos retóricos, remetida para segundo plano nos estudos literários em Portugal, tenho vindo a elaborar uma base de dados, que inclui a digitalização dos textos de todas as cartas de modo a aceder, com as possibilidades que a informática dá, a uma série de informações dispersas ao longo de cerca de 750 cartas que tenho catalogadas, tendo como ponto de partida a edição de Lúcio de Azevedo, mas também as várias edições apógrafas e autógrafas que felizmente ainda se encontram em bom estado de conservação na Biblioteca Pública de Évora, Biblioteca Nacional, Torre do Tombo e Casa de Cadaval.
Mas, se este era o projecto inicial, tem sido a leitura minuciosa da epistolgrafia de Vieira que me tem ajudado a descobrir, e lembrando o Presidente Jorge Sampaio, de que há Vieira para além do orador, do político, diplomata e visionário. Vieira homem importa redescobri-lo e ele está nas cartas. Cartas essas que foram sempre um parente pobre dos estudos vieirianos, ou então, quando feitos, ao serviço de estudos já realizados.
É, pois, neste rumo que me disponibilizo para dar a colaboração que entenderem nesta área, nomeadamente inoformações acerca dos destinatários da correspondência de Vieira.
E tratando-se de um Blog da embaixada, lembro a figura de Duarte Ribeiro de Macedo que julgo ocupar o lugar mais importante em toda a correspondência e acerca do qual, quando tiver alguns dados mais organizados, pois ainda me faltam estudar algumas cartas, terei todo o gosto em enviar algumas conclusões.
Com os meus cumprimentos,
Carlos Maduro
Este blogue fica à inteira disposição deste leitor para acolher as contribuições que nos quiser prestar.
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