<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894</id><updated>2011-11-18T06:09:52.507-02:00</updated><title type='text'>Vieira 2008</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Francisco Seixas da Costa</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>124</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-6688093365972855188</id><published>2008-09-28T02:18:00.000-03:00</published><updated>2008-09-30T02:21:50.596-03:00</updated><title type='text'>“Os Açores na rota do Padre António Vieira” na Universidade</title><content type='html'>DE &lt;a href="http://da.online.pt/news.php?id=155358"&gt;DIÁRIO DOS AÇORES&lt;/a&gt;, 28.9.08&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O IV centenário do nascimento do Padre António Vieira, figura ímpar da cultura portuguesa e brasileira, assinala-se este ano em todo o país, no Brasil e em Itália.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trazido pelo acaso ou pela mão da Providência, o Padre António Vieira esteve nos Açores alguns meses em 1654, na sequência de uma viagem atribulada que o trazia do Brasil em direcção ao reino. O navio naufragou perto do Corvo, acabando os náufragos por serem salvos por corsários holandeses que, depois da pilhagem, os deixaram na Graciosa. Daí o jesuíta passou com os seus companheiros de infortúnio à Terceira, e depois a S. Miguel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o colóquio &lt;em&gt;Os Açores na Rota do Padre António Vieira&lt;/em&gt;, a Universidade dos Açores nos dias 15, 16 e 17 de Outubro associa&amp;shy;-se às comemorações do Ano Vieirino 2008, promovendo o estudo pluridisciplinar de várias dimensões da obra de uma personalidade fundamental da nossa cultura seiscentista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 15, às 21h00, a sessão de abertura tem lugar num local que se reveste de um intenso significado simbólico: a Igreja do Colégio, onde o Jesuíta subiu ao púlpito e pregou em 1654. Aí, Aníbal Pinto de Castro, Professor catedrático da Universidade de Coimbra, pessoa bem conhecida no nosso meio cultural e autor de estudos fundamentais sobre o jesuíta, proferirá a conferência "Vieira, caminheiro dos mares". Em seguida, enquadrado no esplendor do cenário, o Conservatório Regional de Ponta Delgada apresentará um recital de música barroca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos dias 16 e 17, os trabalhos do Colóquio prosseguirão no Anfiteatro C da Universidade, repartidos em duas sessões diárias com início às 9h30 e 14h30.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com este colóquio, a Universidade dos Açores integra-se nas comemorações "2008 Ano Vieirino", ao mesmo tempo, esta iniciativa lembra que as ilhas açorianas gozaram o privilégio de escutar a pregação do Jesuíta que, à época, subira já a alguns dos mais prestigiados púlpitos de importantes cidades europeias, e no Brasil pugnava arduamente pela defesa dos índios. E lembra ainda que, embora a inclusão dos Açores, "terra onde os montes são vivos", na rota e na vida do Padre António Vieira não tenha resultado de um projecto voluntário, veio a assumir um significado de que o próprio jesuíta se apercebe e acentua em diversas ocasiões e passos da obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reconhecendo a importância do Colóquio, que promove o estudo pluridisciplinar de várias dimensões da obra de uma personalidade fundamental da nossa cultura, a DRCT apoia a sua realização, enquanto a Secretaria Regional da Educação e Ciência concede creditação como formação contínua específica aos professores do ensino básico e secundário que nele participarem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-6688093365972855188?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/6688093365972855188/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=6688093365972855188&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/6688093365972855188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/6688093365972855188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/09/os-aores-na-rota-do-padre-antnio-vieira.html' title='“Os Açores na rota do Padre António Vieira” na Universidade'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-2260532143009855599</id><published>2008-09-23T00:29:00.000-03:00</published><updated>2008-09-28T00:31:49.083-03:00</updated><title type='text'>"Línguas e Culturas - Olhares Cruzados"</title><content type='html'>DE ROSTOS.PT&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Línguas e Culturas – Olhares Cruzados”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No âmbito do Ano Internacional para o Diálogo Intercultural, o Centro de Saberes de Montijo vai dar início a um novo ciclo de conferências intitulado “Línguas e Culturas – Olhares Cruzados”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A presidente da Câmara Municipal de Montijo, Maria Amélia Antunes, e Inês Duarte, vice-reitora da Universidade de Lisboa, vão estar presentes na abertura do novo ciclo de conferências, no próximo dia 26, sexta-feira, pelas 18h00, na Galeria Municipal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira conferência “ Quando uma língua vive em diferentes culturas” será presidida por Maria Helena Mira Mateus (...).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida, “&lt;strong&gt;Padre António Vieira: da Missão à Politica&lt;/strong&gt;” é o tema da conferência proferida por Arnaldo Espírito Santo, professor catedrático da FLUL – Estudos Clássicos. Arnaldo Espírito Santo ocupa, actualmente, os cargos de vice-presidente da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e de presidente do Departamento de Estudos Clássicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recorde-se, que o Centro de Saberes do Montijo foi instituído pelo convénio celebrado entre a Câmara Municipal de Montijo e a Universidade de Lisboa em Dezembro de 2004.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23.9.2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-2260532143009855599?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/2260532143009855599/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=2260532143009855599&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/2260532143009855599'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/2260532143009855599'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/09/lnguas-e-culturas-olhares-cruzados.html' title='&quot;Línguas e Culturas - Olhares Cruzados&quot;'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-2932947065232578584</id><published>2008-09-13T02:47:00.000-03:00</published><updated>2008-09-28T02:48:42.280-03:00</updated><title type='text'>Vieira e o Brasil</title><content type='html'>Para comemorar os 400 anos de nascimento do Padre Antonio Vieira, o Pátio do Colégio apresentará nos próximos fins de semana, filmes nacionais que retratam o período em que o jesuíta realizou sua missão. A entrada é grátis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste sábado (13/9) e também no dia 27/9, às 14h o público poderá conferir “A Batalha dos Guararapes, o Príncipe de Nassau”, de Paulo Thiago, traz um Brasil holandês e a poesia de Gregório de Mattos na sociedade baiana de 1601 e leva o público a conhecer um pouco do contexto do século 17 de Vieira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 20 (sab) e 28/9 (dom), será a vez da diretora Ana Carolina com seu filme “Gregorio de Mattos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serviço&lt;br /&gt;Pátio do Colégio – Sala Manuel de Paiva&lt;br /&gt;Praça Pátio do Colégio, 2&lt;br /&gt;Tel.: 3105-6899&lt;br /&gt;Sab (13/9), às 14h&lt;br /&gt;Grátis&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pateocollegio.com.br/" target="_blank"&gt;www.pateocollegio.com.br&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Metrô Sé&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-2932947065232578584?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/2932947065232578584/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=2932947065232578584&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/2932947065232578584'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/2932947065232578584'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/09/vieira-e-o-brasil.html' title='Vieira e o Brasil'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-6101935847190438549</id><published>2008-08-06T02:08:00.000-03:00</published><updated>2008-08-06T02:09:03.566-03:00</updated><title type='text'>António Vieira</title><content type='html'>&lt;strong&gt;António Vieira - Britannica Concise Encyclopedia  Date: 2007&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;(born Feb. 6, 1608, Lisbon, Port.—died July 18, 1697, Salvador, Braz.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portuguese-born Brazilian missionary, orator, diplomat, and writer. He was raised in Brazil, where he became a Jesuit priest. His sermons exhorting all races to join in repelling Dutch invaders are considered the first expression of the Brazilian concept of forming a new race of mixed blood. He worked among the Indians and black slaves until 1641, mastering several of their languages. Returning to Portugal, he became an important figure in the court of John IV, where he advocated toleration for Jewish converts to Christianity. He was imprisoned by the Inquisition (1665–67) but returned to Brazil in 1681.Copyright 1994-2007 Encyclopedia Britannica, Inc.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-6101935847190438549?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/6101935847190438549/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=6101935847190438549&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/6101935847190438549'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/6101935847190438549'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/08/antnio-vieira.html' title='António Vieira'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-5191762761542969440</id><published>2008-08-05T01:46:00.000-03:00</published><updated>2008-08-06T01:56:02.896-03:00</updated><title type='text'>Espectáculo cénico-musical em S. Paulo</title><content type='html'>De "&lt;a href="http://globolivros.globo.com/busca_detalhesnoticias.asp?pgTipo=NOTICIAS&amp;amp;pgNumero=1&amp;amp;idProduto=129"&gt;Globo Livros&lt;/a&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Emocionante. Foi a palavra mais repetida pelos espectadores que amorosamente invadiram os bastidores após a apresentação do espetáculo cênico-musical Vieira 400 anos, promovido pelo SESC-SP com o patrocínio da Editora Globo e do Instituto Camões em comemoração ao quarto centenário de nascimento desse autor que Fernando Pessoa chamou de "o imperador da língua portuguesa".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A comoção causada pelos sermões de Antônio Vieira (1608-1697), porém, não foi superficial ou fácil. A exuberância de sua oratória, ainda hoje capaz de proporcionar saborosos momentos de deleite estético, foram emolduradas pela criatividade de Anna Maria Kieffer, que assina a concepção artística e a direção musical do evento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eletroacústica, canto gregoriano, coro de câmara e solistas entoaram composições especiais e peças da tradição religiosa luso-brasileira num impressionante diálogo com trechos dos sermões escolhidos por Joaci Pereira Furtado (dono da idéia que originou o espetáculo), lidos pelo ator português Luís Lima Barreto, do Teatro da Cornucópia, de Lisboa, além da iluminação especificamente desenhada para a ocasião e dois arranjos florais inspirados nas pinturas do holandês Albert Eckout, contemporâneo de Vieira que viveu em Pernambuco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A capela do beato José de Anchieta, no Pátio do Colégio, marco fundador da cidade de São Paulo, estava lotada naquela tarde de sábado, 2 de agosto de 2008. Repleta de emoção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja as &lt;a href="http://globolivros.globo.com/galerias/galeriavieira/default.html"&gt;fotos&lt;/a&gt; do espectáculo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-5191762761542969440?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/5191762761542969440/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=5191762761542969440&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/5191762761542969440'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/5191762761542969440'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/08/espectculo-cnico-musical-em-s-paulo.html' title='Espectáculo cénico-musical em S. Paulo'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-3122552780872214429</id><published>2008-08-04T01:57:00.001-03:00</published><updated>2008-08-06T02:00:40.075-03:00</updated><title type='text'>Seminário sobre Vieira em Belo Horizonte</title><content type='html'>Estão abertas as inscrições para o seminário em comemoração ao 4º centenário de nascimento do Pe. Antônio Vieira, realizado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, através do Centro de Estudos Luso-afro-brasileiros (CESPUC) em parceria com o Instituto Camões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O evento, marcado para os dias 27, 28 e 29 de agosto, vai reunir em Belo Horizonte especialistas na obra do autor, que é considerado pertencente tanto à literatura portuguesa quanto à brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de missionário, Padre Antônio Veira foi orador, diplomata, mestre da prosa portuguesa clássica e teve papel importante na história portuguesa e brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus sermões, cartas e papéis oficiais constituem um valioso índice do clima das opiniões no século 17 no mundo luso-brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os palestrantes, vale destacar as presenças de estudiosos como Paulo Borges, da Universidade de Lisboa, José Américo Miranda, da UFMG, João Adolfo Hansen, Adma Muhama e Anita Novinsky, da USP, Alcir Pécora, da Unicamp, Ângela Vaz Leão e Audemaro Taranto Goulart, da PUC Minas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haverá também debates, mesas-redondas e sessões de comunicações, além da exibição do filme de Manoel de Oliveira "Palavra e utopia", a ser comentado pelo crítico de cinema Marcelo Castillo Avelar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O encontro será encerrado com a conferência do escritor Affonso Ávila, autor da publicação "O barroquismo no sermão de Vieira".Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (31) 3319-4368 ou no portal &lt;a title=" (Este link abre uma nova janela)" href="http://www.pucminas.br/" target="_blank" rel="externo"&gt;http://www.pucminas.br/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;In "&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://www.portugaldigital.com.br/noticia.kmf?cod=7563785&amp;amp;canal=156"&gt;&lt;strong&gt;Portugal Digital&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;" 4.8.08&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-3122552780872214429?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/3122552780872214429/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=3122552780872214429&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/3122552780872214429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/3122552780872214429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/08/seminrio-sobre-vieira-em-belo-horizonte.html' title='Seminário sobre Vieira em Belo Horizonte'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-2732248694910882413</id><published>2008-07-28T01:51:00.000-03:00</published><updated>2008-07-29T01:55:59.297-03:00</updated><title type='text'>Paulistano vence prémio luso-brasileiro de dramaturgia</title><content type='html'>In &lt;a href="http://www.alemtemporeal.com.br/interno.php?pag=cultura&amp;amp;cod=866"&gt;Alagoas em Tempo Real&lt;/a&gt;, 28.7.08&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A peça &lt;strong&gt;The Cachorro Manco show&lt;/strong&gt;, de autoria do paulistano &lt;strong&gt;Fábio Mendes&lt;/strong&gt;, é a vencedora do &lt;strong&gt;2º Prêmio Luso-Brasileiro de Dramaturgia Antônio José da Silva&lt;/strong&gt;, concedido pela Funarte e o Instituto Camões, de Portugal. Além de receber um prêmio de 15 mil euros, o autor terá seu texto editado em livro e encenado no Brasil e em Portugal. O português Armando Nascimento Rosa foi distinguido com Menção Honrosa, por unanimidade, pelo texto Visita na prisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fábio Mendes estreou como roteirista com a peça Um homem chamado Lee e participou da equipe de criação da série de TV Alice (HBO). Cachorro Manco é um monólogo cômico, que ele considera uma "mistura de stand up comedy com sermão". Na trama, um cachorro vira-lata luso-brasileiro conta suas histórias, tentando convencer um novo dono a lhe oferecer um prato de comida e uma noite dentro de sua casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cachorro usa de retórica própria e discorre sobre o amor, sobre sua relação com seus antigos donos (Deus), sobre a língua portuguesa e, acima de tudo sobre a relação entre Brasil e Portugal - explica Mendes, que trabalhou como ator com os dramaturgos Antunes Filho e Gerald Thomas, apresentando-se nos Estados Unidos e na Espanha, e como diretor, no curta-metragem Magenta, de sua autoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A comissão julgadora do prêmio elegeu o vencedor por meio da análise de oito textos finalistas, quatro portugueses e quatro brasileiros, em videoconferência realizada no dia 18 de julho de 2008.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O júri foi composto por Carmem Cinyra Gadelha (RJ), pesquisadora teatral; Edwaldo Cafezeiro (RJ), professor da Uni-Rio; Fernando Queiroz (DF), PhD em teatro e performance pela Universidade de Londres e professor da Universidade de Brasília; Pedro Mexia, crítico e poeta (Lisboa); Rui Mendes, ator de teatro, cinema e TV (Lisboa); e Sebastiana Fadda, crítica de teatro, tradutora e mestre em Literaturas Românicas pela Universidade de Lisboa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os participantes foram convidados a apresentar trabalhos inspirados na obra de &lt;strong&gt;Padre Antônio Vieira&lt;/strong&gt;, em comemoração ao quarto centenário de nascimento do jesuíta. Nascido em Portugal, Vieira morou grande parte de sua vida no Brasil, onde defendeu os direitos dos indígenas e escreveu sermões que se tornaram referência para o barroco brasileiro. O vencedor Fábio Mendes conta que não teve medo de editar os discursos do padre, nem de tirá-los de seu contexto, e acredita que conseguiu dialogar com "esse que é um dos pilares da Língua Portuguesa". "Nossa língua não é morta!", defende Mendes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Prêmio Luso-Brasileiro de Dramaturgia Antônio José da Silva, promovido pela Funarte e pelo Instituto Camões, de Portugal, tem o objetivo de incentivar a escrita dramática, estimular o aparecimento de novos escritores de língua portuguesa e reforçar a cooperação entre Brasil e Portugal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-2732248694910882413?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/2732248694910882413/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=2732248694910882413&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/2732248694910882413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/2732248694910882413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/07/paulistano-vence-prmio-luso-brasileiro.html' title='Paulistano vence prémio luso-brasileiro de dramaturgia'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-5873432857746806248</id><published>2008-07-20T20:46:00.000-03:00</published><updated>2008-07-20T20:49:24.404-03:00</updated><title type='text'>Exposição bibliográfica do padre António Vieira</title><content type='html'>A Presidência do Governo dos Açores vai assinalar os 400 anos do nascimento do padre António Vieira com a organização de uma exposição bibliográfica e de duas conferências sobre a vida e obra do mais celebrado orador português.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Intitulada “Padre António Vieira: O Eco das Palavras”, a mostra relativa ao autor de uma vasta obra especialmente conhecida pelo vigor e lógica dos seus famosos sermões, vai abrir em Outubro, estando patente na Biblioteca Pública e Arquivo de Ponta Delgada até Fevereiro de 2008.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Novembro, Horta e Angra do Heroísmo recebem duas conferências organizadas pela Centro do Conhecimento dos Açores – “António Vieira, uma coincidência oppositorum da sua vida e da sua escrita” (Aníbal Pinto Castro) e “Vieira e Pessoa” (Yvette Centeno), a 12 e 13, respectivamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O padre António Vieira nasceu em Lisboa em 1608 e morreu na Baía em 1697, desenvolvendo uma intensa e polémica intervenção no processo de colonização do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JORNAL DIÁRIO 20.7.08&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-5873432857746806248?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/5873432857746806248/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=5873432857746806248&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/5873432857746806248'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/5873432857746806248'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/07/exposio-bibliogrfica-do-padre-antnio.html' title='Exposição bibliográfica do padre António Vieira'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-465033091639484666</id><published>2008-07-18T23:19:00.001-03:00</published><updated>2008-07-20T23:24:21.325-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_vHfhEO08cCE/SIPzR42mC5I/AAAAAAAAISk/R6vuLrDIYPQ/s1600-h/Vieira+-+Historia+do+Futuro.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5225287481324604306" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_vHfhEO08cCE/SIPzR42mC5I/AAAAAAAAISk/R6vuLrDIYPQ/s400/Vieira+-+Historia+do+Futuro.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-465033091639484666?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/465033091639484666/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=465033091639484666&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/465033091639484666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/465033091639484666'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/07/blog-post.html' title=''/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_vHfhEO08cCE/SIPzR42mC5I/AAAAAAAAISk/R6vuLrDIYPQ/s72-c/Vieira+-+Historia+do+Futuro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-5905855618754256705</id><published>2008-07-18T23:18:00.000-03:00</published><updated>2008-07-20T23:20:16.820-03:00</updated><title type='text'>Morte de António Vieira</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;No dia 18 de Julho de 1697, morreu o padre António Vieira.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-5905855618754256705?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/5905855618754256705/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=5905855618754256705&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/5905855618754256705'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/5905855618754256705'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/07/morte-de-antnio-vieira.html' title='Morte de António Vieira'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-7369718061554268807</id><published>2008-07-17T23:16:00.000-03:00</published><updated>2008-07-20T23:20:49.021-03:00</updated><title type='text'>Vida de Vieira representada nas Ruínas do Carmo</title><content type='html'>Os momentos mais importantes da vida do Padre António Vieira (1608-1697) vão ser representados nas Ruínas do Carmo, em Lisboa, no espectáculo "Vieira - O Céu na Terra", que se estreia terça-feira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Vieira - O Céu na Terra", da autoria de Miguel Real e Filomena Oliveira, é uma produção do Teatro Nacional D. Maria II inserida nas comemorações do IV centenário do nascimento do religioso e famoso pregador português.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Em Lisboa, na corte de D. João IV, no Brasil entre os colonos ou entre os índios do sertão, revela-se o homem de plurais actividades - missionário, diplomata, político, orador, profeta, escritor, nacionalista", refere a sinopse de "Vieira - O Céu na Terra".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É um homem que morre fracassado (as suas profecias não se cumpriram), mas feliz, cheio de esperança. Era um homem de mil projectos, de mil actividades", acrescentou, em declarações à Lusa, o autor do texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;António Vieira nasceu em Lisboa e aos 6 anos foi viver para o Brasil porque o pai foi destacado para o cargo de escrivão, em Salvador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estudou no Colégio dos Jesuítas e juntou-se à Companhia de Jesus, tendo ao longo da sua vida defendido várias causas humanitárias e chegado a ser preso por ordem do Santo Ofício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A peça "vai fixar três aspectos da obra do padre António Vieira: a sua sede de justiça social - com a defesa dos judeus perseguidos pela Inquisição e dos índios e escravos no Brasil - o aspecto profético (do V Império como união dos povos) e a eloquência da sua oratória", disse Miguel Real.&lt;br /&gt;Filomena Oliveira, o outro elemento desta dupla de autores, trabalhou a encenação e desde logo destacou o "espaço fortíssimo" sugerido pelo director do D. Maria II, Carlos Fragateiro, para este espectáculo - as Ruínas do Carmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A nave central é utilizada para a representação e o público fica lateralmente", explicou a encenadora, acrescentando que se pretende que os espectadores se sintam transpostos para ambientes do século XVII, seja uma igreja de Lisboa ou o sertão brasileiro.&lt;br /&gt;A mudança é feita sobretudo através dos jogos de luz, das cores e das formas, que permitem "uma constante transformação das Ruínas do Carmo", apontou Andrzej Kowalski, responsável pelo espaço cénico e imagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num elenco com 15 actores, a figura do Padre António Vieira será representada por José Henrique Neto enquanto João Lagarto faz de inquisidor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O espectáculo será apresentado até 16 de Agosto e o Teatro Nacional D. Maria II vai depois apresentá-lo no Brasil, entre Novembro e Dezembro, no âmbito das comemorações dos 200 anos da chegada da família real, disse à Lusa Carlos Fragateiro.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;AGÊNCIA LUSA 17.7.08&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-7369718061554268807?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/7369718061554268807/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=7369718061554268807&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/7369718061554268807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/7369718061554268807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/07/vida-de-vieira-representada-nas-runas.html' title='Vida de Vieira representada nas Ruínas do Carmo'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-3989648758968414597</id><published>2008-07-13T23:26:00.001-03:00</published><updated>2008-07-20T23:34:13.929-03:00</updated><title type='text'>Vieira na obra de Inês Pedrosa</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_vHfhEO08cCE/SIP0ivROClI/AAAAAAAAISs/IzsqpIOjIhw/s1600-h/ETERN.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5225288870321326674" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_vHfhEO08cCE/SIP0ivROClI/AAAAAAAAISs/IzsqpIOjIhw/s400/ETERN.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Em seu primeiro romance ambientado no Brasil, &lt;strong&gt;A Eternidade e o Desejo&lt;/strong&gt;, (Alfaguara, 185 págs., R$ 29,90), lançado na 6ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), a escritora portuguesa Inês Pedrosa presta sua homenagem aos 400 anos do padre Antônio Vieira ao contar o drama de uma historiadora e professora universitária portuguesa. Clara aceita viajar ao Brasil acompanhada de um amigo, Sebastião, e refaz os passos do visionário jesuíta, relembrando uma antiga paixão que a levou à cegueira ao tentar defender um professor da fúria de um marido traído, que atirou em seu amado. Inês, a exemplo de Saramago, usa a cegueira de Clara como metáfora da dificuldade de percepção do real. A perda da visão levaria a uma reflexão sobre as palavras de Vieira a respeito do sentido da eternidade como sinônimo do desejo, tema da conversa de Inês Pedrosa com o Estado, publicada a seguir.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;O uso dos sermões de Vieira quase como uma ilustração em A Eternidade e o Desejo parece buscar obsessivamente uma correspondência entre a palavra e a imagem. Você escolheu os sermões pelas imagens que evocam? Era esse seu propósito?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Justamente. Quando li os sermões do padre, não percebi que ele também falava do desejo. Interessei-me no contraste desses sermões com a época contemporânea porque Vieira foi um visionário e perguntei-me como não se conhece nenhuma relação carnal, íntima, sua, sendo ele um homem tão sanguíneo, visceral, pouco identificado com um temperamento contemplativo. O sermão da Nossa Senhora do Ó me deu a resposta para isso: a eternidade e o desejo são a mesma coisa. É uma frase completamente contemporânea, muito pouco barroca, sobretudo considerando que é do século 17. Esse sermão fala dos desejos de uma grávida, mas, como em todos os sermões, também de uma pequena ignomínia terrena que depois extravasa. Cada ignomínia é a ignomínia, cada desejo é desejo. Foi por isso que me apeguei a essa frase que une a eternidade ao desejo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Vieira também fala dessa contradição que é nossa aspiração pela eternidade e o desejo de que as coisas acabem. Ou temos a consciência de sermos mortais sem desejarmos a eternidade, sendo infelizes, ou o contrário, o que traz a angústia da infelicidade eterna.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sim. Tive uma educação católica e ainda me lembro dos livros de catequese com imagens do inferno em chamas e demônios picando pessoas de rostos desfigurados, contrastando com a imagem do paraíso, onde tudo eram flores, pessoas encantadas. Eu, que nunca me acostumei a ficar quieta, estava lá a contemplar, morrendo de tédio. Lembro que queria ir para o purgatório, onde, afinal, podia acontecer alguma coisa. Agora, a pequena eternidade que temos em vida basta-me. Agustina Bessa-Luís me confidenciou que não se apega demasiadamente nem às pessoas nem aos gatos. Tinha um gato que ela adorava e, durante uma viagem, ele, inquieto, deixou Agustina irritada. Ela, então, pediu ao marido que parasse o carro e colocou o gato para fora, apesar de todo apego que sentia por ele. Não tenho tantos anos quanto Agustina, mas entro numa fase da vida em que já perdi muitos amigos e vejo-me como o Orlando de Virginia Woolf, viajando pelos séculos sem criar empatia com ninguém, o que tampouco é fascinante. Acho que a eternidade possível é esta de não perder o desejo, o que é muito difícil. No fundo, a eternidade é a manutenção do deslumbramento. Infelizmente, vivemos num mundo globalizado em que se imagina que nada mais possa surpreender.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;O padre Vieira é um personagem controvertido também por suas idéias e posições políticas, que o levaram a ser perseguido pela Inquisição. Você acabou de destacar sua vocação visionária, mas é preciso lembrar que seu Quinto Império pode também ser lido como um nostálgico sebastianismo. Você, que é uma mulher engajada, que defende o aborto, o casamento entre homossexuais e apoiou o candidato Manuel Alegre nas últimas eleições, como vê esse lado político de Vieira?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Acho que, se Vieira fosse vivo, ele certamente teria um blog. Ele é mesmo um personagem polêmico. Participei recentemente de um seminário sobre o padre e houve protestos de acadêmicos, escandalizados com as homenagens aos 400 anos de um homem que eles consideram um escravagista, apesar de ter lutado pela independência dos índios. É curioso: ele tinha um lado idealista e outro muito pragmático. Criou a primeira companhia de comércio com o Brasil numa época em que não era possível fazer a exploração econômica do país sem a escravatura. Pode-se criticá-lo, mas ele foi, decididamente, um visionário, tendo, por exemplo, sido um extremo defensor dos judeus.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Voltando ao romance, não haveria uma tendência na literatura portuguesa de abusar da metáfora, o que talvez seja uma herança barroca? Digo isso por conta da cegueira da principal personagem, Clara, cujo nome, aliás, já traduz uma intenção alegórica. Lembro que também Saramago usa igualmente a deficiência visual em Ensaio Sobre a Cegueira como sinônimo de falta de percepção do real.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Acho que talvez tenha mesmo a ver com a tradição barroca. Fala-se muito da poesia, mas acredito que nossas primeiras peças literárias sejam as crônicas de viagem de Fernão Lopes, que tinha uma grande inclinação para a metáfora. O barroco tem a ver com o absolutismo real e, portanto, com um certo medo que atravessou a história de Portugal, um respeito atávico pelo poder, um hábito de transformar as palavras de modo a não ser prejudicado por elas. Talvez seja por isso que me sinto tão tocada pela literatura brasileira. Em Portugal, tratar de sexo pode ser arrepiante, sobretudo se for uma escritora mulher. Maria Teresa Horta, uma poeta cuja obra é centrada na experiência erótica, nunca é convidada para nenhum congresso ou encontro. O ato sexual, de forma geral, em Portugal, nunca é descrito sem recorrer a metáforas. Por outro lado, acho que a metáfora ainda é uma das grandes forças expressivas da língua portuguesa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Sei que você é uma opositora do acordo ortográfico, por considerar que ele provoca, na verdade, um desacordo, criando uma outra língua. Noto que os escritores portugueses são mais lidos no Brasil que os brasileiros em Portugal. Não há um desequilíbrio aí?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Só para falar de um escritor de quem gosto bastante, Bernardo Carvalho tem sido publicado por várias editoras portuguesas e até o Luiz Ruffato, que tem uma escrita experimental, já foi publicado. Outros grandes autores como Milton Hatoum e Raduan Nassar têm críticas boas nos jornais, mas a crítica já não tem poder, se é que algum dia teve. Digo que, se o dinheiro investido no acordo ortográfico fosse gasto com companhias aéreas para levar os autores brasileiros a Portugal, estou convencida de que seria melhor. Isso vai mudar. Aqui, na Flip, estão dois grandes editores portugueses que não vieram acompanhar seus queridos escritores, mas para farejar autores para futura publicação em coleções dedicadas aos brasileiros.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Você tem outro livro que se passa no Brasil, ainda inédito por aqui, também sobre o padre Vieira. É o livro que relata sua excursão pelo Brasil atrás da trajetória do padre, não?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sim, chama-se No Coração do Brasil. É o relato dessa viagem que fiz em 2005. Não tinha interesse em produzir um livro sobre a excursão, então resolvi escrever seis cartas de viagem para cada um dos lugares que visitei no Brasil, revelando como os vejo agora e como deveriam ser no tempo dele. Fiquei muito feliz com os comentários de que ele parece escrito no tom do padre Vieira. Portanto, ficou um bocadinho como o século 17.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;E, dos autores contemporâneos, quem você considera que levou adiante a mensagem do padre?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nunca pensei nisso, mas acho que foi Fernando Pessoa, que chamava o padre de ''o imperador da língua''. Manuel Alegre seria também seu herdeiro, mas é um poeta diminuído pela crítica por não estar numa torre de marfim, idéia também que o Lobo Antunes vende, como se ao escritor fosse permitido escrever mas não participar da sociedade. Eu também tenho sido muito criticada por minha atuação política. Acusam-me de autopromoção. Pensando fora de Portugal, lembro do francês Paul Claudel e do Fernando Savater, até porque é alto, barbudo, corajoso e vai fundo em suas críticas que colocam a si e a seus filhos sob ameaça. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Entrevista de António Gonçalves Filho, no Estado de S. Paulo, 13.7.08&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-3989648758968414597?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/3989648758968414597/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=3989648758968414597&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/3989648758968414597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/3989648758968414597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/07/vieira-na-obra-de-ins-pedrosa.html' title='Vieira na obra de Inês Pedrosa'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_vHfhEO08cCE/SIP0ivROClI/AAAAAAAAISs/IzsqpIOjIhw/s72-c/ETERN.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-5122658045905892208</id><published>2008-07-09T01:04:00.000-03:00</published><updated>2008-07-09T01:21:39.583-03:00</updated><title type='text'>Vieira na "Encyclopaedia Britannica"</title><content type='html'>&lt;strong&gt;António Vieira - Portuguese author and diplomat&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;born Feb. 6, 1608, Lisbon, Port. died July 18, 1697, Salvador, Braz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jesuit missionary, orator, diplomat, and master of classical Portuguese prose who played an active role in both Portuguese and Brazilian history. His sermons, letters, and state papers provide a valuable index to the climate of opinion of the 17th-century world.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira went to Brazil with his parents as a child of six. Educated at the Jesuits’ college in Bahia, he joined the Society of Jesus in 1623 and was ordained in 1635. He soon became the most popular and influential preacher in the colony, and his sermons exhorting the various races to join the Portuguese in arms against the Dutch invaders of Brazil (1630–54) are considered the first expression of the Brazilian national mystique of forming a new race of mixed bloods. In addition to the Tupí-Guaraní tongue, the lingua franca of the Brazilian littoral, Vieira learned a number of local Amazon dialects and the Kimbundu language of the black slaves who had been brought to Brazil from Angola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira worked among the Indians and black slaves until 1641, when he went with a mission to &lt;a oncontextmenu="return false;" id="KonaLink0" style="TEXT-DECORATION: underline! important" href="http://www.britanica.net/EBchecked/topic/628042/Antonio-Vieira" target="_top"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Portugal&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; to congratulate King &lt;a id="ref57063" title="John IV" href="http://www.britanica.net/EBchecked/topic/304794/John-IV"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;John IV&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; on his accession. The king soon fell under the spell of Vieira’s self-assured and magnetic personality and came to regard the tall, lean, dynamic Jesuit as “the greatest man in the world.” The king made him tutor to the infante, court preacher, and a member of the royal council. Vieira’s devotion to the king was such that after John’s death (1656) he formed a fixed idea that the king would return to inaugurate a prophesied golden age of peace and prosperity.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Between 1646 and 1650 Vieira was engaged in diplomatic missions to Holland, France, and &lt;a oncontextmenu="return false;" id="KonaLink1" style="TEXT-DECORATION: underline! important" href="http://www.britanica.net/EBchecked/topic/628042/Antonio-Vieira" target="_top"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Italy&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.&lt;/span&gt; But by his outspoken advocacy for toleration for Jewish converts to Between 1646 and 1650 Vieira was engaged in diplomatic missions to Holland, France, and &lt;a oncontextmenu="return false;" id="KonaLink1" style="TEXT-DECORATION: underline! important" href="http://www.britanica.net/EBchecked/topic/628042/Antonio-Vieira" target="_top"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Italy&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. But by his outspoken advocacy for toleration for Jewish converts to Christianity in Portugal and because of his willingness to cede Pernambuco to the Dutch as the price of peace, he made enemies in Portugal. By 1652 it had become prudent for him to leave the country for Brazil. His denunciation of slave-owning there resulted in his return to Lisbon in 1654. During his stay in Portugal, he secured decrees protecting the Brazilian Indians from enslavement and creating a monopoly for the Jesuits in the government of the Indians, and he returned triumphantly in 1655. He resumed his apostolic mission in Maranhão and on the Amazon &lt;a oncontextmenu="return false;" id="KonaLink2" style="TEXT-DECORATION: underline! important" href="http://www.britanica.net/EBchecked/topic/628042/Antonio-Vieira" target="_top"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;delta&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;,&lt;/span&gt; where for six years he traveled widely and laboured energetically before being forced back to Lisbon in 1661. For prophesying the return of John he was condemned by the Inquisition and imprisoned (1665–67).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;On his release (1668) he went to Rome, where he succeeded in securing at least temporary toleration for the converted Jews. He remained there for six years, becoming confessor to Queen Christina of Sweden and a member of her literary academy. In 1681 he returned to Bahia, where he remained, a fighter for the freedom of the Indians, until his death at 89.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira is claimed as a literary master by both the Portuguese and the Brazilians. Though his prose style, in its ornateness, Latinisms, and elaborate conceits, is a product of the Old World, his works are of the New World in their emotional freedom, boldness of thought, and advanced attitude of racial tolerance.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assorted References&lt;br /&gt;Brazilian history ( in&lt;a id="ext-gen480" title="...Indians in the aldeias while permitting the colonists to enslave Indians captured in “legitimate warfare.” In the Amazon River basin, Father António Vieira became the centre of a somewhat similar conflict in the 17th century, when he established a chai" href="http://www.britanica.net/EBchecked/topic/78101/Brazil/25036/Royal-governors-Jesuits-and-slaves#ref209340"&gt; &lt;span style="color:#000000;"&gt;Brazil: Royal governors, Jesuits, and slaves&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt; ) Portuguese literature ( in&lt;/span&gt;&lt;a id="ext-gen473" title="António Vieira—a Jesuit missionary and a diplomat who spent much of his life in Brazil and who was also preacher to the royal family in Lisbon and confessor to Queen Christina of Sweden in Rome—is known for his defense of indigenous peoples and slaves in " href="http://www.britanica.net/EBchecked/topic/471659/Portuguese-literature/15341/The-17th-century-and-the-Baroque#ref367012"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt; Portuguese literature: The 17th century and the Baroque&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; )&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-5122658045905892208?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/5122658045905892208/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=5122658045905892208&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/5122658045905892208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/5122658045905892208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/07/vieira-na-encyclopaedia-britannica.html' title='Vieira na &quot;Encyclopaedia Britannica&quot;'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-7460357684995653701</id><published>2008-07-04T23:38:00.000-03:00</published><updated>2008-07-20T23:43:14.634-03:00</updated><title type='text'>Sermão de Vieira por Luis Miguel Cintra</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_vHfhEO08cCE/SIP3jEAnwCI/AAAAAAAAIS0/UX1M0Vwwxk8/s1600-h/Serm%C3%A3o.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5225292174423736354" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_vHfhEO08cCE/SIP3jEAnwCI/AAAAAAAAIS0/UX1M0Vwwxk8/s400/Serm%C3%A3o.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;No sábado, 12 de Julho, pelas 18h00, terá lugar o espectáculo "&lt;strong&gt;Padre António Vieira - Sermão de Quarta-feira de Cinza&lt;/strong&gt;", com leitura por Luís Miguel Cintra, nos Claustros do Museu Alberto Sampaio, em Guimarães, com entrada gratuita.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;1672 - Em Roma, na Igreja de S. António dos Portugueses, o Padre António Vieira faz uma profunda reflexão sobre um dos temas mais frequentes da arte barroca: a morte, a efemeridade da vida e as vaidades humanas, como glosa da citação bíblica da Liturgia de quarta-feira de cinzas, na cerimónia de imposição das cinzas: Memento Homo, quia pulvis es, et in pulverem reverteris. (Lembra-te, ó homem de que és pó e ao pó hás-de voltar.) A própria Igreja não escapa à advertência de Vieira: “… homenzinhos miseráveis, loucos, insensatos, não vedes que sois mortais? Não vedes que haveis de acabar amanhã? Não vedes que vos hão-de meter debaixo de uma sepultura, e que de tudo quanto andais afanado, e adquirindo, não haveis de lograr mais que sete pés de terra?” Um dos mais belos e terríveis sermões do Padre António Vieira, um dos melhores exemplos da grande arte oratória portuguesa do século XVII.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-7460357684995653701?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/7460357684995653701/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=7460357684995653701&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/7460357684995653701'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/7460357684995653701'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/07/sermo-de-vieira-por-luis-miguel-cintra.html' title='Sermão de Vieira por Luis Miguel Cintra'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_vHfhEO08cCE/SIP3jEAnwCI/AAAAAAAAIS0/UX1M0Vwwxk8/s72-c/Serm%C3%A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-5954475217362756509</id><published>2008-07-01T23:45:00.000-03:00</published><updated>2008-07-20T23:50:09.839-03:00</updated><title type='text'>Inês Pedrosa lança no Brasil obra com referências de António Vieira</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_vHfhEO08cCE/SIP5MFaB9uI/AAAAAAAAITE/D1Q0eTyXHG4/s1600-h/Etern2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5225293978685011682" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_vHfhEO08cCE/SIP5MFaB9uI/AAAAAAAAITE/D1Q0eTyXHG4/s320/Etern2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A escritora &lt;strong&gt;Inês Pedrosa&lt;/strong&gt; lança a 8 de Julho no Rio de Janeiro o seu romance "&lt;strong&gt;A Eternidade e o Desejo&lt;/strong&gt;", com a chancela da editora espanhola Alfaguara, fortemente implantada na América Latina, anunciaram hoje as Publicações D.Quixote&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poeta, ensaísta e letrista António Cícero apresentará o livro na Casa do Saber, numa sessão que contará com a presença da autora, convidada a participar na VI Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), que decorre entre quarta-feira e domingo. &lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A Eternidade e o Desejo, editado em Novembro passado em Portugal pela Dom Quixote e que vai já na terceira edição, é o primeiro romance de Inês Pedrosa cuja acção se desenrola no Brasil.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ao longo da obra, a escritora revisita os lugares percorridos pelo Padre António Vieira, pela mão das personagens Clara e Sebastião - uma ideia surgida durante uma viagem que fez ao Brasil em 2005, a convite do Centro Nacional de Cultura.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Em "O SOL", 1.7.08&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-5954475217362756509?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/5954475217362756509/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=5954475217362756509&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/5954475217362756509'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/5954475217362756509'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/07/ins-pedrosa-lana-no-brasil-obra-com.html' title='Inês Pedrosa lança no Brasil obra com referências de António Vieira'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_vHfhEO08cCE/SIP5MFaB9uI/AAAAAAAAITE/D1Q0eTyXHG4/s72-c/Etern2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-6545553131107229441</id><published>2008-06-27T23:53:00.000-03:00</published><updated>2008-07-20T23:55:13.937-03:00</updated><title type='text'>TV SEnado do Brasil apresenta programa sobre Vieira</title><content type='html'>A TV Senado apresenta, neste final de semana, uma reportagem especial em homenagem aos 400 anos de nascimento do Padre Antônio Vieira. A produção viajou até São Luís (MA) e Salvador (BA) para reconstituir a trajetória do padre jesuíta português, que se tornou conhecido pela defesa dos direitos humanos dos povos indígenas e judeus e pela luta pela abolição da escravatura. Além do diretor do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp (Universidade de Campinas), Alcir Pécora, e do antropólogo da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) Luiz Felipe Baêta Neves, o ator Pedro Paulo Rangel, que interpretou Vieira no teatro, também participa da reportagem, que vai ao ar às 15h30 deste sábado (28) e às 15h30 e 21h deste domingo (29).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-6545553131107229441?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/6545553131107229441/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=6545553131107229441&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/6545553131107229441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/6545553131107229441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/06/tv-senado-do-brasil-apresenta-programa.html' title='TV SEnado do Brasil apresenta programa sobre Vieira'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-2550779697158869234</id><published>2008-06-03T00:06:00.000-03:00</published><updated>2008-07-21T02:23:04.385-03:00</updated><title type='text'>Entrevista ao Pe. Geraldo Antônio Coelho de Almeida, S.J.</title><content type='html'>&lt;strong&gt;(Entrevista por Alexandre Ribeiro em "Zenit - o mundo visto de Roma", 3.6.08, &lt;span style="font-size:85%;"&gt;Permalink: http://www.zenit.org/article-18629?l=portuguese&lt;/span&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em momentos em que se celebra em Portugal e no Brasil o IV centenário de nascimento do Pe. Antônio Vieira, considerado por Fernando Pessoa o «imperador da língua portuguesa», Zenit conversou com um jesuíta sobre o legado do pregador e missionário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem concede a entrevista é o padre Geraldo Antônio Coelho de Almeida, S.J., reitor do Pontifício Colégio Pio Brasileiro em Roma, que foi diretor do Colégio Antônio Vieira em Salvador (Bahia, Brasil).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;--Por que não tem se falado tanto do quarto centenário do nascimento do Pe. Antônio Vieira?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--Pe. Geraldo Coelho de Almeida: Não se fala muito do quarto centenário de nascimento de Vieira porque onze anos atrás já se celebrou um centenário, o terceiro de sua morte. Vieira teve uma vida longa. Diante disso, onze anos depois já estamos celebrando o quarto centenário do seu nascimento. A probabilidade maior é que ele tenha nascido no dia 6 de janeiro de 1608 e morrido no dia 18 de julho de 1697. Portanto, viveu 89 anos e alguns meses. Vida longa para a época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;--Como foi a vida de Antônio Vieira?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--Pe. Geraldo Coelho de Almeida: Ele teve uma vida muito movimentada. Nasceu em Lisboa e ainda criança veio para o Brasil. A família passou pelo Rio de Janeiro, depois se fixou em Salvador. E ali ele fez os estudos primários e secundários. Com 15 anos, ele já ingressava na Companhia de Jesus. Depois do noviciado, fez os outros estudos, de humanidades, filosofia e teologia. Tudo no Brasil. Tudo que Antônio Vieira estudou regularmente, digo regularmente porque ele era um aficcionado por biblioteca, onde encontrava livros ia lendo. Evidentemente, quando ele foi para Portugal, depois para Itália, vasculhou tudo quanto era biblioteca que havia naquele tempo. Os livros eram um produto muito raro e caro. Mas havia bibliotecas selecionadas. E certamente por conta própria, ele estudou a vida toda. Porém, todos os estudos regulares foram feitos no Brasil. Ele chegou aqui com cerca de 7 ou 8 anos e estudou no colégio da Companhia de Jesus que havia em Salvador. Era o principal dos colégios no Brasil naquela época. Entrou no noviciado lá mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;--Como se manifestou seu talento como escritor?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--Pe. Geraldo Coelho de Almeida: Durante a invasão holandesa em 1624-1625, ele foi encarregado de escrever um relatório sobre a invasão, e o fez num estilo caprichado, em latim, com muitos pormenores. Esse documento atualmente é considerado um dos mais importantes para se compreender o que aconteceu durante aquela invasão a Salvador. Portanto, desde jovenzinho, ele já se revelava uma pessoa com grandes dotes literários e com grande inteligência.&lt;br /&gt;Existe uma lenda que diz que ele tinha grande dificuldade para argumentar, e que ele chegava à aula e, na hora de argumentar, não sabia. Então todo dia ele passava pela igreja do colégio e, diante da estátua de Nossa Senhora das Maravilhas que existe lá ainda hoje, ele fazia uma oração pedindo a graça de compreender as coisas com mais rapidez, mais inteligência. Um belo dia teria dado um estalo na sua cabeça e, a partir daquele instante, ele chegou à aula e pediu para argumentar. Para surpresa de todos, foi um assombro. Isso se conta na biografia dele. Mas ninguém sabe se é uma lenda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode até ter sido que um dia ele tenha sofrido algo especial e a partir desse momento tenha dado uma guinada na sua vida em termos de compreensão das coisas. O certo é que desde cedo se manifestou seu talento. E há provas disso, como o documento que eu citei, que data do noviciado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;--E a sua atividade como orador?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--Pe. Geraldo Coelho de Almeida: Antônio Vieira, quando se ordenou, já tinha se revelado um grande orador. Ele já tinha surpreendido as pessoas em Salvador com a sua oratória. Em Portugal, naquele tempo, assumiu o trono o duque de Bragança, que passou a se chamar Dom João IV, terminando assim a dominação espanhola, que tinha começado em 1580, e seguiu até 1640. Então Dom João IV assume em 1640.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para prestar a homenagem da colônia, foi criada uma comissão, e Vieira foi incorporado no grupo. E quando chegou lá, ele impressionou tão bem o rei que a partir dali assumiu importante papel junto da nova etapa do reino de Portugal, depois daquele eclipse de 60 anos da dominação espanhola. Durante o período em que ele esteve assessorando o rei, ele recebia missões cada vez mais empenhativas. O rei o nomeou em dado momento embaixador plenipotenciário junto a várias cortes da Europa, com a função de apresentar o novo governo de Portugal. Havia muita dificuldade de aceitação do novo governo, porque a Espanha era muito poderosa, e vários países não queriam criar problemas com ela. Antônio Vieira tinha como missão ir à França, aos Países Baixos, à Itália, para apresentar o rei de Portugal. Não podemos dizer que ele teve sucesso, porque não tinha nenhum preparo diplomático específico. Baseava-se só em sua capacidade dialética e na sua retórica, mas isso não bastava. Como sacerdote, ele não tinha experiência nessa área. Diante disso, algumas missões não foram bem sucedidas. Mas, de qualquer maneira, ele teve esse papel passando por essas várias cortes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;--Depois disso ele voltou ao Brasil?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--Pe. Geraldo Coelho de Almeida: Mais tarde em Portugal ele consegue vir para o Maranhão (Brasil). Ele começou a missão no Maranhão. A missão já estava engatinhando, no lugar que hoje não é o Maranhão apenas, pois chamava-se Maranhão e Grão-Pará. Era o norte do Brasil, que compreendia os estados do Maranhão, Pará e por extensão também a Amazônia, cujos contornos não estavam ainda bem definidos. Então ele vai para o Maranhão. É a alma da missão dos jesuítas no Maranhão. Ali ele escreve cartas, documentos. O regulamento das missões que é atribuído a ele. O certo é que ele encontra também muita inimizade lá, porque os colonos não aceitavam interferência. Ele ficou do lado dos índios e enviava para Portugal cartas narrando os maus-tratos dos índios, a não observação das normas reais que existiam. Três vezes ele foi expulso de lá e também os jesuítas. Vieira foi até preso nesse tempo tumultuado. Finalmente, ele é mandado de volta para Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa nova fase, o rei morre. A rainha é a regente, mas as coisas não estão mais como antes. Nesse tempo, os seus inimigos o acusam de várias coisas, de favorecer os judeus, quem ele realmente sempre defendeu. Pedia que Portugal desse um tratamento diferente aos judeus, que eram perseguidos em toda península ibérica, pois os judeus podiam com o seu dinheiro ajudar na retomada do reino no vigor anterior à dominação espanhola. Baseado nas posições de Vieira, que foram mal interpretadas, seus inimigos montaram um processo e o acusaram perante o Santo Ofício de Portugal. Cada país tinha o seu tribunal do Santo Ofício, que muitas vezes era dominado pelos governantes locais, só que a culpa viria depois a cair sempre sobre a Igreja. Às vezes, a Igreja era alheia à composição daquele tribunal, que era instrumentalizado pelo Estado. No caso em questão, fizeram um processo. O próprio Vieira se defende das acusações, e se defende muito bem. Nessa época, sua fama de grande orador já extrapolava. Naquele tempo que ele veio para o Brasil, ele também brilhou. Há muitos sermões famosos de Vieira que foram feitos no Maranhão, no Pará. O certo é que depois do processo ele foi condenado, mas uma condenação que não era plena. Ele foi proibido de fazer certas coisas, mas não ficou na cadeia. Então ele conseguiu se livrar do processo, porém tinha penas, como, por exemplo, a de não poder pregar. Os jesuítas portugueses, vendo que não havia tanto espaço para Vieira em Portugal, decidiram que era melhor afastá-lo de lá. E arranjaram um motivo. Tinha havido o martírio dos 40 mártires do Brasil, mortos por protestantes franceses em 1570 nas Ilhas Canárias enquanto se dirigiam para o Brasil, e estava em andamento o processo de beatificação desses mártires. Então deram a ele a incumbência de ser o postulador da causa e o enviaram para Roma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-2550779697158869234?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/2550779697158869234/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=2550779697158869234&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/2550779697158869234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/2550779697158869234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/06/entrevista-ao-pe-geraldo-antnio-coelho.html' title='Entrevista ao Pe. Geraldo Antônio Coelho de Almeida, S.J.'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-9072832163261239618</id><published>2008-05-29T02:47:00.001-03:00</published><updated>2008-07-21T02:50:07.289-03:00</updated><title type='text'>Viagem ao "Brasil do Padre António Vieira"</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;No IV Centenário do nascimento do padre António Vieira (1608 -2008), a revista "Amar &amp;amp; Servir" promove uma viagem ao Brasil&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conhecer a obra do missionário, escritor e pregador é o objectivo desta uma viagem ao “Brasil do padre António Vieira”, que decorre de 27 de Setembro a 12 de Outubro de 2008. São 15 dias de viagem histórica, cultural, missionária com passagem por locais relevantes na vida e obra do missionário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São Luís do Maranhão, onde António Vieira pregou o sermão de Santo António aos peixes, em 1654, é um desses pontos de paragem numa deslocação que inclui a visita ao único deserto do mundo com milhares de lagoas. Rio de Janeiro, São Salvador da Baía, local onde António Vieira viveu a infância e foi ordenado sacerdote em 1635 faz parte deste percurso. Hoje os Jesuítas dirigem, em Salvador, o Colégio Padre António Vieira, com 2.500 alunos e o Santuário de Nossa Senhora de Fátima, o primeiro de “Fátima” no mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acompanha a viagem o padre João Caniço, jesuíta. A viagem tem um custo de 3.750 euros em quarto duplo. Mais informações e inscrições, pelo telefone 217 541 620 ou &lt;a href="mailto:amareservir@netcabo.pt"&gt;e-mail&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;FÁTIMA MISSIONÁRIA 29.5.08&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-9072832163261239618?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/9072832163261239618/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=9072832163261239618&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/9072832163261239618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/9072832163261239618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/05/viagem-ao-brasil-do-padre-antnio-vieira.html' title='Viagem ao &quot;Brasil do Padre António Vieira&quot;'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-4634293165365940401</id><published>2008-05-29T02:45:00.000-03:00</published><updated>2008-07-21T02:47:08.412-03:00</updated><title type='text'>"Passeio pelo Sagrado"</title><content type='html'>Um dos dados curiosos em torno da biografia do padre Antonio Vieira é a descrição do famoso “estalo” que o transformou no maior orador sacro da língua portuguesa. Segundo consta, o fato se deu diante de Nossa Senhora das Maravilhas, no Colégio dos Jesuítas da Bahia. Trata-se de uma imagem portuguesa em madeira, que chegou ao Brasil no século XVI, trazida pelo bispo D. Pero Sardinha, e aqui recebeu revestimento em prata. Preservada de várias intempéries – como a invasão holandesa de 1624 –, a peça é uma das relíquias do Museu de Arte Sacra da Ufba, o MAS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devido a seu valor cultural, a imagem foi escolhida para estampar a capa do livro que marca o início das comemorações dos 50 anos da casa. O aniversário ainda é em agosto de 2009, mas o MAS quer realizar uma série de atividades para dinamizar sua atuação. “Hoje em dia, a visão de museu abrange o compromisso com o social e com a divulgação da cultura. Eles são espaços onde se reverencia o passado para se projetar o futuro”, afirma o arquiteto Francisco Portugal Guimarães, diretor do MAS desde 1998.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse contexto, insere-se o lançamento da publicação luxuosa, bilíngüe (português-inglês), que foi patrocinada pela Petrobras via Lei Rouanet. Na primeira parte, ela traz informações e fotos sobre a Igreja e o Convento de Santa Teresa D’Avila, o belo e imponente conjunto arquitetônico onde o MAS está instalado e que por si só já justifica um passeio por lá. Fundado pela Ordem dos Carmelitas Descalços e tombado desde 1938 pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), destaca Franscisco, é um dos mais importantes exemplares da arquitetura colonial do século XVII. O imóvel, pertencente à Arquidiocese de Salvador, foi reformado pela Ufba para ser o seu primeiro museu, numa das muitas ações do visionário reitor Edgard Santos.&lt;br /&gt;Depois de apresentar a moradia, o livro traz um apanhado da coleção do MAS, que tem um total de cinco mil peças, pertencentes à própria universidade, à arquidiocese ou a instituições como o Mosteiro de São Bento, Igreja Belém de Cachoeira e Instituto Histórico e Geográfico da Bahia, emprestadas em regime de comodato. Os exemplares selecionados para o livro foram agrupados em quatro seções: Imaginária, Marfim, Ourivesaria e Pintura. Cada uma delas vem acompanhada de um texto de um especialista sobre o tema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre as preciosidades do acervo, por exemplo, na parte Imaginária, uma Nossa Senhora de Guadalupe, do século XVI, que representa a produção espanhola do período, e as peças em terracota do mestre Frei Agostinho da Piedade – que veio pequeno para Salvador e aqui produziu sua obra, no século XVII. Já na Ourivesaria, o diretor aponta o impressionante conjunto do altar-mor, todo em prata, da antiga Igreja da Sé, incorporado ao altar da Igreja de Santa Tereza.   Hoje, um ciclo de palestras desdobra o conteúdo da publicação, com a presença da historiadora Maria Helena Flexor, da museóloga Mercedes Rosa, da escritora Myriam Fraga e dos arquitetos Eugênio de Ávila Lins e Francisco de Assis Portugal Guimarães, que assinam os textos do livro. O evento é gratuito e as inscrições são feitas na hora. O livro será vendido, a partir do próximo mês, na sede do museu, na Rua do Sodré, no centro da cidade, mas ainda não tem preço definido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;Palestras de hoje&lt;br /&gt;9h - Imaginária: aspectos de sua representação, com a historiadora Maria Helena Flexor10h - Ourivesaria sacra, com a museóloga Mercedes Rosa11h - Marfim: a riqueza que veio do Oriente, com a escritora Myriam Fraga14h - Arquitetura carmelitana: Convento de Santa Tereza D’Ávila com o arquiteto Eugênio de Ávila Lins.15h - Pintura religiosa na cidade do Salvador - Bahia: séculos XVII, XVIII e XIX, com o arquiteto Francisco de Assis Portugal Guimarães&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;FICHA&lt;br /&gt;Livro: Museu de Arte Sacra – Universidade Federal da BahiaCoordenação: Francisco de Assis Portugal GuimarãesVenda: a partir de junhoPreço: não definido (182 páginas)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ANA CRISTINA PEREIRA, FOLHA DA BAHIA, 29.5.08&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-4634293165365940401?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/4634293165365940401/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=4634293165365940401&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/4634293165365940401'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/4634293165365940401'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/05/passeio-pelo-sagrado.html' title='&quot;Passeio pelo Sagrado&quot;'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-5103608354979265377</id><published>2008-05-25T16:37:00.001-03:00</published><updated>2008-05-25T16:40:37.716-03:00</updated><title type='text'>O Padre António Vieira e as Mulheres</title><content type='html'>«Não quis o Autor da natureza que a mulher se contasse entre os bens móveis. O edifício não se move do lugar onde o puseram; e assim deve ser a mulher; tão amiga de estar em casa, como se a mulher e a casa foram a mesma coisa.» Assim acusava o incansável misógino Padre António Vieira, na sua rejubilante, teatral e moralista parenética, deixando-nos para a eternidade registos sobre a condição da mulher no seiscentismo, e que nos instiga à reflexão sobre a psicologia machista, enformada em palavras e actos, que persiste neste século XXI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em plenas comemorações dos 400 anos do nascimento do Padre António Vieira, surge-nos um livro soberbo que inquire, minudente, 47 sermões vieirinhos, no encalço do universo feminino dos séculos XVII/XVIII: «O Padre António Vieira e as mulheres» de José Eduardo Franco e Maria Isabel Morán Cabanas, que acaba de arrecadar o Prémio SHIP – Monografia 2008, instituído pela Sociedade Histórica da Independência de Portugal, com o valor pecuniário de €1.250,00 e um troféu representativo da SHIP. Um justíssimo prémio para um documento essencial da História das Mentalidades acrescido de um incomensurável prazer de leitura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem organizado, permitindo uma consulta eficaz, o livro explana o estudo sobre o mito barroco do universo feminino – mas também uma esplendorosa e vasta incursão pela psicologia do homem de Seiscentos – em 5 grandes capítulos que, por sua vez, se organizam em subcapítulos e estes em alíneas. Ao todo, são 233 páginas de investigação rigorosa e profusamente documentada, marcada pela paixão com que foi feita pelos autores, paixão que contamina o leitor a ponto de a eleger como uma das mais singulares obras que confia o saber com infinito contentamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Maria, a redentora e Eva, a pecadora&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;No mundo androcêntrico de Vieira «a mulher é construída como um ser capaz do melhor e do pior», dizem os autores. Por um lado Maria, a redentora, por quem o jesuíta tem extrema devoção, a utopia, o exemplo espiritual para todas as mulheres; por outro, Eva, «a mãe de todos os viventes», a tentadora, a pecadora, a que desobedeceu a Deus e arrastou consigo o homem, a responsável por ter aberto a «porta do mal na história da humanidade». É nesta dicotomia mariana e eviana, o positivo e o negativo, que Vieira, munindo-se dum «rico e variado elenco de mulheres», aborda o universo feminino, empenhado na persuasão dos ouvintes/leitores, para salgar a terra, eliminando-lhes os vícios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na caracterização do universo feminino, anotando-se a segregação da mulher, Vieira aponta-lhes um rol interminável de vícios que, por serem observados nos costumes, mostram-nos a insurreição das mulheres que ousavam certas liberdades numa sociedade que as agrilhoava. Assim surge a acusação ao carácter movediço das mulheres, que Vieira aponta como a sua natureza itinerante que dá azo à tentação, «o gosto de sair», de «andar mais fora do lar do que dentro, encontrando-se aí a causa da sua perdição e da perdição dos homens, pois acerca da mulher cabe dizer que é “tão vagabunda nos olhos como nos passos”».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Defendendo o «recolhimento» ou a «domesticação» da mulher, Vieira apela a que elas sejam submetidas a intensa vigilância, mesmo nas suas idas à igreja por utilizarem o terço «como “terceiro” dos sacrilégios»; intenta-se contra a argúcia feminina que cria «pretextos para sair e enganar os maridos», pois as mulheres são «mestras no pecado da hipocrisia e na procura de artimanhas que sirvam para satisfazer os seus prazeres pessoais», dizendo-o Vieira desta maneira: «Quantas vezes a mulher faz um voto para cumprir na igreja e acaba por encontrar um devoto».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a mesma agudeza retórica, o jesuíta mostra-nos possuir uma espantosa sabedoria da psicologia feminina ao apontar muitos outros vícios das mulheres, encontrados no viver quotidiano, como o «apetite desmedido», a ambição, a curiosidade, a vaidade, o egoísmo, entre muitos outros, todos apetites para a leitura desta monografia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota sobre os autores:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Eduardo Franco é historiador, doutorado pela École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris em "História e Civilização". Tem uma vasta obra de investigação, e é considerado um dos maiores especialistas portugueses sobre a História dos Jesuítas. Actualmente é Presidente da Direcção do Instituto Europeu de Ciências da Cultura P. Manuel Antunes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Isabel Morán Cabanas é Professora Titular da Faculdade de Filologia da Universidade de Santiago de Compostela, onde lecciona na licenciatura e em cursos de doutoramento e tem inúmeros trabalhos publicados na área da história e crítica da literatura portuguesa e fez a sua tese de doutoramento sobre o "Cancioneiro Geral" de Garcia de Resende. É membro do Graall (Grupo de Análise de Aspectos Linguístico-literários na Lusofonia), da Universidade de Santiago de Compostela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Padre António Vieira e as Mulheres – O mito barroco do universo feminino, José Eduardo Franco e Maria Isabel Morán Cabanas; Editorial Campo das Letras, Porto, 2008&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contacto: &lt;a href="mailto:teresa.kaminhos@gmail.com"&gt;teresa.kaminhos@gmail.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In "Kaminhos Magazine" 25.5.08&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-5103608354979265377?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/5103608354979265377/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=5103608354979265377&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/5103608354979265377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/5103608354979265377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/05/o-padre-antnio-vieira-e-as-mulheres.html' title='O Padre António Vieira e as Mulheres'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-6734034812501629223</id><published>2008-05-05T14:48:00.001-03:00</published><updated>2008-05-05T14:50:49.937-03:00</updated><title type='text'>Ano Vieirino em Ponta Delgada (2)</title><content type='html'>A realização de uma sessão solene, o lançamento de um volume de sermões, uma exposição e a inauguração de um novo topónimo na cidade, assinalaram em Ponta Delgada as primeiras comemorações oficiais, nos Açores, do Ano Vieirino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o gabinete de imprensa da Câmara Municipal de Ponta Delgada, as comemorações destinadas a assinalar o IV Centenário do Nascimento do Padre António Vieira tiveram lugar na tarde e noite do passado dia 30 de Abril, com a Câmara Municipal de Ponta Delgada a associar-se à Comissão Nacional para as Comemorações do Ano Vieirino, sob o alto patrocínio da Presidência da República e do Patriarcado de Lisboa. Depois da inauguração da placa toponímica “Rua Padre António Vieira”, na freguesia de Arrifes, que registou o nome do Padre Jesuíta nos Açores, o ponto alto das primeiras comemorações deu-se nos Paços do Concelho de Ponta Delgada numa sessão solene em que esteve presente o Bispo de Angra, D. António Sousa Braga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na ocasião a presidente da Câmara Municipal, Berta Cabral, congratulou-se com o facto de a autarquia, juntamente com a universidade, terem sido interlocutores desta efeméride nos Açores, uma vez que ela está também a ser assinalada um pouco por todo o país. Berta Cabral afirmou que “Ponta Delgada coloca, de novo, os Açores no mapa da história das ideias e dos eventos culturais, com uma série de iniciativas que irão destacar a vida e a obra do grande pensador português” que foi o Padre António Vieira. Foi em Ponta Delgada que o Padre se inspirou para fazer o sermão a Santa Teresa, mais tarde publicado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Rui Jorge Cabral in "Açoreano Oriental", 2.5.08&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-6734034812501629223?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/6734034812501629223/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=6734034812501629223&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/6734034812501629223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/6734034812501629223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/05/ano-vieirino-em-ponta-delgada.html' title='Ano Vieirino em Ponta Delgada (2)'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-8664058140177363036</id><published>2008-05-05T12:54:00.000-03:00</published><updated>2008-05-05T14:55:22.869-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_vHfhEO08cCE/SB9J9bypDBI/AAAAAAAAGhw/qn28FSaTMZ0/s1600-h/Vieirafundo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5196953814789852178" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_vHfhEO08cCE/SB9J9bypDBI/AAAAAAAAGhw/qn28FSaTMZ0/s400/Vieirafundo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-8664058140177363036?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/8664058140177363036/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=8664058140177363036&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/8664058140177363036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/8664058140177363036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/05/blog-post.html' title=''/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_vHfhEO08cCE/SB9J9bypDBI/AAAAAAAAGhw/qn28FSaTMZ0/s72-c/Vieirafundo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-7809430111841126591</id><published>2008-04-30T02:52:00.000-03:00</published><updated>2008-07-21T02:54:01.566-03:00</updated><title type='text'>"A escrita do tempo de Vieira"</title><content type='html'>A partir do dia 6 de Maio, está patente no Museu Municipal da Ribeira Grande, uma exposição documental sobre “A escrita do tempo de Vieira”, promovida pela Câmara Municipal e inserida nas comemorações do ano vieirino.A exposição gira em torno da caligrafia do tempo do Padre António Vieira, com documentos originais do Arquivo Municipal da Ribeira Grande, que ilustram a forma de escrita do século XVII. Para além disso, faz parte da exposição a mostra de livros que falam sobre a vida e obra do Padre António Vieira, que foi um pensador, ensaísta, pregador, defensor dos direitos dos cristão-novo e dos índios do Brasil, consultor real e diplomata. Foi muito polémico na sua época, tendo sido detido pela inquisição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A exposição está aberta no horário normal do museu, de segunda a sexta-feira, entre as 08h30 e as 17h30.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;AZORESDIGITAL  30.4.08&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-7809430111841126591?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/7809430111841126591/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=7809430111841126591&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/7809430111841126591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/7809430111841126591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/04/escrita-do-tempo-de-vieira.html' title='&quot;A escrita do tempo de Vieira&quot;'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-5335638311564923634</id><published>2008-04-18T01:48:00.000-03:00</published><updated>2008-04-18T01:49:32.662-03:00</updated><title type='text'>Ano Vieirino em Ponta Delgada</title><content type='html'>O descerramento de uma placa toponímica, uma sessão solene evocativa, na Câmara Municipal, com uma conferência, o lançamento de uma publicação e um sarau cultural, concretizam, em Ponta Delgada, a primeira iniciativa açoriana das comemorações do “Ano Vieirino”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este conjunto de iniciativas terão lugar já no próximo dia 30 de Abril, em resultado de um protocolo assinado, no passado mês, entre a Câmara Municipal de Ponta Delgada, a Comissão Nacional para as Comemorações do Ano Vieirino, com vista a assinalar o IV Centenário do nascimento do Padre António Vieira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O programa de 30 de Abril prevê o descerramento da placa toponímica “Rua Padre António Vieira”, na freguesia de Arrifes, a designar a via onde está instalada a “Urbanização da Piedade”, a norte da Rua Cardeal Humberto Medeiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta inauguração de nova toponímia terá lugar às 18h00 e terá como orador convidado o Presidente da Comissão Organizadora 2008 do Ano Vieirino, Professor Doutor Manuel Cândido Pimentel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às 21h00, no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Ponta Delgada, terá início uma sessão solene evocativa do Ano Vieirino, em que intervirão a Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada e o Presidente da Comissão Organizadora do Ano Vieirino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A evocação ao IV Centenário do nascimento do Padre António Vieira prossegue com uma conferência de Professora Doutora Maria do Céu Fraga, da Universidade dos Açores, subordinada ao tema “O Padre António Vieira nos Açores. Os desígnios da providência”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às 21h45 será lançado o Tomo I da Edição Nacional Crítica dos Sermões do Padre António Vieira (Edição da Imprensa Nacional – Casa da Moeda e CEFI (Centro de Estudos de Filosofia). A apresentação desta publicação será feita pelo Professor Doutor José Luís Brandão da Luz, Vice-Reitor da Universidade dos Açores, bem como pelo Professor Doutor responsável Arnaldo do Espírito Santo, Presidente da Comissão Científica 2008 do Ano Vieirino e Coordenador Científico dos Sermões do Padre António Vieira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A finalizar a sessão solene, haverá um Sarau musical, que terá lugar pelas 22h15 com a pianista Ana Paula Andrade e a soprano Cármen Subica.A ligação da Câmara Municipal de Ponta Delgada às comemorações do Ano Vieirino honra a passagem do Padre António Vieira pelos Açores, designadamente, pela ilha de São Miguel, onde fez na igreja do Colégio, a sua primeira pregação com um sermão que, segundo fontes autorizadas, nunca chegou a ser escrito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Refira-se que António Vieira chegou, acidentalmente, aos Açores, em 1654, quando o navio em que seguia, entre o Brasil e Lisboa, naufragou, tendo aqui ficado a pregar.Para além da iniciativa do próximo dia 30, as entidades açorianas que se associam às comemorações vieirinas – Câmara Municipal de Ponta Delgada, Universidade dos Açores e a Comissão Nacional para as Comemorações do Ano Vieirino – estão a organizar uma exposição de pintura, a protagonizar por vários artistas plásticos açorianos, que irão pintar quadros alusivos a excertos dos sermões do Padre António Vieira, para serem expostos no último trimestre de 2008. Esta exposição será mostrada inicialmente nos Açores com o objectivo de percorrer vários pontos do país.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-5335638311564923634?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/5335638311564923634/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=5335638311564923634&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/5335638311564923634'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/5335638311564923634'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/04/ano-vieirino-em-ponta-delgada.html' title='Ano Vieirino em Ponta Delgada'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-3513105963473926393</id><published>2008-04-18T01:22:00.001-03:00</published><updated>2008-04-18T01:24:14.875-03:00</updated><title type='text'>Memorial da America Latina comemora Vieira</title><content type='html'>O Memorial da América Latina, em parceria com o Centro de Estudos Fernando Pessoa, realiza, nos dias 22, 23 e 24 de abril, o Colóquio 400 anos de Padre Antônio Vieira, "Imperador da Língua Portuguesa". Entre os palestrantes estão o advogado e professor Ives Gandra e o escritor Antonio Machado. A entrada é franca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A abertura, no dia 22, será realizada na Biblioteca do Memorial da América Latina. No dia 23, as palestras acontecerão no Anexo dos Congressistas do mesmo Memorial e, no dia 24, o colóquio terá lugar na Casa de Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para dar mais destaque à versatilidade que distinguiu Vieira ao longo da História, os conferencistas convidados abordarão a vida e a obra do padre sob as mais diversas perspectivas, de acordo com suas profissões e experiência de contato com a literatura do autor. De pesquisadores e ensaístas a arquitetos e advogados, todos têm em sua alma um pouco de Vieira para contar e muito a transmitir às novas gerações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nascido em Lisboa no dia 6 de Fevereiro de 1608, o Padre Antônio Vieira veio para o Brasil aos seis anos, onde estudou e missionou durante a maior parte da sua vida; escreveu cerca de 200 sermões e mais de 500 cartas, e sua obra foi tão significativa quanto sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antônio Vieira destacou-se, não somente como literato, mas também no campo da política e economia. Era um homem à frente de seu tempo, defendeu o direito dos "cristãos-novos" (judeus que eram obrigados a adotar a religião católica para fugir da inquisição) de permanecer em terras portuguesas numa época marcada pela intolerância. Acreditava que Portugal só tinha a ganhar economicamente com os investimentos financeiros dessa classe perseguida. Era também contra a escravização indígena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pessoa refere-se a ele em seu livro "Mensagem" como o "Imperador da Língua Portuguesa". Sua obra tem como característica marcante jogo de conceitos/idéias por meio do uso do raciocínio lógico e da retórica aprimorada. É tido como modelo de prosador e orador até os dias de hoje. Dentre os sermões de destaque temos: "Sermão de Santo Antônio" e "Sermão pelo Bom Sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda". Padre Antônio Vieira morreu aos 89 anos, na Bahia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Colóquio 400 anos de Padre Antônio Vieira, "Imperador da Língua Portuguesa"&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 22 de Abril (terça-feira) – Abertura&lt;br /&gt;Memorial da América Latina – Biblioteca Latino-Americana Victor Civita&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19 h Mesa de Abertura&lt;br /&gt;Dr. Fernando Leça (Diretor Presidente da Fundação Memorial da América Latina)&lt;br /&gt;Prof. João Alves das Neves (Presidente do Centro de Estudos Fernando Pessoa)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20h Conferência&lt;br /&gt;Tereza Rita Lopes (Escritora e professora da Universidade Nova de Lisboa): "Vieira e Pessoa"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21h Leitura Dramática de Textos Vieirianos&lt;br /&gt;Carlos Carranca (Professor da Escola Superior de Teatro, Portugal)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 23 de Abril (quarta-feira) – Colóquio&lt;br /&gt;Memorial da América Latina – Anexo dos Congressistas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9h às 10h Conferências: Padre Vieira do Brasil&lt;br /&gt;Regina Anacleto (Professora - Universidade de Coimbra): "A Arte no Tempo de Vieira"&lt;br /&gt;Hernâni Donato (Historiador e professor universitário): "Vieira, o Crente"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10h Intervalo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10:15h às 12:30h Conferências: Recepções de Vieira&lt;br /&gt;José Eduardo Franco (Professor - Universidade Lusófona, Lisboa): "A Mulher nos sermões de Vieira"&lt;br /&gt;Carlos Francisco Moura (Escritor e arquiteto – Real Gabinete Português de Leitura): "Vieira Viajante, Navegante, Naufragante"&lt;br /&gt;Eduardo Navarro (Professor Literatura Brasileira - FFLCH / USP): "A Idéia da Inconstância da Alma Selvagem no Sermão do Espírito Santo"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12:30h Almoço&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14h às 16h Conferências: Vieira, o dono da História&lt;br /&gt;Maria Beatriz Rocha-Trindade (Escritora e professora - Universidade Aberta de Lisboa): "O Saudosismo na Literatura Portuguesa"&lt;br /&gt;Raul Francisco Moura (Escritor e museólogo, Rio de Janeiro): "Três Antónios Lisboetas"&lt;br /&gt;Teodoro Koracakis (Professor - Universidade Estadual do Rio de Janeiro): "A Relevância do Sermão da Quadragésima para o Estágio Atual dos Estudos Literários"&lt;br /&gt;Antonio Lopes Machado (Escritor): "O Padre Vieira, Protetor dos Índios e Africanos"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16h Intervalo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16:15 às 18:15 Conferências: Vieira de mil faces&lt;br /&gt;Paulo de Assunção (Professor Titular - USJT/ Unifai/ Inicapital e FAENAC): "O Pensamento Econômico do Padre Antonio Vieira"&lt;br /&gt;Beatriz Alcântara (Professora - Universidade Estadual do Ceará): "Vieira – o Quinto Império e o Saudosismo"&lt;br /&gt;Odete da Conceição Dias (Professora - Universidade Ibirapuera): "Iconografia Vieiriana"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 24 de abril (quinta-feira) – Colóquio e Encontro Cultural de Língua Portuguesa&lt;br /&gt;Casa de Portugal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9h às 12h Comunicações: Recepções Lusófonas no século XX - I&lt;br /&gt;Marcia Arruda Franco (Professora DLCV – Literatura Portuguesa da FFLCH / USP): "Duas Cantigas em Movência"&lt;br /&gt;Flavio Vichinski (Professor e mestrando FFLCH /USP): "Saramago, Leitor de Camões"&lt;br /&gt;Anísio Justino da Silva Filho (Teólogo, professor e mestrando da FFLCH / USP): "A Defesa e a Ilustração da Língua Portuguesa nos Gramáticos e em Antonio Ferreira"&lt;br /&gt;Vera Helena Amatti (Jornalista e mestranda da FFLCH /USP): "A Construção do Sermonista no jovem 'repórter' Antônio Vieira"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12h Almoço&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14h às 16h Comunicações: Recepções Lusófonas no século XX - II&lt;br /&gt;Luiz Antônio Lindo (Professor de Filologia Românica da FFLCH / USP): "Caminho e caminharei a passos duros, pensando"&lt;br /&gt;Rita de Cássia Alves (Escritora e ensaísta): "Presença da Saudade na Alma Portuguesa: Vieira e Pessoa"&lt;br /&gt;Cristiane Prando Martini Simeoni (Professora e mestranda (Letras) da FFLCH / USP) "A Desconstrução do Eu em Fernando Pessoa"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Intervalo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16:15h às 18:15h Comunicações: Estudos Lusófonos&lt;br /&gt;Ives Gandra Martins (Escritor e Professor Emérito da Universidade Mackenzie): "A Presença de Vieira no Maranhão e a Integração Futura de uma Nação com a Vinda da Corte Portuguesa"&lt;br /&gt;Carlos Carranca (Professor da Escola Superior de Teatro, Portugal): "O Iberismo: Torga, Unamuno, e a visão da América Latina"&lt;br /&gt;Dalila Teles Veras (Escritora) "A Obra de Joaquim de Montezuma de Carvalho"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teodoro Antunes Mendes Tamen (Poeta e pesquisador): "O Padre Antônio Vieira e o Sonho do Quinto Império".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apoio Cultural:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fundação Calouste Gulbenkian&lt;br /&gt;Biblioteca Nacional de Portugal&lt;br /&gt;Real e Benemérita Associação Portuguesa de Beneficência&lt;br /&gt;Casa de Portugal de São Paulo&lt;br /&gt;Viagens Numatur&lt;br /&gt;Banco Banif&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serviço:&lt;br /&gt;Colóquio 400 anos de Padre Antônio Vieira, "Imperador da Língua Portuguesa"&lt;br /&gt;Data: de 22 a 24 de abril&lt;br /&gt;Memorial da América Latina&lt;br /&gt;Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664, Barra Funda, São Paulo - SP&lt;br /&gt;Tel. (11) 3823-4605&lt;br /&gt;Entrada franca&lt;br /&gt;Inscrições pelo site &lt;a onclick="return top.js.OpenExtLink(window,event,this)" href="http://www.memorial.sp.gov.br/" target="_blank"&gt;http://www.memorial.sp.gov.br/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Mais informações: (11) 3823-4780 ou &lt;a onclick="return top.js.OpenExtLink(window,event,this)" href="mailto:cursos@memorial.sp.gov.br" target="_blank"&gt;cursos@memorial.sp.gov.br&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Casa de Portugal (dia 24/02)&lt;br /&gt;Av. da Liberdade, 602. Tel: (11) 3209-5554&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assessoria de Comunicação: (11) 3823-4605&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-3513105963473926393?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/3513105963473926393/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=3513105963473926393&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/3513105963473926393'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/3513105963473926393'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/04/memoria-da-america-latina-comemora.html' title='Memorial da America Latina comemora Vieira'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-5189721253742488642</id><published>2008-04-08T02:56:00.000-03:00</published><updated>2008-07-21T02:57:59.685-03:00</updated><title type='text'>Prémio de Dramaturgia</title><content type='html'>Armando Nascimento Rosa recebeu o prémio Albufeira de Literatura 2008 – Dramaturgia pela obra “&lt;strong&gt;O último sermão de António Vieira&lt;/strong&gt;”. A cerimónia decorreu no passado sábado, 5 de Abril.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Armando Rosa nasceu em 1966 em Évora. Escreve teatro e não “para teatro”, como costuma dizer, desde há 20 anos. Lecciona na Escola Superior de Teatro e Cinema. São muitos já os êxitos somados. Os seus ensaios, nomeadamente sobre Beckett e António Patrício, são textos de elevada referência não só no panorama intelectual do País como no estrangeiro. No que refere as obras teatrais, o autor conta com cerca de 20 títulos. Refira-se, o Prémio Albufeira de Literatura é atribuído nos anos pares a obras de Dramaturgia e nos ímpares a Narrativa, sendo que no caso das obras de teatro o valor é de 5100 euros e no caso da Narrativa, de 10 mil euros. Conta com os patrocínios da Caixa de Crédito Agrícola – Albufeira e do Petchey Leisure Group. Receberam já este prémio os escritores Hugo Santos, Jorge Paulo, Rui Costa e, agora, Armando Nascimento Rosa. Após a entrega do Prémio Albufeira de Literatura 2008 decorreu a cerimónia de lançamento da obra vencedora da edição do ano passado, o romance “A resistência dos materiais”, de Rui Costa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;REGIÃO SUL 8.4.2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-5189721253742488642?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/5189721253742488642/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=5189721253742488642&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/5189721253742488642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/5189721253742488642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/04/prmio-de-dramaturgia.html' title='Prémio de Dramaturgia'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-2646038719573126833</id><published>2008-04-06T11:57:00.003-03:00</published><updated>2008-04-06T12:01:59.487-03:00</updated><title type='text'>Vieira - Um grande mestre a descobrir</title><content type='html'>POR &lt;strong&gt;JOSÉ JORGE PERALTA*&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.     Um Patriarca da Lusofonia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira foi um homem admirável pelo caráter, pela coragem e pela energia, pela diversidade e profundidade de seus conhecimentos, pelo amor e dedicação à pátria, ao povo e aos bens espirituais, por sua extraordinária atuação política e diplomática e por suas estimulantes utopias.&lt;br /&gt;Vieira foi um grande Patriarca da Civilização Lusófona, pelo mundo espalhada. Sua força matricial vem da tradição humanística e solidária do povo português que tem sua raiz profunda, nos diversos povos que na Lusitânia viveram e se miscigenaram (celtas, fenícios e visigodos, gregos, árabes, hebreus e romanos). O espírito do cristianismo articulou estas culturas e as temperou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O povo lusitano foi um povo guerreiro e forte que precisou de muita sabedoria e astúcia para sobreviver e prosperar. Esta foi a força matricial que pelo mundo se espalhou e que Vieira propagou. Este é um quadro de referências necessárias para poder vivenciar toda a força e grandeza que neste homem se manifestou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira foi um dos maiores homens de toda a história do Brasil e também de Portugal de todos os tempos. Iluminou o século XVII com grande esplendor. Produziu uma obra para sempre, ultrapassando os limites do tempo e do espaço. É um clássico. É um patrimônio da humanidade.&lt;br /&gt;Foi grande como orador vibrante, arrebatador e consistente; foi grande como escritor, como filósofo e como pensador; foi grande como gestor eclesiástico e político; foi grande como conselheiro, como diplomata, como articulador e como estrategista; foi grande como “historiador”, como agente e como observador da história; foi grande teólogo, exegeta e biblista; foi grande nas suas impressionantes e instigantes utopias; foi grande e implacável contra as injustiças sociais e contra toda a discriminação, por motivos étnicos ou de religião; foi um grande escritor e um grande artista; foi o homem da esperança, de pensamento e ação; foi grande humanista na sua luta pelos valores humanos e cristãos, pelos valores éticos e pelos valores espirituais; (foi um defensor dos direitos humanos, defendendo o respeito à dignidade humana dos índios, dos negros e dos brancos espoliados e dos judeus perseguidos); foi um patriota, lutando pela consolidação da independência de seu país e pela manutenção da unidade no Brasil, na guerra contra os invasores estrangeiros; foi um universalista lutando pela harmonia entre os povos e pela paz. Queria um mundo onde todos os povos se confraternizassem; queria o reino de Cristo na terra implantado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizer que Vieira foi um orador monumental, um dos maiores de todos os tempos, embora seja muito, é muito pouco para sua atuação múltipla. Foi muito grande como orador e como escritor, mas foi maior ainda em sua atuação sócio - política e estratégia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira produziu uma obra múltipla, indispensável no nosso tesouro cultural. Aliou a teoria à prática. Nunca foi um homem de gabinete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira é mais conhecido por seus magistrais Sermões. Mas sua atuação político - social é ainda de maiores dimensões. Participou de alguns dos mais brilhantes momentos da história do Brasil, de Portugal e do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de todas as grandezas, Vieira é um mestre de nossa estirpe humana e cultural e é um homem universal. É um homem da estirpe dos gigantes. Viveu sempre com os pés firmes no chão ainda quando tratava das coisas do Alto, até mesmo quando se envolvia com suas geniais utopias.&lt;br /&gt;Como Homero, Dante, Camões, Shakespeare, Goethe, Pessoa, Yung e tantos outros homens da elite moral e intelectual, Vieira pertence à humanidade que quis aperfeiçoar, livrando-a das opressões, baixezas e limitações. Todos são patrimônios e reservas morais da humanidade.&lt;br /&gt;Vieira é um Atlas, erguendo o mundo em suas mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira é uma das glórias máximas de nossa língua, de nossa cultura e de nossa nação, no âmbito cultural, político e humanístico. Feliz do povo que tem um homem da estirpe espiritual e sócio-cultural de Vieira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um ser humano de extraordinário talento, com uma grande missão. Precisamos escutar suas lições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma glória de seu povo e da humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.     O Preço da Grandeza&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira operou dentro de novos paradigmas de civilização. Atuou num cristianismo dinâmico e comprometido com o bem-comum, criativo, inovador, propositivo, afirmativo, transformador. Foi um homem do Evangelho: um autêntico, adepto do cristismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Vieira foi grande lutador pela paz entre os povos, pela justiça, pela liberdade e dignidade das pessoas; foi um grande patriota; foi grande pensador. Foi também um grande sofredor, porque encontrou na vida alguns mesquinhos traiçoeiros e interesseiros que colocaram espinhos no seu caminho, como aliás é de se esperar. Ele mesmo dizia que é mais honroso ter inimigos do que não os ter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assumiu o papel de guardião de sua pátria e de seu povo que queria ver livres e altaneiros, unidos na fé, na esperança, na liberdade e na prosperidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pagou caro por suas audácias, mas seguiu até o fim com sua missão. Teve gloriosas vitórias e algumas desilusões, como é de praxe para todos os mortais que se projetam além do trivial.&lt;br /&gt;Vieira foi um Mestre hábil, sagaz e sábio em tudo o que fez. Nunca teve vida fácil, mas foi um homem realizado e sempre autêntico e leal. Seus olhos brilhavam, felizes e confiantes em cada projeto que assumia. Seu sol nunca conheceu o poente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De tudo o que fez e na vida passou, restou a glória de um imortal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sofrimentos e inquietações que passou, hoje são pérolas que lhe ornam a fronte e brilham nos caminhos por onde passou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um homem incansável, com dedicação integral e irrestrita à sua missão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabia que tinha uma grande missão na terra. Não fugiu nunca de suas responsabilidades. Nada o impedia. Ninguém conseguiu fazê-lo desistir. Tentaram, mas ele prosseguiu até o fim. Queria o reino de Cristo na terra consumado, onde todos se confraternizassem, com a união de todos e as diferenças de cada um, como irmãos que respeitam o mesmo Deus. Este era o tema básico do seu livro “Clavis Prophetarum”. Queria a paz, bem-estar e prosperidade solidária, para todas as pessoas de boa vontade sem distinção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira foi, talvez, o primeiro cidadão do mundo. Todos os humanos eram seus irmãos. Este era o lema da “Clavis Prophetarum”, que ficou inacabado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. O Mestre Máximo de Nosso Idioma&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira ergueu um imenso, elevado e imortal monumento a Língua Portuguesa, com seus Sermões, Cartas e outras Obras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira desenvolveu, em grau sublime, as potencialidades estilísticas, semânticas e rítmicas do seu idioma materno. Explorou suas propriedades expressivas, suas delicadezas, sua força tonitruante, suas energias vitais, seu potencial de comunicação e de expressão, sua poesia. Dominou as mais profundas sutilezas de seu idioma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A obra de Vieira é um dos mais ricos tesouros de nossa língua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um dos pilares centrais de nossa língua, de nossa cultura e de nossa nação, da lusofonia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4.     Monumento à Língua Portuguesa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se quisermos erguer um monumento à Língua Portuguesa, teremos de colocar, lá no alto, Vieira com seus Sermões na mão e Camões à sua direita, com os Lusíadas, seguidos de uma plêiade de escritores de escol, de grande mérito: os Mestres e Guardiões de nossa língua portuguesa, de nosso pensamento e de nossa cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os escritores de escol estarão, entre muitos outros, os mestres Machado de Assis, Rui Barbosa, Fernando Pessoa, Bernardes, Eça de Queirós, Almeida Garret, Gonçalves Dias, etc, etc. Alguém precisa completar a lista, que pode conter 30 mestres geniais, ou 50, ou 100. Não será fácil fazer tal seleção pelo alto contingente dos candidatos. É possível, mas sem unanimidade, logicamente. O que é essencial é que na lista constem nomes de toda a lusofonia em todos os continentes sediados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi sem razão que Fernando Pessoa nomeou Vieira como “Imperador da Língua Portuguesa”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira, ele só é um monumento, pela grandeza de sua obra e de seu caráter, por sua dignidade humana, por sua atuação na transformação social, por seu espírito empreendedor, por sua fé, por sua arte e por suas sublimes ousadias, pela esperança e solidariedade que de sua obra irradiam.&lt;br /&gt;Não queremos abordar aqui o Vieira total. Cada qual busque em Vieira o que mais lhe fala e mais lhe convém. Vieira é inesgotável, como outros luminares que a humanidade produziu, através dos séculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5.     Gravações a Ouro em Granito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sociedade ainda não gravou a ouro, em granito, sua gratidão para com este homem tão especial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil ainda não lhe fez justiça, à altura de seus méritos. Portugal também não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pessoa procurou fazer-lhe justiça, em diversos escritos. Roma lhe fez alguma justiça pelas mãos da Rainha Cristina da Suécia, ao coroá-lo de louros dourados, após uma conferência magnífica e magistral. Também o Papa Clemente X lhe fez justiça ao libertá-lo da Inquisição. Os cardeais, os bispos, as autoridades e o povo de Roma  acorriam a ouvi-lo e aplaudi-lo.&lt;br /&gt;Muitos ainda nem sabem que a farsa da Inquisição foi desmascarada e que ele foi absolvido de todas as acusações... Outros até repetem tais farsas, como se fossem verdadeiras (?!). Não sabem que é falcatrua: uma armação persecutória, cheia de indignidades. Alguns fizeram tudo para fazer o linchamento moral de Vieira. Conseguiram feri-lo, moralmente, mas nada que o tempo não cure. De quem o agrediu moralmente pouco ou nada restou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os professores e intelectuais precisam fazer Vieira mais conhecido pelas novas gerações. Ele faz bem a todos e está fazendo muita falta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira é sempre um novo tesouro a descobrir. É uma inesgotável fonte de pesquisa.&lt;br /&gt;Queremos que este texto seja um perene convite à leitura da obra deste benemérito escritor e digno homem público. Neste trabalho tentamos entreabrir as cortinas por onde poderemos ter acesso a este autor e à sua obra, naquilo que ele tem de atual, para abrir novos rumos à modernidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falamos aqui de Vieira enquanto personagem presente para sempre em nossa história e na nossa cultura, ainda que muitos ainda o desconheçam. Divulgar a obra de Vieira é também um ato cívico. É divulgar a nossa cultura, é divulgar bem-querença. É aderir à eterna luta pela paz e pela fraternidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira, em vida, exercia um grande magnetismo sobre as pessoas. Tinha um carisma extraordinário. Sua mensagem atraia multidões. Foi talvez a primeira grande estrela popular de dimensões mundiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira sempre teve e sempre terá uma imensa rede de leitores. Se essa rede fosse mais ampla, o mundo seria melhor para todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6.     Perseguição, Reconhecimento e Gratidão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente no séc. XXI, no seu 4° Centenário, Vieira começa a ser conhecido como é, em plenitude, com seus méritos e suas grandes realizações. Muitos pesquisadores vêm se debruçando sobre a sua obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente temos disponíveis os documentos básicos de sua ação, de suas agruras, das perseguições e das farsas em que o enredaram, e de suas obras e vida efetivamente monumental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quatrocentos (400) anos foram precisos para podermos começar a olhar o Vieira de frente, sem preconceitos. Nele descobrimos um homem moderno, ágil e versátil, de visão cósmica e holística.&lt;br /&gt;Algumas autoridades da Igreja nem sempre o compreenderam. Por falta de informações, talvez. Ou por injunções adversas e persecutórias. É que sem dúvida, as audácias plenamente evangélicas de Vieira chegaram a causar constrangimento à sua Congregação. As questões “políticas” e as religiosas nem sempre estão em sintonia. A ousadia dos profetas sempre geram contradições. Isto é natural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira, um homem genial, foi sempre um homem do bem e da paz com justiça. Covardemente perseguido, enfrentando torpes conspirações e deletérias injúrias, difamações e intrigas por alguns, contrabalançadas com imensa admiração e veneração de muitos, foi sempre um homem de pensamento e de ação. Um homem de coragem e dedicação. Nada deteve sua missão.&lt;br /&gt;A brutal perseguição que lhe moveu a Inquisição não o dominou. Apenas o humilhou e até o reanimou. Nunca desconhecia o risco de sua ousadia.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem que mais conviveu com Vieira foi seu secretário particular, que o assessorou por mais de 30 (trinta) anos, o Pe. José Soares. Não sabemos se mesmo ele compreendeu Vieira em toda a sua complexidade. O que sabemos é que foi muito dedicado e eficiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é a hora de efetivamente resgatar o Vieira total das incompreensões e equívocos dos que ainda hoje o injuriam com as maledicências da Inquisição, e por sua posição política numa peculiar situação, no caso das invasões holandesas. Uma posição estratégica naquele momento.&lt;br /&gt;Revertida à situação, ele continuou lutando com denodo pela unidade e integridade do país.  &lt;br /&gt;É sabido que Vieira, um homem de altos talentos, alto saber e sabedoria e um homem de ação, um grande estrategista, passou pela vida vivendo circunstâncias paradoxais: teve dias de glória e dias inglórios; viveu o sucesso e a depressão; viveu a aclamação de Domingo de Ramos, a dor e o constrangimento da Via Sacra, nas mãos da Inquisição, entre Pilatos e a cruz; e viveu a glória do Sábado da Aleluia com a publicação de seus Sermões e com a coroa de louros dourada que recebeu em Roma&lt;a title="" style="mso-endnote-id: edn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6130401891343094894#_edn1" name="_ednref1"&gt;[i]&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;7. Um Herói Perseguido e Vencedor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi brutal e devastadora a perseguição da Inquisição sobre Vieira. Este teve pouca chance de se defender das sádicas, vazias e até ridículas e cínicas denúncias que recebeu. Teve sua liberdade tolhida. Sofreu um quase esquartejamento moral. Aliás, pouco fez para apagar as falsidades escritas a seu respeito. Tinha mais o que fazer. Defender-se? Outros que o fizessem futuramente. Contava com o bom-senso das futuras gerações que via com esperanças: Vieira foi um mártir legítimo da liberdade e do humanismo e sua fé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em parte, a perseguição era por motivos políticos. Os pseudo motivos religiosos eram apenas justificativas para tolher-lhe a ação. As razões ele as denunciou em Roma, onde  podia falar e era ouvido e respeitado. O Papa o ouviu e o atendeu, contra as pressões terríveis que sofria para não atendê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outras religiões como em outras nações meritocráticas Vieira seria para todo o sempre, uma pessoa venerável, com direitos a painéis nos templos e nos espaços culturais.&lt;br /&gt;Vieira é um herói do Brasil, de Portugal e da humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que a Igreja lhe reconheça o lugar que merece, por seus méritos e por seu heroísmo, ao vencer as adversidades, pela sua dedicação à causa dos deserdados, pela herança cultural inestimável que nos legou e pela sua valentia, nas missões, na política e nas perseguições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por tudo o que fez, sem favor, Vieira merece nossa veneração. Vieira é um homem venerável por sua obra e por seu heroísmo. Como Joana D’Arc e como muitos outros heróis da fé e da pátria e por sua luta pela justiça social, Vieira é um mártir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um Mártir pelas injúrias e torturas que padeceu e pelos riscos que enfrentou de cabeça erguida; por sua audácia, coragem e dedicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com sua coragem, persistência e humildade, Vieira, sozinho, abalou a toda-poderosa Inquisição. Venceu-a em Roma. Merece respeito e calorosos aplausos e não o silêncio cúmplice das pessoas que deveriam ser solidárias e responsáveis&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da grande projeção da sua obra, Vieira ainda é por demais desconhecido nos tempos atuais, em muitas universidades. Só é estudado sumariamente, em aulas de literatura. Vieira é muito mais que literatura, embora na literatura seja monumental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira é um grande arsenal de cultura que não podemos desperdiçar, num mundo tão carente de exemplos fortes e convincentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem tem a oportunidade de conviver com a obra de Vieira tem a obrigação moral de o divulgar e o defender de seus algozes. É questão de justiça e cidadania. Vieira é um imenso tesouro moral que não pode continuar escondido nos escombros das maledicências de alguns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8. Recuperando a Imagem, Abolindo Preconceitos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira foi sempre um homem aberto ao mundo: Foi o homem do diálogo: diálogo entre pessoas, diálogo intercultural, diálogo inter-religioso e diálogo inter-étnico; diálogo com o passado, com o presente e diálogo com o futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso retomar esse “diálogo” com ele mesmo: o diálogo da vida, para além do tempo e do espaço: a diálogo da modernidade, o diálogo com o nosso tempo, o diálogo com os valores perenes de nossa civilização e diálogo com o passado, com a nossa história de que ele faz parte ativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira, como os profetas e como os grandes clássicos, é um homem plenamente atual, por sua vida e por sua obra. É um homem perseguido, por seus atos e intenções mais nobres, mas sempre aplaudido pelo povo, sempre muito respeitado e venerado. Seus paradigmas têm plena atualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De Vieira e de muitos outros profetas de todos os tempos, também falava Jesus, em Mateus 23,34 e37:  “Serpentes, raça de víboras (...). Eu vos envio profetas e sábios e escribas. Vós matareis e crucificareis uns e açoitareis outros(...) e os perseguireis de cidade em cidade”. “Jerusalém, Jerusalém! Tu matas os profetas e apedrejas os que te são enviados...”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira foi um homem que lutou pelos grandes valores cristãos e humanistas: pela justiça, pela liberdade, pela dignidade, pelo amor e pela paz. Lutou pelo alegre convívio das pessoas, num espaço fraternal e descontraído, como um reino celestial instituído entre os mortais, sempre plural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um homem que teve a competência e a coragem de sonhar e soube lutar por seus sonhos para conseguir realizá-los. Os pigmeus riem com desdém das utopias de Vieira. É que nada entenderam, se julgam muito sabidos e dão vexame.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está na hora de afastar dele os preconceitos que, desde a Inquisição, prejudicam sua imagem. Está na hora de abolir a Inquisição de nossa visão cultural. Muitos ainda nela se espelham (?!). Alguns não sabem, ou não se deram conta de que a Inquisição é irmã gêmea de todos os fascismos que vicejam em todas as sociedades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está na hora de recuperar a imagem de Vieira na sua pureza, nos seus méritos e no seu poder de transformação. A sociedade e a Igreja, todos têm muito a ganhar com isso. Minimamente é uma atitude cristã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma questão de justiça. Justiça póstuma, mas justiça pelo qual tanto lutou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está na hora de a Igreja o assumir como um filho predileto que sempre foi, por sua fé, por sua dedicação, por sua lealdade e por seu heroísmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está na hora de a sociedade declarar a obra de Vieira patrimônio cultural do país e da humanidade, na categoria de  Patrimônio Imaterial, pelo Iphan, ou algo semelhante. A cidade de Salvador poderia estudar esta hipótese.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira fez mais por sua Igreja e pela humanidade; do que muitos Papas e muitos Cardeais e muitos Bispos juntos. Fez mais por seu país e por seu povo do que muitos presidentes, muitos governadores e muitos intelectuais juntos. No Brasil é considerado um dos 13  (treze) homens que mais fizeram pelo nosso país. Não foi menor a sua ação por Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira pode ter cometido erros que alguns lhe atribuem, o que colocamos em dúvida. Mas o saldo de seus acertos foi infinitamente superior. Lembremo-nos de que é melhor errar tentando acertar do que omitir-se em silenciosa cumplicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira precisa ser mais divulgado e mais conhecido pelas novas gerações. As pessoas responsáveis precisam assumir mais esta tarefa grande, benemérita e construtiva, para uma sociedade mais justa, mais livre e mais solidária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem assumirá esta tarefa? A resposta é dada na ação. Todos são chamados. Atenda quem puder. Quem convoca é a voz da história que cultua nossas raízes. É a voz da justiça&lt;br /&gt;A recuperação interessa a toda a sociedade civil, por sua arte e por seus feitos e pelos valores que defendeu. Não interessa menos à Igreja de que foi filho generoso e onde ancorou seu gênio e bebeu seu saber. Interessa ao nosso país, ao qual tanto se dedicou e interessa à humanidade da qual foi filho muito especial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;*Professor da Universidade de São Paulo (aposentado) Fundador de Instituições Universitárias Modelares e de Instituições Culturais. Doutor em Lingüística e Semiótica. Autor de Poética Multissemiótica de Fernando Pessoa e de Celebrando Vieira.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-endnote-id: edn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6130401891343094894#_ednref1" name="_edn1"&gt;[i]&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;Conta-se que a rainha Cristina, da Suécia, coroou Antônio Vieira, com uma coroa de louros dourada, em Roma, na ocasião em que Vieira preferiu o discurso  sobre as “Lágrimas de Heráclito”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-2646038719573126833?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/2646038719573126833/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=2646038719573126833&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/2646038719573126833'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/2646038719573126833'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/04/vieira-um-grande-mestre-descobrir.html' title='Vieira - Um grande mestre a descobrir'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-3659206419327000965</id><published>2008-04-04T09:45:00.002-03:00</published><updated>2008-04-04T09:48:33.077-03:00</updated><title type='text'>Jornada Vieirina em Évora</title><content type='html'>Jornada Vieirina na Universidade de Évora 30 de Maio de 2008, pelas 10 horas, na sala 131 do Colégio do Espírito Santo da Universidade de Évora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Programa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10 horas - Sessão de Abertura Intervenções:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Magnífico Reitor da Universidade de Évora, Prof. Doutor Jorge Araújo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Presidente da Comissão Organizadora de 2008 Ano Vieirino, Prof. Doutor Manuel Cândido Pimentel&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Presidente da Comissão Organizadora da Jornada Vieirina, Profª. Doutora Ana Paula Banza&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10h30 - Conferência de abertura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prof. Doutor Arnaldo do Espírito Santo (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa): "A Clavis Prophetarum, outra face do pensamento do Padre António Vieira"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11h30&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prof.ª Doutora Sara Marques Pereira (Universidade de Évora): "A Universidade de Évora no tempo de Vieira".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12 horas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prof.ª Doutora Ana Paula Banza (Universidade de Évora): "Fontes e referências eborenses na obra do Padre António Vieira".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12h30&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prof. Doutor Manuel Cândido Pimentel (Universidade Católica Portuguesa em Lisboa): "A meditação filosófica do Padre António Vieira sobre o pranto e o riso".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15 horas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prof.ª Doutora Teresa Amado (Universidade de Évora): "Palavra e Utopia": a profecia, "O Passado e o Presente"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15h30&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prof.ª Doutora Isabel Almeida (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa): "Ver as vozes: o valor das imagens nos sermões de Vieira".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16 horas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Padre António Vaz Pinto (SJ): "Formação, Acção e Missão, na Vida e Obra do P. António Vieira."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17 horas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prof.ª Doutora Maria Cristina Pimentel (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa): "Historiadores latinos nos Sermões do Padre António Vieira"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17h30&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prof. Doutor Francisco Ramos (Universidade de Évora): "O Alentejo e António Vieira Ravasco"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18 horas - Conferência de encerramento:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prof. Doutor Manuel Ferreira Patrício (Universidade de Évora): "Profecia, Escatologia e Utopia na doutrina vieirina do Quinto Império".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18h45 - Encerramento dos trabalhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Organização: 2008 Ano Vieirino / Universidade de Évora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Informações e Contactos:Comissão Organizadora da Jornada Vieirina na Universidade de Évora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Departamento de Linguística e Literaturas da Universidade de Évora, Apartado 94, 7002-554 Évora Tel.: 266 759 350/266 759 365 Fax: 266 759 356Email: &lt;a href="mailto:anabanza@uevora.pt" target="_blank"&gt;anabanza@uevora.pt&lt;/a&gt; (Prof.ª Ana Paula Banza)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Local: 10:00  Sala 131 do Colégio do Espírito Santo da UE&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-3659206419327000965?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/3659206419327000965/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=3659206419327000965&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/3659206419327000965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/3659206419327000965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/04/jornada-vieirina-em-vora.html' title='Jornada Vieirina em Évora'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-3247456454931262564</id><published>2008-04-02T11:10:00.000-03:00</published><updated>2008-04-02T11:11:25.885-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_vHfhEO08cCE/R_OT-kfKoEI/AAAAAAAAFww/adeRQqs4N9s/s1600-h/Vieira+Maceio.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5184650299189141570" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_vHfhEO08cCE/R_OT-kfKoEI/AAAAAAAAFww/adeRQqs4N9s/s400/Vieira+Maceio.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-3247456454931262564?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/3247456454931262564/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=3247456454931262564&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/3247456454931262564'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/3247456454931262564'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/04/blog-post.html' title=''/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_vHfhEO08cCE/R_OT-kfKoEI/AAAAAAAAFww/adeRQqs4N9s/s72-c/Vieira+Maceio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-9089673708235882441</id><published>2008-04-02T11:07:00.001-03:00</published><updated>2008-04-02T11:09:57.463-03:00</updated><title type='text'>Colóquio sobre o Padre António Vieira</title><content type='html'>O Centro de Estudos Humanísticos da Faculdade de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa, em Braga, está a preparar a realização do Colóquio Padre António Vieira, que terá lugar a 7 de Junho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A iniciativa desta reunião científica, que vai decorrer na Aula Magna da Faculdade de Filosofia, pertence aos docentes Cândido Oliveira Martins, Mário Garcia, S.J., João Amadeu Silva e Luís da Silva Pereira. Esta comissão organizadora afirma estar receptiva a propostas de comunicações, com a duração de 20 minutos, que lhe forem entretanto envia- das, para algumas sessões do colóquio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No que diz respeito a prazos, o envio de propostas de comunicações deve ser feito até 27 de Abril, devendo os interessados indicar o nome e a instituição a que estão vinculados, bem como o título do trabalho a apresentar e um breve resumo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deste modo, os interessados podem enviar as suas propostas de comunicação através do endereço postal da Faculdade de Filosofia, das informações e contactos que constam da página web da Faculdade de Filosofia, ou ainda através do endereço electrónico cmartins@ braga.ucp.pt.&lt;br /&gt;A organização recorda que desde o passado mês de Fevereiro até Fevereiro de 2009 várias universidades e academias, quer de Portugal quer de outros países, assinalam o Ano Vieirino, a pretexto da celebração do IV Centenário do Nascimento do Padre António Vieira.&lt;br /&gt;São conhecidos e apreciados o perfil e a obra marcantes do Padre António Vieira, S.J., como jesuíta e missionário em terras do Brasil; como diplomata itinerante em várias cortes europeias; como pregador e mestre exímio da língua; e como fecundo pensador e profeta do Quinto Império.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir do séc. XVII e até à actualidade, constata-se a influência e magistério de Vieira aos mais diversos níveis, sobretudo os leitores de sucessivas gerações. Mau grado a evolução do gosto estético ao longo dos tempos, a leitura de Vieira tem atraído a admiração dos próprios criadores, como homem de acção e de pensamento, mas também como cultor modelar da língua portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É sobre a riqueza da figura, da actuação e da obra de Vieira que variadíssimos estudiosos de diferentes países se irão encontrar em variadas reuniões académicas. Ao longo deste Ano Vieirino, terão lugar inúmeras comunicações e conferências, múltiplas publicações, diversas exposições, e outras formas de celebração de uma das figuras maiores da literatura e cultura portuguesas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(Diário do Minho 01/04/2008)&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-9089673708235882441?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/9089673708235882441/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=9089673708235882441&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/9089673708235882441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/9089673708235882441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/04/colquio-sobre-o-padre-antnio-vieira.html' title='Colóquio sobre o Padre António Vieira'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-4736208282528863920</id><published>2008-03-28T22:53:00.004-03:00</published><updated>2008-03-28T22:58:58.548-03:00</updated><title type='text'>Por mares outrora navegados</title><content type='html'>Foram 356 dias. Durou praticamente um ano a ‘empreitada’ marítima e cultural transatlântica que Abreu Freire, investigador e professor convidado na Universidade de Aveiro (UA), e mais alguns tripulantes moveram a bordo de um veleiro para percorrer o caminho traçado pelo padre António Vieira no século XVII. No ano em que se comemoram quatro séculos do nascimento do jesuíta, Abreu Freire recorda a O AVEIRO os fundamentos e o que fica na memória de uma viagem que quase lhe ceifou a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 17 de Março de 2007 começou a aventura do CHIC - Cruzeiro Histórico Identidade e Cidadania. Um veleiro de 43 pés atracaria no mesmo pontão de Aveiro a 7 de Março de 2008, com cerca de mil páginas de histórias na bagagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas ordens de razões inspiraram a partida: "divulgar e entender" Vieira. A paixão pela figura brotou em Abreu Freire há mais de 30 anos, a ponto de o ter como "um dos grandes monumentos da cultura portuguesa e um dos maiores portugueses de sempre"."Pela grandeza que previu para este país, pelo seu espírito crítico e positivo, pelo empenho que teve em todas as tarefas que assumiu e pela sua visão do futuro", considera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao lado do autor e comandante da expedição seguiu o alemão Dietmar Schramm, engenheiro e artista plástico e ainda o realizador Jaime Ribeiro e o cineasta Luís Costa (na viagem de ida), com o seu cão Quetzal. João Quaresma e Rafael Quaresma, marinheiros práticos do Amazonas, acompanharam-nos no regresso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Dos assaltos a Camocim e a Belém&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na primeira paragem, em Cabo Verde, onde o Padre António Vieira passou uma semana no Natal de 1652, o grupo sofreu o primeiro "grande choque" ao ser vítima de um assalto à mão armada. Nada que desmotivasse ‘as tropas’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegaram depois a Salvador da Bahia, já no Brasil, uma cidade "lindíssima, a primeira grande capital do império português, a cidade branca mais negra do mundo [risos], a cidade dos orixas, candomblés e da mistura de raças", descreve o investigador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de passarem pelo Recife, chegaram ao sítio que mais impressionou: a pequena cidade piscatória de Camocim (Ceará). "Foi quase um oásis na nossa viagem, foi a grande descoberta! É praticamente uma cidade europeia, onde tudo é português. Os nomes, as casas, o estilo... Parece uma cidadezinha do Alentejo ou das Beiras. A simpatia das pessoas foi tão grande que praticamente não nos deixaram comprar comida nenhuma. Todos os dias vinham trazer-nos peixe fresco e tomavam conta do barco".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também São Luiz do Maranhão e Belém do Pará resgatam semelhanças "portuguesas e aveirenses", como os azulejos. A calma de Camocim contrastou com o "pandemónio" de Belém, "muito violenta, complicada e difícil" e onde foi preciso vigilância policial para proteger o barco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Redescobrindo António Vieira&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo das cidades, o grupo fez várias incursões pelo interior do Brasil, calcorreando os espaços por onde Vieira andou como educador, pregador e missionário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Foi em Belém do Pará e no Maranhão que ele imaginou e começou a descrever o Quinto Império e a globalização. Não foi nem em Roma, nem na Holanda, nem em Salvador da Bahia ou Lisboa, foi lá, no meio dos indígenas mais primitivos da terra onde esteve como missionário", sustenta Abreu Freire.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Maranhão, Vieira "criou uma estratégia fantástica e fez com que hoje o Brasil fosse um só país", promovendo a ligação terrestre entre o Norte e o Sul [a navegação era impossível] através de "missões para pacificar os indígenas".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ver a vida por um fio&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O veleiro regressou à Europa fazendo escalas técnicas nas ilhas das Caraíbas, Bermudas e nos Açores e, já no continente, em Oeiras e Peniche. Porém, a volta foi melindrosa, demorando quatro penosos meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atravessaram o Atlântico em pleno Inverno e enfrentaram uma tempestade tropical imprevista. Já a noite se instalara quando de repente uma "vaga imensa" fez com que o barco capotasse por completo e a tripulação temesse pela própria vida. Tiveram mais sorte que companheiros de outros barcos e não sofreram baixas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar dos muitos prejuízos a bordo e de terem de improvisar nos arranjos para "conseguirem chegar a casa", foram bem sucedidos. Percorreram quase 11 mil milhas, o equivalente a um "pouco mais de metade da volta ao mundo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PEDRO JOSÉ BARROS, O AVEIRO, 27 de Março de 2008&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.oaveiro.pt/?lop=conteudo&amp;amp;op=70c639df5e30bdee440e4cdf599fec2b&amp;amp;id=c8632be6d99d932350491c9fa87159d7#"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;  &lt;a onclick="MM_openBrWindow('?lop=conteudo&amp;amp;op=70c639df5e30bdee440e4cdf599fec2b&amp;amp;id=c8632be6d99d932350491c9fa87159d7&amp;amp;print=1','Print','status=yes,scrollbars=yes,resizable=yes,width=580,height=600')" href="http://www.oaveiro.pt/?lop=conteudo&amp;amp;op=70c639df5e30bdee440e4cdf599fec2b&amp;amp;id=c8632be6d99d932350491c9fa87159d7#"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;--&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onclick="history.back(-1)" href="http://www.oaveiro.pt/?lop=conteudo&amp;amp;op=70c639df5e30bdee440e4cdf599fec2b&amp;amp;id=c8632be6d99d932350491c9fa87159d7#"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-4736208282528863920?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/4736208282528863920/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=4736208282528863920&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/4736208282528863920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/4736208282528863920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/03/por-mares-outrora-navegados.html' title='Por mares outrora navegados'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-7670422088522999087</id><published>2008-03-26T23:39:00.001-03:00</published><updated>2008-03-26T23:41:06.868-03:00</updated><title type='text'>Padre António Vieira</title><content type='html'>O que há de grande na vida e obra do Padre António Vieira é a harmonia do cristão, pregador e missionário, do português, patriota e combatente, do homem, humanista e lutador pela dignidade dos outros homens. Uma harmonia entre o explorador da Amazónia, o mensageiro secreto e discreto do rei, humanista de grande saber e de voz profética, orador e estilista ímpar. É o lutador do pensamento, o visionário realista destes quase 90 anos passados numa e noutra margem do Atlântico, dos faustos da Roma barroca dos papas aos sertões da Baía, da companhia dos grandes da política europeia aos míseros índios do Maranhão, entre o favor dos reis e a perseguição dos grandes. No Brasil português, Vieira bateu-se pela dignidade dos índios, defendendo-os contra as injustiças e opressão, ao mesmo tempo que procurava para eles a protecção da Coroa, o que lhe valeu a fúria dos colonos. Deste tempo e circunstância data o mais célebre dos seus sermões, o Sermão de Santo António aos Peixes. Também neste tempo brasileiro ele explorou a bacia do Amazonas, viajando milhares de quilómetros rio acima, embrenhando-se pelo Tocatins e pelo Madeira, e nessas paragens terá redigido o Quinto Império do Mundo, Esperanças de Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta actividade no terreno não o impede, porém, de dar largas a uma outra das suas facetas: a de conceber grandes projectos estratégicos para Portugal, tais como o de conseguir o retorno ao reino dos cristãos-novos emigrados na Europa e dos seus capitais, a troco da liberdade religiosa; e a concepção de uma grande companhia multinacional de comércio e navegação, para o Brasil e o Oriente, à semelhança das companhias majestáticas holandesas. Entretanto, a maioria destes projectos malogrou-se, pois Vieira, como outros portugueses de excepção, teve dificuldade em ser entendido pelos poderosos do seu tempo e gerou, bem pelo contrário, um cortejo de invejas, de calúnias, de intrigas, de golpes baixos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quatrocentos anos depois do seu nascimento, o que ainda impressiona na pessoa, na vida e na obra do Padre António Vieira é precisamente esta "harmonia da discordância" das actividades, a extraordinária qualidade do trabalho desenvolvido em áreas tão diversas, em ambientes tão distantes, em "províncias do saber" tão variadas, em terras e gentes tão remotas. E sempre fiel ao seu Deus e à sua Pátria, aos seus ideais católicos e portugueses, sem parar por isso de interrogar o tempo e os seus modos, o passado, o presente e o futuro. E que espantosa modernidade, assente num profundo conhecimento da natureza humana, das suas limitações e grandezas, expressa de forma ímpar no sermão Pelo Bom Sucesso das Nossas Armas: "A mais perigosa consequência da guerra e a que mais se deve recear nas batalhas, é a opinião. Na perda de uma batalha arrisca-se um exército; na perda da opinião arrisca-se um reino. Salomão, o Rei mais sábio, dizia que 'o melhor era o bom nome, que o óleo com que se ungiam os reis'; porque a unção pode dar reinos, a opinião pode tirá-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Vieira era, por tudo isto, um visionário genial. Tendo lutado por um poder português no mundo, assente nos factores materiais do poder - nas armas, nas armadas, nas fortalezas -, procurando consequentemente o dinheiro e negócios necessários para os manter, ele viu também que o destino de Portugal era o de poder vir a ser um Quinto Império: um Império de "mil e muitos anos", uma utopia político-social, sem limite e sem distância, para chegar ao futuro, depois de cumpridos e acabados todos os impérios - inclusive o império português! Seria esse império do futuro a luta que ele travou contra o preconceito racial e esclavagista que expulsara o cristão-novo e oprimia o índio brasileiro? Talvez. Mas, de qualquer modo, um genial profetismo este, nos meados do século XVII, um padre jesuíta que pensa uma companhia transnacional para responder à globalização dos mercados e dos interesses, que prega a grande unidade e dignidade universais das criaturas do Reino de Deus neste mundo, e que a tudo isto dá um sentido cristão e português.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(MARIA JOSÉ NOGUEIRA PINTO, "DIÁRIO DE NOTÍCIAS", 27.3.08)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-7670422088522999087?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/7670422088522999087/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=7670422088522999087&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/7670422088522999087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/7670422088522999087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/03/padre-antnio-vieira.html' title='Padre António Vieira'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-5130910745758801926</id><published>2008-03-26T00:20:00.000-03:00</published><updated>2008-03-27T00:21:59.901-03:00</updated><title type='text'>O dia da Paixão</title><content type='html'>Neste ano, meu artigo de Sexta-Feira da Paixão corresponde aos 400 anos do nascimento do Padre Antonio Vieira, a quem Fernando Pessoa chamou de imperador da língua portuguesa. Vieira sobreviveu quatro séculos e continuará vivo porque não foi somente o pregador, o divulgador da fé, o evangelizador dos índios e o inconformado com todos os tipos de escravidão humana. Foi um humanista e um grande escritor. E, como escritor, vive na eternidade de grande pensador. Fazem parte dos seus grandes sermões os quaresmais. Ele não se continha no relembrar os fatos litúrgicos da Paixão, os episódios que levaram à crucificação, mas enfrentava os sentimentos maiores contidos na visão cristã da morte pelos homens do filho de Deus. Tomemos por exemplo o ‘Sermão da Primeira Sexta-Feira da Quaresma’ de 1644. Não é um convite ao recolhimento, é a proposta de meditar sobre um tema difícil e sempre dentro de nós: amor e ódio. O mais difícil de todos os ensinamentos de Cristo, que é aquele que manda ‘amar vossos inimigos’ (‘Diligite inimicos vestros’, Mt. 5). Esse preceito é ‘o mais rigoroso da lei evangélica’, sustentavam santo Agostinho e são Jerônimo. ‘Repugnante à natureza humana’, e sobre esta natureza devia ser a meditação de todo o tempo dos 40 dias da Quaresma, que comparava aos 40 dias do dilúvio. ‘Neste chovia água, naquele, misericórdia’. A chave de cumprir aquele princípio está em Sêneca: 'Se queres ser amado, ama' ('Si vis amari, ama'). A Quaresma, para Vieira, é tempo de ‘desenganos’, em que se tem o exemplo do ‘destino da existência humana’. Começa com cinzas, a lembrar que somos pó e ao pó retornaremos, em seguida vem o sacrifício de jejum, a cobertura dos altares, para que nem os santos vejam essa ‘semana penosa’, na expressão de são Bernardo, mas a semana maior do calendário da igreja. E nos propõe meditar sobre ‘quem padece, o que padece, por quem padece’. Com Alçada Batista, grande escritor português, numa Semana Santa em Lisboa, discutíamos sobre a fé, o difícil espaço das religiões nos dias atuais, e ele me resumiu todo o simbolismo da Sexta-Feira da Paixão: ‘Só há uma maneira de afastarmos todas as dúvidas: é saber que ela traz um mistério e os mistérios não são revelados. Acreditar sem indagações’. Eu acrescentaria a chave de nossa fé, que seria vã, na expressão de são Paulo, se não fosse a ressurreição. ‘Sem ressurreição, não há cristianismo’. E aqui vai o meu sermão com o mesmo Deus da minha infância, da minha juventude, da minha maturidade, da minha velhice, que um dia me cobrará: ‘José, onde estão tuas mãos que eu enchi de estrelas?’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(DIÁRIO DO AMAZONAS, 26.3.08)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-5130910745758801926?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/5130910745758801926/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=5130910745758801926&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/5130910745758801926'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/5130910745758801926'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/03/o-dia-da-paixo.html' title='O dia da Paixão'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-4537606781957224049</id><published>2008-03-19T01:39:00.003-03:00</published><updated>2008-03-19T01:45:05.514-03:00</updated><title type='text'>Padre Antônio Vieira 400 anos</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_vHfhEO08cCE/R-CaCLU2fjI/AAAAAAAAFYI/K8AygVAEZi0/s1600-h/Sess%C3%A3o+Solene[1].jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5179308933666733618" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_vHfhEO08cCE/R-CaCLU2fjI/AAAAAAAAFYI/K8AygVAEZi0/s400/Sess%25C3%25A3o+Solene%5B1%5D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Na sessão solene na Câmara Municipal de Salvador, no dia 11.03.2008, em homenagem ao IV Centenário de nascimento do Pe. Antônio Vieira&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino Antônio Vieira chegou à Cidade da Bahia nos idos de 1614, vindo de Lisboa, com a família. Tinha seis anos de idade. As ruas desta cidade, então capital da Colônia, testemunharam a trajetória do menino que morava nos arredores do Mosteiro de São Bento e freqüentava as aulas do Colégio do Jesuítas, no Terreiro de Jesus. O Paço Municipal, este edifício em que nos encontramos agora, ficava bem no meio do trajeto que o pequeno Antônio fazia todos os dias até à escola. Esta cidade viu aquele menino crescer “em idade, sabedoria e graça”, até se tornar o gigante que atravessou o séc. XVII, deixando a sua marca definitiva na nossa história. O jovem que aos 15 anos, escolhendo servir à maior glória de Deus, desafiou o mundo – disse não ao próprio pai que queria vê-lo noutra posição, noutra carreira - para se tornar jesuíta, amadureceu no confronto com a dura realidade do seu tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tendo recebido toda a sua formação acadêmica aqui, no Colégio dos Jesuítas da Bahia, tornou-se o maior autor de língua portuguesa do século XVII, um dos mais celebrados oradores sacros de todos os tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para se ter uma idéia do – digamos – magnetismo de sua oratória, vejamos a descrição que faz um de seus biógrafos, o padre André de Barros: “Correu fama e antes de repontar o dia, começou a ocupar-se o largo terreiro adjacente ao Colégio. Via-se das janelas a multidão e prevendo-se as conseqüências dela, celebraram-se as missas a portas fechadas. Mas, logo que se abriram e entrou a imensa turba, viu-se tomado o amplíssimo espaço, impedindo só o respeito o não subirem também aos altares. Chegadas as horas de sair a missa solene para o altar-mor, como era grande a multidão de gente, foi dificultoso o passarem com decência os celebrantes, não sendo menor depois a dificuldade para chegar ao púlpito o esperado orador.”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos nos perguntar: Qual a relevância da palavra do Pe. Antônio Vieira para os dias de hoje? O que a vida e a obra de um jesuíta que viveu 400 anos atrás pode nos inspirar? Sugiro que escutemos o próprio Antônio Vieira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a pretensão de nobreza, de prestígio, da honra vã do mundo, ele diz: “A verdadeira fidalguia é a ação... Cada um é as suas ações, e não outra coisa... Quando vos perguntarem quem sois vós, não vades revolver o nobiliário de vossos avós, ide ver a matrícula de vossas ações... O que fazeis, isso sois, nada mais.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A igualdade de todos perante Deus é matéria de reflexão de Vieira: “A lei de Cristo é uma lei que se estende a todos, com igualdade, e que obriga a todos sem privilégio: ao grande e ao pequeno: ao alto e ao baixo: ao rico e ao pobre: a todos mede pela mesma medida”, diz o Pe. Vieira no Sermão de Santo Antonio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a escravização dos índios, causa que consumiu não poucos anos de sua longa e atribulada vida de missionário, junto com os seus companheiros jesuítas pelos sertões do Brasil, faz a seguinte reflexão: “Não posso, porém, negar que todos nesta parte, e eu em primeiro lugar, somos muito culpados... porque devendo defender os gentios que trazemos a Cristo... acomodando-nos à fraqueza do nosso poder e à força do alheio, cedemos da sua justiça, e faltamos à sua defesa...à força de persuasões e promessas (que se lhes não guardam) os arrancamos das suas terras, trazendo as povoações inteiras a viver ou morrer junto das nossas...não só não lhes defendemos a liberdade, mas pactuamos com eles e por eles, como seus curadores, que sejam meio cativos, obrigando-os a servir alternadamente a metade do ano” (Sermão da Epifania, l662).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escravidão negra, ferida ainda aberta na nossa consciência de povo brasileiro, foi também tema de suas exortações. Em um dos Sermões do Rosário, compara os escravos negros ao próprio Cristo. Ele diz: “Em um engenho sois imitadores de Cristo crucificado: porque padeceis em um modo muito semelhante o que o mesmo Senhor padeceu na sua cruz, e em toda a sua paixão... Cristo despido, e vós despidos: Cristo sem comer, e vós famintos: Cristo em tudo maltratado, e vós maltratados em tudo.” Falando da crueldade dos senhores de engenho no trato com os escravos: “Eles mandam e vós servis; eles dormem e vós velais; eles descansam, e vós trabalhais; eles gozam o fruto de vossos trabalhos... Não há trabalhos mais doces que o das vossas oficinas; mas toda essa doçura para quem é? Sois como abelhas... as abelhas fabricam o mel, sim; mas não para si.” Em outro texto, Vieira convida a uma reflexão a respeito da dignidade dos negros, filhos de Deus e herdeiros do Cristo: “Estes homens não são filhos do mesmo Adão e da mesma Eva? Estas almas não foram resgatadas com o sangue do mesmo Cristo? Não há escravo no Brasil, e mais quando vejo os mais miseráveis, que não seja para mim matéria de profunda meditação... Comparo o presente com o futuro, o tempo com a Eternidade, o que vejo com o que creio, e não posso entender que Deus, que criou estes homens tanto à sua imagem e semelhança, como os demais, os predestinasse para doces infernos, um nesta vida, outro na outra.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Condena o luxo e a riqueza dos abastados de seu tempo, em contraste com o sofrimento dos pobres: “Se as galas, as jóias e as baixelas ... foram adquiridas com tanta injustiça e crueldade, que o ouro e a prata derretidos, e as sedas se se espremeram, haviam de verter sangue; como se há-de ver a fé nessa falsa riqueza? Se as vossas paredes estão vestidas de preciosas tapeçarias, e os miseráveis a quem despistes para as vestir a elas, estão nus e morrendo de frio; como se há-de ver a fé, nem pintadas nas vossas paredes?” (Sermão da Quinta Dominga da Quaresma)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A corrupção dos governantes, mal secular que envergonha nossa civilização, é motivo também da denúncia do jesuíta profeta. No Sermão do Bom ladrão, ele diz: “O ladrão que furta para comer, não vai, nem leva ao inferno; os que não só vão, mas levam, de que eu trato, são outros ladrões, de maior calibre e de mais alta esfera, os quais debaixo do mesmo nome e do mesmo predicamento, distingue muito bem S. Basílio Magno: Não são só ladrões, diz o santo, os que cortam bolsas ou espreitam os que se vão banhar, para lhes colher a roupa: os ladrões que mais própria e dignamente merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais já com manha, já com força, roubam e despojam os povos. Os outros ladrões roubam um homem: estes roubam cidades e reinos; os outros furtam debaixo do seu risco: estes sem temor, nem perigo; os outros, se furtam, são enforcados: estes furtam e enforcam”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre o Brasil e a Bahia, e a ganância dos que exploravam as riquezas desta terra, diz Vieira no final do Sermão da Visitação: “quero acabar este sermão com uma profecia alegre...e é que desta vez se há de restaurar o Brasil... Muitos transes... tens padecido, desgraciado Brasil, muitos te desfizeram para se fazerem, muitos edificam palácios com os pedaços de tuas ruínas, muitos comem o seu pão ou o pão não seu com o suor do teu rosto; eles ricos, tu pobre; eles salvos, tu em perigo; eles por ti vivendo em prosperidade, tu por eles a risco de expirar. Mas agora alegra-te, anima-te, torna em ti, e dá graças a Deus, que já por mercê sua estamos em tempo que se concorrermos com o nosso suor, há de ser para a nossa saúde.” ... “Anime-se, pois, a fidelidade e liberalidade deste povo a se socorrer e ajudar nesta causa tão justa e tão sua, estando mui certo e seguro que se der o suor, se der o sangue, não há de ser para que outros vivam e triunfem, senão para que nós vivamos e triunfemos de nossos inimigos. Tudo o que der a Bahia, para a Bahia há de ser; tudo o que se tirar do Brasil, com o Brasil se há de gastar.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A palavra do Pe. Antônio Vieira, lapidada em meio aos conflitos políticos e religiosos da Colônia e da Metrópole no século XVII, ecoa hoje profética, denunciando os nossos pecados como nação, como Igreja, como povo. E anuncia a redenção dos que preferem trilhar o caminho apontado por Jesus no seu Evangelho: o caminho da caridade, da ética, da solidariedade com os empobrecidos, da promoção da justiça que a própria fé exige. O caminho da retidão do coração, da consciência limpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homens e mulheres do século XXI, se quisermos de fato encarar os males de nosso mundo, de nosso país, de nossa cidade, com o olhar crítico, com a visão limpa e o desejo de escrever a “história do nosso presente e do nosso futuro”, olhemos o exemplo deste homem que nos precedeu no limiar de nossa história enquanto nação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A palavra – eterna! – de Vieira atravessa os séculos. E hoje é fonte de inspiração a todos nós, que desejamos construir um mundo mais humano, mais bonito, onde o ser humano possa brilhar, como a glória de Deus!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pe. Miguel de Oliveira Martins Filho sj&lt;br /&gt;Padre jesuíta, assistente da Direção,&lt;br /&gt;Professor e Orientador Espiritual&lt;br /&gt;no Colégio Antônio Vieira.&lt;br /&gt;miguel@jesuitas.org.br&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-4537606781957224049?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/4537606781957224049/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=4537606781957224049&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/4537606781957224049'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/4537606781957224049'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/03/padre-antnio-vieira-400-anos.html' title='Padre Antônio Vieira 400 anos'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_vHfhEO08cCE/R-CaCLU2fjI/AAAAAAAAFYI/K8AygVAEZi0/s72-c/Sess%25C3%25A3o+Solene%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-2657611573578053613</id><published>2008-03-19T01:30:00.000-03:00</published><updated>2008-03-19T01:49:29.290-03:00</updated><title type='text'>Vieira em Salvador</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_vHfhEO08cCE/R-CbALU2fkI/AAAAAAAAFYQ/Cpu6yjoOaxM/s1600-h/Concerto+Solene+(1).jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5179309998818623042" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_vHfhEO08cCE/R-CbALU2fkI/AAAAAAAAFYQ/Cpu6yjoOaxM/s400/Concerto+Solene+(1).jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Dois eventos marcam a abertura das comemorações do IV Centenário em Salvador&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Música Barroca para celebrar o IV Centenário de Antônio Vieira&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Colégio Antônio Vieira, dos Jesuítas da Província Brasil Nordeste da Companhia de Jesus, abriu as comemorações do IV Centenário de nascimento de seu patrono na capital da Bahia, com um concerto solene de música barroca na Catedral Basílica de Salvador, no domingo, dia 09 de março &lt;strong&gt;(na imagem)&lt;/strong&gt; . Sob a regência do maestro alemão Hans Bönisch, mestre de Capela da Catedral, o Coro e Orquestra Barroco na Bahia apresentou peças de Govanni Baptista Pergolesi (“Stabat Mater”), Antonio Vivaldi (”Beatus Vir”), e Johann Sebastian Bach (“Meinen Jesum Iass ich nicht – BWV 124”), com a participação das solistas Cyrene Paparotti, Anatália Jatobá Neta e Isabelle Aguiar. A Catedral Basílica é a antiga Igreja do Colégio dos jesuítas da Bahia, uma belíssima expressão do barroco jesuítico, palco da vida do Pe. Antônio Vieira no século XVII.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sessão solene na Câmara Municipal de Salvador&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Câmara Municipal de Salvador promoveu uma sessão solene para marcar o IV Centenário de nascimento do Pe. Antônio Vieira e o aniversário de 97 anos do Colégio que leva seu nome. A sessão especial foi proposta pelo Vereador Silvoney Sales, e contou com a presença de alunos, professores, funcionários e jesuítas do Colégio Antônio Vieira, instituição educativa da Província Brasil Nordeste da Companhia de Jesus, que conta hoje com 4.500 alunos. O Pe. Domingos Mianulli, diretor do Colégio, lembrou no seu discurso as motivações que levaram os jesuítas portugueses a escolherem o nome do Pe. Antônio Vieira como patrono do colégio que fundaram em Salvador no dia 15 de março de 1911, ano do retorno dos jesuítas ao nordeste brasileiro, muitos anos depois da sua expulsão, no final do século XVIII.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ver no post seguinte a imagem dessa sessão e a intervenção nela proferida&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-2657611573578053613?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/2657611573578053613/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=2657611573578053613&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/2657611573578053613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/2657611573578053613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/03/vieira-em-salvador.html' title='Vieira em Salvador'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_vHfhEO08cCE/R-CbALU2fkI/AAAAAAAAFYQ/Cpu6yjoOaxM/s72-c/Concerto+Solene+(1).jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-1021495008353659865</id><published>2008-03-17T18:09:00.004-03:00</published><updated>2008-03-17T23:49:02.508-03:00</updated><title type='text'>Cruzeiro nas rotas de Vieira</title><content type='html'>Terminou, no início deste mês de Março, a viagem pela rota marítima que o Padre António Vieira traçou, há quatro séculos, e que o Cruzeiro Histórico Identidade e Cidadania (CHIC) percorreu ao longo de aproximadamente um ano. A expedição marítima está integrada no projecto “ICIPAV.2008 – Identidade e Cidadania: Padre António Vieira 2008”, em associação com o Mestrado em Ciências da Educação, ministrado pelo Departamento de Ciências da Educação da Universidade de Aveiro (UA).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A coordenação do projecto, a cargo Abreu Freire, faz parte da programação comemorativa do Ano Vieirino (os 400 anos do nascimento de António Vieira foram assinalados a 6 de Fevereiro). Tal como recorda a UA em comunicado, o CHIC largou, a 17 de Março de 2007, de Aveiro em direcção aos caminhos marítimo percorridos por António Vieira, um dos maiores escritores de língua portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa primeira fase, com quatro tripulantes a bordo, o CHIC atravessou o Atlântico rumo ao Brasil. A 21 de Março chegou à ilha da Madeira e, a 1 de Abril, a Cabo Verde de onde partiu, a 12, para atravessar a linha do Equador (21 de Abril). A chegada a São Salvador da Bahia deu-se a 30 desse mês, 43 dias depois de abandonar Aveiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda fase da jornada reconstituiu o percurso de Vieira no Brasil (Recife, 27 de Julho, Ceará, 18 de Agosto e 16 dias depois, Camocim. A viagem prosseguiu por São Luís do Maranhão e Belém do Pará).A viagem foi registada por dois tripulantes, profissionais do audiovisual, para edição breve em formato de cinema, televisão e multimédia. No blogue do projecto, Abreu Freire descreveu os passos do CHIC, construindo o “Dário de Bordo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;a href="http://www.ua.pt/vieira2008/" target="_blank" mce_href="http://www.ua.pt/vieira2008/"&gt;http://www.ua.pt/vieira2008/&lt;/a&gt; pode ler-se “A viagem de regresso começou a 30 de Outubro, fazendo escala em diversas ilhas das Caraíbas. Martinique a 10 de Novembro, Guadeloupe no dia 20, Barbuda e Antígua nos dias seguintes. Em Saint Martin, alguns dias de reparações e largada a 6 de Dezembro. Uma violenta tempestade tropical fez “capotar" o CHIC e obrigou a uma nova paragem forçada em Hamilton nas Bermudas. Depois de escalar nos Açores, chegou a Oeiras, de onde o padre António Vieira partia no seu tempo. Mais uma paragem em Peniche e regressou às águas calmas da Ria de Aveiro, completando quase um ano de viagem pelas rotas de Vieira”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de todos os contratempos vividos durante o ano de navegação, o veleiro CHIC espalhou, com êxito, a palavra de António Vieira pelo Atlântico. É desta forma que o mentor do projecto sintetiza a experiência: “Pelo longo roteiro desta viagem encontrámos paisagens deslumbrantes, no mar como na terra, florestas e desertos, (…) grandes cidades e aldeias remotas, e sobretudo seres humanos maravilhosos com quem partilhámos as nossas paixões e o nosso vinho. Valeu a pena percorrer estes espaços de um dos maiores portugueses de sempre, para melhor entendermos a sua mensagem, para dar a conhecer a todos quantos hoje se apaixonam pela nossa língua a grandeza inimitável do seu poder de crítica construtiva, do seu patriotismo, da sua visão optimista de um futuro grandioso para todos os que falam português, o que tarda a acontecer”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A próxima etapa levará Abreu Freire a cruzar os percursos de Vieira na Europa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja a notícia no &lt;a href="http://www.cienciapt.info/pt/index.php?option=com_content&amp;amp;task=view&amp;amp;id=39811&amp;amp;Itemid=1"&gt;CienciaPT&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-1021495008353659865?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/1021495008353659865/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=1021495008353659865&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/1021495008353659865'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/1021495008353659865'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/03/cruzeiro-histrico-identidade-e.html' title='Cruzeiro nas rotas de Vieira'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-2467083978652599383</id><published>2008-03-13T11:35:00.000-03:00</published><updated>2008-03-13T11:36:18.493-03:00</updated><title type='text'>Sermões de Vieira</title><content type='html'>Em seus cerca de 220 sermões (são peças oratória de cerca de 50 páginas, em média), Vieira abordou temas sacros e profanos, sempre com paixão e eloquência, com objetividade e sapiência, com amor e inteligência, com oportunidade e consciência; e, entre os nove sermões designados de Santo Antônio (de Lisboa, dito de Pádua), o que hoje abordamos é o dos peixes, decerto o mais conhecido, e, indiscutivelmente, entre todos o mais brilhante, até porque inspirado no famosíssimo e homónimo sermão do Santo, também ele brilhantíssimo orador sacro, se bem que, ambos, profundos psicólogos, sensíveis sociólogos, sapientíssimos filósofos, brilhantes estilistas, atributos diuturnamente comprovados, pelo que muitos e profundos ensinamentos transmitem aos leitores. Neste sermão, começa Vieira por declarar: "Nas festas dos santos, é melhor pregar como eles, que pregar deles". Foi pregado a 13 de junho de 1654 em São Luís do Maranhão, e é como que uma continuação do Sermão das Tentações, também pregado perante os colonos, em defesa da libertação do índios escravos, quando Vieira lhes atirou: Que vós, que vossas mulheres, que vossos filhos e que todos nós nos sustentássemos DOS NOSSOS BRAÇOS; porque melhor é SUSTENTAR do SUOR PRÓPRIO, QUE DO SANGUE ALHEIO"!.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O "Sermão das Tentações" teve certo impacto entre os colonos esclavagistas, mas, com o tempo, tudo foi regressando ao estado anterior, pelo que o nosso EVANGELIZADOR, no ano seguinte, achou por bem voltar à carga, e fê-lo magistralmente com o "Sermão de Santo Antônio", ou dos Peixes, onde usou abundantemente de metáforas e alegorias, no sentido de impressionar e influenciar as "almas" de seus ouvintes, deles conseguindo, assim, algumas regalias para os pobres índios seus protegidos, objecto, meta e razão de ser de seu apostolado. Neste sermão, Antônio Vieira começou por dissertar sobre o tema "&lt;br /&gt;Vós sois o sal da Terra", enquanto elemento inibidor da CORRUPÇÂO - das almas, que também dos corpos - após o que passou ao tema principal (os homens peixes), para, logo depois, apontar a sua bateria de argumentos, exemplos e questionamentos contra as injustiças e violencias dos "grandes" contra os "pequenos", dos poderosos contra os indefesos, dos parasitas contra os que trabalham. Foi então que desferiu esta certeira acertiva:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A primeira coisa que me desedifica de vós - peixes - É QUE VÓS VOS COMEIS UNS AOS OUTROS. Não só vos comeis uns aos outros, SENÃO QUE OS GRANDES COMEM OS PEQUENOS. Se fora pelo contrário, era menos mal. Se os pequenos comessem os grandes, bastaria um grande para muitos pequenos; mas, como os grandes comem os pequenos, NÃO BASTAM 100 PEQUENOS, nem 1.000, PARA UM SÓ GRANDE, e, para que vejais que estes comidos na terra são os pequenos, e pelos modos que vós vos comeis no mar...OS HOMENS, COM SUAS MÁS E PERVERSAS COBIÇAS, vêm a ser como os peixes, que se comem uns aos outros...Santo Agostinho, que pregava aos homens, para encarecer a fealdade deste escândalo, mostrou-lho nos peixes; e eu, que prego aos peixes, para que vejais quão feio e abominável é,QUERO QUE O VEJAIS NOS HOMENS. Olhai, peixes, lá do mar para a terra...cuidais que só os tapuias (índios) se comem uns aos outros?. Muito maior açougue é o de cá, MUITO MAIS SE COMEM OS BRANCOS".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde então - como agora e sempre, por todos os séculos - vêm os homens de bem (recordemos os Homens Bons, como eram chamados os venerandos vereadores dos municípios de antanho, que nada ganhavam para - com competência e honradez - governar os seus munícipes, e cotejêmo-los com a caterva de hoje) pregando mais para os peixes que para os governantes e poderosos, uns e outros, na maioria dos casos, comendo por si e por muitos, "quando um só dos GRANDES daria para sustentar 100 ou 1.000 dos pequenos"!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!. Como dizia Camões - mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, muda-se o prazer e a confiança - tudo é feito de mudança...- só neste caso continua a mesma dança!!!, diríamos nós, olhando as misérias deste mundo, face a tanto desperdício, a violência, que atinge principalmente os pacíficos, a maldade, que ataca especialmente os bons, a indignidade, de que são vítimas normalmente os dignos, a miséria em que se encontram os que mais arduamente trabalham e produzem. PENSEM EM TUDO ISTO!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(José Verdasca, escritor português)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-2467083978652599383?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/2467083978652599383/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=2467083978652599383&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/2467083978652599383'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/2467083978652599383'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/03/sermes-de-vieira.html' title='Sermões de Vieira'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-2503726649748609981</id><published>2008-03-13T10:47:00.002-03:00</published><updated>2008-03-13T10:50:21.382-03:00</updated><title type='text'>Antônio Vieira</title><content type='html'>Passou quase despercebida a data do quarto centenário de nascimento do Padre Antonio Vieira, um dos mais importantes missionários, oradores, escritores, diplomatas, e defensores da unidade territorial na história colonial luso-brasileira. Exceto o belo e oportuno texto do padre e professor José Carlos B. Aleixo, publicado no Correio Braziliense em 11 de fevereiro, pouco mais foi escrito sobre a magna data.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Natural de Lisboa, nascido em 6 de fevereiro de 1608, era filho de Cristóvão Vieira Ravasco e de Maria de Azevedo, “fidalgos de nobre linhagem”. No final de 1615 transferem-se para o Brasil, indo residir em Salvador, onde o pai fora nomeado escrevente do Tribunal de Relação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos 15 anos contraria os pais e ingressa como noviço no colégio dos jesuítas. Um ano depois, com a cidade sob ameaça de invasão pelos soldados holandeses, fogem padres e seminaristas para se abrigar entre indígenas. Aos 17 anos já se achava encarregado de elaborar, em latim, o relatório anual da congregação aos superiores em Roma. Aos 18 passa a lecionar retórica no seminário de Olinda e, em 1633, profere o primeiro sermão público, intitulado Quarta dominga da quaresma, em que toma como mote o versículo 12 do capítulo 6 do Evangelho de São João, sobre a multiplicação dos pães: “Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca”. Em 1635, finalmente, recebe as ordens sacerdotais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com parte do território colonial dominado pela Holanda, e ante os repetidos fracassos dos nossos soldados e colonos diante de tropas melhor aparelhadas, Vieira, em 1640, na Igreja de Nossa Senhora da Ajuda, da cidade de Salvador, prega o sermão “Pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as da Holanda”, na opinião dos críticos o mais veemente libelo contra o desamparo divino jamais lavrado em língua portuguesa. Empunhando o Salmo 44 como estandarte, depreca: “Acorda, ó Senhor! Por que dormes? Acorda! Não me rejeites para sempre. Por que escondes a tua face, e te esqueces da nossa miséria e da nossa opressão?” Escreve João Viegas, no posfácio de A missão de Ibiapaba, “Vieira chama Deus ao conflito. Irá Ele permitir que o Brasil caia nas mãos de calvinistas?” Por certo não, eis que, logo depois, incapazes de quebrar a resistência dos sitiados, os agressores levantam o cerco e se retiram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira foi, antes de tudo, o missionário evangelizador que se opôs às violências praticadas contra os nativos, submetidos a trabalho escravo antes da chegada dos negros africanos, atuação que lhe trouxe o ódio de colonizadores e a hostilidade de representantes da Coroa portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob distintos pontos de vista é insuperável a obra sacra e documental deixada por Vieira. São 15 volumes de sermões e três de cartas, escritos esparsos, alguns extraviados e outros não concluídos, apesar de haver trabalhado doente e quase cego até as vésperas da morte, em 18 de julho de 1697, aos 90 anos de idade. Algumas das obras-primas de Vieira permanecem surpreendentemente atuais, como a Carta de 1654, em que D. João IV pede-lhe que opine sobre haver na capitania do Pará dois capitães-mores ou um só governador. Responde o jesuíta que “menos mal lhe parecia que houvesse um só ladrão do que dois”, e que “mais dificultoso serão de achar dois homens de bem do que um”. Invoca, a seguir, o romano Catão, a quem fora indicada a designação de dois comandantes para provimento de duas praças-fortes. Redargüiu o imperador que nenhum dos dois nomes o satisfaziam, “um porque nada tinha; outro porque nada lhe bastava”. Conclui Vieira, “e eu não sei qual a maior tentação, se a necessidade, se a cobiça”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Revestido do mesmo ímpeto acusatório é o sermão do Bom Ladrão, pregado na Igreja da Misericórdia de Lisboa, em 1655. Narra Vieira que, tendo D. J oão III solicitado a São Francisco Xavier que o informasse sobre o estado em que se encontravam os interesses portugueses na Índia, respondeu-lhe o santo que ali o verbo rapio (arrebatar, roubar, pilhar, saquear) era conjugado em todos os tempos e modos. Furtava-se no indicativo, imperativo, mandativo, optativo, conjuntivo, potencial, permissivo, infinitivo, “porque não tem fim o furtar com o fim do governo, e sempre lhe deixam raízes em que se vão continuando os furtos”. Acrescentou Vieira: “Não lhes escapam os imperfeitos, perfeitos, plusquam perfeitos e quaisquer outros, porque furtam, furtaram, furtavam, furtariam e haveriam de furtar mais, se houvesse”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa época em que a moralidade pública baixou a níveis críticos, e tanto a política como as confissões religiosas transformaram-se em fontes de súbito e duvidoso enriquecimento, não é de surpreender o silêncio que se fez em torno do quarto centenário de nascimento do extraordinário e santo jesuíta. Padre Vieira, com efeito, caiu no esquecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Almir Pazzianotto Pinto, in O Imparcial, São Luis do Maranhão)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-2503726649748609981?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/2503726649748609981/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=2503726649748609981&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/2503726649748609981'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/2503726649748609981'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/03/antnio-vieira.html' title='Antônio Vieira'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-8932619760275832595</id><published>2008-03-11T00:03:00.003-03:00</published><updated>2008-03-11T00:06:32.243-03:00</updated><title type='text'>Busto de Vieira para o Rio de Janeiro</title><content type='html'>Segundo a Agência Lusa, o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, que esteve no Brasil integrado na comitiva do Presidente da República portuguesa, referiu que a sua Câmara decidiu oferecer à cidade do Rio de Janeiro um busto do padre António Vieira, para ser colocado numa rua da cidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-8932619760275832595?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/8932619760275832595/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=8932619760275832595&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/8932619760275832595'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/8932619760275832595'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/03/busto-de-vieira-para-o-rio-de-janeiro.html' title='Busto de Vieira para o Rio de Janeiro'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-7203890225398907621</id><published>2008-03-10T23:42:00.001-03:00</published><updated>2008-03-10T23:44:55.925-03:00</updated><title type='text'>António Vieira astrónomo</title><content type='html'>O magistério plural do padre António Vieira não se esgotou na defesa da condição humana ou na diplomacia, de par com prédicas do alto do púlpito tem-se omitido ou subalternizado, ao evocar os créditos do afamado jesuíta, que os céus foram para ele algo mais do que um local piedoso e refrigério das almas; leitor de Johannes Kepler, o grande matemático, Vieira recorreu com frequência aos seus argumentos. Aliás, o elemento celeste esteve, amiúde, em uso na palavra e na escrita modelar do mestre, mormente a pretexto da observação de cometas e consequentes implicações proféticas, ajustadas à causa sebastianista da Restauração portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num relance sobre as notificações astronómicas do pregador jesuíta, vemos que este teorizava sobre a manifestação dos cometas ao jeito de alguns dos seus mais considerados coevos, como o referido Kepler, o matemático suíço Jacques Bernouilli ou o filósofo italiano Tommaso Campanella. Se António Vieira acalentava, sem equívocos, uma figuração ideal dos cometas para uso teológico, como "avisos de Deus", por outro lado, procurou sempre distanciar-se da astrologia "judiciária", prognóstica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta faceta do jesuíta não prejudica a sua feição mista de físico natural e teólogo um breve relance pelas "Cartas" do insigne jesuíta confirmam-nos a sua proficiente catalogação de inúmeros eventos astronómicos a que procedeu, mormente no decurso da sua estada em Coimbra e, mais tarde, em terras brasileiras, na Baía. Nas suas trocas epistolares com D. Rodrigo de Meneses e o Marquês de Gouveia, Vieira denota a sua acuidade face a todos os episódios astronómicos, o cuidado rastreio de toda a espécie de prodígios celestes e atmosféricos que remete invariavelmente para a sua "cometomância" político-messiânica. Típica desta permanente atenção aos céus é uma missiva endereçada ao cónego Francisco Barreto: "Cá apareceu um cometa aos 6 de Dezembro, dia em que foi coroado El-Rei, muito maior que o grandíssimo que lá vimos no ano de oitenta, em figura de palma, que se estendia desde o horizonte até ao zénite e levava o curso para a parte austral tão arrebatado qual nunca se viu em outro".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Textos de António Vieira, como o opúsculo "Voz de Deus ao mundo", ilustram as suas leituras sobre o significado dos cometas, das suas origens e matéria constituinte, do aparecimento de novas estrelas, do posicionamento dos planetas da ordem ptolomaica, e dos vaticínios políticos que ele recolhe das diversas conjugações celestes. No que toca à matéria e essência cometárias, o emérito jesuíta mostra, com clareza, num dos seus sermões, em 1641, a sua fidelidade às concepções de Aristóteles, subscrevendo que "a matéria dos cometas são os vapores ou exalações da terra subidas ao céu". Deve-se a Vieira a primeira descrição mundial do cometa Jacob ( 1695 ), rastreado por ele na Baía aos 87 anos. Então, o pregador retorna a Kepler, confessando dúvidas acerca da explicação aristotélica para a formação daqueles corpos celestes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De quando em vez, emerge a experiência sensorial do nosso orador sacro, simultaneamente descrente da arquitectura fabulosa dos signos do Zodíaco, projectados no firmamento, conquanto firmemente convicto dos "sinais" que dele deduz. De facto, Vieira assume um cepticismo perceptivo unilateral perante as aparências e "mentiras do céu", impugnando as construções dos matemáticos e dos astrólogos face a "este céu cá de baixo", o "céu da terra", numa amostra de realismo súbito e paradoxal. Percebe-se qual o céu visado pelo pregador o "lá de cima", como diz. De resto, "cuida o vulgo que vê o Céu e engana- -se, porque não chega lá a nossa vista. Isto que chamamos céu é uma mentira azul: e se as mentiras do céu da terra são tão formosas, quais serão as verdades do Céu"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adepto do geocentrismo, sinal da impoluta estabilidade da sua cosmovisão, não espanta a divergência de Vieira ante Copérnico, provada nos seus sermões. Todavia, deixa ao livre arbítrio dos seus ouvintes/leitores a escolha do modo como queiram representar a sua relação com o Sol, vincando embora a sua postura. Em defesa dos juízos eclesiásticos, o homem de fé socorre-se de excertos bíblicos para asseverar a imobilidade intransigente do orbe terrestre. Como poderia Copérnico ter lugar nesta centralidade terrestre, insondável e única, na lógica religiosa centrípeta do "mundo" de António Vieira?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(in "Jornal de Notícias", 11.3.08)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-7203890225398907621?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/7203890225398907621/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=7203890225398907621&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/7203890225398907621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/7203890225398907621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/03/antnio-vieira-astrnomo.html' title='António Vieira astrónomo'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-7661425606094728769</id><published>2008-03-05T01:47:00.001-03:00</published><updated>2008-03-05T01:49:37.751-03:00</updated><title type='text'>Vieira na Madeira</title><content type='html'>O Funchal associou-se ontem às iniciativas que, um pouco por todo o mundo, estão a assinalar o 4.º centenário do nascimento do Pe. António Vieira. Foi através de um colóquio promovido pela diocese (Departamento de Educação Cristã para Adultos), na APEL, e trouxe até nós dois notáveis conferencistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Nós somos pigmeus, anões aos ombros de gigantes, dizia o Pe. António Vieira. Cada geração nova coloca-se aos ombros da geração anterior,dos gigantes, e aos ombros deles vemos mais longe. Vieira foi um deles”, considera o Professor José Eduardo Franco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do Padre António Vieira nunca se sabe tudo, nem muito. A sua grandeza literária já percorreu quatro séculos da História portuguesa e, no entanto, permanece actual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sua memória foi ontem recordada no Funchal, num colóquio com dois especialistas: o Prof. José Eduardo Franco e a Prof.ª Carlota Urbano. Enquanto o historiador da cultura falou do “Pe. António Vieira: A palavra e a utopia”, e ainda “Vieira, crítico social: o combate à Inquisição e à escravatura”; a docente da Universidade de Coimbra desenvolveu o tema da “formação do génio de Vieira” no contexto da Companhia de Jesus de que era membro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À margem da sua conferência, em declarações ao Jornal da Madeira, Carlota Urbano lamentou que as “Humanidades” não sejam hoje em dia tão consideradas como no passado. A falta de interesse ou a eventual “crise não é provocada pelas novas tecnologias”, explicou, “mas por uma certa cegueira, um certo entusiasmo que nos está a fazer perder os horizontes e não há um empenho em alargar a todos os domínios do saber as ciências humanas, como no tempo de António Vieira. Hoje em dia, realmente, está-se a descurar isso e é uma grande perda para as gerações do futuro porque estamos a cortar as raízes da sua própria identidade e da própria construção do futuro; omitindo essas raízes culturais, sobretudo de índole clássica e cristã, retiramos-lhes a memória e não se sabendo realmente quem é dificilmente se sabe aquilo que quer ser”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste caso, o exemplo vem de fora, pois, grandes países desenvolvidos, “como os EUA e a Ingaterra dão importância, valor, às Humanidades e talvez possamos aprender com isso”. Conclusão, “estamos a ser lentos em perceber que precisamos de manter vivo um valioso património e de o comunicar às gerações seguintes”. A mesma opinião foi partilhada pelo Prof. José Eduardo Franco ao JM:“Precisamos de figuras inspiradoras, espécies de faróis que nos guiem para ousar ir mais longe”.Uma nota final: o colóquio sobre o Pe. António Vieira que, à partida, devia suscitar grande interesse por parte das escolas e universidade foi pouco aproveitado; valeu ao escasso público presente “saborear” a cultura de qualidade que não se encontra facilmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Vera Luza no Jornal da Madeira 2.3.08)&lt;br /&gt;&lt;a href="http://ultimahora.jornaldamadeira.pt/index.php?option=com_contact&amp;amp;task=view&amp;amp;contact_id=41&amp;amp;Itemid=73"&gt;Vera Luza&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-7661425606094728769?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/7661425606094728769/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=7661425606094728769&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/7661425606094728769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/7661425606094728769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/03/vieira-na-madeira.html' title='Vieira na Madeira'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-5218155434830762591</id><published>2008-03-05T00:19:00.002-03:00</published><updated>2008-03-05T00:22:11.529-03:00</updated><title type='text'>Carta de um leitor</title><content type='html'>Do leitor Carlos Maduro, recebemos a seguinte carta, que agradecemos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Em primeiro lugar os meus parabéns pela ideia da criação deste blog dedicado ao Pe António Vieira.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ironia do destino, que já mantive algum tempo um site acerca de Vieira, vejo-me presentemente muito afastado da Net por causa do mesmo Padre António Vieira, sempre Vieira.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Um Vieira que me atraiu a curiosidade por um mero acaso de inscrição num mestrado para assinalar o centenário da morte, levado a cabo pela Faculdade de Filosofia de Universidade Católica de Braga, orientado pelo Sr. Professor Doutor Aníbal Pinto de Castro, e agora matriculado na mesma Universidade para defender uma dissertação de Doutoramento intitulada: As cartas de Vieira, Um Paradigma da Retórica Epistolar do Barroco, também orientado pelo mesmo professor, diga-se em abono da verdade, a outra fonte de motivação para levar esta tarefa a bom termo.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Desta experiência de trabalho, que até à data teve como base uma formação teórica sobre a epistolografia em termos retóricos, remetida para segundo plano nos estudos literários em Portugal, tenho vindo a elaborar uma base de dados, que inclui a digitalização dos textos de todas as cartas de modo a aceder, com as possibilidades que a informática dá, a uma série de informações dispersas ao longo de cerca de 750 cartas que tenho catalogadas, tendo como ponto de partida a edição de Lúcio de Azevedo, mas também as várias edições apógrafas e autógrafas que felizmente ainda se encontram em bom estado de conservação na Biblioteca Pública de Évora, Biblioteca Nacional, Torre do Tombo e Casa de Cadaval.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mas, se este era o projecto inicial, tem sido a leitura minuciosa da epistolgrafia de Vieira que me tem ajudado a descobrir, e lembrando o Presidente Jorge Sampaio, de que há Vieira para além do orador, do político, diplomata e visionário. Vieira homem importa redescobri-lo e ele está nas cartas. Cartas essas que foram sempre um parente pobre dos estudos vieirianos, ou então, quando feitos, ao serviço de estudos já realizados. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;É, pois, neste rumo que me disponibilizo para dar a colaboração que entenderem nesta área, nomeadamente inoformações acerca dos destinatários da correspondência de Vieira.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E tratando-se de um Blog da embaixada, lembro a figura de Duarte Ribeiro de Macedo que julgo ocupar o lugar mais importante em toda a correspondência e acerca do qual, quando tiver alguns dados mais organizados, pois ainda me faltam estudar algumas cartas, terei todo o gosto em enviar algumas conclusões. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Com os meus cumprimentos, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Carlos Maduro&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este blogue fica à inteira disposição deste leitor para acolher as contribuições que nos quiser prestar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-5218155434830762591?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/5218155434830762591/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=5218155434830762591&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/5218155434830762591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/5218155434830762591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/03/carta-de-um-leitor.html' title='Carta de um leitor'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-2636579189204107716</id><published>2008-03-03T15:32:00.004-03:00</published><updated>2008-03-03T15:35:24.106-03:00</updated><title type='text'>Vieira e a Corrupção</title><content type='html'>O Colégio Padre Antonio Vieira promove o encontro “Comemorativo dos 400 anos do nascimento de  Antonio Vieira”, no dia 6 de Março de 2008, às 19 horas, na Rua Humaitá 52, Botafogo, Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na ocasião o Ministro Marcos Vilaça, até há pouco Presidente da Academia Brasileira de Letras, falará sobre “Vieira e a corrupção”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-2636579189204107716?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/2636579189204107716/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=2636579189204107716&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/2636579189204107716'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/2636579189204107716'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/03/vieira-e-corrupo.html' title='Vieira e a Corrupção'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-7843928459126997888</id><published>2008-03-01T12:55:00.001-03:00</published><updated>2008-03-01T12:56:10.744-03:00</updated><title type='text'>Vieira em discussão</title><content type='html'>A vida e a obra do Padre António Vieira, autor do famoso sermão aos peixes, está em debate num colóquio que se realiza hoje no auditório da escola da APEL. Os conferencistas convidados não têm duvidas, o grito de revolta do pregador no século XVII ainda tem efeitos nos tempos modernos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Eduardo Franco, professor do Instituto Europeu de Ciências da Cultura, explicou esta manhã que os grandes pensadores utópicos do século XVII, "estão na base das grandes transformações sociais das sociedades democráticas de hoje". Como parte do nosso património imaterial, a obra de Padre António Vieira é fundamental para a constituição da nossa identidade, por isso é, na óptica deste investigador, é fundamental lê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Carlota Urbano, professora da universidade de Coimbra, o Padre António Vieira apenas respondeu aos desafios do seu tempo. Uma época "conturbada de combate ao esclavagismo, de critica às injustiças sociais, à exploração do homem, pelo homem, às grandes discrepâncias numa sociedade muito hierarquizada e muito pouco igualitária", disse José Eduardo Franco, acrescentando que são temas ainda muito actuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;( Andreia Nóbrega do "Diário de Notícias" do Funchal, 1.3.08)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-7843928459126997888?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/7843928459126997888/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=7843928459126997888&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/7843928459126997888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/7843928459126997888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/03/vieira-em-discusso.html' title='Vieira em discussão'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-750724275180616343</id><published>2008-02-28T00:19:00.002-03:00</published><updated>2008-02-28T00:21:36.357-03:00</updated><title type='text'>Fundação Cultural Luso-Venezuelana evoca Vieira</title><content type='html'>A Fundação Cultural Luso-Venezuelana Camões promove na quinta-feira um "cine-forum" na cidade de venezuelana de Valência para assinalar os 400 anos do nascimento do padre António Vieira.&lt;br /&gt;&lt;a onclick="window.print();return false;" href="http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?article=329400&amp;amp;visual=26&amp;amp;tema=5#"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Segundo os organizadores, durante o "cine-forum", orientado pelo padre brasileiro Miguel Pan, será exibido o filme "Palavra e Utopia" do realizador português Manoel de Oliveira, sobre a vida do escritor e religioso português.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A apresentação do filme, seguida por um debate sobre a mensagem do padre António Vieira decorre na Igreja de Santo António, Valência, Estado de Carabobo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A iniciativa conta com o apoio do Instituto Camões (de Lisboa) e o Consulado Geral de Portugal em Valência, além da colaboração do Centro Cultural da Missão Católica Portuguesa e Italiana de Prebo, Valencia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escritor e religioso, António Vieira, nasceu em Lisboa a 6 de Fevereiro de 1608 e faleceu na Baía, Brasil, a 17 de Junho de 1697.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sacerdote destacou-se, em terras brasileiras, como missioneiro na luta contra a escravidão, na defesa dos judeus e dos direitos humanos dos povos indígenas, que o chamavam "Paiaçu" (grande pai).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feroz crítico da Inquisição e da posição de alguns sacerdotes, António Vieira escreveu mais de 50 textos, na maioria sermões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Site RTP 27.2.08)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-750724275180616343?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/750724275180616343/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=750724275180616343&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/750724275180616343'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/750724275180616343'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/02/fundao-cultural-luso-venezuelana-evoca.html' title='Fundação Cultural Luso-Venezuelana evoca Vieira'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-2899714712856198388</id><published>2008-02-26T23:20:00.001-03:00</published><updated>2008-02-26T23:22:17.263-03:00</updated><title type='text'>O poder da palavra em Padre António Vieira</title><content type='html'>A diocese do Funchal recorda os 400 anos do nascimento do Pe. António Vieira. Nos próximos dias 29 de Fevereiro e 1 de Março realizar-se-á naquela cidade madeirense um colóquio sobre «Padre António Vieira: o poder da palavra».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Eduardo Franco, do Instituto Europeu de Ciências da Cultura P. Manuel Antunes, proferirá duas conferências sobre o jesuíta. Uma organização do Departamento de Formação Cristã de Adultos e Escola Teológica do Funchal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Programa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 29 de Fevereiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conferência de Abertura: «Vieira: trajectos e contextos de uma vida inquieta» por José Eduardo Franco, do Instituto Europeu de Ciências da Cultura P. Manuel Antunes, na Igreja do Colégio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 1 de Março&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9.30h - Sessão de abertura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9.45h- Conferência: «Padre António Vieira: A palavra enquanto utopia» por José Eduardo Franco, do Instituto Europeu de Ciências da Cultura P. Manuel Antunes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11.00 -11.30h - intervalo para café&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11.30h – Conferência: «O Padre António Vieira e a Companhia de Jesus: A formação de um génio» por Carlota Urbano, da Universidade de Coimbra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12.30-14.30 - almoço&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14.30 - Workshops&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«O código retórico clássico e a palavra de Vieira» por Carlota Urbano, da Universidade de Coimbra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Vieira, crítico social: o combate à Inquisição e à escravatura» por José Eduardo Franco, do Instituto Europeu de Ciências da Cultura P. Manuel Antunes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16.00 - Intervalo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16.30 - Apresentação dos trabalhos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17.30 - Encerramento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18.00 – Recital: Ensemble de Flautas do Conservatório – Escola de Artes Eng. Peter Clode&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As conferências do segundo dia são na Escola da APEL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;( Agência Ecclesia 26/02/2008)&lt;br /&gt;121  Diocese do Funchal&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-2899714712856198388?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/2899714712856198388/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=2899714712856198388&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/2899714712856198388'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/2899714712856198388'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/02/o-poder-da-palavra-em-padre-antnio.html' title='O poder da palavra em Padre António Vieira'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-8408180387781759660</id><published>2008-02-26T22:41:00.002-03:00</published><updated>2008-02-26T22:47:12.194-03:00</updated><title type='text'>Humor e Ironia em Vieira</title><content type='html'>Teve lugar no Porto, em 7 de Fevereiro, uma conferência proferida pelo Dr. Manuel Correia Fernandes, intitulada “ O humor e a ironia em alguns sermões do Padre António Vieira”. O conferencista, um estudioso da obra do Pe. Vieira, é responsável pela organização do livro  “Antologia e Aforismos de Vieira”(Telos Editora, 1997), cuja divulgação o Ministério da Educação promoveu nas escolas portuguesas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Dr. Manuel Correia Fernandes publicou, recentemente, dois textos no Semanário da Diocese do Porto, Voz Portucalense, de que é Director (“Em louvor do Padre António Vieira” e “Celebrações do Centenário do Padre António Vieira” nas edições de 6 e 13 de Fevereiro, respectivamente) e que podem ser lidos na &lt;a href="http://www.voz-portucalense.pt/"&gt;edição on line do jornal&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-8408180387781759660?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/8408180387781759660/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=8408180387781759660&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/8408180387781759660'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/8408180387781759660'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/02/humor-e-ironia-em-vieira.html' title='Humor e Ironia em Vieira'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-6631378451520225692</id><published>2008-02-24T12:29:00.001-03:00</published><updated>2008-02-24T12:29:59.656-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_vHfhEO08cCE/R8GNa55zwdI/AAAAAAAAE00/O80EVfJfwg8/s1600-h/Vieira+2008+B.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5170569340557443538" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_vHfhEO08cCE/R8GNa55zwdI/AAAAAAAAE00/O80EVfJfwg8/s400/Vieira+2008+B.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-6631378451520225692?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/6631378451520225692/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=6631378451520225692&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/6631378451520225692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/6631378451520225692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/02/blog-post_24.html' title=''/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_vHfhEO08cCE/R8GNa55zwdI/AAAAAAAAE00/O80EVfJfwg8/s72-c/Vieira+2008+B.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-5056226164215308710</id><published>2008-02-24T12:15:00.004-03:00</published><updated>2008-02-24T12:18:14.552-03:00</updated><title type='text'>Evento celebrou os 400 anos de Vieira</title><content type='html'>O 34º Encontro dos Descobrimentos teve lugar na sede do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para celebrar o 400º aniversário do Padre António Vieira - religioso, escritor e orador português da Companhia de Jesus, que defendeu os direitos humanos dos povos indígenas e os negros combatendo a sua exploração e escravização -, foi promovido um evento no Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP), no dia 23 de fevereiro. O 34º Encontro dos Descobrimentos foi da responsabilidade das comunidades portuguesa e japonesa, que formaram a cultura brasileira, e realizado pela Comissão Municipal de Direitos Humanos (CMDH), presidida pelo Dr. José Gregori e pelo IHGSP.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na icasião, houve palestras de José Gregori, Nelly Martins Ferreira Candeias, presidente do IHGSP e do advogado, Nelson Faria de Oliveira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O evento contou com o apoio da ONG Resgatando Valores, da Embaixada do Brasil em Portugal, de Hélio Matsuda e da firma Faria de Oliveira Advogados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-5056226164215308710?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/5056226164215308710/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=5056226164215308710&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/5056226164215308710'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/5056226164215308710'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/02/evento-celebrou-os-400-anos-de-vieira.html' title='Evento celebrou os 400 anos de Vieira'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-3192030353870029035</id><published>2008-02-22T19:36:00.001-03:00</published><updated>2008-02-22T19:38:33.471-03:00</updated><title type='text'>Gigante da Oratória Sacra</title><content type='html'>Maior autor de língua portuguesa do século XVII e um dos mais celebrados oradores sacros de todos os tempos, o Padre Antônio Vieira atingiu tal nível de erudição e prestígio, que deslumbrou o mundo culto de seu tempo, com seus vibrantes, oportunos e vigorosos sermões, proferidos perante reis e príncipes da Igreja, crentes e homens de cultura, e mesmo modestos e agnósticos cidadãos, que antecipadamente lotavam os templos onde sabiam que Vieira se iria apresentar. Tendo recebido toda a sua instrução nos Colégios Jesuitas do Salvador da Baía e de Olinda, Vieira só atingiu as culminâncias do saber e da erudição, mercê de sua insaciável curiosidade intelectual, servida  por um talento oratório talvez único, que colocou a serviço de seu sábio e  brilhante ecletismo, produzindo sermões de conteúdo profundo e forma irretocável, que a todos encantavam, convenciam e convertiam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na realidade, a oratória e a obra de Vieira impunham-se e impõem-se pela elevação e beleza de sua estilística, pela clareza e firmeza de suas construções retóricas e pelo humanismo e oportunidade de suas intervenções político-sociais, moralistas e moralizantes, em que tanto atacava a corrupção como defendia os oprimidos; nas quais ora pregava em favor dos índios ora contra os abusos dos senhores que os escravizavam; onde frequentemente condenava o luxo e a opulência dos poderosos para cotejá-los com a miséria e penúria dos miseráveis que produziam a sua riqueza, entre os quais frequentemente vivia, ensinava e pregava, com eles se identificando - não fosse ele próprio neto de uma escrava africana - e ainda com eles se comunicando em suas próprias línguas, pois falava 7 (sete) dialetos indígenas, nos quais redigia os catecismos de que se utilizava para a conversão e alfabetização de seus protegidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando iniciamos o estudo da vasta obra do Padre Antônio Vieira, logo sobressaem as múltiplas facetas deste brilhante e ainda mal conhecido português do Brasil, onde avulta e brilha o halo do pregador sacro sem igual, o texto do primoroso escritor, o sentimento do humanista e homem de ação sem paralelo, a um tempo defensor de índios e de negros, apologista da justiça e da liberdade, a par de uma firme postura contra os abusos da Inquisição, sem que nos possamos esquecer do "cientista social" e político desassombrado e atuante, ou do diplomata de grandes e nobres causas e batalhas, que nas cortes da Europa defendia com garra e brilho os interesses de sua e nossa Pátria. E, depois de tanto se ter servido do Verbo, da Dialética e da Retórica, não é de estranhar que a moderna língua portuguesa - saída do gênio e da pena de Luís de Camões - tivesse sido lapidada e consolidada pela fala, pela escrita - enfim pela voz - de Antônio Vieira, que, desse modo, conseguiu elevar a prosa em língua portuguesa à sua mais pura, elevada e brilhante expressão, à semelhança do que um século antes Camões tinha feito por meio de sua poética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estudar Vieira é ter que abordar os mais complexos problemas da Vida, para o que necessário se torna mergulhar fundo na Existência e na Essência do Ser Humano, em busca da Alma, do Espírito e dos mistérios que o Misticismo vem perseguindo ao longo dos milênios; na realidade, quando tentamos analisar criticamente a profundidade de temas e conceitos expressos em seus sermões, constatamos que - através deles - Vieira nos coloca em contato com os mais sérios problemas e fenômenos pessoais, sociais e existenciais de todos os seres, tempos e lugares, pois são de ontem, de hoje e de sempre tanto a justiça quanto a liberdade, tanto a ética como a fraternidade, tanto a paz como a igauldade perante a lei, tanto os desequilíbrios da Alma quanto os mistérios do Espírito, que devem constituir o objetyivo primeiro e último de todo o estudo sério e profundo, e a preocupação maior de todo o estudante, qualquer que seja a sua especialização acadêmica, a sua ideologia política ou até mesmo a sua crença religiosa. Essa talvez tenha sido a grande lição de Mestre Vieira, que nos deixou uma riquíssima obra literária do mais puro vernáculo, profunda e eclética, de grande beleza estética e de inigualável centelha ética, cujo estudo forma e engrandece, educa e esclarece, instrui e enobrece, eleva e enriquece, ao mesmo tempo que a sua leitura interessada e atenta encanta e delicia o estudante e o iniciado, o leigo e o formado, o sábio e o erudito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antônio Vieira - O Grande - foi realmente um intelectual eclético e um homem de ação polivalente, porquanto encarnou várias e ricas personagens no decorrer de sua atribulada e longa existência, tendo protagonizado, na vida real e com perfeição, as variadas e complexas  funções de professor e pregador, de escritor e missionário, de diplomata e conselheiro real, de negociador e filósofo, tendo a todas elas emprestado o brilho de sua inteligência, o vigor de sua palavra, a integridade de seu carácter, o rigor de sua argumentação, a retidão de sua personalidade e o gênio de sua intuição, augustos atributos que - de tão raros em um só homem - o tornaram alvo dos mais repulsivos sentimentos de todos quantos, por inveja, despeito ou interesses feridos, se sentiam ameaçados, prejudicados e ou humilhados pela excelência de suas virtudes, pela grandeza de sua Alma ou pelo nobreza de seu proceder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito naturalmente, o penetrante, eficaz, permanente e convincente instrumento de ação e comunicação de Vieira foi a linguagem falada - mais que a escrita - sempre apaixonada e eloquente, enérgica e convincente, inteligível e abrangente, certeira e inteligente, oportuna e comovente, com a qual cumpriu um longo e brilhante apostolado, sempre exercido desinteressadamente, quer se tratasse dos índios da Baía ou do Grão Pará e Maranhão, dos colonos de São Luís ou dos defensores da cidade do Salvador, da nobreza lisboeta ou dos bispos e cardeais romanos, da corte de D. João IV ou da cúpula do Vaticano. E nem mesmo se furtou a um brilhante tête à tête com o prelado Jerônimo Cataneo, quando, no palácio romano da Raínha Cristina da Suécia e na sua presença, foi desafiado a defender Heráclito, que sempre chorava, em contraposição a Cataneo, defendendo Demôcrito, que sempre ria. E de tal defesa nasceu a mais brilhante pequena-grande obra prima do nosso Príncipe dos Oradores Sacros, conhecida como "O Pranto e o Riso".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senhor de insuperável gênio verbal, servido por um raciocínio dedutivo de lógica irretocável, a que devemos acrescentar uma dialética demolidora e construções retóricas empolgantes e convincentes, o talentoso Vieira manipulava a riqueza vocabular da nossa língua portuguesa com insuperável maestria, o que lhe permitiu atingir e exercer a sua inigualável expressão oral sem jamais sequer macular a pureza vernacular do idioma de Camões. Dele, dizia Fidelino de Figueiredo: "Vieira é um modelo de expressão, de relevo enérgico e de eloquência. Maravilha-nos que ele conseguisse tais efeitos, com um léxico tão reduzido, e uma sintaxe tão correntia...um inimitável mestre na arte de combinar valores comuns com efeitos novos e relevantes. Esse dom nasceu com ele e com ele morreu". Assim como Camões foi o grande artista que, à superior beleza estética de sua poética adicionou uma linguagem vibrante e arrebatadora, que tornaram "Os Lusíadas" um marco na história da poesia épica mundial, também - um século mais tarde - aos sermões de Vieira se ficou devendo a consagração definitiva do idioma luso, mercê da sua "lapidação" pela arte de bem arquitetar, e melhor falar e dizer do nosso talentoso jesuita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Vieira encanta, comove e embriaga a beleza estética de sua parenática - enquanto arte de pregar ou eloquência oratória sacra - porquanto, nenhum outro pregador da Idade Moderna  tão belos sermões pregou e disse, tão brilhante e convincente foi, tanto ousou e ou tão longe chegou na beleza sermonária, mas, acima de tudo, tantas paixões extravasou e despertou, como o amado Paiaçu (Padre ou Pai Grande) dos índios do Grão Pará e Maranhão, aos quais também muito amou, e ainda mais defendeu e protegeu contra os abusos, injustiças e violências dos esclavagistas da época, os quais - tudo tentando e nada podendo fazer contra a força de sua palavra - acabaram por expulsá-lo e expatriá-lo para Portugal, bem como aos seus auxiliares diretos. E foi só recorrendo a esse ato de força e violência, que os senhores de São Luís do Maranhão conseguiram ver-se livres do defensor da liberdade dos índios seus escravos, da moralidade da sociedade local, das injustiças do Poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da grandiosa, vasta, rica e erudita obra de Antônio Vieira, sobressaem naturalmente "Os Sermões", os quais - por serem empolgantes e comoventes peças de oratória acentuadamente barrocas -  resplandecem como brilhantes, entre todas quantas conhecemos do século XVII. Neles - onde metáforas e alegorias são muitas vezes magistralmente incluídas, de modo a enriquecer e ilustrar imagens e conceitos - tais artifícios de linguagem oratorial, de incisivo e elegante estilo, causavam imediato e profundo impacto no auditório, revelando-se de clarividente oportunidade, obra de aguda sensibilidade, e prova da enciclopédica erudição de Vieira, a que o esfuziante  brilho da sua palavra dava o toque final de arrebatamento que a todos os seus ouvintes envolvia. Para tanto, servia-se o nosso orador das passagens e revelações dos Sagrados Livros, devidamente embasados em exemplos ilustrativos de seu dia-a-dia, a tornar mais concretas as suas prédicas, mais realistas as suas imagens, mais convincentes os seus relatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os cerca de 220 (duzentos e vinte) sermões que proferiu e nos deixou, contam-se 30 alusivos ao Rosário, 25 relativos à Quaresma, 18 sobre São Francisco Xavier (o grande jesuita apóstolo das Índias), 14 acerca da Eucaristia, 9 invocando o nosso Santo Antônio de Lisboa, oito abordando o lava-pés, 7 reportando o Advento, 4 referenciando São Roque, e 3 descrevendo a Quarta Feira de Cinzas, além de outros sobre a Páscoa, o Espírito Santo, o Santíssimo Sacramento, o Pentecostes, Ação de Graças, e Misericórdias, uns mais outros menos conhecidos, mas todos belas, magistrais e eloquentes peças da mais fina oratória de todos os tempos. E, para não passarmos em brancas núvens por tantas e tão instrutivas peças, transcrevemos uma passagem de elevada concepção artística, onde Vieira arquiteta - de forma sublime - a ideia da obra missionária, cotejando-a com a arte do estatuário, em seu sermão ao Espírito Santo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;" Vêde o que faz em uma pedra a arte. Arranca o estatuário uma pedra dessas montanhas - tosca, bruta, dura, informe - e, depois que desbastou o mais grosso, toma o maço e o cinzel na mão, e começa a formar um homemj, primeiro membro a membro, e depois feição por feição, até a mais miúda. Ondeia-lhe os cabelos, alisa-lhe a testa, rasga-lhe os olhos, afila-lhe o nariz, abre-lhe a boca, avulta-lhe as faces, torneia-lhe o pescoço, estende-lhe os braços, espalma-lhe as mãos, divide-lhe os dedos, lança-lhe os vestidos: aqui desprega, ali arruga, acolá recama, e fica um homem perfeito, talvez um santo que se pode pôr no altar. O mesmo será se, à vossa industria, não faltar a graça Divina.".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já aqui fizemos referência à "pequena-grande obra prima" do Padre Antônio Vieira que é "O Pranto e o Riso", apresentada na Academia sediada no palácio da Rainha Cristina da Suécia, que então residia em Roma, em 1674, quando o insigne jesuita aceitou defender o pranto ou choro de Heráclito (que sempre chorava), contra o riso de Demócrito (que sempre ria). Eis algumas passagens daquele que será o menor, mas, talvez um dos mais brilhantes pronunciamentos do nosso pregador: "...Entrando, pois, na questão de se o mundo é mais digno de riso ou de pranto, e se à vista do mesmo mundo tem mais razão quem ri - como ria Demócrito - ou quem chora - como chorava Heráclito - eu, para defender a parte do pranto, como sou obrigado, confessarei uma coisa e direi outra. Confesso que a primeira propriedade do racional é o risível; e digo que a maior impropriedade da razão é o riso. O riso é o final do racional, o pranto é o uso da razão.&lt;br /&gt;"Demócrito ria sempre; logo nunca ria; Demócrito se ria dos ordinários desconcertos do mundo...segue-se que nunca ria, rindo sempre, pois não havia matéria que motivasse o riso...não pode haver riso que se não origine de causa que agrade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Heráclito chorava, mas por outro modo; há chorar com lágrimas, chorar sem lágrimas e chorar com riso; chorar com lágrimas é sinal de dor moderada; chorar sem lágrimas é sinal de dor maior; e chorar com riso é sinal de dor suma e excessiva; a dor moderada solta as lágrimas, a grande as enxuga, as congela, as seca; dor que pode sair pelos olhos não é grande dor, por isso não chorava Demócrito; e como era pequena demonstração da sua dor não só chorar com lágrimas, mas ainda sem elas, para declarar-se com o sinal maior, sempre ria...".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nasceu António Vieira  em Lisboa, a 6 de fevereiro de 1608, sendo filho de Maria d`Azevedo e Christovam Vieira Ravasco, tendo sido batizado a 15 do mesmo mês na Catedral da Sé; no final de 1615 seguiu para a Baía com sua família, tendo-se salvo de um quase naufrágio nos baixios da Paraíba em 20 de Janeiro de 1616. Uma vez na capital, logo iniciou os estudos no colégio jesuita de São Salvador (que depois deu o nome à cidade), até que - em março de 1623, aos 15 anos de idade - quando ouvia um sermão do padre Manoel do Carmo, parece ter sentifo forte apelo ou inclinaação para a vida religiosa, que seguiu, apesar da oposição de seus pais. Saiu de casa, entrou no colégio (na época sinônimo de estudos superiores), fez dois anos de noviciado e, finalmente, professou em 6 de Maio de 1625. Foi nessa altura que - apenas com 17 anos de idade, foi encarregado de redigir a carta annua ou relatório em latim, enviado anualmente a Roma, para a sede da Companhia de Jesus, fundada um século antes por Santo Ignacio de Loyola. Logo no ano seguinte seguiu para o Colégio de Olinda como professor de retórica. Ordenado em 1635, logo iniciou suas pregações, que revelariam um dos maiores gênios da oratória de todos os tempos, como Santo Antônio de Lisboa fora 4 séculos antes. E, depois de uma atribulada existência - que várias vezes o levou a Portugal, de onde partiu a cumprir missões diplomáticas por vários países da Europa - faleceu na Baía a18 de Julho de 1697, com quase 90 anos de idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS-Os trabalhos do Prof. Antônio Abreu Freire - que no comando de um veleiro está percorrendo os caminhos de Vieira - inserem-se nas comemorações do 4º Centenário de nascimento do Padre Antônio Vieira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(&lt;em&gt;por José Verdasca, escritor português&lt;/em&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-3192030353870029035?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/3192030353870029035/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=3192030353870029035&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/3192030353870029035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/3192030353870029035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/02/gigante-da-oratria-sacra.html' title='Gigante da Oratória Sacra'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-8799603485463375495</id><published>2008-02-22T19:14:00.003-03:00</published><updated>2008-02-22T19:28:37.039-03:00</updated><title type='text'>Vieira - vida, época, filosofia e obras</title><content type='html'>&lt;em&gt;Um texto de Rubem Queiroz Cobra, Doutor em Geologia e bacharel em Filosofia&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Examinemos a vida e obra do Padre Antônio Vieira, figura síntese de sua época, sob os seguintes aspectos: sua formação escolástica; sua fidelidade ao absolutismo; seu envolvimento com o problema da perseguição aos judeus e cristãos novos e da escravidão tanto dos africanos, na Bahia, como dos índios, no Maranhão; sua fé romântica típica do sebastianismo; seu problema pessoal com a Inquisição, e seu pensamento filosófico. Missionário jesuíta, orador, diplomata, mestre da prosa portuguesa clássica, teve papel importante em ambas a história portuguesa e brasileira; seus sermões, cartas e papeis oficiais constituem um valioso índice do clima das opiniões no século 17 no mundo luso-brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiros anos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira nasceu em 1608, em Lisboa, e faleceu em Salvador, em 1697. Era filho de Cristóvão Vieira Ravasco, mulato, e de D. Maria de Azevedo. Estava Portugal sob domínio espanhol. Em 1578 o rei D. Sebastião morreu em Alcácer-Quibir, na África, onde os mouros derrotaram os portugueses. Não tendo herdeiros, o trono passou para seu tio-avô, o Cardeal D. Henrique que, já velho, morreu em 1580. Filipe II, rei da Espanha, por ser neto de D. Manuel o Venturoso pelo lado materno (Era filho de Carlos V, Imperador do Sacro Império Romano, e de Isabel de Portugal, filha de D. Manuel), assumiu o trono português. O Império Espanhol passou então a incluir Portugal e as possessões portuguesas, até a revolução que restaurou o trono português em 1640.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pai de Antônio Vieira fora empregado em casa de D. Fernão Telles de Menezes, conde de Unhão, o qual foi tomado para seu padrinho. Em casa dos condes de Unhão havia trabalhado também o avó paterno de Vieira, Baltazar Vieira Ravasco. Esse avô era branco, natural da vila de Moura, mas, quando empregado em casa dos Condes, enamorou-se de uma serviçal mulata da mesma casa, que foi a avó paterna de Vieira. Dizem os biógrafos que o romance motivou que ambos fossem despedidos. Perguntado na Inquisição sobre seus antepassados, mais tarde, com 55 anos, Vieira disse nada saber dessa sua avó paterna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O avô pelo lado da mãe, Dona Maria de Azevedo, era pessoa influente, Brás Fernandes de Azevedo, cristão velho. Este conseguiu para o genro nomeação para escrivão dos agravos da Relação da Bahia, logo que esse tribunal foi instituído. Isto motivou a vinda do pai de Vieira para o Brasil em 1609. Deixou em Portugal a mulher e o filho, para busca-los três anos depois, em 1614, estando Vieira com seis anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira teve um irmão e duas irmãs: Bernardo Vieira Ravasco, que ele declarou, quando inquirido no Tribunal da Inquisição, ser alcaide-mor da cidade de Cabo Frio do estado do Brasil, e secretário de estado e guerra do mesmo Brasil, solteiro.Nasceu e faleceu na Bahia (1617-1697), foi Comendador da Ordem de Cristo e teve vasta influência na Colônia; Dona Leonarda de Azevedo casada com o Doutor Simão Alves de Lapenha desembargador dos agravos de Sua Majestade e Cavaleiro do hábito de Cristo. Essa irmã morreu com o marido e os filhos em um naufrágio quando viajavam para Portugal -, e Dona Maria de Azevedo que ele declarou solteira, mas que casou depois com Jerônimo Sodré Pereira. Esses irmãos eram brasileiros, naturais e moradores da cidade da Bahia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teve mais as irmãs Catarina Ravasco de Azevedo, mulher do Sargento-mor Rui Carvalho Pereira, falecida sem descendência, e Inácia de Azevedo Ravasco que foi casada com Fernão Vaz da Costa Dória&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira foi educado no Colégio Jesuíta da Bahia. O ensino tradicional jesuítico compreendia retórica, filosofia e teologia. Para aguçar em cada aluno o poder de argumentação os jesuítas estimulavam debates sobre temas os mais extravagantes: O que Deus fazia antes da criação do mundo, se poderia criar outros mundos mais perfeitos que o nosso, se as almas das plantas e animais são divisíveis, qual era a estatura da Virgem Maria, etc. Este tom argumentativo, dialético, permeia os sermões de Vieira como um sestro que ficou dos tempos de estudante. Seu professor de filosofia foi o Padre Paulo da Costa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manifestando seu desejo de entrar para a ordem jesuítica, Vieira teve a franca oposição dos pais. Fugiu de casa à noite para o colégio, onde o reitor o acolheu sem hesitação, por saber o que sua inteligência prometia. No dia seguinte, ano de 1623, iniciou seu noviciado, contando então quinze anos. Levaram-no para a aldeia do Espírito Santo onde os padres doutrinavam os indígenas, a sete léguas da cidade, para distanciá-lo da família inconformada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juventude na Bahia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira ainda era um noviço quando, em 1624, ocorreu a invasão da Bahia pelos holandeses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1581 a Holanda havia proclamado sua independência, libertando-se do domínio da Espanha. Em represália, Filipe II fechou todos os portos portugueses e espanhóis aos navios holandeses. Essa medida constituiu um violento golpe na economia holandesa, que controlava o transporte, o refino e a distribuição do açúcar brasileiro na Europa. Para superarem esse obstáculo, os poderosos comerciantes holandeses criaram a Companhia das Índias Ocidentais para a conquista dos mercados produtores, no caso o Nordeste Brasileiro (Bahia e Pernambuco).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a armada da Companhia das Índias Ocidentais chegou em maio a Salvador o povo fugiu para os matos, grande parte dos habitantes de Salvador se dispersou pelas aldeias dos índios, sob a direção dos padres jesuítas. O governador geral Diogo de Mendonça Furtado foi preso e embarcado para a Holanda. Assumiu interinamente o governo D. Marcos Teixeira, quinto bispo do Brasil, que adotou a forma de guerrilha para combater o invasor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa tática terminou por dar resultado e no ano seguinte, 1625, chegou a esquadra espanhola e retomou a cidade. Os holandeses se renderam e quando, pouco depois, chegou uma esquadra holandesa para reforço, nada mais pode fazer. Todas as propriedades holandesas (navios, ouro, etc.) foram confiscadas e receberam navios e mantimentos apenas suficiente para partirem de volta para a Holanda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira contava apenas 16 anos, e já conhecia latim tão admiravelmente que os padres o encarregaram de relatar o acontecido na *Carta anua para o Geral da Companhia em 1626, a primeira escrita após a interrupção de dois anos ocorrida naqueles tempos anormais. Relembrando a noite da invasão, diz o jovem noviço: "Mas quem poderá explicar os trabalhos e lástimas desta noite? Não se ouviam por entre as matas senão ais sentidos e gemidos lastimosos das mulheres que iam fugindo; as crianças choravam pelas mães, e elas pelos maridos, e todos, segundo a fortuna de cada um, lamentavam sua sorte miserável".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encerrados os dois anos do noviciado vividos no período da invasão, Vieira fez os votos simples de pobreza, obediência e castidade e passou de imediato ao treinamento pedagógico a que os candidatos às ordens sacras estavam obrigados na Companhia de Jesus. Em 1627 está em Olinda, lecionando retórica no colégio jesuíta. Mas logo é chamado de volta à Bahia, com certeza pela falta sentida de seus préstimos. Somente em 1634 seria ordenado padre, e diz seu biógrafo J. Lúcio de Azevedo que nada se sabe do período que precedeu à sua ordenação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ordenado padre, as ocupações Vieira são o magistério no colégio e nas aldeias indígenas, e a pregação. Seu primeiro sermão foi pronunciado na Quaresma de 1633, antes de receber as ordens. Em 1635 escreveu o seyu livro "Curso Filosófico" adotado no Colégio todo o século XVIII. Cedo apareceu como erudito e como orador eloqüente. Alguns de seus sermões mais enérgicos sobre a guerra holandesa e situação dos escravos foram feitos na Bahia. Em 1638 os holandeses, vindo de Pernambuco, tentaram tomar Salvador pela segunda vez, mas não conseguiram. Com o invasor às portas, em número de 3.400 soldados comandados por Maurício de Nassau, Vieira usou, para o sermão na igreja de Santo Antônio, no dia do santo, o versículo do Livro dos Reis: "Porque eu defenderei esta cidade, para salva-la, por mim próprio por meu servo David".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O irmão de Vieira foi ferido nas lutas pela recuperação de Itaparica. Após um sítio de 40 dias que logrou impor à cidade, a tropa assaltante teve de retirar-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira trabalhou entre os escravos índios e negros até 1641, quando foi incumbido de levar congratulações ao Rei D. João IV em sua ascensão ao trono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira viagem à Europa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;D. João IV (reinou 1640-1656), nascido em 1604, era duque de Bragança. Subiu ao trono na revolução vitoriosa contra os espanhóis em 1640. Pertencia à casa de Avis que reinara antes dos 60 anos de domínio espanhol, fundando assim a dinastia dos Bragança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vice-rei do Brasil, tendo de enviar seu filho D. Fernando à Metrópole, a levar a adesão da Colônia a D. João IV, fá-lo acompanhar de dois jesuítas, o Padre Vieira e outro religioso também ilustre, o padre Simão de Vasconcelos, que seria depois afamado cronista da Ordem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A luta dos portugueses contra o domínio espanhol, - esclarece Lúcio de Azevedo -, fora sustentada por um civismo místico, com fundamento em profecias de Bandarra, um sapateiro inspirado, que desde 1540, em um livro de trovas, consignara os destinos de Portugal. Dos solares dos fidalgos às escolas onde as crianças rudes do povo aprendiam, o Bandarra era o livro de leitura e a bíblia do patriotismo. Nada contribuiu tanto para manter vívida a esperança na redenção do estrangeiro. Suas profecias de grandeza esperava-se que se concretizariam com a volta de D. Sebastião, que se supunha ainda vivo, pois ninguém o vira morrer na batalha em África. Porém, torcidas, reinterpretadas, falseadas onde foi necessário, aplicaram-se aos fatos da restauração. O Encoberto, o rei desconhecido de que falavam os vaticínios, podia muito bem ser D. João, o Duque de Bragança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim se preparou o ambiente em que brotou a revolução pela restauração da monarquia portuguesa. Restaurado o trono, ao Bandarra tributaram-se grandes honras. O próprio D. João IV aceitava a designação de "O Encoberto", como sagração de sua realeza pela intenção divina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A essa crença aderiu também Vieira. Seu companheiro de viagem, o Padre João de Vasconcelos, compunha a "Restauração de Portugal", apologia mística do rei aclamado, coligindo ali as maravilhas e profecias que justificavam o ato revolucionário e foram a principal razão dele. Nas suas pegadas, Vieira escreverá *Quinto Império do Mundo e *História do Futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conselheiro do Rei&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao cabo de aventurosa viagem com destino a Lisboa, o jovem fidalgo e os dois religiosos foram obrigados a desembarcar em Peniche devido a uma tempestade que desarvorou a nau, e ali um mal entendido os levou à prisão, tomados por contra-revolucionários aderentes do governo espanhol. No dia seguinte, desfeitos os equívocos, partiram para Lisboa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recebidos pelo Rei, no mesmo instante Vieira conquistou a simpatia do monarca que, com certeza, percebeu logo o quanto Vieira lhe poderia ser útil. Tinha Vieira não apenas conhecimento dos assuntos do Brasil, como sabia muito da psicologia do inimigo holandês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira está em Lisboa com 33 anos de idade. Sua fama no Brasil já alcançara Portugal. Começa a pregar na Igreja do seu Instituto - S. Roque. Lisboa invadia a igreja para ouvi-lo. Convidado a pregar para o Rei, Vieira pregou pela primeira vez na Capela Real no dia do Ano Bom de 1642. O Rei tornou-se admirador da personalidade magnética e segura de Vieira e passou a olhar o jesuíta alto, magro e dinâmico como "o maior homem do mundo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada vez mais íntimo da família real, estimado pela conversação inteligente e manifestamente clara compreensão dos negócios do Estado, em pouco tempo Vieira dava o voto mais autorizado e decisivo em importantes negócios de Estado. A essa ajuda na qualidade de conselheiro, juntava-se outra ainda mais preciosa. Era tão aflitiva a situação do reino que nos sermões cabia alertar o povo sobre tudo que fosse interesse da pátria, pois não havia meios de comunicação senão as prédicas e o que se noticiava de boca em boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira pelo concurso de ouvintes e influência da sua palavra, colocava-se inteiramente a serviço do rei e até a favor dos impostos chama à responsabilidade os cidadãos. Fazia sua exortação ao patriotismo paralelamente com a exortação moral em que os negócios mais graves do Estado saiam a lume, e através de alegorias da Bíblia analisava atos do governo e a conduta dos homens públicos. Quando necessário, nem o próprio soberano, figura sagrada para o povo, escapava às admoestações e à censura. "Sabei cristãos, sabei príncipes, sabei ministros, que se vos ha de pedir estreita conta do que fizestes."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Completados os 35 anos, Vieira ainda não era jesuíta professo. Faltava-lhe fazer o quarto e último voto, o de obediência ao Papa, que, segundo Lúcio de Azevedo, professou em 26 de maio de 1644.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Missões e empenho pelos cristãos novos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre 1646 e 1650 Vieira esteve engajado em missões diplomáticas na Holanda, França e Itália, com os mais variados misteres. A mais relevante foi com certeza a do acordo entre Portugal e Holanda. A Holanda queria uma indenização por ter perdido Pernambuco, mas que intentava reconquistar. Preparou uma nova frota para ir ao Brasil a qual, para felicidade de Portugal, se desmantelou no Atlântico devido a forte tempestade. O ponto dificultoso das negociações era a fiança que haveriam os holandeses de pedir pela mora, até se realizar cinco ou seis anos mais tarde o pagamento final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui se oferece a Vieira ensejo de renovar seu empenho em favor da gente hebraica. Ele havia apresentado em 1643 uma exposição de motivos ao Rei, na qual argumentava que o reino estava em estado miserável depois do domínio espanhol (que não defendera as colônias de Portugal permitindo que a Holanda se apoderasse de boa parte delas) e que era um contra-senso a perseguição aos judeus. Dizia "Por estes reinos e províncias da Europa está espalhado grande número de mercadores portugueses, homens de grandíssimos cabedais, que trazem em suas mãos a maior parte do comércio e riquezas do mundo. Todos estão desejosos de poder tornar para o Reino...Se Vossa Majestade for servido de os favorecer e chamar, será Lisboa o maior império de riquezas..." Dizia mais que todos os países viam a miséria de Portugal. Nenhum país colocara embaixada no Reino restaurado e que o desprezo era tanto que o Papa não recebeu o embaixador português.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A volta dos judeus, além de enriquecer Portugal, haveria de enfraquecer o inimigo que deles se valiam com grande vantagem, porque na Espanha, judeus portugueses estavam cuidando da administração da fazenda real e emprestando ao monarca espanhol muitos milhões enquanto não chegavam as frotas com o ouro da América. "E o mesmo sucederá na Holanda, cujas companhias, que nos tem tomado quase toda a índia, África e Brasil, vivem em boa parte à custa da finança judaica portuguesa". E lembra ainda os exemplos da França e da própria Roma, "onde se permite a existência de sinagogas com seu culto". E porque se permitia no reino de Portugal comerciantes protestantes de várias nacionalidades e não se permitiam comerciantes judeus?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Companhia de Jesus considerava imprudente e comprometedor o empenho de Vieira. O Rei, escreveu uma carta (1644) ao Provincial da Companhia recomendando que não fosse maltratado Vieira por motivo de suas idéias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu plano no negócio com a Holanda, como um desdobramento da representação antes feita, era que dos cristãos novos poderiam vir a dar a fiança necessária ao acordo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De volta de Paris onde fora tentar o apoio do governo francês para as negociações com a Holanda, Vieira deteve-se em Ruão para consultar os cristãos novos portugueses ali residentes. Além da questão dos créditos que buscava para o reino, Vieira empenhou-se com os judeus sobre o projeto de os restituir à pátria. Naquela cidade florescia então, com o consentimento tácito das autoridades, o judaísmo, e era ela, quase tanto como Holanda, refúgio dos hebreus portugueses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez na Holanda entrevistou-se também com os judeus de Amsterdã e lhes fez promessas como aos de Ruão, no sentido de trabalhar para que fossem favorecidos com mercês régias os cristãos novos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homem preocupado com todos os assuntos que dissessem respeito a Portugal, Vieira, estava também empenhado em que Portugal reformasse os velhos galeões e adquirisse navios modernos para a sua frota. Aconselhara o rei a comprar quinze fragatas armadas, que em Holanda se ofereciam ao preço de vinte mil cruzados cada uma. Alguns desses navios foram adquiridos por intermédio do embaixador em França e ele próprio levou encargo para outros, quando no ano seguinte voltou à Holanda, para o que obteve de dois importantes negociantes cristãos novos os recursos necessários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentindo o apoio firme de D. João IV, tomou Vieira a iniciativa de defender os judeus contra a Inquisição que lhes confiscava os bens antes mesmo de encontrar-lhes culpa formada..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;D. João IV não podia desfazer as penas impostas ao crime de heresia pelo direito canônico, nem intervir na jurisdição do Santo Ofício. Com certeza por inspiração de Vieira, assinou um alvará que solucionava a questão, ou seja, que os cristãos novos não perdessem os seus bens quando detidos pelo Tribunal por culpas inventadas por inimigos seus. D. João se comprometia a devolver aos cristãos novos aquilo que lhes fosse confiscado, pois embora a condenação fosse feita pela Igreja, os bens confiscados destinavam-se ao Estado, deduzido pela Inquisição o necessário para sustento da sua máquina e liturgia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Santo Ofício protestou contra tal abolição perante o Rei e recorreu ao Papa. Os inquisidores obtiveram do Papa um breve pontifício restabelecendo o confisco. Quando apresentaram o documento a D. João IV, este argumentou que, como quem ia ficar com os bens confiscados era ele, o monarca, ele podia perfeitamente, como proprietário, devolve-los aos seus donos. Assim conseguiu manter a resolução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo foi criada uma companhia portuguesa para exploração das colônias com liberdade para participação de capital judeu. Inscreveram-se os cristãos novos mais ricos. Duarte da Silva, que dera o crédito para os navios de Holanda, e que em seguida fora preso pela Inquisição, estava agora com os bens desembaraçados em virtude da nova lei, reuniu-se a muitos outros, juntando-se enorme capital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Inquisição: primeira investigação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A inquisição, como era natural, revoltou-se, e Vieira estava publicamente comprometido com a o projeto. O caso produziu escândalo em toda a parte no país. Os amigos da Inquisição, que eram os inimigos dos cristãos novos, juntos aos inimigos de Vieira, que eram muitos, não cessavam de publicar a sua indignação. Pode-se afirmar que foi nesse tempo Antônio Vieira o homem mais aborrecido em Portugal. Uns o apodavam de traidor, por que sugeriu ao rei entregar Pernambuco aos holandeses em troca da paz, quando a questão dos fiadores parecera sem solução. Outros o infamavam de herético, por tentar restabelecer as sinagogas no reino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, o quanto acabrunhado devia andar Vieira é fácil de imaginar. Afinal, era de se esperar que Holanda fosse um país amigo de Portugal, porque também havia lutado contra a Espanha para firmar sua soberania Se havia atacado e montado um enclave no Brasil, o fizera exatamente porque era um ato hostil à Espanha herdeira do reino e das colônias portuguesas no processo de sucessão de D. Sebastião. Valia muitíssimo a pena ter novamente Holanda por aliada contra a Espanha, garantindo assim a paz e segurança de todo o império português que se desejava restaurar e fortalecer. Que isto custasse deixar os Holandeses em paz no Pernambuco, havia parecido ao estadista, a certa altura dos acontecimentos, um preço muito razoável. Quanto aos judeus, Vieira estava tão certo que, ainda hoje, não se compreende como pôde Portugal agir com tanta insensatez, expulsado de seu território justamente aqueles que haviam desenvolvido o seu comércio e haviam feito de Lisboa o mais importante porto comercial do Atlântico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Inquisidores então passaram a reunir "denuncias" contra Vieira: uso de livros proibidos trazidos do estrangeiro; proposições como a da conveniência de consentir em Lisboa, como se consentia em Roma, o funcionamento de sinagogas, e várias repetições, pelos denunciantes, de afirmações muito conhecidas de Vieira a respeito de que se desse tratamento diferentemente a judeus e a judaizantes. Apesar de serem posturas conhecidas, ganhavam com a denuncia o caráter de novidade indispensável para criar assombro e escândalo tardio. Nada foi apurado que realmente fundamentasse um processo, mas as investigações estimularam entre os jesuítas àqueles que não compreendiam Vieira ou o hostilizavam gratuitamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus adversários em sua própria Ordem acusaram-no de hábitos mundanos, adquiridos nas missões diplomáticas, do vestuário secular que usou em lugar da batina, e de ter a seu serviço um criado que Vieira pagava para lhe facilitar a vida apertada de compromissos por toda a parte. Denuncias e queixas repetiram-se em Roma, e tantas foram que o Geral determinou fosse Vieira expulso da ordem. O Geral porem voltou atrás, quando o Provincial em Portugal informou que o rei, determinara que nada se fizesse, pois afastaria Vieira da Corte concedendo-lhe uma diocese. Mais surpreendente ainda a resposta de Vieira ao soberano, dizendo que não trocaria sua batina de missionário nem por todas as dioceses de Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de ocupado com os negócios em que era chamado a opinar ou de que era incumbido por em marcha, Vieira não abandona o púlpito nem suas obrigações religiosas, nem deixa a morada com os companheiros jesuítas. Sem dúvida lhe custava tempo a preparação de seus apreciados sermões cujas citações a filósofos, à mitologia, etc., lhe custavam estudos. Diz Lúcio de Azevedo que ante a submissão do acusado, e a atitude de franca proteção que adotara o soberano, a sanha dos acusadores afrouxou. A pena foi suspensa e depois definitivamente anulada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exausto talvez de tantos esforços em maquinar meios de garantir a sobrevivência da monarquia portuguesa, - mesmo que fosse às custas de casar o herdeiro português com a princesa espanhola, com a condição de que a capital do reino fosse Lisboa, e dentro da perspectiva de que esse casamento faria o príncipe português herdeiro dos dois tronos -, decide que é o momento de voltar ao Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que lhe faltasse a amizade do rei e do príncipe herdeiro D. Teodósio. Recebe ainda uma missão de acompanhar à Inglaterra o novo embaixador português, porém a recusa. Na data de seu embarque para o Brasil, depois de despedir-se do Rei, este tentou sustar sua viagem mandando ordem ao capitão do navio para não admitir Vieira a bordo. Pelo que diz o seu biografo sobre os pormenores de seu embarque, esse gesto do Rei possivelmente o lançou em dúvida quanto a realmente seguir para o Maranhão. Mas decidiu-se de vez e embarcou na primeira oportunidade, dois meses depois. Em janeiro de 1653, desembarcou Vieira em São Luís do Maranhão como superior dos missionários jesuítas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volta ao Brasil: Missão no Norte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na caravela em que não embarcara Vieira, haviam chegado antes dele ao Maranhão não apenas os padres dos quais ele seria o provincial, mas também um novo capitão mor que trazia carta do rei alforriando todos os índios da província. Por falta de escravos pretos, eram os índios os escravizados para os trabalho nas fazendas e na cidade. Aguardou-se a chegada de Vieira para a publicação da lei. Quando o porteiro saiu a apregoar a determinação real ao som do tambor, o povo afluiu à Câmara em protesto. A libertação dos índios causaria a perda econômica que seria fatal para a província. Atribuíram aos jesuítas haverem conseguido aquela lei dada pelo monarca e se indignaram contra os padres, clamando expulsão e mesmo morte, para Vieira e seus companheiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira habilmente encontrou a solução que apaziguou momentaneamente os ânimos. Propôs que aqueles índios que eram legalmente escravos fossem assim mantidos, mas aqueles mantidos ilegalmente em cativeiro fossem daí por diante pagos como trabalhadores livres. Como os colonos não tinham propósito algum de pagar, aceitaram satisfeitos a solução e voltaram com seus índios para suas fazendas onde a situação dos silvícolas continuou a mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde a chegada desejou Vieira que as aldeias fossem, como na Bahia, entregues à direção dos missionários, e pôs logo seu cuidado em visita-las. Tarefa penosa, pelos descômodos e fadigas que impunha; as milhares de picadas de mosquito dia e noite, o que, porém, ele aceitava de bom grado, pelos frutos que esperava de tantos trabalhos e privações. Seu zelo levou-o até o Pará onde, com alguns padres, navegou em canoas com extraordinário risco para avaliar a potencialidade da província a seu cargo para o ministério jesuítico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão dos índios não chegava por nenhum dos lados a solução aceitável: nem os colonos desistiam do sistema de escravidão que tinham instituído; nem os jesuítas deixavam o propósito de lhes subtrair, ou pelo menos limitar, o domínio sobre os silvícolas cristianizados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achando-se os jesuítas acuados e limitados pelo poder dos fazendeiros, decidiu Vieira com seus companheiros que iria ele a Portugal tratar as questões com o rei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda viagem a Portugal. Em breve visita a Portugal de 1654 a 1655 ele obteve decretos protegendo os índios da escravidão e um monopólio para os jesuítas na proteção dos índios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viagem atribulada, o barco enfrentou uma tempestade quando já próximo aos Açores, chegando a virar sobre um dos bordos, salvando-se por reconhecido milagre a tripulação e passageiros. Um pirata holandês os encontrou, confiscando a carga de açúcar que levavam, mas deixando-os em segurança no porto da Graciosa. Com o dinheiro que havia manejado esconder, Vieira comprou roupas e comestíveis para todos e meios para continuarem para Lisboa. Ficou nas ilhas por mais de dois meses até partir para Lisboa em um navio inglês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Lisboa voltou a pregar na Capela Real, com outros pregadores reais. Seu tema era principalmente a corrupção dos políticos, de cujos efeitos acabava de sofrer no Brasil. O rei que andara doente à época da chegada de Vieira, em nada se sentiu atingido pelo cáustico moralista, e atendeu plenamente às reivindicações que lhe apresentou Vieira. Foi instituída administração conjunta do Pará e Maranhão, o que deveria minorar os problemas enfrentados pelos jesuítas e, mais ainda para satisfação de Vieira, caberia a André Vidal de Negreiros, herói pernambucano na luta pela libertação de Pernambuco, e que já estava nomeado para o governo do Maranhão, governar conjuntamente as duas províncias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reunidos o futuro governador, Antônio Vieira e altos funcionários, assentou-se o regime definitivo dos índios livres, em um estatuto próprio que fixava o quando deveriam receber como salário mínimo pelo seu trabalho, e outras disposições solicitadas pelos jesuítas no sentido de proteger os silvícolas. André Vidal partiu em 1654 e Antônio Vieira algum tempo mais tarde. O rei o proibiu de embarcar mas, tendo Vieira lhe proposto que ouvissem a opinião dos jesuítas sobre ficar ele em Lisboa ou retornar ao Brasil, e tendo esses decidido, por maioria, que seria melhor para a Ordem que retornasse ao Brasil, o soberano aquiesceu em autorizar sua partida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sedição do Maranhão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No norte, as lides de Vieira voltaram a ser as viagens visitando as aldeias, ensinando e pregando, algum tempo lhe estava ainda para o devaneio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em janeiro de 1661, no Pará, a Câmara representou aos missionários pedindo com urgência que se pudesse com urgência arregimentar índios no mato, para o trabalho escravo, Rebateu Vieira dizendo que as causas dos problemas econômicos eram bem diversos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto surgiu novo conflito, suscitado por uma imprudência de Vieira, do qual tiraram seus opositores grande partido. Foi o caso do chefe da aldeia de Maracaná, a cargo dos jesuítas, no Pará. O índio vivia em concubinato com uma cunhada, um mal exemplo que os padres queriam suprimir. Vieira escreveu-lhe uma carta amável, solicitando que viesse ao colégio onde, chegando, foi desarmado e preso em ferros em uma cela, passando depois ao calabouço do forte de Gurupá. Ao protesto dos índios seguiu-se o da câmara, associando-se a ele as ordens monásticas. O escândalo uniu os padres de outras ordens aos colonos e no inquérito a que se procedeu pelo Ouvidor Geral, em São Luís, os prelados do Carmo, S. Antônio e Mercês, que chegavam do Pará, depuseram em concordância com a representação dos índios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao declarar-se a sedição no Maranhão, Antônio Vieira fazia caminho de Belém a S. Luís. Já próximo da cidade, recebeu carta do governador colocando-o a par da revolta e recomendando que não entrasse em São Luís. Pôs se de volta a Belém onde pretendia acalmar os índios para que não fugissem para os matos, assustados com as notícias que se espalhavam .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Menos de um mes passado, também no Pará rebentou a comoção contra os padres. Como em São Luiz, também em Belém o povo assaltou o colégio e pôs em custódia os jesuítas. Antônio Vieira ficou apartado dos companheiros em uma pequena igreja . Uma índia, Mariana Pinto, que depois foi irmã, conseguia passar a Vieira alguma ligeira refeição, até que entre homens armados o embarcaram para São Luís. Da canoa foi transposto para a caravela que, em 1661 levou todos os padres para a Europa. Vieira não descansava nunca; nesta viagem compôs e proferiu um dos seus mais belos sermões, o do Rosário, que fez ouvir, no domingo 9 de outubro, a seus companheiros na aventura marítima, gente de bordo e passageiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terceira viagem à Europa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1661, Vieira foi expulso para Portugal. Deteve uma situação a ele favorável na Corte, mas que depois reverteu-se inteiramente em contrário. Falecido D. João IV em 1656, e porque falecera também D. Teodósio, primeiro na ordem da sucessão, sucedeu ao pai D. Afonso VI, com 13 anos de idade, sob regência de sua mãe, Da. Luiza de Gusmão (1656-1683). A rainha regente era contrária a entregar o reino a esse filho por sua notória incapacidade para governar; era a favor de que fosse aclamado o irmão mais moço, D. Pedro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira encontra seu lugar na corte, como em épocas passadas, mais ainda quando a regente, no embate das intrigas e paixões em que a corte refervia, tanto necessitava do conselho e auxílio de homem tão experimentado como o missionário recém chegado do Maranhão. Vieira que muito bem conhecia a vida desregrada do jovem príncipe, pois que toda preparação para reinar havia sido dada a D. Teodósio, coloca-se ao lado da rainha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém já no ano seguinte, em 1662, alguns nobres amigos do herdeiro se puseram a seu lado e o levaram a estabelecer seu governo em Alcântara. Diante desse golpe, não teve outra alternativa a rainha senão passar a D. Afonso os selos do Estado. Os partidários de D. Pedro foram punidos, e Vieira que foi desterrado para o Porto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse mesmo ano a princesa Catarina de Bragança, irmã de D. Afonso, casou com Carlos II da Inglaterra. Em troca de um rico dote, e de favoritismo comercial, a Inglaterra forneceu armas e soldados para a guerra contra a Espanha. As defesas portuguesas foram então organizadas por um militar alemão, Friedrich Hermann von Schönberg.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afonso VI era considerado débil mental, e o país governado por Luiz de Vasconcelos e Souza, conde de Castelo Melhor até 1667. Em seu reinado os portugueses, sob o comando de Shönberg, obtiveram várias vitórias contra a Espanha, que em 1668 reconheceu a independência de Portugal. Foi casado com Maria Elizabeth Francesca de Sabóia (princesa francesa) que conspirou com seu irmão Pedro para afastar Castelo Melhor e anular o casamento com Afonso VI. Ela casou com Pedro em 1668, e Afonso VI foi persuadido a passar o trono para seu irmão que poderia ter um herdeiro e foi declarado regente. Desde então o rei foi mantido prisioneiro em Sintra, onde morreu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil Vieira havia assentado as bases do que pretendia seria sua grande obra sobre a interpretação dos profetas, que na verdade nunca chegou a publicar. No desterro do Porto retoma seu trabalho intelectual. Faz a revisão de dezesseis volumes de Sermões para dar ao prelo e continua a rascunhar o Clavis prophetarum. Era Vieira bem vigiado pelos partidários de D. Afonso aos quais deixá-lo no Porto pareceu inconveniente. Cogitaram de desterrá-lo para Angola, mas se concluiu por deixá-lo preso no Colégio da Companhia em Coimbra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name="Processo_na"&gt;&lt;/a&gt;Processo na Inquisição&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por falta de amigos na corte, foi aprisionado pela Inquisição que vinha preparando um processo contra ele havia algum tempo. As investigações sobre Vieira arquivadas no Santo Ofício foram reabertas. O decreto do Conselho Geral ordenou ao Tribunal de Coimbra mandasse ir à mesa o jesuíta e o interrogasse sobre o seu escrito *As Esperanças de Portugal em que anunciava a ressurreição de D. João IV, e por seu exagerado interesse em favor dos judeus e cristãos novos. Não pode ser ouvido porque estava doente, do impaludismo contraído no sertão amazônico, cujas crises freqüentemente o prostravam. Ultimamente os incômodos se agravaram de complicações bronquiais, com hemoptises que faziam temer ao doente a tuberculose, doença vulgar na Companhia, devido às macerações e canseiras da vida missionária, e cujo contágio era facilitado pela vida em comunidade. Em maio os médicos aconselhavam a mudança de ares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Determinaram os superiores fosse o doente para residência do Canal, junto a Buarcos.&lt;br /&gt;Respondeu Vieira que era certo haver feito um papel, em que anunciava a ressurreição de D. João IV, o qual mandara para ser apresentado e servir de consolo à Rainha viúva. Baseava seus dizeres no Gonsalianes Bandarra, a quem todos tinham por profeta, se não em sentido canônico, mas no sentido que era o terem se cumprido as coisas profetizadas. E esclareceu o seu interesse meramente em favor da economia do reino, na questão hebraica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de não encontrar nele falta grave, e mesmo antes de ser julgado, determinou a Inquisição sua prisão no cárcere do Santo Ofício, onde ficou por 26 meses até a véspera do natal de 1667. Continuou preso no Colégio da companhia em Coimbra, e mais tarde, por pedido seu, foi autorizado transferir-se para o noviciado em Lisboa. Pouco depois o Provincial da companhia requereu lhe fossem as penas perdoadas, e isto foi atendido ficando em vigor unicamente a obrigação de não tratar o réu das proposições suspeitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua vida se recompôs. Do palácio lhe veio o aviso de que haveria de pregar na Capela real por ocasião do aniversário da Rainha. Não pregou dessa vez, mas fez vários sermões nos meses seguintes. Magoado, disse em um sermão na Capela Real uma frase que ficou conhecida: "Se servistes a pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis, ela o que costuma; mas que paga maior para um coração honrado que ter feito o que devia?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name="Vida_em"&gt;&lt;/a&gt;Vida em Roma&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira estava porém decido a alcançar em Roma a revisão do seu processo na Inquisição. Pronunciou seu último sermão em Lisboa na festa de Santo Inácio, na matriz de Santo Antão, um extraordinário triunfo oratório. O povo, sabendo que ia pregar naquele dia, logo ao alvorecer e antes que se abrisse a igreja já se achava o largo fronteiro pejado de curiosos. Abertas as portas, num instante ficou lotada a igreja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fim de lhe facilitar instalar-se em Roma, recebeu da Companhia de Jesus o encargo de tratar assunto de interesse da Companhia, que era o de tratar da canonização de quarenta padres da companhia, trucidados por piratas calvinistas em 1570 quando iam para o Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando a Roma, alguns padres foram em carros encontrá-lo no caminho, e a esta homenagem se somou a recepção que o Geral e mais padres lhe fizeram. Sua chegada, no entanto, coincidiu com o falecimento do papa Clemente IX e eleição do papa Clemente X, e isto o obrigaria a adiar seu trabalho junto à Cúria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os padres da companhia insistiram com Vieira que pregasse. O Geral João Paulo Oliva manifestou seu desejo que aprendesse o italiano e se dispusesse a pregar ante os cardeais e nobreza romana, o mais culto auditório do mundo. Relutante talvez por cansaço, Vieira não teve escolha quando o Geral impôs-lhe obediência no assunto. Pregou pela primeira vez em italiano em Outubro de 1672 na festa de São Francisco de Assis. Concorreram pessoas notáveis da nobreza romana, alguns prelados e seis cardeais. Seguiram-se vários outros sempre concorridos. Tanto era o interesse em ouvi-lo que, diz Lúcio de Azevedo, tornou-se necessário colocar soldados às portas dos templos onde ia pregar, para impedir que se apossasse o público dos lugares, antes de chegarem as dignidades eclesiásticas e pessoas de representação. Ao sermão, na igreja de S. Lourenço em Damaso, no ano seguinte de 1673, estiveram presentes dezenove cardeais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Residia em Roma uma outra celebridade, a rainha Cristina da Suécia, que havia renunciado ao trono de seu país. Admirada pelo desenvolvimento industrial e comercial que promoveu, sua renúncia súbita do trono sueco causou surpresa em toda a Europa. Patronisa das artes e da ciência, convidou importantes intelectuais estrangeiros para visitar seu país, inclusive &lt;a href="http://www.cobra.pages.nom.br/fmp-descartes.html"&gt;René Descartes&lt;/a&gt;, que lhe deu lições de filosofia e morreu na sua corte, em Estocolmo. Renunciou por dois motivos: porque não desejava casar para dar um herdeiro ao reino da Suécia e também porque havia se convertido secretamente ao catolicismo, religião proibida na Suécia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em dezembro de 1655 fixou-se em Roma, acolhida pelo Papa Alexandre VII. Tornou-se sensação em Roma, onde comprou um palácio. Depois de ausentar-se em uma conspiração armada em Paris, em que, com a ajuda dos franceses, pretendia sair rainha do reino de Nápoles, precisou de um perdão papal para voltar a viver em Roma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi amiga do cardeal Décio Azzolino, um líder político dos cardeais em Roma, de quem fez seu herdeiro. Ligou-se aos papas, recebeu uma pensão que ajudou-a a manter-se com os recursos que recebia da produção de suas terras na Suécia. Em seu palácio em Roma tinha coleções de pintores famosos, esculturas e o local tornou-se ponto de encontro dos intelectuais e músicos famosos da época. Sua biblioteca hoje faz parte da Biblioteca do Vaticano e seu túmulo (faleceu em 1689) está na Basílica de São Pedro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira pregou especialmente para a Rainha na quaresma do mesmo ano em que chegou a Roma, e por insistência dela junto ao Geral, - que novamente exigiu de Vieira um ato de obediência -, tornou- se pregador de sua corte. Estreou com uma série de sermões intitulados "As cinco pedras de David". Incluído em seu círculo, a que chamava Academia da Arcádia para filosofia e literatura, o Padre Vieira travou um debate filosófico que lhe valeu aplausos. Nessa Academia os grandes letrados discutiam os problemas mais diversos e faziam conferências para um círculo seleto da nobreza romana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Através de farta correspondência, trocada inclusive com D. Pedro, Vieira acompanhava de Roma os acontecimentos em Lisboa. Repercutiu em Roma o novo recrudescimento da perseguição aos cristãos em Portugal, no ano de 1672.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa manhã de junho apareceu violado o sacrário da igreja do mosteiro de Odivelas. Crer que fosse a ação de herege, e mais particularmente hebreu, era conseqüência natural. Exaltaram-se os ânimos na capital e em todo o país. A 25 de agosto foi ordenada a expulsão de todos os indivíduos penitenciados pelo Santo Ofício desde o último perdão geral, isto é de 1605, pena que abrangia os filhos daqueles que, com veementes suspeitas de heresia, abjuraram, e os filhos e netos dos que tinham confessado, portanto vários milhares de pessoas. Vieira escreve a D. Rodrigo de Meneses, seu amigo, externando sua desaprovação ao decreto de expulsão e informando que a opinião comum era também contrária em Roma e toda a Europa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um protesto sem assinatura encaminhado a D. Pedro, e no qual em toda a extensão se enumeravam os inconvenientes da resolução foi logo atribuído a Vieira, e hoje está incluído em suas obras. Apontava a liberdade de crença e, separados os judeus que o quisessem ser, aqueles que permanecessem católicos não se lhes podia por em dúvida a sinceridade, nem de se unirem a cristãos velhos resultaria dano à fé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Através de cartas, Vieira instigava o príncipe regente a proceder segundo o exemplo de D. João IV que em 1649 concedera aos cristãos novos licença igual a que agora solicitavam para recorrerem ao Pontífice. Todo seu empenho era que a contenda se transferisse para Roma, onde os recorrentes tinham modo de captar os votos e ele meio de cooperar nas diligências.&lt;br /&gt;Afinal, em julho, decidiu-se conceder o que, - a troco de apreciáveis vantagens na formação de uma Companhia que daria apoio a Portugal na Índia -, os homens de negócio pediam: a licença para requerem em Roma a reforma da Inquisição. Vieira deveria escrever ao Pontífice, a recomendar a súplica, e apontando como providencia complementar necessária o perdão geral.&lt;br /&gt;Porém, soando então que tinha o Regente acedido as reclamações dos hebreus, que ia haver sinagoga pública em Lisboa, e que entre os proponentes do negócio da Índia se achavam judeus declarados, vindos de Roma por comissão do Padre Antônio Vieira, os inimigos dos cristãos novos romperam em protestos ruidosos. Alegava-se nos círculos da Inquisição em Lisboa que só das confiscações de bens relativas aos réus então nos cárceres prometia 500 mil cruzados, e para o futuro quantias superiores, para que pois a condenável transação com os hereges?&lt;br /&gt;Recrudesceu em Portugal a perseguição aos cristãos novos pelo Santo Oficio. Choviam as delações e acumulavam-se os presos nos cárceres. Nos últimos dias de julho de 1672 foram recolhidos à inquisição em Lisboa alguns dos mais graduados comerciantes da cidade.&lt;br /&gt;Já com 65 anos, Vieira sofria recidivas de seus achaques do tempo dos interrogatórios da Inquisição. Ausentou-se de Roma para se recuperar, em Albano, dos ferimentos sofridos em uma queda na escada de pedra da residência. O clima em Roma definitivamente o prejudicava na sua saúde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma delegação portuguesa chegada a Roma para tratar assuntos da Igreja e particularmente da Inquisição deu a conhecer a Vieira que o rei D. Pedro (Regente de 1668-1683, Rei 1683-1706) desejava que retornasse a Portugal. Vieira hesita. A insistência do Rei termina por convencê-lo a partir, embora receasse muito o que lhe poderia acontecer no seu retorno, por parte da Inquisição portuguesa, e por achar que nada poderia ajudar mais a seu país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Roma, insistiam em que ficasse. O Geral, que havia antes dissuadido Vieira de recorrer ao Papa contra a Inquisição portuguesa, por temer os estremecimentos que daí poderiam resultar, agora, cioso dos perigos que correria Vieira retornando a Portugal, quando foi decidido que regressaria, cuidou de lhe alcançar a imunidade contra o tribunal português.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em sua defesa Vieira apontava os defeitos do processo e os defeitos da sentença, esta lançada de modo a exagerar as aparências de culpa e relevar pouco o que poderia recomendar sua absolvição. Arrolou os maltratos que padecera: treze meses de detenção antes de ser pela primeira vez interrogado; não se lhe consentir em dizer missa, o que muitas vezes pedira, nem confessar-se e comungar, senão uma vez pela quaresma; extorquirem-lhe os papeis em que preparava a defesa, e recusarem-lhe livros inclusive a Bíblia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre as culpas que lhe apontaram os Inquisidores citou o memorial a favor dos cristãos novos de 1643; a criação, a esforços seus, da Companhia de comércio, de que resultou ser depois da morte excomungado D. João IV e todos aqueles que tomaram parte no conselho onde se resolveu a instituição, por Breve obtido sub-repticiamente do Santo Padre sem a declaração das pessoas atingidas; e a defesa da Companhia de Jesus no conflito com a Inquisição ocorrido em Évora, por ter dito na ocasião que "Os inquisidores viviam da fé e os jesuítas morriam por ela" . E dizia mais que haviam tomado como pretexto também a carta em que afirmava a crença na ressurreição de D. João IV e nos vaticínios do Bandarra demonstrando, quanto a esse último item, que a crença em Bandarra era quase geral e forte no seio da Igreja, porque muitas de suas previsões haviam se confirmado, e cita o memorial oferecido pelo Bispo do Porto, Nicolau Monteiro, ao Papa Urbano VIII no qual as profecias do Bandarra são invocadas como argumento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, por Breve de 17 de Abril de 1675, foi isento Vieira para sempre da jurisdição dos Inquisidores de Portugal e seus representantes, e sujeito unicamente à Congregação do Santo Ofício de Roma; conjuntamente absolvido de quaisquer censuras, interdito ou penas eclesiásticas em que se achasse incurso até então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name="Retorno_a_Portugal_e_à"&gt;&lt;/a&gt;Retorno a Portugal e à Bahia. Em maio Vieira deixou a capital romana onde fora durante seis anos admirado e prestigiado. No caminho foi hospede do Grão Duque em Florença; de lá se passou a Gênova e embarcou para Marselha de onde seguiu por terra para Toulouse e lá embarcou pelo rio Garona até Bordéus. A rainha da Inglaterra, a portuguesa Dona Catarina, o convidara para dali seguir para Londres, mas Vieira, por cansaço ou por pressa de chegar a Portugal, não atendeu ao convite, desembarcando em Lisboa em Agosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira permaneceu no reino por mais de cinco anos depois que, chamado pelo Príncipe, tornara a Lisboa. Em todo esse período somente uma vez pudera intervir de modo efetivo em negócios públicos, quando convocado em 1680 a participar na junta de Conselheiros do Estado e Ultramarino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a idade avançada, pensa em retornar a sua província no Brasil. Recebeu ainda um chamado da rainha Cristina, encaminhado pelo Geral da companhia, para que retornasse a sua corte em Roma, que recusou, alegando idade e as doenças. Hesitava entre retornar ao Maranhão ou à Bahia. Partiu a 27 de janeiro de 1681 na companhia de outros missionários que iam para a Bahia.&lt;br /&gt;Das primeiras notícias que recebeu de Portugal, chegado definitivamente ao Brasil, foi de uma troça de estudantes em Coimbra, simulando um auto de fé e que os estudantes e a ralé da cidade o queimaram em esfinge aos gritos de "Padre Vieira, vendido aos judeus".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não parece ter sido de tédio a vida de Vieira, após retornar ao Brasil. Logo que chegou, foi intenção sua viver retirado na quinta do Tanque, de propriedade dos Jesuítas nas vizinhanças da cidade. Seu propósito consagrar-se à ascese e à conclusão dos sermões, que ia reconstruindo de fragmentos e notas e da memória, e concluir outros trabalhos literários. Mas esse retiro não foi possível. Não podia desaparecer sem que a curiosidade o seguisse. Eram duques, marqueses, arcebispos, a solicitar aos irmãos jesuítas notícias de Vieira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo está a trocar assiduamente cartas com amigos na Europa, enquanto trabalha na revisão dos seus sermões. É também involuntariamente envolvido num incidente político desagradável, relativo a seu irmão que vivia na Bahia, Bernardo Vieira Ravasco, e um dos filhos deste, Gonçalo Ravasco. Foi o assassinato do Alcaide, tocaiado à luz do dia e morto perto do Colégio por oito mascarados que em seguida ao crime refugiaram-se na casa dos jesuítas. Lá estava escondido também o referido sobrinho de Vieira, Gonçalo Ravasco, por uma briga que tivera com um meirinho. Daqui nasceu dizer-se que o homicídio do alcaide fora planejado no interior da residência, em conciliábulo a que tinham assistido o filho e o irmão de Antônio Vieira, versão logo aceita pelos inimigos dos jesuítas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira tinha a intenção de reunir seus sermões em 12 volumes, e já publicara 7. O trabalho exigia grande aplicação porque a maior parte das prédicas estava em notas algo desordenadas. A coleção consta de sermões pregados em diferentes épocas, remontando a antes de 1640 na Bahia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com as rendas de seus sermões publicados Vieira se mantinha e também a um secretário, e o restante empregava em socorrer as necessidades dos índios nas missões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro que Vieira pensava seria sua grande obra, nunca saiu a lume: De regno Christi in terris consummato, ou por outro nome, Clavis prophetarum, em quatro livros. Era uma publicação aguardada com interesse. Meditada nos caminhos e rios da Amazônia, começada ao sair da Inquisição, continuada em Roma e Lisboa, era a ocupação em que mais tinha gosto. Por mais de trinta anos ele tinha burilado o texto, e continuava ainda a aprimorá-lo. Agora, perto de nonagenário, fisicamente inválido, possuía ainda clareza das idéias, a agudeza do verbo para concluí-la. Esta obra sumiu-se quase por completo, ficando apenas algumas copias mutiladas. Supõe-se que foi roubada por ocasião de sua morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tendo a rainha Dona Maria Francisca Isabel de Sabóia falecido, houve grandes homenagens na Bahia. Obedecendo a determinação ao Marques das Minas, o Padre Antonio Vieira fez um sermão, apesar da "falta de dentes e de voz e todos os outros achaques da velhice...", contou ele em carga de agosto de 1684 ao marquês de Gouveia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;D. Pedro II, que ainda não tinha herdeiros, casou-se novamente, em dezembro de 1686, com Dona Maria Sofia Isabel de Neuburgo, filha do Eleitor Palatino Filipe Guilherme de Neuburgo, que lhe deu cinco filhos. Mais tarde, além dos sermões antigos, de que ia sucessivamente mandando os volumes para publicação em Lisboa, preparou Vieira entre 1691 e 1693 um tomo de sermões de São Francisco Xavier, por encargo da nova Rainha, particularmente devota do apóstolo a Índia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adoentado, em 1969 Vieira suspendeu sua correspondência com seus admiradores. Repetir-se-ia o acidente de 1673 em Roma: aos 85 anos, já trôpego, caiu de noite por um lance de escada de pedra. Além de ficar molestado em todos os membros, por muito tempo não pode segurar a pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois anos depois saia da imprensa o undécimo volume de sua coleção dos Sermões, oferecido à rainha Dona Catarina. O último volume, o duodécimo, foi acabado no ano de sua morte, em 1697, A mesma nau em que viajou o manuscrito trouxe a Lisboa a nova de ter falecido o autor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name="Pensamento"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a name="Considerações_sobre_seu"&gt;&lt;/a&gt;Pensamento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira considerava-se filósofo, não só "filósofo natural", mas "filósofo cristão". Professor de retórica, compôs para seu uso um curso de filosofia. Seus conhecimentos de história e filosofia transparecem em milhares de comparações e metáforas nos seus sermões. Toda uma monografia seria pequena para considerar o que nos sermões de Vieira há de assuntos filosóficos.&lt;br /&gt;O pensamento de Vieira é genuinamente moderno, apesar de viver na época em que, não só em Portugal como em boa parte da Europa, ainda domina o aristotelismo e a filosofia escolástica ensinada pelos jesuítas, e apesar de ser ele mesmo um padre jesuíta. Para comentar suas idéias vamos utilizar os mesmos trechos selecionados por Ivan Lins como os mais significativos da sua obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name="Contra"&gt;Contra&lt;/a&gt; a lógica e a autoridade Aristotélicas. Rejeitava Vieira o princípio de autoridade própria da escolástica, sancionada pela Igreja e reforçada pelo poder real, para, em substituição, valorizar a experiência como caminho da certeza. No seu Primeiro Sermão da Terceira Dominga do Advento que demonstra claramente sua postura filosófica moderna, realçando o valor da experiência contra o vazio da especulação filosófica aristotélica dedutiva. Diz Vieira: "Nenhuma coisa houve mais assentada na Antigüidade, que ser inabitada a zona tórrida; e as razões com que os filósofos o provaram, eram ao parecer tão evidentes, que ninguém havia que o negasse." As viagens dos descobrimentos provaram ser errada a lógica dos aristotélicos, porque existiam de fato terras habitadas nos trópicos. A verdade foi provada pela experiência de buscar e de ver: "Descobriram, finalmente, os pilotos e marinheiros portugueses as costas da África e da América, e souberam mais e filosofaram melhor sobre um dia de vista que todos os sábios e filósofos do mundo em cinco mil anos de especulação".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propósito de sua postura filosófica, e para não deixar em ninguém qualquer dúvida de que Vieira se alinha com o pensamento dos filósofos modernos, basta ver a carga de acusações que lhe faz a Inquisição portuguesa, entre elas a de fazer uso de livros proibidos trazidos do estrangeiro. Ora, os livros proibidos em Portugal são principalmente os livros dos filósofos empiristas ingleses e de seus aderentes e comentaristas franceses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inclusive em seus erros Vieira está emparelhado aos filósofos de seu tempo, pois é uma característica do início da idade moderna a crença em certas forças ocultas, nas quais esses filósofos acreditavam e para cuja explicação queriam encontrar um caminho filosófico próprio, diferente tanto da superstição quanto de sua qualificação religiosa como forças demoníacas. Assim foi com Giordano Bruno, Campanella, e outros, não faltando sinais de propensões esotéricas no próprio Bacon e em Locke. Vieira parece tocado pelas profecias de Bandarra e as utilizou para o fim de inflamar o nacionalismo dos portugueses, e terá que explicar essa atitude aos seus inquisidores, no seu martírio perante o Santo Ofício. Sua crença nos malefícios dos cometas é a mesma que têm os grandes filósofos e matemáticos da época moderna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A respeito escreveu o opúsculo: Voz de Deus ao Mundo, a Portugal e à Bahia: Juízo do cometa que nela foi visto em 27 de outubro de l695 e continua até hoje, 9 de novembro do mesmo ano.&lt;br /&gt;Finalmente, a perseguição pela Inquisição é outro elemento identificador do filósofo moderno, pois o Santo Ofício está precisamente atento e contrário à filosofia moderna quanto a seus métodos, idéias e descobertas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desassombro de Vieira em defender a ordem prática, a liberdade de culto, o repatriamento dos judeus portugueses, tudo representa uma inimaginável revolução e um rompimento com o pensamento medieval que vai acontecer de fato somente mais de um século depois, e ainda assim apenas parcialmente, no governo de Pombal. Até lá a idéia de padroado e o absolutismo monárquico, o ensino jesuítico e a Inquisição manterão ao largo a ciência e a liberdade de pensamento, em Portugal e no Brasil. E Vieira já dizia, no Sermão da Sexta-feira da Quaresma, de 1662, em plena Capela Real:, numa velada crítica a São Tomás, o Doutor Angélico: "porque até entre os anjos pode haver variedade de opiniões, sem menoscabo de sua sabedoria, nem de sua santidade; e para que acabe de entender o mundo, que ainda que algumas opiniões sejam angélicas, nem por isso são menos angélicas as contrárias". Este Sermão é todo vazado em termos de aprovação da verdade, e contrário ao culto da autoridade, não importando quem fala, mas a verdade do que é dito. E no Sermão de São Pedro, de 1644, adverte: "Ora, desenganem-se os idólatras do tempo passado, que também no presente pode haver homens tão grandes como os que já foram, e ainda maiores".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira é um dos primeiros a assinalar com entusiasmo o valor das invenções modernas. Em seu História do Futuro admira-se do poder que a pólvora trouxe para a arte da guerra, e a bússola para a arte de navegar, e louva a invenção da imprensa, pela qual "a doutrina (a religião) e a ciência particular dos homens insignes se faz comum a todos em tão distantes lugares...".&lt;br /&gt;Está, sem dúvida muito a par do que escreve seu contemporâneo Descartes, um autor proibido, e com ele concorda aderindo claramente à posição dualista revolucionária daquele filósofo, inteiramente contrária à concepção tomista de unidade substancial do homem ao afirmar, no Sermão 27º. do Rosário", que o homem "é feito de duas peças, alma e corpo". Seu comentarista Ivan Lins também dá como inquestionável que Vieira tenha lido "Os Meteoros", de Descartes, o qual havia realizado experiências para reproduzir o arco-íris e descobrira que era apenas refração da luz e não milagre celeste em cada aparição nos céus. Vieira diz: "na Íris ou Arco celeste, todos os nossos olhos jurarão que estão vendo variedade de cores: e contudo ensina a verdadeira Filosofia que naquele Arco não há cores, senão luz e água".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name="Psicologia"&gt;&lt;/a&gt;Psicologia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A quantos ilustres filósofos e psicólogos não se antecipa Vieira ao afirmar, como faria pouco depois Pascal, que a razão tem razões que não lhe são próprias, mas que partem do coração? É o que ele diz no Sermão da Quinta Quarta-feira da Quaresma, de 1669: "E os erros dos homens não provêem apenas da ignorância, mas principalmente, da paixão. A paixão é a que erra, a paixão a que os engana, a paixão a que lhes perturba e troca as espécies para que vejam umas coisas por outras. Os olhos vêm pelo coração, e assim como quem vê por vidros de diversas cores, todas as coisas lhe parecem daquela cor, assim as vistas se tingem dos mesmos humores, de que estão, bem ou mal, afetos os corações". Um século depois Pascal teria falado assim, não fosse sua irresistível fascinação, tipicamente francesa, por cunhar frases de efeito, donde seu dito: "O coração tem razões que a própria razão desconhece"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na psicologia de Vieira encontramos também uma teoria sobre os sonhos em que os dá como realização dos desejos do indivíduo, deixando para &lt;a href="http://www.cobra.pages.nom.br/ecp-freud.html"&gt;Freud&lt;/a&gt; apenas acrescentar sua teoria dos símbolos oníricos. É verdade que Vieira inicia com a teoria inventada por Aristóteles, em que este se vale de analogia tipicamente desprovida de base experimental. Mas Vieira corrige seu curso terminando por afirmar, nos Sermões de São Francisco Xavier Dormindo: "Os sonhos são uma pintura muda, em que a imaginação a portas fechadas, e às escuras, retrata a vida e a alma de cada um, com as cores das suas ações, dos seus propósitos e dos seus desejos." E prossegue com grande riqueza de exemplos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name="História"&gt;&lt;/a&gt;História&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em sua História do Futuro advoga Vieira uma ciência da história, para que os historiadores se afastem os erros que cometem por culpa da paixão. "Quem quiser ver claramente a falsidade das histórias humanas, leia a mesma história por diferentes escritores, e verá como se encontram, se contradizem e se implicam no mesmo sucesso, sendo infalível que um só pode dizer a verdade e certo que nenhum a diz". No Discurso apologético - Palavra do Pregador empenhada e defendida, Vieira define a história como "aquele espelho em que olhando para o passado, se antevêem os futuros"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name="Raças"&gt;Raças&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tão aplaudida afirmação de Buffon, um século depois de Vieira, de que o clima influi nas raças determinando-lhes a cor da pele não representava nenhum risco para aquele cientista, ao contrário do perigo que representou para Vieira, um século antes, afirmar a mesma tese, contrária à tradição bíblica da maldição de Noé contra Cam e seus descendentes. Diz Vieira, em outro trecho do Sermão da Epifania pregado na Capela Real em 1662: "a causa da cor é o sol. As nações, umas são mais brancas, outras mais pretas, porque umas estão mais vizinhas, outras mais remotas do sol". E Vieira sabia de experiência, porque andou por onde Buffon nunca esteve.&lt;br /&gt;Vieira era também um defensor dos direitos humanos e pregou contra a exploração do negro e do índio, para grande aborrecimento dos colonos brancos no Brasil. Vários de seus discursos versam sobre a situação dos escravos africanos. Não se pode, é claro, saber quais sentimentos teria Vieira, colocando-se ao lado dos judeus e cristãos novos portugueses, porque tudo que lhe era permitido alegar, e ainda assim com grande risco para si como ficou provado, era um motivo patriótico. É verdade que seu envolvimento nos negócios do Estado abriram seus olhos para o vulto dos recursos exigidos para a restauração do reino, e os judeus representavam riqueza. No entanto, ele busca favorecer os judeus além do que os interesses econômicos requeriam que fizesse. Mostra nas reivindicações pelos judeus igual pertinácia e igual risco quanto teve na defesa dos índios do Maranhão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name="sistema"&gt;O sistema&lt;/a&gt; solar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na ambigüidade do seu Sermão da Primeira Dominga do Advento, pregado em 1652 na Capela Real, podemos ver o Vieira dividido entre aquilo que estava obrigado a dizer e aquilo em que realmente acreditava a respeito do Universo. Primeiro, negando, ele diz: "Copérnico, insigne matemático do próximo século, inventou um novo sistema do mundo, em que demonstrou ou quis demonstrar (posto que erradamente), que não era o sol o que se movia e rodeava o mundo, senão que esta mesma terra em que vivemos, sem nós o sentirmos, é a que se move, e anda sempre à roda. De sorte que, quando a terra dá meia volta, então descobre o sol, e dizemos que nasce, e quando acaba de dar a outra meia volta, então lhe desaparece o sol, e dizemos que se põe." E continua, agora com fé: "E a maravilha deste novo invento, é que na suposição dele corre todo o governo do universo, e as proporções dos astros e medidas dos tempos, com a mesma pontualidade e certeza com que até agora se tinham observado e estabelecido na suposição contrária."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste campo Vieira também conhece a dúvida que surge na primeira metade da idade moderna com respeito ao que existe entre os objetos e a mente, ou o que existe no espaço entre os astros, dado que, se o vácuo existe, então seria forçoso admitir que todas as forças e impressões se dão por um poder de influência à distância, sem nada a permear entre os objetos e os sentidos. Esta questão, ainda hoje mal resolvida, tem uma alusão no Sermão da Terceira Quarta-feira da Quaresma, pregado na Capela Real em 1670, onde Vieira diz: "Admirável é a diligência e cuidado que a natureza põe em impedir o vácuo, e que em todo o universo não haja lugar vazio".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name="Disputatio"&gt;Disputatio&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser um filósofo moderno não erradicou do vocabulário de Vieira os jargões da escolástica nem o tirou-lhe o gosto pelas disputas com que os professores jesuítas buscavam aguçar a inteligência dos jovens discípulos. No Sermão do Rosário Vieira é o velho racionalista, e se propõe um questão daquelas insolúveis, tão a propósito para os jogos dialéticos: "Perguntam os filósofos se Deus pode fazer tudo quanto pode? Uns negam, outros afirmam, e uns e outros se implicam. Porque depois de Deus fazer tudo o que pode, ou pode fazer mais alguma coisa ou não? Se não pode, deixou de ser Deus, porque não há Deus sem onipotência. E se pode, segue-se que aquilo que fez, não era tudo", não e perfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra manifestação desse gosto pelas disputas é a citada participação sua no torneio filosófico havido nos salões do palácio da &lt;a href="http://www.cobra.pages.nom.br/fe-cristina.html"&gt;Rainha Cristina&lt;/a&gt;, em Roma. No desafio, o Padre Jesuíta Jerônimo Cataneo defendeu a posição de Demócrito com respeito à avaliação da vida, enquanto Vieira defendeu a posição de Heráclito. Demócrito ria sempre e Heráclito, chorava. Diz, mais ou menos, "Se no paraíso estava ociosa a potência do chorar, na miséria de hoje está ociosa a potência do rir". Considerando a maldade do homem diz que ao certo o homem deveria chorar a respeito de sua própria maldade, mas então dá-se um paradoxo: Se não chora, mostra que não é racional: e se ri da sua própria maldade, é uma fera, mostra que também os irracionais, as feras, riem. (Sermões, Porto, 1909, vol. XV, p. 399)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(&lt;em&gt;Rubem Queiroz Cobra , Doutor em Geologia e bacharel em Filosofia, &lt;/em&gt; Site original:www.cobra.pages.nom.br)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-8799603485463375495?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/8799603485463375495/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=8799603485463375495&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/8799603485463375495'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/8799603485463375495'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/02/vieira-vida-poca-filosofia-e-obras.html' title='Vieira - vida, época, filosofia e obras'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-7855778161389380885</id><published>2008-02-22T19:10:00.000-03:00</published><updated>2008-02-22T19:13:09.692-03:00</updated><title type='text'>António Vieira na Wikipedia</title><content type='html'>António Vieira ou Antônio Vieira (Lisboa, 6 de fevereiro de 1608 — Bahia, 17 de junho de 1697) foi um religioso, escritor e orador português da Companhia de Jesus. Um dos mais influentes personagens do século XVII em termos de política, destacou-se como missionário em terras brasileiras. Nesta qualidade, defendeu infatigavelmente os direitos humanos dos povos indígenas combatendo a sua exploração e escravização. Era por eles chamado de "Paiaçu" (Grande Padre/Pai, em tupi).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;António Vieira defendeu também os judeus, a abolição da distinção entre cristãos-novos (judeus convertidos, perseguidos à época pela Inquisição) e cristãos-velhos (os católicos tradicionais), e a abolição da escravatura. Criticou ainda severamente os sacerdotes da sua época e a própria Inquisição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na literatura, seus sermões possuem considerável importância no barroco brasileiro e as universidades frequentemente exigem sua leitura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Biografia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nascido em lar humilde, e mulato, na Rua do Cónego, perto da Sé, em Lisboa. Seu pai serviu a Marinha Portuguesa e foi, por dois anos, escrivão da Inquisição, tendo mudado-se para o Brasil em 1609, para assumir cargo de escrivão em Salvador, na capitania da Bahia. Em 1614 mandou vir a família para o Brasil. António Vieira tinha seis anos. Aplica-se-lhe a frase que ele mesmo escreveu: "os portugueses têm um pequeno país para berço e o mundo todo para morrerem."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estudou na única escola da Bahia: o Colégio dos Jesuítas em Salvador. Consta que não era um bom aluno no começo, mas depois tornou-se brilhante. Juntou-se à Companhia de Jesus com voto de noviço em maio de 1623. Obteve o mestrado em Artes e foi professor de Humanidades, ordenando-se sacerdote em 1634.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1624, quando da Invasão Holandesa de Salvador, refugiou-se no interior, onde se iniciou a sua vocação missionária. Um ano depois tomou os votos de castidade, pobreza e obediência, abandonando o noviciado. Não partiu para a vida missionária. Estudou muito além da Teologia: Lógica, Física, Metafísica, Matemática e Economia. Em 1634, após ter sido professor de retórica em Olinda, foi ordenado e em 1638 já ensinava Teologia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando da segunda invasão holandesa ao Nordeste do Brasil (1630-1654), defendeu que Portugal entregasse a região aos Países Baixos, pois gastava dez vezes mais com sua manutenção e defesa do que o que obtinha em contrapartida, além do facto de que os Países Baixos eram um inimigo militarmente muito superior na época. Quando eclodiu uma disputa entre Dominicanos (membros da inquisição) e Jesuítas (catequistas), Vieira, defensor dos judeus, caiu em desgraça, enfraquecido pela derrota de sua posição quanto à questão do Nordeste do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Portugal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após a Restauração da Independência em (1640), em 1641, iniciou a carreira diplomática pois integrou a missão que veio a Portugal prestar obediência ao novo monarca. Impondo-se pela viveza de espírito e como orador, foi nomeado pelo rei pregador régio. Em 1646 foi enviado à Holanda no ano seguinte à França, com encargos diplomáticos. Era embaixador (o pai, antes pobre, foi nomeado pensionista real) para negociar com os Países Baixos a devolução do Nordeste. Caloroso adepto de obter para a coroa a ajuda financeira dos cristãos-novos, entrou em conflito com a Inquisição mas viu fundada a Companhia de Comércio do Brasil&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil, outra vez&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O povo de Portugal não gostava de suas pregações em favor dos judeus. Após tempos conturbados acabou voltando ao Brasil, de 1652 a 1661, missionário no Maranhão e no Grão-Pará, sempre defendendo a liberdade dos índios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz o Padre Serafim Leite em "Novas Cartas Jesuíticas", Companhia Editora Nacional, São Paulo, 1940, página 12, que Vieira tem "para o norte do Brasil, de formação tardia, só no século XVII, papel idêntico ao dos primeiros jesuitas no centro e no sul», na «defesa dos Indios e crítica de costumes". "Manoel da Nóbrega e António Vieira são, efectivamente, os mais altos representantes, no Brasil, do criticismo colonial. Viam justo - e clamavam!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Portugal, outra vez&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltou para a Europa com a morte de D. João IV, tornando-se confessor da Regente, D. Luísa de Gusmão. Com a morte de D. Afonso VI, Vieira não encontrou apoio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraçou a profecia sebástica e por isso entrou de novo em conflito com a Inquisição que o acusou de heresia com base numa carta de 1659 ao bispo do Japão, na qual expunha sua teoria do Quinto Império, segundo a qual Portugal estaria predestinado a ser a cabeça de um grande império do futuro. Expulso de Lisboa, desterrado e encarcerado no Porto e depois encarcerado em Coimbra, enquanto os jesuítas perdiam seus privilégios. Em 1667 foi condenado a internamento e proibido de pregar, mas, seis meses depois, a pena foi anulada. Com a regência de D. Pedro, futuro D. Pedro II de Portugal, recuperou o valimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Roma&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguiu para Roma, de 1669 a 1675. Encontrou o Papa à morte, mas deslumbrou a Cúria com seus discursos e sermões. Com apoios poderosos, renovou a luta contra a Inquisição, cuja atuação considerava nefasta para o equilíbrio da sociedade portuguesa. Obteve um breve pontifício que o tornava apenas dependente do Tribunal romano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Portugal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regressou a Lisboa seguro de não ser mais importunado. Quando, em 1671, uma nova expulsão dos judeus foi promovida, novamente os defendeu. Mas o Príncipe Regente passara a protetor do Santo Ofício e o recebeu friamente. Em 1675, absolvido pela Inquisição, voltou para Lisboa por ordem de D. Pedro, mas afastou-se dos negócios públicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil, pela última vez&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidiu voltar outra vez para o Brasil, em 1681. Dedicou-se à tarefa de continuar a coligir seus escritos, visando à edição completa em 16 volumes dos seus Sermões, iniciada em 1679, e à conclusão da Clavis Prophetarum. Possuía cerca de 500 Cartas que foram publicadas em 3 volumes. Suas obras começaram a ser publicadas na Europa, onde foram elogiadas até pela Inquisição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já velho e doente, teve que espalhar circulares sobre a sua saúde para poder manter em dia a sua vasta correspondência. Em 1694, já não conseguia escrever de próprio punho. Em 10 de junho começou a agonia, perdeu a voz, silenciaram-se seus discursos. Morre a 17 de Junho de 1697, com 89 anos, na cidade de Salvador, Bahia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixou obra complexa que exprime suas opiniões políticas, sendo não propriamente um escritor e sim um orador. Além dos Sermões redigiu o Clavis Prophetarum, livro de profecias que nunca concluiu. Entre os inúmeros sermões, alguns dos mais célebres: o "Sermão da Quinta Dominga da Quaresma", o "Sermão da Sexagésima", o "Sermão pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal contra as de Holanda", o "Sermão do Bom Ladrão","Sermão de Santo António aos Peixes" entre outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lendas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem muitas lendas sobre o padre António Vieira, incluindo a que afirma que, na juventude, a sua genialidade lhe fora concedida por Nossa Senhora, e a que, uma vez, um anjo lhe indicou o caminho de volta à escola quando estava perdido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-7855778161389380885?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/7855778161389380885/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=7855778161389380885&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/7855778161389380885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/7855778161389380885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/02/antnio-vieira-na-wikipedia.html' title='António Vieira na Wikipedia'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-3685765227269104956</id><published>2008-02-22T19:05:00.000-03:00</published><updated>2008-02-22T19:06:23.685-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_vHfhEO08cCE/R79HTp5zwYI/AAAAAAAAE0M/sXdk2ClpvPg/s1600-h/Vieira+Livro+Vida.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp2.blogger.com/_vHfhEO08cCE/R79HTp5zwYI/AAAAAAAAE0M/sXdk2ClpvPg/s400/Vieira+Livro+Vida.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5169929300236026242" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-3685765227269104956?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/3685765227269104956/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=3685765227269104956&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/3685765227269104956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/3685765227269104956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/02/blog-post_22.html' title=''/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_vHfhEO08cCE/R79HTp5zwYI/AAAAAAAAE0M/sXdk2ClpvPg/s72-c/Vieira+Livro+Vida.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-8355305415314238882</id><published>2008-02-22T18:54:00.002-03:00</published><updated>2008-02-22T19:02:44.864-03:00</updated><title type='text'>Padre António Vieira - por Orlando Neves</title><content type='html'>NESTE MUNDO HÁ MUITAS MISÉRIAS QUE NÃO SÃO IGNORÂNCIAS, E NÃO HÁ IGNORÂNCIA QUE NÃO SEJA MISÉRIA...NESTE MUNDO HÁ MUITAS MISÉRIAS QUE NÃO SÃO IGNORÂNCIAS, E NÃO HÁ IGNORÂNCIA QUE NÃO SEJA MISÉRIA...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;QUANDO TUDO ACONTECEU...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1608: A 6 de Fevereiro, nasce em Lisboa António Vieira. – 1614: Aos 6 anos parte para o Brasil, com família; seu pai fora nomeado escrivão da Relação na Baía. – 1623: Aluno do Colégio dos Jesuítas na Baía, sente vocação religiosa. – 1624: Os holandeses ocupam a cidade; os jesuítas, com Vieira, refugiam-se numa aldeia do sertão. – 1633: Prega pela primeira vez. – 1635: É ordenado sacerdote, é Mestre em Artes e exerce a função de pregador. 1638: Pronuncia nos anos seguintes alguns dos seus mais notáveis Sermões. – 1641: Parte para Portugal na embaixada de fidelidade ao novo rei; é preso em Peniche no desembarque; torna-se amigo e confidente de D. João IV. – 1642: Prega na Capela Real; publica um sermão avulso. – 1643: Na "Proposta a El-Rei D. João IV "declara-se favorável aos cristãos novos e apresenta um plano de recuperação económica. – 1644: Nomeado pregador régio. – 1646: Inicia actividade diplomática indo à Holanda. – 1647: Vai a França e fala com Mazarino. – 1648: Emite um parecer sobre a compra de Pernambuco aos holandeses; defende a criação da província do Alentejo. – 1649: É ameaçado de expulsão da Ordem dos Jesuítas, mas D. João IV opõe-se. – 1650: Vai a Roma, para contratar o casamento de D. Teodósio. – 1652: Parte para o Brasil como missionário no Maranhão. – 1654: Sermão de Santo António aos peixes; embarca para Lisboa a fim de obter novas leis favoráveis aos índios. - 1655: Prega na capital, entre outros, o Sermão da Sexagésima; regressa ao Maranhão com as novas leis. – 1659: Escreve Esperanças de Portugal - V Império do mundo. – 1661: É expulso, com os outros jesuítas, do Maranhão, pelos colonos. – 1662: Golpe palaciano que entrega o governo a D. Afonso VI; desterro no Porto. – 1663: Desterro para Coimbra; depõe no Santo Ofício sobre a sua obra Esperanças de Portugal. – 1664: Escreve a História do Futuro; adoece gravemente. – 1665: É preso pela Inquisição, depois mantido em custódia. – 1666: Entrega a sua defesa ao Tribunal; é interrogado inúmeras vezes. – 1667: É lida a sentença que o priva da liberdade de pregar; D. Afonso VI é afastado do trono. – 1668: É mantido em custódia em Lisboa; pazes com Castela; é amnistiado, mas impedido de falar ou escrever sobre certas matérias. - 1669 - Chega a Roma, prega vários Sermões que lhe dão grande notoriedade na Corte Pontifícia e na da Rainha Cristina; combate os métodos da Inquisição em Portugal; defende novamente os cristãos novos. – 1675: Breve do Papa que louva Vieira e o isenta da Inquisição; regressa a Lisboa. – 1679: Sai o primeiro volume dos Sermões; recusa o convite da Rainha Cristina para seu confessor. – 1681: Volta à Baía e aos trabalhos de evangelização. – 1683: Intervém activamente na defesa de seu irmão, Bernardo. – 1688: É nomeado Visitador Geral dos Jesuítas no Brasil. – 1691: Resigna ao cargo por força da idade e da falta de saúde. – 1697: Morre na Baía, a 18 de Julho, com 89 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CRISTINA E OS PREGADORES &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;"Demócrito ria, porque todas as coisas humanas lhe pareciam ignorâncias; Heraclito chorava, porque todas lhe pareciam misérias: logo maior razão tinha Heraclito de chorar, que Demócrito de rir; porque neste mundo há muitas misérias que não são ignorâncias, e não há ignorância que não seja miséria".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristina sente vontade de aplaudir a tirada oratória que acaba de escutar. Não o faz porque quer manter o tom algo solene da reunião que ela própria provocou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;António Vieira prossegue o discurso, inflamado e lógico. Ouve-o atentamente, um colega jesuíta, o padre Jerónimo Catâneo. Poucos minutos antes, este defendera o riso de Demócrito perante os males do mundo - agora, Vieira, defende o pranto e as lágrimas de Heraclito perante os mesmos males.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ambos tinham sido desafiados por Cristina Alexandra - um advogaria o riso, outro o choro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O salão está repleto de personalidades convocadas pela ex-rainha da Suécia para ouvirem os dois renomados oradores sagrados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos em 1674. Há cerca de 20 anos, Cristina vive em Roma depois de ter abdicado do trono sueco e de se converter ao catolicismo. O seu palácio é um pólo de atracção de artistas, intelectuais e religiosos. Tal como acontecera em Estocolmo, a rainha, dotada de grande inteligência e cultura, a que se junta uma personalidade misteriosa e controversa, continua em Roma a rodear-se das figuras mais célebres da Europa, uma das quais fora Descartes falecido, em 1650, durante a sua estada na corte nórdica. A mesma rainha que, em 1641, acolheu uma embaixada de D. João IV que tratou de modo afável, reconhecendo o rei que em 1640 subira ao trono, depois de afastar os Filipes de Espanha. ( O povo português mantém, ainda hoje, uma expressão popular, "dar vivas à Cristina" que encontra a sua origem no entusiasmo com que recebeu o beneplácito da rainha ao novo rei ).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;António Vieira está na cidade desde 1669 e a sua fama de pregador chega aos ouvidos de Cristina da Suécia. Na época, António Vieira prega em italiano, a rainha escuta alguns dos seus sermões e convida-o para seu pregador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;António Vieira recusa o convite. Porque, diz, é pregador do seu rei. E porque o que o trouxe a Roma não está completado, apesar dos cinco anos que leva de permanência. Mas, no ano seguinte, consegue, junto da Curia Romana, o seu objectivo. De imediato, volta a Portugal.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O PRIMEIRO NAUFRÁGIO &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O pequeno António refugia-se nos braços da mãe. Vai agoniado. A caravela que transporta a sua família em direcção a S. Salvador da Baía no Brasil, balouça descontrolada na violência tempestuosa do mar. A bordo, como era comum na época, as condições são péssimas. Mal se dorme, tal a quantidade de parasitas de todo o género de que o barco está infestado. Mesmo na coberta os ratos disputam ruidosas correrias, enfiando-se nos espaços mais ínfimos. A água doce já está imprópria para consumo, sai verde e com cheiro nauseabundo. O peixe em salmoura e as carnes salgadas com que todos se alimentam estão prestes a apodrecer. Quase diariamente, a caravela é abalada pela movimentação dos marinheiros e das velas, tentando escapar à perseguição dos piratas holandeses. Não há a menor privacidade - passageiros e tripulação amontoam-se nos exíguos espaços disponíveis. E a viagem é longa, aproximadamente dois meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já à vista da costa brasileira a embarcação estremece fortemente da popa à proa, tudo se parte no seu interior, o cavername parece ir despedaçar-se. É uma noite negra, povoada de faíscas e trovões, o mar revolta-se, os passageiros choram e gritam, acendem-se lanternas no negrume, o capitão dá ordens tonitruantes, nos porões os homens procuram detectar algum rombo. A caravela está encalhada nos baixios arenosos e vai adornando para estibordo. Pensa-se no pior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na manhã seguinte, o pequeno António solta-se da mãe. Quer ver tudo, saber como se safará a caravela. O dia amanhece com o sol em brasa, vêem--se, em frente, as florestas brasileiras, banhadas de luz dourada. Um batel puxado por remadores, consegue desencalhar o barco. Enfunadas as velas, dirige-se para o Sul e nos fins de Janeiro de 1615 aporta à Baía.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É aí que vai desembarcar a família Ravasco. O pai, Cristóvão Ravasco, a mãe Maria de Azevedo e os dois filhos, António de seis anos e o irmão mais novo, Bernardo. Tinham saído de Lisboa a 16 de Dezembro de 1614.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O futuro Padre António Vieira jamais esquecerá esta viagem penosa. Ora no sentido Portugal-Brasil, ora no de Brasil-Portugal, fá-la-á mais vezes e, praticamente em todas elas, sofrerá um naufrágio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A VOCAÇÃO &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A 6 de Fevereiro de 1608 nasce António Vieira, na freguesia da Sé, em Lisboa. O pai, de origem modesta, provavelmente com ascendência africana, é destacado como funcionário para a Relação da Baía. Melhorava de vida e fugia à opressão filipina. António é baptizado na Sé, segundo parece na mesma pia baptismal em que o fora Fernando Bulhões, o famoso Santo António de Lisboa, por quem o futuro pregador jesuíta sempre manifestará grande admiração e devoção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo à chegada à Baía, António é atacado de uma doença tropical e fica às portas da morte. Por milagre de Santo António ou da Senhora das Maravilhas, venerada na Sé da Baía, salva-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na cidade e em todo o Brasil tem fama o Colégio da Companhia de Jesus. É nele que Cristóvão Ravasco inscreve o filho. Submetido à dura disciplina jesuíta, António não teve os pequenos prazeres da infância. Os educadores, de breviário e palmatória nas mãos, impuseram-lhe um tempo sombrio, acrescentado das constantes orações e do estudo forçado em silêncio absoluto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, no percurso de casa para o colégio, o jovem vai contactando com a realidade efervescente de uma cidade em plena expansão. É assim que vê os índios escravos, em plena rua, carregando e descarregando fardos, sob o chicote dos capatazes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi, de início, aluno brilhante. De compleição frágil, pálido, magro, grandes olhos, nariz fino, não se sente talhado para intensos esforços escolares. É, porém, de temperamento enérgico, tenaz. E, subitamente, por volta dos catorze anos, os jesuítas começam a descobrir-lhe a inteligência, a inesperada queda para escrever bem português, a facilidade com que domina o latim. Revela-se, igualmente um crente fervoroso, jejua todos os dias, reza, comunga, mas não se excede em fanatismos - conhece, todavia, em grau elevado as Escrituras, sobretudo as partes referentes aos Profetas que lhe suscitam enorme atracção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos quinze anos, segundo ele próprio escreve, após ouvir um Sermão em que o pregador evoca as penas do inferno, sente-se tocado pela vocação. Quer professar, ser jesuíta. Opõe-se o pai, com veemência. Mas a 5 de Maio de 1623 foge de casa e pede asilo aos padres da Companhia de Jesus. Cristóvão Ravasco resiste quanto pode - mas não pode contrariar a autoridade e força dos jesuítas. Cede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;António Vieira redobra o seu interesse pelos estudos, passa a ser o melhor aluno em todas as disciplinas. Aos dezasseis anos encarregam-no de redigir em latim o relatório anual da província jesuíta que deverá ser enviado ao Geral da Companhia. Aos dezoito anos é nomeado professor de retórica no Colégio de Olinda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não são estes os sonhos do jovem. Mais do que para a reflexão, sente-se tocado pelo desejo de acção: quer ser pregador, missionário, apóstolo, converter os incrédulos, combater o erro e trazer para a fé católica os índios do interior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em princípios de 1624 os holandeses atacam a Baía, tomam-na, saqueiam a cidade, violam as mulheres indígenas. Os brancos fogem para o sertão. Os jesuítas fazem o mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eis António Vieira numa aldeia, em contacto directo com os índios, aprendendo-lhes as línguas, conhecendo-lhes os costumes, admirando o modo de vida, colocando-se a seu lado para os defender de todos os vilipêndios, torturas e humilhações. Está onde sempre desejou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ver-se-á que esta vocação juvenil se manterá por toda a vida. Mas, durante dezenas de anos, o apelo da acção, da intervenção no mundo, sofrerá uma radical mudança de rumo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ÊXITOS E FRACASSOS NA POLÍTICA &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;António Vieira propõe que Portugal "compre" Pernambuco. Entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo? Consulta a Tábua Cronológica.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Uma assuada tremenda do povo de Peniche espera a caravela que traz António Vieira a Portugal. Tem 33 anos quando regressa à terra natal. É um homem razoavelmente alto, magro e pálido, flexível e nervoso, cabelo, olhos e barba escuros, fronte ampla, lábio grosso, que irradia segurança e afabilidade. Porque está de novo na metrópole, 27 anos depois de ter embarcado para o Brasil? Porque é recebido em Peniche por um autêntico motim? Esteve prestes a ser ferido pela multidão colérica. Consegue, todavia, refugiar-se na Casa da Companhia. De resto, a aportagem a Peniche foi um desvio de rota da embarcação, assaltada por uma tempestade que a obriga a afastar-se do Tejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;António Vieira é, nesse ano, de 1641, um prestigiado jesuíta, pregador popular no Brasil, missionário apaixonado e amado pelos índios da aldeia do Espírito Santo. Disse a primeira missa em 1635, é irmão professo da sua Ordem, mestre de Teologia no Colégio de S. Salvador, lutador contra os sucessivos ataques dos holandeses às possessões portuguesas no Brasil, célebre por um sermão proferido na Baía, contra Deus, que abandonara os católicos para se pôr ao lado dos hereges neerlandeses - uma das suas mais extraordinárias orações (Sermão pela vitória das nossas armas contra a Holanda).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A 15 de Fevereiro de 1641 chega à Baía uma caravela que traz a espantosa notícia: a 1 de Dezembro do ano anterior a dinastia filipina fora apeada, D. João IV era o monarca de um Portugal restaurado. O então vice-rei do Brasil, D. Jorge de Mascarenhas, marquês de Montalvão, acolhe a informação com entusiasmo, adere ao novo rei, coloca a colónia sob a autoridade do Restaurador. Não sabe, ainda, o marquês que, em Portugal, dois dos seus filhos se posicionam contra D. João IV, passam para o lado espanhol, a sua própria mãe é aprisionada no Castelo de Arraiolos. Um outro filho do vice-rei está no Brasil, ao lado do pai. Conhecida a adesão em todo o território ao novo regime, o marquês decide enviar a Lisboa esse filho para garantir ao rei a fidelidade. A comitiva de D. Fernando Mascarenhas é constituída pelos dois jesuítas mais considerados: Simão de Vasconcelos e António Vieira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a caravela, desconjuntada pelo temporal, arriba a Peniche, a população apenas sabe que nela viaja um filho do vice-rei. Tomando-o como conivente com os irmãos recebe-o em tumulto e só a autoridade do conde de Atouguia, comandante da praça e um dos conjurados de 1640, evita que D. Fernando e os dois jesuítas sejam linchados pela turba enfurecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois dias depois, António Vieira está em Lisboa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por essa altura, a actividade diplomática de Portugal no exterior não cessa. D. João IV envia embaixadores pela Europa para obter reconhecimento e apoios na guerra que trava contra os espanhóis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira que, a pouco a pouco, se torna íntimo do rei, francamente cativado pela personalidade do jesuíta, profere alguns sermões que lhe granjeiam em Lisboa a mesma fama que alcançara no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1642, D. João IV alarmado pelas enormes despesas da guerra, decide lançar novos impostos. Levanta-se enorme querela: as classes populares exigem que a nobreza e o clero contribuam em igual proporção. A discussão era acalorada e o problema parecia não se resolver. Lembra-se o rei da capacidade oratória de Vieira. Convida-o a proferir um sermão em que o padre abordasse a questão dos tributos. António profere uma notável prédica, um dos sermões de Santo António, na Igreja das Chagas de Lisboa. Nele desenvolve uma brilhante teoria sobre os impostos e apazigua o conflito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desse momento em diante, o filho de Cristóvão Ravasco estará por detrás das decisões reais. A sua vasta cultura permite-lhe opinar sobre tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andava a guerra com Espanha por maus caminhos, envolta em contradições estratégicas. Aí temos António Vieira, a rogo do rei, a emitir um parecer puramente militar: a doutrina sensata para conduzir as operações devia ser a guerra defensiva "porque primeiro se deve assegurar a conservação do próprio, e depois, se for conveniente, se poderá conquistar o alheio". Para ele uma guerra ofensiva seria desastrosa. Assim se fez e talvez se deva a este conselho a vitória nas hostilidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira quer repor Portugal na sua antiga grandeza. O rei nomeia-o pregador régio. O jesuíta torna-se o seu homem de confiança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tardará muito que o padre gize para Portugal um plano de recuperação económica. Era urgente o desenvolvimento do comércio. Há que isentar de impostos os bens móveis dos comerciantes; há que fundar um banco comercial e duas companhias comerciais, tal como já tinham feito os holandeses; há que abrir o comércio às nações neutrais ou amigas; há que agraciar os comerciantes com títulos de nobreza, entre outras medidas, avançadas para o tempo português.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a principal proposta, que lhe vai valer ódios, era a de se abolirem as distinções entre cristãos velhos e cristãos novos e de atraírem a Portugal os capitais dos judeus fugidos do país. Para tal, teria de se reformar a Inquisição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta teoria mercantilista de instalação de um sistema económico baseado na burguesia capitalista agrada ao rei. Mas é combatida pela nobreza, receosa da perda de privilégios e pelas duas ordens religiosas mais importantes. Os dominicanos jamais aceitariam a aproximação aos hebreus - perderiam as suas principais vítimas nas prisões inquisitoriais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os próprios jesuítas vão opor-se a Vieira. Primeiro porque ele obtivera, por si só, o valimento do rei, sem nisso envolver a congregação; depois porque as teorias do padre, a serem confirmadas pelos seus confrades, concitariam o furor da Inquisição contra a ordem de Inácio de Loyola. Ordenam-lhe, em 1644, que regresse ao Brasil. O rei impede que a ordem se cumpra. Ameaçam-no com a expulsão, o que seria colocá-lo nas mãos do Santo Ofício. De novo, o rei se opõe e oferece a Vieira um bispado. Recusa-o. Ele é, diz, um humilde membro da Companhia de Jesus e assim quer morrer. Por um momento, para não desagradar ao monarca a Companhia suspende a expulsão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Inquisição, porém, vai segui-lo, obstinadamente, até o apanhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;António Vieira continuará a defender os cristãos novos, no púlpito, em memoriais que entrega ao rei. O seu plano económico teve de ser minimizado: apenas se constituiu a Companhia de Comércio do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1646, D. João IV envia-o, secretamente, a França e à Holanda. O apoio dos gauleses na guerra com a Espanha era insuficiente e o da Holanda, pérfido. De facto, no Brasil, os holandeses continuavam os ataques para ocuparem as posições portuguesas. São más as notícias que Vieira traz: em França governa o cardeal Mazarino cuja visão tímida atrasa os auxílios, com receio de Castela; na Holanda, o apoio joga-se a troco de cedências no Brasil, sobretudo Pernambuco. Vieira contacta os riquíssimos comerciantes judeus, descendentes dos que D. Manuel expulsara. Mostram-se interessados no investimento comercial. Mas em Portugal a Inquisição mantém a perseguição aos cristãos novos, com redobrado furor. Entretanto, em Vestefália a Holanda e Castela assinam um tratado de paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;António Vieira regressa a Portugal em 1648, depois de declinar a nomeação para embaixador na Haia. Comete, logo a seguir, um grande erro. Num documento que apresentou ao rei, elaborado de forma tão bem deduzida e argumentada que ficou conhecido como papel forte, propõe que Portugal compre Pernambuco aos holandeses. O jesuíta, que tão bem conhecia o Brasil, os colonos e os nativos, não acreditou na sua capacidade de resistência aos invasores, o que veio a acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estado da guerra com Castela atinge um ponto crítico. As armas portuguesas estão debilitadas. Receia-se uma invasão maciça pelo Alentejo. Teme-se o colapso do exército português. Mais uma vez, D. João IV recorre a Vieira. Só uma acção diplomática poderá pôr termo à contenda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É então que o jesuíta, fértil de imaginação, vai engendrar um plano mirabolante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O QUINTO IMPÉRIO &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Há muito António Vieira escreve em segredo um livro sobre o V Império, inspirado pelas profecias bíblicas, mas em que o Bandarra se integra, tal o apreço em que Vieira o tem. O velho sonho: dar a Portugal a sua grandeza antiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estudando profundamente as Escrituras e todos os Santos que falam do imperador que Jesus prometera à Igreja, o jesuíta está firmemente convencido que o V Império só pode ser português (os anteriores tinham sido o dos assírios, o dos persas, o dos gregos e o dos romanos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Baseado nas palavras de Jesus ao rei Afonso Henriques na batalha de Ourique (na época, uma verdade incontestada), "quero em ti e na tua geração criar um império para mim", António Vieira crê que o rei escolhido é o Encoberto, até aí D. Sebastião. Perdida essa esperança, o pregador interpreta a linguagem vaga e esotérica das profecias para concluir que esse rei é agora D. João IV. O Quinto Império seria de ordem temporal e espiritual. Em ambos os campos, Portugal seria o guia para que se extirpassem as seitas infiéis, se reformasse a cristandade, se estabelecesse a paz em todo o mundo, através de um Sumo Pontífice santíssimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta construção ideal de António Vieira, prodígio imaginativo e delirante, começaria a tornar-se realidade se o príncipe herdeiro português casasse com a herdeira do trono castelhano. Iniciar-se-ia o Império, com Castela e Portugal sob o mesmo rei. Com novas e confusas efabulações António Vieira transfere o Encoberto para o príncipe D. Teodósio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rei é seduzido pelo plano. Envia Vieira a Roma para os primeiros contactos com o embaixador espanhol na cidade papal. Mas o diplomata não rejubila com a proposta. Vê nela um ardil que desconhece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Conde-duque de Olivares que governa Espanha fica, igualmente de pé atrás. Sabe que Vieira, nos anos anteriores andara por França e Holanda a intrigar contra os castelhanos. A sua visão curta não detecta o ponto fraco do plano português: obviamente, a aliança colocaria Portugal na dependência de Espanha, tal a diferença de poderio entre as duas nações. Pensa que a proposta revela a fraqueza das armas portuguesas e decide usar a força para derrubar D. João IV. Saiu-se mal, como o provou a História.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Vieira levava uma missão sigilosa: apoiar os napolitanos, então sob o domínio de Castela, na sua revolta. O embaixador espanhol descobre a intenção e manda matar o jesuíta que escapa à morte por ter sido avisado a tempo. O plano falhava totalmente. Regressa a Portugal em 1649 - o ano em que o padre jesuíta Martim Leitão o denuncia à Inquisição, pela primeira vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Lisboa, os muitos inimigos de Vieira conspiram contra ele junto do rei já desagradado com a falta de previsão no caso de Pernambuco e agora com o malogro do casamento. Aparentemente, porém, as relações entre D. João IV e Vieira mantém-se inalteráveis. Até que, em Novembro de 1651, D. Teodósio, de quem o padre era preceptor, resolve, sem conhecimento nem autorização do pai, fazer uma incursão pelo Alentejo para tomar contacto com a guerra que ali se encarniça. Atribui-se a Vieira a instigação de tal atitude. E D. João IV afasta-o, delicadamente, do seu convívio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o momento que a Companhia de Jesus espera: em Novembro de 1652 ordena-lhe que regresse ao Brasil, como missionário no Maranhão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta vez, o rei nada faz para contrariar a sua partida.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;EM LUTA CONTRA OS COLONOS &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;As tempestades e os ataques dos corsários, mais uma vez, tornam a viagem de Vieira, um calvário. Mas dor maior é a que leva - perdeu a estima do rei, fracassou em algumas das suas iniciativas políticas, aumentou o número de inimigos, tanto na Igreja como na Corte. Tudo o que fizera tinha o prestígio e o desenvolvimento de Portugal como meta. Homem de invulgar inteligência, cometeu um grave erro: supôs que os outros eram dotados de igual inteligência e o compreenderiam. Por um lado, vai destroçado, por outro, invade-o grande alegria: retorna à sua vocação de missionário. À medida que se aproxima da ilha de Maranhão a sua alma renova-se. Tem à vista as paisagens amadas da juventude, o luxuriante Brasil. O desterro é, a pouco e pouco, esquecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, breves dias depois, dá conta do caos moral das gentes de Maranhão, sobretudo dos brancos, apenas preocupados com enriquecimento sem regras, dissolutos, impiedosos. Os índios vivem na maior das misérias e à mercê dos colonos. Logo nos primeiros sermões ataca violentamente a licenciosidade dos costumes e o odioso regime da escravatura que, lá de longe, denuncia ao rei. Tenta incursões no interior, as entradas no sertão, para proteger os indígenas e os negros que começam a vir de África. Consegue apenas a animosidade e o ódio das autoridades oficiais e dos colonos. De nada adiantam os relatórios para Lisboa narrando os crimes que presencia. Mas, com a energia de ferro que sempre caracterizou o seu corpo frágil e enfermiço, desenvolve uma enorme actividade procurando minorar o sofrimento dos mais infelizes, visita os presos, funda um hospital, reparte a sua alimentação, catequiza, fulmina o vício e a luxúria. Escreve, escreve sempre. Tem pronto a terminar um livro, Esperanças de Portugal que envia ao seu amigo André Fernandes, bispo do Japão. Nesse texto, retoma a questão do V Império, imaginando, reformulando, adaptando as profecias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora a Companhia, ali no Brasil, o apoie, pouco pode contra os interesses instalados. O feudalismo rural, fundamento da estrutura económica do Brasil, estava a ser solidamente implantado - e, para tal, os escravos seriam pedras basilares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez os jesuítas se não tenham apercebido o quanto de inelutável havia na caminhada económica do Brasil - os índios fugiam para o sertão, mas chegavam os negros em quantidades inenarráveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;António Vieira concebe outra quimera, desta vez em acordo com os companheiros jesuítas: irá, de novo, a Portugal, por pouco tempo. O tempo apenas necessário para, com a sua eloquência, convencer o rei a ditar os decretos que ponham fim ao descalabro moral e social por que o Brasil enveredara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes, porém, na catedral de S. Luís irá pronunciar o seu mais belo sermão, o de Santo António aos peixes - alusão parabólica ao estado das coisas na colónia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embarca, às escondidas das autoridades e dos brancos, a 17 de Junho de 1654. Só assoma à capital em Novembro depois da mais tormentosa das viagens: próximo dos Açores a nau sofre terrível tempestade e o jesuíta julga chegado o último dos seus dias; salvo da borrasca, o navio é assaltado pelos piratas holandeses que tudo saqueiam e deixam Vieira e os companheiros, sem roupas e bens nas praias da Graciosa.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;DOIS AMIGOS QUE SE SEPARAM &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;O rei, muito doente, acolhe-o com carinho. O tempo de separação levara o monarca a avaliar melhor o padre. Reconhece-lhe todas as qualidades, perdoa-lhe os erros passados, pede-lhe insistentemente para que fique a seu lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;António Vieira pode ser tudo o que intrigam, um lunático, um inquieto e ambicioso, um incapaz político. O rei sabe, todavia, que é um amigo leal, desinteressado, bondoso. E, perto da morte, não quer perder a sua companhia e conselho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Corte, porém, odeiam-no. Pela amizade que o rei lhe dedica, pelos sermões duríssimos com que caustica a sociedade portuguesa, pela estranha mania de estar contra os poderosos desonestos e a favor do povo. Querem-no longe, lá no sertão, entre os selvagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após alguns sermões em que, como sempre, António Vieira revela, a par da espantosa cultura, o sentido de justiça e a independência de carácter, D. João IV entrega-lhe o decreto em que os jesuítas passam a ter inteira jurisdição sobre os índios. Daí em diante, as autoridades locais jamais poderão intervir na missionarização, jamais poderão servir-se dos indígenas como escravos. Era o que Vieira pretendia. O rei designa André Vidal para governador do Pará e do Maranhão. André Vidal é um herói da vitória portuguesa sobre os holandeses, amigo de Vieira, sensível aos problemas dos índios e dos negros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, como prometera, em Maio de 1655 eis o pregador de novo no Maranhão, portador das melhores notícias. Recusa o convite do rei para ficar. Para sempre, os dois amigos separam-se. D. João IV morre no ano seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O TEMPO FELIZ E A EXPULSÃO &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;É prodigiosa a acção de Vieira e dos jesuítas até 1661. Visitador e superior de todas as missões, o padre está em permanente viagem pelo interior do Brasil. Foi o tempo, como ele diz, mais feliz da sua vida. Será também, no termo, o período mais difícil e perigoso. A evangelização dos índios e a sua protecção ocupam-no completamente - quase, porque algumas horas lhe sobram para iniciar a publicação dos seus sermões, agora por sugestão da própria Companhia de Jesus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os rancores dos colonos e roceiros dirigem-se contra os jesuítas, entre os quais Vieira é o mais combativo e enérgico. Um novo governador, nomeado após a morte do rei, vem substituir André Vidal. Com ele as relações pioram. O padre agrava o conflito. Perante a enorme massa de negros e negras que desembarcam na Baía para serem submetidos à escravidão, Vieira não se cala. Durante um mês prega todos os dias (são os sermões conhecidos como Rosa Mística, do Rosário) abordando o tema da escravatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os jesuítas são acusados de obstar ao desenvolvimento económico do Brasil. Os ódios atingem o auge. Em Maio de 1661, os colonos do Maranhão assaltam a Companhia de Jesus e, logo a seguir, acontece o mesmo com a casa dos membros da Ordem em Belém. É aí que, no momento, está António Vieira. Entre insultos e agressões os jesuítas são aprisionados em várias embarcações, reduzidos à miséria e à fome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os amotinados decidem expulsá-los do território brasileiro. Em Setembro de 1661, todos os religiosos, incluindo Vieira, são postos na nau Sacramento e enviados para Lisboa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando desembarca, o padre vem descalço, esfarrapado, doente. Ainda não sabe que na Inquisição entrara a segunda denúncia contra si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CONDENADO AO SILÊNCIO &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Os acontecimentos na capital portuguesa sucedem-se vertiginosamente. D. Luísa de Gusmão, a viúva de D. João IV, assume a regência e a tutela dos filhos menores, D. Afonso VI e o príncipe D. Pedro. Acolhe António Vieira com amizade e admiração. Reintegra-o na sua função de pregador régio. Mas na Corte fervilham as intrigas, o jesuíta é pessoa indesejada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em torno de Afonso VI reúne-se uma camarilha de jovens delinquentes, chefiados por António Conti, um italiano que estimula a vida devassa do futuro rei. Por outro lado, o Conde de Castelo Melhor tenta dominar Afonso VI e orientá-lo politicamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira defende-se vigorosamente das acusações que emissários vindos do Brasil formulam contra os jesuítas. Luísa de Gusmão apoia o padre. Substitui o governador do Pará e do Maranhão. As notícias que chegam dão conta da nova situação dos índios: organizam-se autênticas caçadas para os transformar em escravos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A guerra com Espanha prossegue. Algumas vitórias do exército português são as únicas notícias felizes da época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira, conselheiro da rainha, talvez a contragosto, reentra na política. É ele quem a convence a expulsar do país a turba que rodeia D. Afonso. Presos, são degradados para o Brasil. Mas o Conde de Castelo Melhor e outros nobres retaliam e obrigam D. Luísa de Gusmão a ceder a governação efectiva do reino ao príncipe herdeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira é imediatamente desterrado para o Porto. Está, agora, nas mãos da Inquisição que já pode pronunciá-lo. Do Porto enviam-no para o Colégio da Companhia em Coimbra, negando-lhe a possibilidade de regresso ao Brasil. A 1 de Outubro de 1663 o Santo Ofício manda-o recolher aos seus cárceres de custódia. Novas denúncias tinham dado entrada na Inquisição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jesuíta adoece gravemente. Havia uma peste em Coimbra. Crê-se que ficou tuberculoso. Cospe sangue vermelho, fazem-lhe sucessivas sangrias. No cárcere escreve a História do Futuro e consegue humorizar, em carta a D. Rodrigo de Meneses: "eu passo como permite o rigor do tempo, escarrando vermelho, que não é boa tinta para quem está com a pena na mão". Vai sendo implacavelmente interrogado pelo tribunal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, sucediam-se as vitórias na guerra com Castela, a mais importante a de Montes Claros. Afonso VI casa com Maria Francisca de Sabóia. O casamento não se consuma. D. Luísa de Gusmão morre em 1666.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Inquisição levanta as acusações a Vieira: é culpado da defesa calorosa que fez dos cristãos novos, dos contactos que manteve na Holanda com judeus e calvinistas, de propugnar estranhas e heréticas teorias sobre um tal V Império. Vieira defende-se, embora admitindo algumas imputações, a que não dá, porém, qualquer importância quanto a atentado contra a fé católica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;D. Afonso VI é encarcerado em Sintra. O irmão, D. Pedro, é o novo regente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A 23 de Dezembro de 1667, o tribunal do Santo Ofício dita a sentença condenatória do padre António Vieira: "é privado para sempre de voz activa e passiva e do poder de pregar, e recluso no Colégio ou Casa de sua religião, que o Santo Ofício lhe ordenar, e de onde, sem ordem sua, não sairá". Não o autorizam a ir para o estrangeiro para que não possa atacar a Inquisição. Em 1660 frei Nuno Vieira já antecipara esta sentença na frase que proferira: "é preciso mandá-lo recolher e sepultá-lo para sempre".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Permitem-lhe apenas que se instale no Noviciado da Ordem em Lisboa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Março de 1668 fazem-se as pazes com Castela, derrotada pelas armas. D. Pedro casara com a que fora sua cunhada, após a anulação do matrimónio com D. Afonso VI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A 12 de Junho de 1668 Vieira é libertado. Está, todavia, proibido de nos seus sermões tratar de assuntos relacionados com cristãos novos, profecias, V Império, Inquisição. Dez dias depois prega na Capela Real um sermão comemorativo do aniversário de Maria Francisca de Sabóia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não é tão bem recebido na Corte. D. Pedro pende mais para os dominicanos. Não precisa de António Vieira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os superiores da sua Ordem enviam-no a Roma com a incumbência de promover a canonização de 40 jesuítas presos nas Canárias e martirizados pelos protestantes em 1570. Mas Vieira vai, também, por outro motivo: quer, na Santa Sé, obter a anulação total da sentença condenatória do Santo Ofício. Foi humilhado e injustiçado. Está de novo em luta. Luta que vai vencer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Setembro de 1669 embarca para Roma. Demora dois meses a chegar. Novamente a viagem foi terrível, com dois naufrágios que o levaram a parar em Alicante e Marselha.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;VITÓRIA SOBRE A INQUISIÇÃO &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;A personalidade de Vieira, a sua energia, a sua exuberância, rapidamente conquistam a cidade italiana. Por toda a parte é recebido com admiração, carinho e respeito - a prova aí está: Cristina da Suécia convida-o para pregador (mais tarde quererá que ele seja seu confessor, convite que Vieira também vai recusar, o Brasil é o seu objectivo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aflige-se, na correspondência privada, com o estado de Portugal. Apesar da estrondosa vitória sobre Castela, o país não progride, não é capaz de voltar à "grandeza antiga". Previa - e acertava - que, dentro em pouco, a Inglaterra e a França ir-se-iam aproveitar da fraqueza do reino para se apossaram do melhor que Portugal ainda teria no Oriente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desobedecendo ao que lhe impusera a Inquisição, em Roma volta a tomar posição a favor dos cristãos novos e dos judeus em quem confia para o ressurgimento do país. E pior: ataca a própria Inquisição em cartas para os amigos (bons amigos, que não o denunciaram).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desdobra-se em vários contactos para, na Sé apostólica, pôr em cheque os métodos inquisitoriais e envia ao Papa um memorial acerca do assunto. O farisaísmo do Santo Ofício. ("por aqui se diz que em Portugal é melhor ser inquisidor do que rei", escreve) cria uma péssima reputação a Portugal. Mas D. Pedro II está dominado pelos dominicanos do tribunal e receia-os. O Papa, porém, mostra-se receptivo. O processo de Vieira é reanalisado. Os revisores espantam-se. Como foi possível condenar quem deveria ser louvado? Terá dito Vieira: "ouviu-me quem me não entendeu e sentenciou-me quem me não ouviu".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que o Papa, num breve, isenta o padre António Vieira "perpetuamente da jurisdição inquisitorial". Poderia pregar sobre o que quisesse e apenas estava sujeito às regras da sua Ordem. O Pontífice vai mais longe: Suspende os autos-de-fé em Portugal (suspensão que foi curta).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante os anos de vida em Roma o padre alcança enorme prestígio. Aprende italiano para poder pregar nessa língua. Os sermões que pronuncia em terras transalpinas são de uma excepcional qualidade literária, espiritual e filosófica. A tal ponto que o Colégio dos Cardeais lhe pede para que pregue na sua presença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A 22 de Maio sai de Roma, a caminho de Portugal. Vencera a partida com o Santo Ofício. A partir do breve papal a Inquisição não poderá tocar-lhe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sua saúde que, desde a meninice, é frágil, agrava-se. Com permanentes acessos de febre, olhado indiferentemente pela corte do regente D. Pedro, Vieira parte em busca de melhor clima, o do Brasil, em Janeiro de 1681.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveitara o tempo em Lisboa para compilar e ultimar os Sermões, cujo primeiro volume sai em 1679.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O FIM AOS 90 ANOS &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;A sua vida está na recta final. Tem 74 anos. Vive na Baía.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Papa Inocêncio XI revoga o breve do seu antecessor. Em Portugal, a Inquisição levanta contra ele toda a espécie de calúnias. O velho jesuíta pode cair, de novo, na sua alçada. No pátio da Universidade de Coimbra queimam-no em efígie com sanha insensata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil, atacam-no através de acusações ao irmão Bernardo, então secretário de estado da Baía - opusera-se este às arbitrariedades do novo governador. Vieira intercede em defesa do familiar, é insultado e expulso violentamente do palácio do governador. A fibra de Vieira não esmorecerá e três anos depois o irmão é inocentado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos 80 anos, doente, enfraquecido pelas constantes sangrias a que é submetido, o Geral da Companhia nomeia-o Visitador Geral do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí está de novo o estóico padre " na estrada" e nas montanhas, a pé pelas serranias e selvas na sua tarefa de evangelização. Mas, em Maio de 1691, as forças abandonam-no e resigna ao cargo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A debilidade, a falta de dentes, a surdez, mais tarde a perda de visão impedem-no de pregar. Pode, finalmente, morrer em paz, pensa. Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda vai ser incriminado por, na Baía, ter tentado influenciar a votação do procurador da Ordem e por se opor a nova legislação dos índios, uma vez mais contra estes. Retiram-lhe a voz activa e passiva. Insurge-se. Apela ao Geral da Companhia, em Roma, pedindo-lhe que reveja o seu processo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai ganhar mais esta batalha. A 17 de Dezembro de 1697 o Geral dos Jesuítas declara nula e sem valor a resolução que o privara de voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas António Vieira já não está entre os vivos. A 18 de Julho daquele ano, pela uma da madrugada, morre o que foi e é o maior prosador da língua portuguesa, aquele que, um dia, dissera, desalentado: "não me temo de Castela, temo-me desta canalha".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-8355305415314238882?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/8355305415314238882/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=8355305415314238882&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/8355305415314238882'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/8355305415314238882'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/02/padre-antnio-vieira-por-orlando-neves.html' title='Padre António Vieira - por Orlando Neves'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-1342337934718083668</id><published>2008-02-22T18:49:00.000-03:00</published><updated>2008-02-22T19:35:45.102-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_vHfhEO08cCE/R79NeJ5zwZI/AAAAAAAAE0U/NVFPgdWkA40/s1600-h/Vieirafundo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5169936077694419346" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_vHfhEO08cCE/R79NeJ5zwZI/AAAAAAAAE0U/NVFPgdWkA40/s400/Vieirafundo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-1342337934718083668?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/1342337934718083668/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=1342337934718083668&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/1342337934718083668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/1342337934718083668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/02/blog-post_8759.html' title=''/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_vHfhEO08cCE/R79NeJ5zwZI/AAAAAAAAE0U/NVFPgdWkA40/s72-c/Vieirafundo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-1145792443674793068</id><published>2008-02-22T18:48:00.002-03:00</published><updated>2008-02-22T19:35:15.115-03:00</updated><title type='text'>Vieira - o génio literário</title><content type='html'>&lt;em&gt;"Nasceu a 6 de Fevereiro de 1608 em Lisboa. Aos seis anos foi para o Brasil. Lá aprendeu das primeiras letras à filosofia e teologia. Ingressou na Companhia de Jesus muito novo. As suas qualidades como orador fizeram-se notar muito cedo. Foi amado e odiado por muita gente. Denunciou muitas injustiças, defendeu os índios. Irritou colonos e o Santo Ofício.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;Fez algumas viagens pela Europa. Esteve ligado à colónia de judeus portugueses em Amesterdão. Viveu em Roma onde a rainha Catarina da Suécia, lá exilada, o quis para confessor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa dessas viagens, saiu num navio do Maranhão em Junho de 1654. Sessenta dias mais tarde, avistaram a ilha do Corvo perto da qual uma tempestade fez naufragar o navio. Um corsário holandês resgatou as quarenta e uma pessoas, tendo roubado os papéis e livros de António Vieira que mais tarde os tentou recuperar através de um judeu amigo. Nove dias depois, deixaram essas passageiros na ilha da Graciosa onde permaneceram durante dois meses. António Vieira passou depois à ilha Terceira, tendo ficado hospedado no Colégio de Angra. Passou a seguir para S. Miguel onde ficou no Colégio de Ponta Delgada. Em Angra, instituiu a devoção do Rosário. Em Ponta Delgada também deixou o hábito de rezar o Terço e em 15 de Outubro fez um sermão na festa de Santa Teresa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse sermão, António Vieira descreve o naufrágio perto da ilha do Corvo. “Obrigado da tempestade e do naufrágio chegou S. Paulo à ilha de Malta e do que ali pregou o apóstolo tiveram princípio aquelas luzes com que hoje alumia e se defende a igreja. Bem conheço quão falto estou de eloquência e muito mais do espírito de S. Paulo, mas na ocasião e nas circunstâncias presentes, ninguém me poderá negar uma grande parte de pregador, que é chegar a esta Ilha vomitado pelas ondas. (...) Mas era Jonas um pregador vomitado das ondas. Pregava nele a tempestade, pregava nele a baleia, pregava nele o perigo, pregava nele o assombro, pregava nele a mesma morte, de que duas vezes escapara./ Por certo que não foi tão grande a tempestade de Jonas como a em que eu e os meus companheiros nos vimos. O navio virado no meio do mar e nós fora dele pegados ao costado, chamando a gritos pela misericórdia de Deus e da sua Mãe. Não apareceu ali a baleia que nos tragasse, mas apareceu, não menos prodigiosamente naquele ponto, um desses monstros marinhos que andam infestando estes mares: ele nos tragou e vomitou depois em terra. (...) em terra onde o fogo é mais poderoso que o mesmo mar oceano, e levanta no meio dele ilhas, e desfaz ilhas (...)."[1]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;a class="sdfootnoteanc" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=37850727#sdfootnote1sym" name="sdfootnote1anc"&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;Além dos Sermões, obra-prima da literatura portuguesa, António Vieira escreveu dois livros: A História do Futuro&lt;/em&gt;&lt;a class="sdfootnoteanc" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=37850727#sdfootnote2sym" name="sdfootnote2anc"&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;[2] e Clavis Prophetarum (A Chave dos Profetas) onde expõe as suas crenças futuristas, fonte dos sebastianismos e nacionalismos quinto-imperiais que ao longo dos séculos se desenvolveram. A Clavis Prophetarum é considerada pelo seu tradutor, trezentos anos depois, Arnaldo Espírito Santo, “a cúpula das suas obras”. A Biblioteca Nacional editou esta obra em 1999-2000.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A obra de António Vieira revela a transição do período do Renascimento para o Barroco, e é naturalmente paradoxal. Vale a pena ler a obra deste escritor a quem Fernando Pessoa, na Mensagem, chamou “Imperador da Língua Portuguesa”.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a class="sdfootnotesym" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=37850727#sdfootnote1anc" name="sdfootnote1sym"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[1] VIEIRA, Padre António, Sermões, T. VII, Lisboa, 1854-1858, pp.86 a 90.&lt;/span&gt;&lt;a class="sdfootnotesym" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=37850727#sdfootnote2anc" name="sdfootnote2sym"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[2] VIEIRA, António, História do Futuro, introdução, actualização do texto e notas por Maria Leonor Carvalhão Buescu, Biblioteca de Autores Portugueses, 2ª edição, Imprensa Nacional- Casa da Moeda, Lisboa, Janeiro, 1992.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;( Maria Eduarda Rosain, in Tribuna das Ilhas, 8 de Fevereiro de 2008)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-1145792443674793068?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/1145792443674793068/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=1145792443674793068&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/1145792443674793068'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/1145792443674793068'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/02/vieira-o-gnio-literrio.html' title='Vieira - o génio literário'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-4187697304490084373</id><published>2008-02-22T11:12:00.000-03:00</published><updated>2008-02-22T11:13:20.595-03:00</updated><title type='text'>"Grandes Portugueses no Brasil"</title><content type='html'>"Neste mês de fevereiro cumpre-nos celebrar - com pompa e circunstância - dois lusitanos, que brilharam neste Brasil que tão bem nos recebe, e que adotamos como segunda Pátria; são eles:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Padre jesuita Antônio Vieira, nascido há precisamente 400 anos (06/fev/1608) em Lisboa, mas chegado ao Brasil em janeiro de 1616, onde - nos colégios-universidades do Salvador da Baía e de Olinda - recebeu toda a sua instrução e formação acadêmica, que o tornaram o maior orador e escritor sacro de seu século, e um dos maiores de todos os tempos, autor que foi de mais de 200 sermões, 500 cartas e outras peças literárias de inegável valor, por sua forma estilística pura e bela, e de riquíssimo e erudito conteúdo, onde sobressaem uma vibrante e arrebatante eloquência e uma indesmontável  retórica. De notar que, para escrever a sua gigantesca obra para o tempo, não dispunha Vieira de nada mais que a grosseira pena de escrever, que a todo o momento necessitava mergulhar no tinteio, para só depois passar as suas idéias a um grosseiro e absorvente papel, onde o borrão era comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram os então designados colégios centros de ensino superior, nome ainda hoje muito usado, não apenas nos países de língua inglesa, como ainda em outras terras e circunstâncias, caso do&lt;br /&gt;Collège de France; enfatizamos o fato em virtude de - muitas vezes - e creio que por ignorância de quem o diz, ouvirmos que só com D. João VI o Brasil teve escolas superiores, talvez porque o nosso Príncipe, depois rei D. João VI, teve a preocupção - entre outras - de logo após a sua chegada, implantar algumas das ainda hoje famosas faculdades brasileiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na época da intolerância, foi Antônio Vieira o humanista defensor dos oprimidos, especialmente dos índios nativos, que o apelidaram de Paiaçu ou grande Pai. Mas esse atributo do jesuita foi apenas um, dos muitos que o engrandeceram. Na realidade, quando estudamos Vieira, logo sobressaem as variadas facetas deste grande português do Brasil, onde avulta e brilha o primoroso escritor, o pregador sacro sem concorrente, o humanista e homem de ação sem paralelo, o político e diplomata de muitas causas e batalhas, o filólogo que dominava todas as línguas cultas e ainda sete dialetos nativos, nos quais escrevia os castecismos com que evangelizava os seus queridos índios. Deste modo, podemos compreender que a moderna língua portuguesa - saída do gênio de Camões - tenha sido, como os diamantes, lapidada e consolidada pela elegante, precisa e erudita escrita (e também pela voz) do padre Antônio Vieira, que elevou a prosa portuguesa à sua mais brilhante e pura expressão, como Camões já tinha feito com a poesia épica e lírica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Príncipe D. João, depois rei D. João VI, aqui chegado no início de 1808, acompanhado pela sua corte de cerca de 15.000 pessoas espremidas em 36 navios, trazendo consigo os corpos docente e discente do Colégio dos Nobres (também ele de nível superior), a sua rica biblioteca hoje núcleo da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, o tesouro do reino de cerca de 80 milhões de cruzados em ouro e diamantes (ou 180 milhões segundo certos autores), as primeiras impressoras que no Brasil houve(ram), e tudo que de valor e interesse se conseguiu embarcar em Lisboa, às vésperas da chegada das hordas napoleónicas, que tudo roubabam, tudo violentavam, tudo destruíam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vinda da corte foi uma retirada estratégica, que permitiu a Portugal manter a independência através do Brasil, ao mesmo tempo que impediu as tropas de Junot de se apoderarem das riquezas transportadas, que aqui contribuíram para o desenvolvimento do Brasil, como a fundaação do primeiro banco oficial do então Império Português, que foi o Banco do Brasil, em outubro de 1808, no Rio de Janeiro. Mas, como atrás referimos, ao iluminado Príncipe coube - além da abertura dos portos - fundar muitas escolas superiores, como faculdade de Direito, escolas de medicina e cirurgia da Baía e do Rio de Janeiro, academias militares e escolas de desenho e risco (engenharia), que iriam dar à nova sede do governo, e logo depois Império do Brasil quadros para o seu desenvolvimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É esta a altura ideal para fazer justiça ao primeiro rei do Brasil, recuperando uma imagem por vezes aviltada, por historiadores cegos por um nacionalismo capenga, ou por cinegrafistas desonestos em busca de popularidade fácil e de faturamento repugnante, porque originado na deturpação da história e na adulteração de fatos, personagens e obras que marcaram a formação e engrandecimento de seu próprio país. Aliás, é esta (recuperação) a intenção do coordenador das comemorações dos 200 anos, acadêmico e ex-embaixador Costa e Silva, da Academia Brasileira de Letras, segundo as suas próprias palavras. Presta, assim, um grande serviço à sua Pátria, à história e à cultura lusófonas. BEM HAJA por sua reta intenção e meridiana coragem, pois corajoso necessita ser quem ousa enfrentar o establishement, sempre interessado em diminuir a grande obra dos colonizadores."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(José Verdasca, Escritor português)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-4187697304490084373?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/4187697304490084373/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=4187697304490084373&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/4187697304490084373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/4187697304490084373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/02/grandes-portugueses-no-brasil.html' title='&quot;Grandes Portugueses no Brasil&quot;'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-2967478604796456914</id><published>2008-02-21T12:45:00.001-03:00</published><updated>2008-02-21T12:47:52.786-03:00</updated><title type='text'>"O Imperador da Política"</title><content type='html'>&lt;em&gt;O padre Antônio Vieira, cujo quarto centenário de nascimento se comemora no mês de fevereiro, foi imperador de vários reinos. “Imperador da língua portuguesa”, definiu-o o poeta Fernando Pessoa; “Imperador do púlpito”, disse dele o escritor Joaci Pereira Furtado, organizador de sua obra. A estes epítetos pode-se adicionar “imperador da política”, e, neste particular, sem prejuízo da sua colossal figura de evangelista, pregador e pensador, foi como homem de Estado que se agigantou além do apertado figurino português do século XVII. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;Não exerceu o poder propriamente dito, como seu colega de batina cardeal de Richelieu, primeiro-ministro de Luís XIII e homem mais poderoso da França naquele período. Foi apenas conselheiro do rei português dom João IV e de sua viúva, a rainha-regente Luísa de Gusmão. O governo e a sociedade portugueses, tolhidos pelo maior mal que se abateu sobre Portugal, a Inquisição, não dispunha das condições objetivas para, depois da Restauração ocorrida em 1640, quando o país se libertou do domínio da Espanha, aplicar as políticas que Vieira formulou para recuperar a glória lusa da “grandeza antiga”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua visão de estadista alcançava mais longe que a miopia dos irmãos religiosos, especialmente os dominicanos que ministravam as trevas da Inquisição. Defendeu a reabilitação dos judeus, para livrar os cristãos-novos do sinal infamante, com o objetivo de atrair a Portugal o capital judaico que já migrara para os Países Baixos (hoje Bélgica e Holanda) e ajudava a fazer daquele país a grande potência comercial da Europa. Foi dele a idéia da criação da Companhia Geral do Comércio do Brasil (1649), para concorrer com a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais (1621), patrocinadora da invasão do Nordeste de 1624 a 1654, período em que os holandeses controlaram a produção de açúcar e o tráfico de escravos. Jesuíta, “fiel servo de Deus”, Vieira colocava os interesses de Estado acima do obscurantismo religioso que atrasava Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A astúcia geopolítica do padre-estadista se fez presente quando sugeriu a dom João IV uma bandeira que demarcasse os limites do Brasil com as terras da Espanha. Não há notícia de que tenha se oposto ao nome que o rei designou para a tarefa, o excomungado capitão Raposo Tavares, o maior inimigo dos jesuítas, destruidor das reduções espanholas da Companhia de Jesus no que é hoje o Sul do Brasil. Vieira é autor de um dos poucos relatos acerca desta bandeira epopéica, que de 1648 a 1651 palmilhou dez mil quilômetros, do Tietê à foz do Amazonas, e praticamente delineou a fronteira atual do País. É visível a ambivalência do texto. Mesmo incriminando Raposo Tavares (“o matador”), sem citar-lhe o nome, compara os bandeirantes aos gregos míticos “argonautas”, e qualifica a empreitada como “uma das mais notáveis que até hoje se tem feito no mundo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pesou em sua biografia a capitulação diante dos holandeses. Autor de um eloqüente Sermão pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal contra as de Holanda, em 1640, concordaria com a decisão de dom João IV de entregar o Nordeste ao inimigo. Considerava que a guerra era cara a Holanda, um adversário difícil de vencer, e que Portugal poderia reaver as terras “quando nos virmos em melhor fortuna”, antes compensando a perda de território com a anexação da Argentina. Como não é raro na História, os soldados surpreenderam os generais. Os guerrilheiros sertanejos, que na exaltação do próprio Vieira “tinham por casa o céu e a terra por cama” e “se sustentavam só de farinha de guerra, sem mais que uma pouca de água”, impuseram uma derrota militar humilhante ao exército flamengo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste episódio, e em tantos outros, a bússola política de Vieira apontava para um só objetivo estratégico, a consolidação do trono português depois dos sessenta anos de domínio espanhol, iniciado após a morte de um jovem rei que não tinha sucessor, dom Sebastião. Desaparecido na batalha de Alcácer-Quibir, em 1578, forjou o mito do retorno triunfal – o sebastianismo – de que voltaria para realizar por vontade de Deus um grande império universal sob domínio português. Quando dom João IV assumiu o trono, voltaram a lume as profecias de um sapateiro de Trancoso, Antônio Gonçalo Bandarra, que no século anterior vaticinara a volta do rei exatamente em 1640: “O seu nome é dom João”. Para a corte, dom João IV era dom Sebastião redivivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando dom João morreu, em 1656, Vieira abençoou Bandarra, comparando-o aos profetas bíblicos Daniel e Isaías, e pregando que desta vez seria dom João que voltaria à vida e ao poder. Chamaram-no de louco e herege – a Inquisição lhe impôs dois anos de custódia e seis meses de reclusão. Em sua sagacidade política, queria fortalecer a dinastia dos Braganças com o movimento do sebastianismo que animara a luta da Restauração, e unir o país em torno do projeto do grande império.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;( Por ALDO REBELO, deputado federal pelo PCdoB-SP. Foi presidente da Câmara dos Deputados e ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República)&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-2967478604796456914?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/2967478604796456914/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=2967478604796456914&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/2967478604796456914'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/2967478604796456914'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/02/o-imperador-da-poltica.html' title='&quot;O Imperador da Política&quot;'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-4980176382042716013</id><published>2008-02-20T01:39:00.002-03:00</published><updated>2008-02-20T01:42:31.488-03:00</updated><title type='text'>Lauro Mohry sobre Vieira</title><content type='html'>&lt;em&gt;Pronunciamento do Professor Lauro Morhy, Professor Emérito e Ex-Reitor da Universidade de Brasília, feito no dia 11 de Fevereiro de 2008, na Embaixada de Portugal, por ocasião da Celebração do 4º.Centenário de Nascimento do Padre Antônio Vieira, promovida pela Embaixada de Portugal e pela Universidade de Brasília&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É com grande satisfação que participo desta Celebração do 4º.Centenário de Nascimento do Padre Antônio Vieira, representando a Universidade de Brasília (UnB) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e também como simples admirador da obra desse grande mestre da língua portuguesa do século XVII e, porque não dizer, de todos os tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quisera eu ter o dom da oratória para neste momento poder homenagear o Pe. Antônio Vieira usando ainda que um pouco da sua espontaneidade e vigor, da sua erudição, da sua estilística, da sua segurança e da clareza dos seus sermões. Não o tendo, recorro a esta breve e modesta manifestação que aqui faço com o mais profundo reconhecimento, com a gratidão mais sincera por toda obra gigantesca e valiosa que Vieira nos legou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira foi um dos luso-brasileiros mais brasileiros ! Nasceu em 1608 em Lisboa e faleceu em Salvador, Bahia, em 1697. Educado no Colégio Jesuíta da Bahia, foi desde cedo contemplado com o dom da palavra e com conhecimentos de filosofia e teologia, enquanto vivia um Brasil que dava os primeiros passos, enquanto descortinava o mundo com todos os seus encantos e sua dura realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certamente predestinado pelo céu, iniciou o seu noviciado com os jesuítas já em 1623, e teve uma vida plena de atividades que enriqueceram muito a sua mente e o seu espírito. No seminário teve despertada a sua vocação para o magistério, mas logo viu que tinha também muito a fazer além da sala de aula. Foi combatente e ferido na luta contra a segunda invasão holandesa; trabalhou de perto com escravos e índios. Viveu a proximidade do poder em Lisboa e em Roma. Defendeu os Cristãos Novos. Sofreu perseguição pela Inquisição; foi quando teria balbuciado que “os inquisidores viviam da fé e os jesuítas morriam por ela”...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Magoado disse Vieira certa vez, em um sermão na Capela Real em Lisboa: “Se servistes a pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis, ela o que costuma; mas, que paga maior para um coração honrado que ter feito o que devia ?”. Este desabafo é sempre atual e frequentemente lembrado e repetido ainda em nossos dias, pois, afinal, os homens ainda são os homens, e a pátria o que costuma...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieira fez muito em sua longa vida de 89 anos, mas foram os seus sermões e os seus livros que o imortalizaram !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao terminar a minha missão como Reitor da Universidade de Brasília em 2005, em comum acordo com a equipe de dirigentes que me acompanhava, e especialmente com o grupo do Laboratório de Estudos do Futuro, decidimos que encerraríamos aquela nossa missão, tão rica em experiências e resultados, com uma edição especial da obra História do Futuro, do Pe. Antônio Vieira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na ocasião do seu lançamento, significativamente aqui, na Embaixada de Portugal, tive a honra e a satisfação de declarar que aquele lançamento era a chave de ouro, com a qual encerrávamos a honrosa missão que nos fôra confiada. Era a nossa homenagem, já iniciando as comemorações do 4º. centenário do nascimento do Pe. Vieira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A preparação da edição primorosa da História do Futuro, feita pela Editora da Universidade de Brasília, contou com a dedicada colaboração do Padre José Carlos Brandi Aleixo (Organizador), dos Doutores João Ferreira e João Pedro Mendes, de nossas então estudantes de pós-graduação, Andréa Costa Tavares (mestranda) e Vanda Passos (doutoranda), além de uma equipe de revisores citados no livro. Mas foi graças à colaboração dos amigos das Embaixadas de Portugal no Brasil, especialmente do Embaixador Francisco Seixas da Costa; dos amigos da Embaixada do Brasil em Portugal; e, especialmente, do Dr. Pedro Cardim, que tornou-se possível incluir na preciosa obra, os riquíssimos painéis, que resultaram de iniciativa da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, no âmbito da celebração da efeméride da morte do Padre Antônio Vieira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senhoras e Senhores ! O Passado e o presente se encontram no início do futuro todos os dias, e o acompanham por muito tempo. Assim é que Vieira está aqui hoje, vivo, com as suas idéias, com a sua milagrosa inteligência e sabedoria, a nos dizer que “O homem, filho do tempo, reparte com o tempo ou o seu saber ou a sua ignorância; do presente sabe pouco, do passado menos e do futuro nada”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, prezadas amigas e amigos, certamente Vieira concordará conosco, seus admiradores e discípulos, quando aqui também dizemos hoje, em sua homenagem, que o futuro não é o que se teme, que o futuro que queremos é o que se constrói com muita dedicação, trabalho árduo, muito respeito a tudo e a todos, e com pleno amor ! Sim, com pleno amor, porque tudo que é verdadeiramente grande e bom, nasce do amor!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-4980176382042716013?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/4980176382042716013/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=4980176382042716013&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/4980176382042716013'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/4980176382042716013'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/02/lauro-mohry-sobre-vieira.html' title='Lauro Mohry sobre Vieira'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-8741410811478084690</id><published>2008-02-20T01:32:00.002-03:00</published><updated>2008-02-20T01:35:55.009-03:00</updated><title type='text'>A intemporalidade de Vieira</title><content type='html'>A Academia das Ciências de Lisboa assinalou o quarto centenário do nascimento do padre António Vieira, sendo orador o jornalista açoriano António Valdemar que destacou "o génio que engrandeceu a língua na qual dizemos uns aos outros o que nos une e o que nos distingue; realidade quotidiana e património intemporal de portugueses, brasileiros, africanos, orientais, pátria de pátrias, instrumento de cultura e civilização com íntimas cumplicidades de afecto e fortes vínculos de história".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para António Valdemar, que é também sócio efectivo da Classe de Letras da Academia que promove a iniciativa, o assinalar da efeméride tem "o mérito de nos aproximar de uma figura que viveu e marcou o seu tempo, projectando-se para os outros tempos e constituindo uma referência emblemática da língua falada hoje por mais de 200 milhões de habitantes de cinco continentes", pois "o grande desígnio de uma política da lusofonía tem raízes no pensamento de Vieira ao defender, a abertura da língua à vida, ao tempo e ao mundo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Jornalista traça o perfil e o percurso do homem que viveu há 400 anos e que ainda hoje permanece vivo nos compêndios escolares, sendo no entanto "quase um ignorado na sua cidade" de nascimento que é Lisboa, onde tem "o nome inscrito na toponímia, mas numa rua vulgar, igual a tantas e tantas outras". Esse esquecimento é tanto maior, de acordo com as palavras de António Valdemar, porque "nunca se ergueu um monumento à sua memória. Até agora, no Panteão Nacional, não há um cenotáfio que o recorde. Apenas Columbano o integrou num dos retratos colectivos que se encontram nos Paços Perdidos, do Palácio de São Bento. Esta é uma das raras homenagens que recebeu. A outra foi a de Fernando Pessoa ao inclui-lo na Mensagem e exaltando – o como o imperador da língua portuguesa e dizendo que ele «foi-nos um céu também»"."Missionário, diplomata, político e génio literário, Vieira foi tudo isto, lembra o jornalista, para acrescentar que vieira "ocupou quase por inteiro o século XVII – umas vezes, com os maiores privilégios e distinções, pelos êxitos alcançados, dentro e fora de Portugal; outras, marginalizado, suportando o travo da derrota, a crueldade e o silencio do ostracismo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Valdemar aponta também o papel de Vieira na história do país, uma vez que "exerceu influência assinalável no Portugal da Restauração. Pregador e conselheiro de D. João IV, realizou missões diplomáticas a Paris e Haia, à procura de alianças e fundos para a Guerra contra Castela. Teve encontros com as comunidades judaicas de Ruão e Amesterdão. Propôs a D João IV a admissão de mercadores judeus e a abolição da discriminação dos cristãos novos, com o objectivo de atrair os seus investimentos. Depois de uma polémica com os colonos no Brasil, fez aprovar legislação contra a escravatura dos índios. Enfrentou conflitos com a Inquisição, esteve preso nos cárceres do Santo Oficio mas conseguiu do Papa a suspensão dos autos de fé”. António Valdemar recorda que Vieira teve, ainda, um contencioso no seio da própria Companhia de Jesus. "Para muitos causa surpresa e atribui-se ao seu temperamento arrojado e heterodoxo. Contudo, essa heterodoxia, talvez faça parte e seja uma das virtualidades da actuação e funcionamento da Companhia: ocupar a Cidade dos Homens a fim de atingir a Cidade de Deus. Mais de 300 anos depois de Vieira, Theilhard de Chardin, é outro exemplo desta dissidência controlada".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora existem diferenças inevitáveis, entre ambos, não há, no entanto, dissemelhanças irredutíveis no essencial da atitude, do comportamento e até da doutrina. Partindo de uma experiência temporal, Vieira – diz Valdemar - formula uma visão simbólica e alegórica para o domínio político - espiritual , enquanto Chardin, projectando as suas concepções cientificas, procedeu a uma teorização teológico - filosófica do universo. Tanto um como outro, acrescenta, "mantiveram-se sempre na Companhia e não se desviaram das suas finalidades, apesar de sofrerem admoestações, reprimendas e, até, a proscrição e o ostracismo. Para Vieira foi a utopia do Quinto Império, para Chardin a Noosfera, o que ascende e converge para um Cristo Cósmico, ponto ómega da idade final do espírito. Ambos foram universalistas e ambos se quiseram profetas e historiadores do futuro".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que dizer do génio literário de Vieira?, pergunta Valdemar, cuja resposta é simples: "Como orador e epistológrafo não tem paralelo. Seguiu os modelos da Antiguidade Clássica, do pensamento e da literatura medievais, aprofundou os prosadores e poetas quinhentistas; as bases doutrinais do Concílio de Trento e outras directrizes da Contra Reforma. Mas é sempre ele próprio".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os Sermões e as Cartas há diferenças, mas o autor é sempre o mesmo, ficando o registo de que "cada sermão de Vieira é uma «partitura linguística» e constituía um acontecimento religioso, político e mundano, que esgotava a lotação da capela real, das igrejas e conventos de Lisboa e do País e no Brasil.António Valdemar não se esquece de referir que o tema abordado por Vieira "está, sempre, subordinado a uma efeméride religiosa, pronunciando-se acerca das hipocrisias do mundo, do amor e da morte, da felicidade e da infelicidade, da modéstia e da vaidade, da corrupção e do roubo, dos impostos abusivos, e das riquezas ilegítimas, das fraquezas e grandezas da condição humana".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contra opiniões dominantes – vinca Valdemar - defendeu a igualdade dos povos e das raças. Destaca – se, já o assinalámos, a posição assumida em relação aos judeus e aos índios, mas que correspondia a uma linha de rumo da Companhia de Jesus, na Europa e no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já no plano da oratória, o açoriano diz que vieira "tem um discurso organizado, persuasivo, às vezes provocador, para se apoderar do auditórioe para quem "não há tempos fracos, todos são fortes".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O discurso de Vieira é empolgante e entre os principais clássicos é o mais acessível. Continua a despertar e a prender a atenção", remata António Valdemar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Nélia Câmara, 10.2.08, Diário dos Açores)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-8741410811478084690?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/8741410811478084690/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=8741410811478084690&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/8741410811478084690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/8741410811478084690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/02/intemporalidade-de-vieira.html' title='A intemporalidade de Vieira'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-7896875462868537298</id><published>2008-02-19T11:11:00.001-03:00</published><updated>2008-02-19T11:12:49.493-03:00</updated><title type='text'>Evento vieirino em S. Paulo</title><content type='html'>O 34º Encontro dos Descobrimentos será realizado na sede do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para celebrar o 400º aniversário do Padre António Vieira - religioso, escritor e orador português da Companhia de Jesus, que defendeu os direitos humanos dos povos indígenas e os negros combatendo a sua exploração e escravização -, será promovido um evento no Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP), no dia 23 de fevereiro (sábado), às 15 horas. O 34º Encontro dos Descobrimentos é promovido pelas comunidades portuguesa e japonesa, que formaram a cultura brasileira, e realizado pela Comissão Municipal de Direitos Humanos (CMDH), presidida pelo Dr. José Gregori e pelo IHGSP.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na comemoração serão realizadas palestras de José Gregori, Nelly Martins Ferreira Candeias, presidente do IHGSP e do advogado, Nelson Faria de Oliveira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O evento conta com o apoio da ONG Resgatando Valores, da Embaixada do Brasil em Portugal, de Hélio Matsuda e da firma Faria de Oliveira Advogados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O 34º Encontro dos Descobrimentos – Homenagem ao Padre Vieira, no dia 23 de fevereiro (sábado), às 15 horas, no Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP), rua Benjamin Constant, 158 – S.Paulo.  http://portal.prefeitura.sp.gov.br/cidadania/cmdh  Telefone: (11) 3106-0030  0800-7701445  &lt;a href="mailto:xcontrera@prefeitura.sp.gov.br"&gt;xcontrera@prefeitura.sp.gov.br&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Portal Factor 19.2.08)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-7896875462868537298?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/7896875462868537298/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=7896875462868537298&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/7896875462868537298'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/7896875462868537298'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/02/evento-vieirino-em-s-paulo.html' title='Evento vieirino em S. Paulo'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-5180819592318700994</id><published>2008-02-17T21:48:00.000-03:00</published><updated>2008-02-17T21:49:08.682-03:00</updated><title type='text'>CTT assinalam aniversário de António Vieira</title><content type='html'>Os Correios de Portugal vão editar um selo especial, comemorativo dos 400 anos do Padre António Vieira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A emissão, no próximo mês de Março, faz parte de uma série dedicada a vultos da cultura portuguesa, como Maria Helena Vieira da Silva, Manoel de Oliveira, José Relvas, Ricardo Jorge, Aureliano Mira Fernandes e, como referido, o Padre António Vieira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ano de 2008, em que passam quatrocentos anos sobre o nascimento de António Vieira, tem sido marcado pela evocação da vida e da obra deste jesuíta, figura ímpar da Cultura Portuguesa e Brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo da sua longa vida (1608-1697), repartida entre Portugal e o Brasil, com passagens por França, Holanda, Inglaterra e Itália, o religioso português distinguiu-se como escritor, diplomata, pregador, teólogo e profeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Agência Ecclesia, 15.2.08)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-5180819592318700994?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/5180819592318700994/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=5180819592318700994&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/5180819592318700994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/5180819592318700994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/02/ctt-assinalam-aniversrio-de-antnio.html' title='CTT assinalam aniversário de António Vieira'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-1853330975503480761</id><published>2008-02-15T21:13:00.001-02:00</published><updated>2008-02-24T12:34:11.408-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_vHfhEO08cCE/R8GOXJ5zweI/AAAAAAAAE08/rj3s9w-jkRs/s1600-h/antonio_vieira+escuro.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5170570375644561890" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_vHfhEO08cCE/R8GOXJ5zweI/AAAAAAAAE08/rj3s9w-jkRs/s400/antonio_vieira+escuro.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-1853330975503480761?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/1853330975503480761/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=1853330975503480761&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/1853330975503480761'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/1853330975503480761'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/02/blog-post_15.html' title=''/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_vHfhEO08cCE/R8GOXJ5zweI/AAAAAAAAE08/rj3s9w-jkRs/s72-c/antonio_vieira+escuro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-6971607589740673141</id><published>2008-02-15T21:13:00.000-02:00</published><updated>2008-02-17T21:47:05.322-03:00</updated><title type='text'>"A vida e obra do Padre António Vieira"</title><content type='html'>Nasce no dia 6 de Fevereiro de 1608, em Lisboa, António Vieira, filho de Cristóvão Vieira Ravasco e Maria de Azevedo. Em 1614, a família viaja para o Brasil, fixando-se em São Salvador da Bahia de Todos os Santos. A então capital brasileira reunia cerca de 15 mil habitantes (3 mil portugueses, 9 mil índios e 3 a 4 mil escravos africanos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos 5 de Maio de 1623, António inicia os seus estudos no Colégio dos Jesuítas, como noviço. No ano seguinte (1624), os holandeses invadem a pequena cidade e António vai viver, durante perto de um ano numa aldeia de índios, cujas tradições aprende a respeitar, ao mesmo tempo que divulga as Leis de Cristo. Acossados pela população, os holandeses rendem-se em 30 de Maio de 1625.António Vieira começa a redigir, em 1626, as Cartas Ânuas, relatando as actividades da Companhia de Jesus, nos dois anos anteriores, e em 1627 dá aulas de retórica no Colégio de Olinda. É ordenado Presbítero em 10 de Dezembro de 1634 e celebra a primeira Missa três dias mais tarde. Prega o primeiro Sermão (em honra de São Sebastião, 6-3-1633). Entretanto, os holandeses voltam a atacar São Salvador em 16 de Abril, mas são repelidos. No dia 13 de Junho de 1640, o Padre Vieira prega o histórico Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as da Holanda, fazendo outro Sermão em acção de graças pelas vitórias portuguesas sobre os holandeses em 6 de Janeiro de 1641. Entretanto, no dia 15 de Fevereiro chega a notícia de que, em 1º. de Dezembro de 1640, Portugal se libertara do jugo espanhol, e aos 27 de Fevereiro de 1641 o Padre Vieira embarca para Lisboa a fim de anunciar ao Rei D. João IV que o Brasil apoiava o novo soberano de Portugal (o Vice-Rei, que era o Marquês de Montalvão, nomeara o seu filho D. Fernando de Mascarenhas, o jesuíta Pe. Simão de Vasconcelos e o Pe. Vieira como embaixadores da missão).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;António Vieira fizera 30 anos e após as explicações necessárias perante D. João IV ganha a confiança do Rei, que o manda e, com outros, ele parte em 30 de Abril de 1641 para Roma, onde o Papa se mostra receoso dos protestos espanhóis, que não querem aceitar a independência de Portugal. Regressa e no dia 1º. de Janeiro de 1642 prega pela primeira vez em Lisboa, na Capela Real, deslumbrando os fieis com o Sermão dos Bons Anos. Seguem-se outros Sermões que consagram a fama do pregador – com o Sermão de Santo António, em Setembro (fez 9 sobre o mesmo tema) reclama aos nobres e ao clero que dêem mais apoio à luta pela Restauração Nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 23 de Setembro de 1643 os holandeses são definitivamente derrotados em Guararapes (Pernambuco) e em 1644 o Padre Vieira é nomeado Pregador Régio e viaja outra vez para Roma, pedindo o reconhecimento papal da autonomia portuguesa. Cumpre a seguir outra missão real na França, tentando acertar o casamento do Príncipe D. Teodósio (filho de D. João IV) com a filha do Duque de Orleans, havendo quem chegasse a admitir a hipótese de o rei português abdicar no filho D. Teodósio – enquanto D. João IV poderia tornar-se o Rei do Brasil independente, projectos que não se concretizaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A influência de António Vieira aumenta e os seus adversários unem-se – o padre jesuíta Martim Leitão denuncia aos inquisidores (1649) os "desvios" teológicos do pregador, em virtude da defesa que Vieira faz dos escravos e dos judeus. É fundada a Companhia de Comércio do Brasil, com base em sugestão do grande pregador, que viaja para Roma (1650), propondo o casamento de D. Teodósio com a filha do rei de Espanha. Em seguida, embarca para o Brasil (22-XI-1652), desconhecendo-se os motivos da viagem. Prega o Sermão dos Escravos (São Luís do Maranhão, 22-V-1653): "Sabeis, cristãos, sabeis nobreza e povo do Maranhão, qual é o jejum que quer Deus de vós esta Quaresma? Que solteis as ataduras da injustiça, e que deixeis ir livres os que tendes cativos e oprimidos". E uma vez mais insiste na libertação dos escravos em carta de 20/5/1652 ao Rei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rodam os anos e acumulam-se as invejas contra o Padre António Vieira, que continua a defender índios e africanos. Em 1655, é aprovada a Lei da Liberdade dos Índios e ele volta ao Maranhão, sendo expulso com outros em Novembro de 1661.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É desterrado para o Porto em 1662, de onde o reenviam para Coimbra – e a Inquisição Portuguesa prende-o por mais de dois anos, proibindo-o de pregar e viajar. Libertado em 12-VI-1668, consegue ir a Roma – o Papa revoga as maiores punições inquisitoriais, Vieira retorna a Lisboa – e em 27-1-1681 reembarca para a Bahia. Nomeado Visitador-Geral da Companhia de Jesus no Brasil (17-I-1688), faz a redacção definitiva de alguns dos Sermões e morre em São Salvador da Bahia em 18-VII-1697: foi um grande evangelizador, um extraordinário dos dois Mundos e um dos nossos maiores prosadores – e é o "Imperador da Língua Portuguesa", como o chamou Fernando Pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(João Alves das Neves, 15.2.07, "Diário dos Açores"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-6971607589740673141?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/6971607589740673141/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=6971607589740673141&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/6971607589740673141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/6971607589740673141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/02/vida-e-obra-do-padre-antnio-vieira.html' title='&quot;A vida e obra do Padre António Vieira&quot;'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-493125601849073694</id><published>2008-02-15T01:58:00.000-02:00</published><updated>2008-02-20T01:59:45.442-03:00</updated><title type='text'>Vieira: os mesmos desafios quatro séculos depois</title><content type='html'>A actualidade da palavra do Padre António Vieira foi recordada no passado fim-de-semana, no encontro Fé e Justiça que aconteceu no âmbito de uma conferência organizada pelo Centro Universitário Padre António Vieira (CUPAV), pelo Círculo Vieira e pelo Instituto Padre António Vieira. Subordinado ao tema "Padre António Vieira: os mesmos desafios quatro séculos depois", este evento inseriu-se nas comemorações dos 400 anos do nascimento do missionário, escritor e orador português da Companhia de Jesus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O encontro dividiu-se em quatro painéis: "Os Direitos Humanos", "O Diálogo Inter-Cultural e Inter-Religioso", "Um Desígnio para Portugal" e "O Serviço da Fé", e contou com a presença de Diogo Freitas do Amaral, do presidente do Tribunal de Contas, Guilherme Oliveira Martins, da vice-presidente da Comunidade Israelita de Lisboa, Esther Mucznik, de Roberto Carneiro, do Padre Vaz Pinto, de António Vitorino, das jornalistas Paula Moura Pinheiro e Laurinda Alves, e de Marcelo Rebelo de Sousa, entre outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram citadas várias partes dos seus sermões e discutidas, paralelamente, várias questões relacionadas com a actualidade, tais como a situação actual de Portugal face ao futuro e a situação do diálogo entre culturas e entre religiões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Focando a singularidade da sua obra, nomeadamente na defesa dos índios brasileiros, Guilherme d''Oliveira Martins justificou a importância da evangelização do índio como defesa da dignidade e procura de que essa igualdade se traduzisse no dia-a-dia. "Oh trato desumano em que a mercancia é o homem", disse citando Padre António Vieira, classificando-o como profeta à frente do seu tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Nós judeus também guardamos uma memória importante de Padre António Vieira", afirmou Esther Mucznik ao iniciar a sua intervenção, lembrando outra das vertentes da sua obra, a de defesa dos judeus e dos cristãos-novos, que o levou a ser preso pela Inquisição. A representante da comunidade judaica aproveitou a oportunidade para afirmar que "contrariamente às aparências, o diálogo entre religiões não é nada fácil. Mesmo no judaísmo ainda existe algum ressentimento", acrescentando que "é favorável ao diálogo inter-religioso", embora considere que "este não existe em Portugal, em especial porque as confissões não-católicas têm uma expressão muito pequena na sociedade portuguesa" sendo esse diálogo "um poderoso instrumento de combate a preconceitos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto à garantia da existência de um desígnio para Portugal, António Vitorino salientou a necessidade de resposta a três "tensões": crescimento das desigualdades sociais; debate entre a afirmação de Portugal como país "atlantista" ou continental, defendo que "deveríamos apostar inequivocamente numa visão cosmopolita assente na Europa" e, por fim, a "qualidade da nossa democracia em relação ao conjunto dos cidadãos e, não só, em relação a alguns".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sequência da intervenção de António Vitorino, o também comentador, Marcelo Rebelo de Sousa, acrescentou que "haverá razões para desânimo num país que vive há vários anos numa crise económica e social", mas por outro lado, "Portugal, em 40 anos, enfrentou os desafios do fim do ciclo do império, descobriu e construiu uma democracia, encarou o desafio de se integrar no processo europeu do século XXI e construiu uma nova economia contra a visão de um Estado protector".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ciclo de comemorações irá ainda continuar até dia 14 de Fevereiro, contando com várias actividades, onde se incluem o "Eléctrico Chamado Vieira", carreira do eléctrico 28 que liga o Largo do Camões à Graça e roteiros pela Lisboa de Vieira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;( in Edit on Web  11.2.08)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-493125601849073694?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/493125601849073694/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=493125601849073694&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/493125601849073694'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/493125601849073694'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/02/vieira-os-mesmos-desafios-quatro-sculos.html' title='Vieira: os mesmos desafios quatro séculos depois'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-964348913846906643</id><published>2008-02-14T22:33:00.000-02:00</published><updated>2008-02-17T22:36:01.610-03:00</updated><title type='text'>Exposição</title><content type='html'>Até ao dia 29 de Fevereiro, está patente ao público uma exposição evocativa da Comemoração dos “400 Anos do Nascimento do Padre António Vieira”, (a 6 de Fevereiro de 1608, Lisboa), na Biblioteca Municipal do Barreiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta mostra é constituída por alguns textos e imagens extraídos das obras do autor e livros existentes na Biblioteca. O Padre António Vieira foi um notável prosador e o mais conhecido orador religioso português. Um dos mais influentes personagens do séc. XVII em termos de política, destacando-se como missionário em terras brasileiras. Foi na qualidade de Missionário que defendeu os direitos humanos dos povos indígenas combatendo a sua exploração e escravização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Padre António Vieira defendeu também os Judeus, a abolição da distinção entre cristãos-novos e cristãos-velhos, e a abolição da escravatura. Criticou, ainda, severamente os sacerdotes da sua época e a própria Inquisição. Faleceu na Bahia, em 1697.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(&lt;strong&gt;rostos.pt&lt;/strong&gt;, 14.2.08)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-964348913846906643?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/964348913846906643/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=964348913846906643&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/964348913846906643'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/964348913846906643'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/02/exposio.html' title='Exposição'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-3370501975770141325</id><published>2008-02-14T22:30:00.000-02:00</published><updated>2008-02-17T22:32:46.236-03:00</updated><title type='text'>Padre António Vieira</title><content type='html'>Comemora-se os 400 anos do nascimento do Padre António Vieira, influente personagem do Sec. XVI, politico, missionário, escritor e pregador. Dá-se relevo ao seu papel de jesuíta e são famosos os seus sermões. Grande defensor dos índios e judeus, numa época onde os índios ainda não eram considerados seres humanos, grande lutador contra a escravatura, foi sempre um grande dissidente da orientação geral. Esta dissidência trouxe-lhe grandes problemas com a Santa Inquisição tendo sido condenado pela mesma e proibido de pregar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem-se de lhe reconhecer uma grande coragem, quer física quer intelectual, para defender posições que arrostavam com os poderes dominantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como era possível alguém questionar as directrizes da Santa Igreja ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda por cima padre....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Se os pequenos comerem os grandes, bastara um grande para muitos pequenos, mas como os grandes comem os pequenos, não bastam cem pequenos, nem mil, para um só grande" . Não, não é uma alegoria aos tempos modernos e ao sistema ultra liberal em que vivemos. São palavras do seu "Sermão aos Peixes".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou será que são mesmo palavras actuais ? Estou confuso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se tivesse nascido há cerca de 30 anos estaria agora a lutar pelos direitos dos imigrantes e das minorias étnicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estaria a lutar contra o centralismo e federalismo desta União Europeia que nos vai garroteando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estaria a lutar pelo direito ao trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estaria a lutar por melhores condições de vida para todos os excluídos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estaria a lutar para que não tivéssemos que pagar para ter direito à saúde e educação. Estaria a lutar pelo direito a uma habitação condigna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estaria a lutar pelo direito de igualdade de oportunidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estaria a lutar contra os grandes grupos económico-financeiros que vão sugando o pouco que os pobres têm.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estaria a lutar contra as grandes empresas que estão desmatando as florestas amazónicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estaria a lutar contra o analfabetismo e ileteracia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estaria a lutar contra a pobreza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estaria a lutar.... Tantas e tantas lutas a favor dos mais desfavorecidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;400 anos passados e estaria novamente a pregar aos peixes....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Paulo Cruz, 14.2.08 , "O Notícias da Trofa")&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-3370501975770141325?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/3370501975770141325/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=3370501975770141325&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/3370501975770141325'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/3370501975770141325'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/02/padre-antnio-vieira.html' title='Padre António Vieira'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-5385556384726339559</id><published>2008-02-13T22:26:00.000-02:00</published><updated>2008-02-17T22:29:47.174-03:00</updated><title type='text'>"O esclarecimento de Vieira"</title><content type='html'>&lt;em&gt;A 6 de Fevereiro de 1608 nasceu, em Lisboa, António Vieira, que veio a ser missionário jesuíta, grande defensor dos índios e dos judeus, antiesclavagista, pregador da corte de Portugal, conselheiro do rei e embaixador político, mas o seu grande objectivo de vida pareceu ser o esclarecimento espiritual da Humanidade. Tendo vivido 89 anos, foi um dos maiores oradores do seu tempo, deixando cerca de 200 sermões, 700 cartas e outros escritos.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Vivendo na Baía desde os seis anos, contava apenas 15 quando, contra a vontade dos pais, entrou no noviciado jesuíta. Dada a sua inteligência superior e os seus dotes de oratória, aos 18 anos já era professor de Retórica no Colégio de Olinda, onde mais tarde foi lente de Teologia.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Até aos 32 anos, distinguiu-se como pregador no sertão baiano e em Salvador, defendendo sempre os mais desfavorecidos, assumindo interpretações pessoais de vários temas teológicos e mostrando uma certa tendência para uma visão profética. Viajando então para Lisboa, tornou-se num grande orador da Restauração portuguesa e dos cristãos-novos contra a Inquisição. Depois de ter sido encarregado de missões diplomáticas em França, Holanda e Itália, regressou ao Brasil com 45 anos, como superior dos missionários jesuítas, onde se distinguiu na cristianização dos índios e como antiesclavagista. Essa postura valeu-lhe a expulsão da então colónia, aos 53 anos, na companhia dos seus confrades.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Chegado à metrópole, foi interrogado, deportado para o Porto e para Coimbra, preso inicialmente no domicílio e depois em situação de incomunicabilidade, num lúgubre cubículo de reduzidas dimensões, sem luz e mal arejado. Aos 60 anos, Vieira foi libertado e iniciou uma luta pela supressão da Inquisição em Portugal.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Destacado para Roma, aí continuou essa luta nos sete anos seguintes, altura em que regressou a Lisboa, onde foi perdendo prestígio, o que o levou a voltar à Baía aos 73 anos. Aos 80, foi nomeado visitador da província do Brasil pelo responsável da Companhia de Jesus, na altura em que preparava a publicação dos seus "Sermões", o que foi acontecendo com sucesso. Seguiu-se a "História do futuro", que procurava ser uma previsão dos destinos de Portugal e do Mundo, mas que não chegou a acabar.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O Quinto Império - a "maravilha" da grande "mudança" a operar-se no "teatro" do mundo pelo "triunfo de Cristo" por acção dos portugueses - foi considerado por alguns um sonho enlouquecido e por outros o mito fundamental da sua visão profética relativa ao esclarecimento espiritual da Humanidade. E esse esclarecimento continuou e continua desejado por muitos outros, como Fernando Pessoa "No Quinto Império, haverá a reunião das duas forças separadas há muito, mas de há muito aproximando-se: o lado esquerdo da sabedoria - ou seja, a ciência, o raciocínio, a especulação intelectual, e o seu lado direito - ou seja, o conhecimento oculto, a intuição".&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;( Luís Portela, 13.2.08, "Jornal de Notícias" )&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-5385556384726339559?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/5385556384726339559/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=5385556384726339559&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/5385556384726339559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/5385556384726339559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/02/o-esclarecimento-de-vieira.html' title='&quot;O esclarecimento de Vieira&quot;'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-1159162619797940437</id><published>2008-02-12T20:24:00.000-02:00</published><updated>2008-02-18T20:25:27.683-03:00</updated><title type='text'>Sessão sobre Vieira no Instituto Camões</title><content type='html'>Teve ontem lugar no Instituto Camões, em Brasília, uma sessão de divulgação da vida e obra do Padre António Vieira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na ocasião, foi feita uma apresentação pelo especialista "vieirino" Padre Aleixo, ilustrada pela leitura de textos de António Vieira, feita pelo embaixador Lauro Moreira, representante do Brasil junto da CPLP, e pelo Conselheiro Cultural da Embaixada, Adriano Jordão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-1159162619797940437?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/1159162619797940437/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=1159162619797940437&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/1159162619797940437'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/1159162619797940437'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/02/sesso-sobre-vieira-no-instituto-cames.html' title='Sessão sobre Vieira no Instituto Camões'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-2512188795655758480</id><published>2008-02-12T13:14:00.000-02:00</published><updated>2008-02-18T13:16:32.929-03:00</updated><title type='text'>Coimbra e o Padre António Vieira</title><content type='html'>O Padre António Vieira (1608-1697) foi personalidade marcante do século XVII, tanto em Portugal como no Brasil. Fernando Pessoa apelidou-o, inclusivamente, de “Imperador da Língua Portuguesa”. Ao longo dos seus 89 anos de vida, atravessou inúmeras vezes o Oceano Atlântico e percorreu milhares de quilómetros em terras brasileiras. Missionário e diplomata, também considerado um percursor da defesa dos direitos humanos (bateu-se pela abolição da escravatura, combateu os métodos da Inquisição, defendeu por várias vezes judeus e cristãos novos), deixou uma obra literária composta por centenas de sermões e cartas, tratados proféticos e dezenas de escritos filosóficos, teológicos, espirituais, políticos e sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As comemorações em curso do IV centenário do seu nascimento são, por tudo isso, merecidíssimas. Trata-se não só de homenagear um homem que participou activamente da história do seu tempo, mas igualmente um autor fundamental da nossa literatura. Obras como “Os Sermões”, em que revela toda a sua extraordinária veia de moralista e teólogo, ou as “Cartas” em que plasmou com enorme inspiração a actividade política que também foi desenvolvendo, designadamente no decurso do reinado de D. João IV, são efectivamente, ainda hoje, de estudo obrigatório em muitas universidades. Há quem o considere mesmo “o maior artista da língua portuguesa”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As celebrações coincidem, de resto, praticamente, com a eleição do 29.º “Papa Negro”, como é conhecido o superior da Companhia de Jesus, fundada em 1540, pelo espanhol Santo Inácio de Loyola, e que, 468 anos depois, está presente em 127 países, o que a torna, inquestionavelmente, a mais poderosa ordem da Igreja Católica e aquela que, entre as congregações masculinas, detém o maior número de membros. São igualmente reputadas as escolas e universidades que gere, bem como as elites que promove entre os leigos. A hierarquia católica e os próprios políticos nem sempre viram com bons olhos o poder dos jesuítas, aliado à sua grande formação intelectual. Os “desentendimentos” com o Vaticano foram frequentes e, em Portugal, a Companhia foi duramente perseguida, no século XVIII, pelo Marquês de Pombal. Ainda assim, os hábitos negros dos jesuítas mantêm presença nos locais de maior perseguição aos católicos, como nos países islâmicos, China, Cuba e Vietname, prestando serviços nas áreas da educação e apoio social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coimbra tem sido madrasta para com aqueles que lhe ajudaram a fazer a história e a consolidar-lhe o imaginário no país e no mundo. Que a última vítima não seja, portanto, o padre António Vieira (até tem nome de rua na cidade), que para cá veio desterrado em 1663 e onde foi, segundo o professor Aníbal Pinto de Castro, “bastante enxovalhado”, ao ser obrigado a depor no Santo Ofício sobre a sua obra “Esperanças de Portugal” – e que, até agora, apenas mereceu um simples recital de órgão e uma pregação do “Sermão de Quarta-feira de Cinzas”. A Faculdade de Letras, sobretudo ela, não poderá ficar indiferente a uma efeméride que já mereceu, até, o alto patrocínio do Presidente da República.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Soares Rebelo, 12.2.08, Diário "As Beiras" )&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-2512188795655758480?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/2512188795655758480/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=2512188795655758480&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/2512188795655758480'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/2512188795655758480'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/02/coimbra-e-o-padre-antnio-vieira.html' title='Coimbra e o Padre António Vieira'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-2646965883515543236</id><published>2008-02-09T20:38:00.000-02:00</published><updated>2008-02-09T20:41:32.833-02:00</updated><title type='text'>A liberdade que animou Vieira</title><content type='html'>Foi a causa da liberdade, “este sentido de consciência crítica ao serviço do bem comum, que animou Vieira contra as animosidades do Estado e da própria Inquisição” – afirmou D. Carlos Azevedo, bispo auxiliar de Lisboa, no colóquio «Padre António Vieira – os mesmo desafios quatro séculos depois», realizado hoje, no Auditório do Colégio de S. João de Brito, em Lisboa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num painel sobre «O Serviço da Fé», o bispo auxiliar de Lisboa dividiu a sua conferência em três pontos: “Uma profunda espiritualidade – a fidelidade à Palavra de Deus”; “A coerência da acção - uma determinação política na defesa da justiça” e “A qualidade dos modos: a beleza das formas”. Na celebração da efeméride dos 400 anos de nascimento deste jesuíta, D. Carlos Azevedo sublinhou que “o cristão no poder, exercido no Estado ou na hierarquia da Igreja, é chamado a respeitar a liberdade dos outros e a colocar a sua ao serviço dos mais fracos e pobres”. E acrescenta: “O cristão tem um modo de dar significado à sua liberdade, alheio assim a qualquer corrupção, porque se oferece em serviço”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em relação ao actual afastamento da política e a crise da participação cívica, D. Carlos Azevedo realça que “as acusações de que todos os poderosos procuram os seus interesses, de que são todos iguais, os exemplos de corrupção, de terrorismo de Estado, do tráfico de influências, acabam por conduzir a aceitar passivamente a normalidade do imoral”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao falar do lado estético do Pe. António Vieira, o conferencista salienta que “Vieira não serviu apenas a Palavra fazendo-a incidir com vivacidade sobre as situações reais do seu tempo, não só se disponibilizou para dar passos políticos no sentido da relação e do respeito entre povos e culturas, mas aliou a este serviço da fé uma graça, um encanto formal que é lição permanente para hoje”. E finaliza: “a sua persuasão não seria tão fecunda sem o entusiasmo estético. O estilo não obscurecia a mensagem. Oferecia-lhe limpidez de enlevo, sedutor das mentes, graças ao fulgor da inteligência, comunicada em arquitectura sonora”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;( Luís Filipe Santos na Agência Ecclesia)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-2646965883515543236?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/2646965883515543236/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=2646965883515543236&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/2646965883515543236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/2646965883515543236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/02/liberdade-que-animou-vieira.html' title='A liberdade que animou Vieira'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-6763574422237271590</id><published>2008-02-09T13:53:00.000-02:00</published><updated>2008-02-09T13:55:48.312-02:00</updated><title type='text'>Congresso em Roma sobre António Vieira</title><content type='html'>Roma, 09 fev (RV) – Na última quarta-feira, dia 6, foi recordado o IV Centenário do nascimento de Padre António Vieira. Jesuíta, missionário e diplomata, ele entrou para os anais da história portuguesa e brasileira como um grande prosador e defensor dos direitos humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Padre António Vieira deixou uma obra literária composta de 200 sermões, 700 cartas, tratados proféticos e dezenas de escritos filosóficos, teológicos, espirituais, políticos e sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um incansável defensor dos direitos humanos dos povos indígenas, e combateu a exploração e escravização dos mesmos. Era chamado por eles de "Paiaçu" (Grande Pai, em língua tupi).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Padre António Vieira defendeu também os judeus, a abolição da distinção entre cristãos-novos (judeus convertidos, perseguidos na época pela Inquisição) e cristãos-antigos (os católicos tradicionais), e a abolição da escravatura. Criticou ainda e severamente, os sacerdotes da sua época e a própria Inquisição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para recordar os quatro séculos de seu nascimento, a Universidade "La Sapienza", de Roma, organizou um congresso, com a participação de estudiosos e professores brasileiros, portugueses e italianos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre eles, está a professora Sonia Salomão, que ensina cultura e língua brasileiras na "La Sapienza". Ela nos fala da atualidade de Padre Antonio Vieira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;( Rádio Vaticano 9.2.08)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-6763574422237271590?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/6763574422237271590/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=6763574422237271590&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/6763574422237271590'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/6763574422237271590'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/02/congresso-em-roma-sobre-antnio-vieira.html' title='Congresso em Roma sobre António Vieira'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-1979976867531209371</id><published>2008-02-09T13:51:00.000-02:00</published><updated>2008-02-09T13:53:27.665-02:00</updated><title type='text'>Encontros com Vieira</title><content type='html'>“Encontros com o Padre António Vieira”, é o tema do curso que se inicia já a partir de 11 de Fevereiro e que decorrerá às segundas-feiras, das 21h às 23h, no Seminário de Leiria. As inscrições fazem-se na Secretaria do CFC, ou pelo site.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Missionário incansável, um dos grandes objectivos da sua vida foi levar o evangelho a todos os povos do mundo”, salienta a organização. Esta formação pretende evocar a vida e a obra de uma figura ímpar da cultura portuguesa e brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Fátima Missionária  9.2.08)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-1979976867531209371?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vieira2008.blogspot.com/feeds/1979976867531209371/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6130401891343094894&amp;postID=1979976867531209371&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/1979976867531209371'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/1979976867531209371'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/02/encontros-com-vieira.html' title='Encontros com Vieira'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-7103782666433444255</id><published>2008-02-08T13:25:00.000-02:00</published><updated>2008-02-08T13:27:52.055-02:00</updated><title type='text'>A arte de interpretar para persuadir</title><content type='html'>Nas muitas artes que o Pe. António Vieira praticou, deparamos sempre com a presença de um modus operandi que consiste em interpretar para persuadir. Ocupe-se ele de pregação, de profetismo, de história, de apologética, e veremos, em todos esses casos, que os textos, acontecimentos, coisas e pessoas aí abordados encerram mais valor e sentido do que o imediato valor e sentido que parece decorrer da respectiva realidade empírica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim acontece porque existem como entidades pregnantes, em relação às quais não há, nem pode haver, uma compreensão unívoca, definitiva e exclusiva. A fixidez e permanência de tais entidades, ao permitir que as tomemos como referentes, também nos habilita a mantê-las disponíveis para múltiplas dimensões de valor e de sentido de que são portadoras. Ora, o acto de delimitar nessa dimensão significativa plural o maior número possível de constituintes semânticos é tarefa que compete à arte da interpretação. E Vieira soube ser sempre um intérprete diligente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O modo de interpretar por ele seguido obedece a regras e critérios muito antigos, compendiados outrora pelo dominicano Agostinho de Dácia (séc. XIII), em dístico que refere os quatro sentidos da exegese medieval, nestes termos: “A letra ensina os feitos, o que crês a alegoria, / A moral o que deves fazer, para onde te inclinas a anagogia.”1 Ficamos, pois, a saber que a Palavra de Deus, tal como está impressa nos livros do Velho e do Novo Testamento, além do sentido literal, dispõe igualmente dos sentidos alegórico, moral ou tropológico, anagógico ou místico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta maneira de ler os textos sagrados apresenta, em Vieira, algumas aplicações surpreendentes. O que, desde os Padres da Igreja, foi sendo elaborado como método de interpretação bíblica serve ao pregador jesuíta para ler e interpretar os elementos da própria natureza e os acontecimentos da história. Além disso, junta à Revelação feita por Deus e guardada nos Livros Sagrados o ensino e interpelação que o mesmo Deus, na sua Providência, vai transmitindo aos homens, através de acontecimentos da mais variada espécie.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Baseado nestes princípios, Vieira tanto estende o procedimento interpretativo dos quatro sentidos às coisas da natureza e às peripécias da história profana, elevadas ambas ao estatuto de textos, como envolve na dinâmica da economia da salvação realidades do mundo natural e social que dela parecem distantes. Este alargamento do campo da interpretação obedece a um propósito claro e imperativo: persuadir ouvintes e leitores das consequências práticas da fé.&lt;br /&gt;É preciso não perder de vista que Vieira se assume permanentemente como quem está em missão. Esta missão, mesmo nos episódios em que parece andar demasiado imiscuída em negócios humanos, subordina-se sempre ao desígnio supremo de quem sabe, como Vieira, que a sua vocação é servir a realização do Reino de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compreende-se assim que a retórica tenha sido instrumento, nunca um fim, usado com inexcedível perícia, tendo em vista argumentar, aduzir provas, persuadir. Contemporâneo de Descartes (1596-1660) e de Baltasar Gracián (1584-1658), deles se distingue profundamente quanto ao método e quanto à arte de argumentar. Ao critério da evidência racional e dos juízos nele fundados, prefere Vieira as certezas da fé e da esperança a cuja luz interpreta os acontecimentos passados e presentes e neles descobre o sentido de coisas futuras, deste modo consagrando a história como verdadeiro sacramentum futuri (sinal sagrado do futuro).&lt;br /&gt;Embora compartilhe com Gracián os processos do discurso engenhoso, dele diverge quanto à finalidade para a qual os utiliza. Mais do que exercício de estética, a subtileza dos conceitos e a sua organização discursiva pretende inculcar verdades e levá-las à prática na vida dos indivíduos e dos povos. Se os conceitos são em Gracián palavras belas que deleitam, em Vieira são, antes de mais, palavras que ensinam, transformam e querem operar a conversão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Critica com desassombro, no sermão da Sexagésima (1655), o estilo culto e as agudezas a que se entregavam vários pregadores do seu tempo que mais lhe pareciam actores de comédia ou de farsa do que semeadores da palavra de Deus. Tenta, por outro lado, traçar as linhas mestras de uma arte de pregar em que as Escrituras não devem andar mal interpretadas nem Deus ser traído por aqueles mesmos que se apresentam e falam em seu nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digamos que a retórica utilizada com mestria pelo pregador jesuíta quis servir, acima de tudo, o sentido pleno dos textos e da vida. Soube promovê-lo na dupla acepção que o sentido tem, isto é, como manifestação de inteligibilidade e como factor de orientação e direcção. Como manifestação de inteligibilidade, os textos, ao serem lidos e relidos, revelam-se manancial inesgotável de saber e de verdade; como factor de orientação e direcção, a história e a existência humana adquirem o rumo que as faz alinhar pela esperança na consumação final do Reino de Cristo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(1) “Littera gesta docet, quid credas allegoria, / Moralis quid agas, quo tendas anagogia.” Cit. por Henri de Lubac, Exégèse Médiévale Les quatre sens de l’Écriture. I. Paris, Aubier, 1959, p. 23 &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;(LUIS MACHADO DE ABREU, Universidade de Aveiro, na AGÊNCIA ECCLESIA)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-7103782666433444255?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/7103782666433444255'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/7103782666433444255'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/02/arte-de-interpretar-para-persuadir.html' title='A arte de interpretar para persuadir'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-7192169830346898647</id><published>2008-02-08T13:23:00.000-02:00</published><updated>2008-02-08T13:24:44.675-02:00</updated><title type='text'>Vieira e a Igreja do seu tempo</title><content type='html'>Neste ano de 2008 em que se comemora o 4º centenário do nascimento do P. António Vieira, os múltiplos aspectos do seu carácter, da sua actividade e das suas relações irão ser certamente objecto de consideração e discussão, não só em Portugal como também em Itália (um congresso dedicado a Vieira) e no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui iremos cingir-nos apenas a alguns aspectos de um único aspecto da sua vida, a relação à Igreja do seu tempo. Lembramos, antes de mais, que embora nascido em Lisboa, António Vieira parte para o Brasil acompanhando os seus pais, ainda criança e é no contacto e no colégio dos jesuítas na Baía que faz os seus estudos e tem a sua primeira experiência de relação com a Igreja concreta, uma Igreja profundamente missionária, Igreja na qual, como estudante e jovem padre, António Vieira se empenha generosamente. Aprende várias línguas nativas, corre perigos, visita missões, ensina a doutrina cristã e administra os sacramentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Providencialmente transferido para Lisboa e muito próximo do Rei e da corte, é em Portugal e também em Roma que ele faz outras experiências da Igreja. Antes de mais com os seus irmãos da Companhia de Jesus: amizades fortes e grandes, mas também invejas e incompreensões pelas posições tomadas e extraordinária influência junto do Rei. Há que reconhecê-lo, em questões internas da Companhia, o P. Vieira não terá procedido da melhor maneira, tentando "inclinar" as decisões para a sua opinião de modo indevido, o que lhe valeu séria repreensão por parte do P. Geral da Companhia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o grande e mais profundo conflito que marcou a sua vida foi a sua relação de franca hostilidade com a Inquisição, o Tribunal do Santo Ofício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos em plena contra-reforma, é bom lembrar, no auge do poder deste tribunal que muitas vezes se sobrepõe ao Rei…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo seu espírito independente, pela sua defesa intransigente dos judeus e cristãos novos, pelo seu contacto com as potências protestantes e há que reconhecê-lo, também pela sua religiosa e imprudente defesa do papel messiânico de Portugal, Vieira é a presa ideal e exemplar para o Santo ofício….&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julgado na sua conduta e nas suas obras, Vieira é condenado, preso, privado dos seus direitos de religioso e obrigado ao silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;António Vieira não se conforma. Com autorização dos seus superiores dirige-se a Roma onde é muito bem recebido não só pelo P. Geral da Companhia de Jesus, como pelo próprioPapa. Convidado para confessor da convertida Rainha Cristina da Suécia, recusa, como sempre recusou os convites para honras e benesses… Mais ainda, Vieira conseguiu um especialíssimo "Breve" do Papa que o isenta pessoalmente e em qualquer parte do mundo, da jurisdição da Inquisição.&lt;br /&gt;Sem se poder contestar os seus indiscutíveis defeitos humanos, na sua actividade de pregador, político, diplomata, escritor, Vieira não foi um homem que procurasse a riqueza, o sucesso ou o poder pelo poder: conduzido pelo ideal de serviço a Deus e ao seu país, profundamente fiel à Companhia e à Igreja, apesar de todos os conflitos, o P. António Vieira, aliando a imaginação com a liberdade e a obediência, com os seus noventa anos de vida, é uma figura verdadeiramente incontornável de português, de jesuíta, de filho da Igreja e de seguidor de Jesus Cristo na construção do Seu Reino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(PADRE ANTÓNIO VAZ PINTO, da Comissão Ano Vieirino, na AGÊNCIA ECCLESIA)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-7192169830346898647?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/7192169830346898647'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/7192169830346898647'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/02/vieira-e-igreja-do-seu-tempo.html' title='Vieira e a Igreja do seu tempo'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-6593997100213533447</id><published>2008-02-08T13:18:00.000-02:00</published><updated>2008-02-08T13:20:41.675-02:00</updated><title type='text'>"Paiaçu" Vieira</title><content type='html'>O padre Antonio Vieira nasceu no dia 6 de fevereiro de 1608, em Lisboa, e faleceu, na Bahia, no dia 17 de junho de 1697, com 89 anos de idade. Assim, no último dia 6 do corrente mês, muitos portugueses e brasileiros, bem como a comunidade jesuíta comemoraram o quarto centenário do nascimento de Vieira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dividiu seu coração com Portugal e o Brasil, sendo portanto reconhecido por muitos como o maior filósofo, teólogo, intelectual e orador luso-brasileiro de todos os tempos. Além de 200 sermões e mais de 500 cartas, produção reunida em 16 e 3 volumes, respectivamente, na edição de Coimbra (1925-1928), redigiu o “Clavis Prophetarum”, livro de profecias inconcluso. O Sermão da Sexagésima ou do Evangelho, dentre alguns que tivemos oportunidade de ler, evidencia a forma barroca de sua linguagem consubstanciando conceitos religiosos baseados na Escolástica, como também uma consciência pós-renascentista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A contribuição literária e as atividades do padre Antonio Vieira levaram em consideração temas relevantes para Portugal e o Brasil, tais como: a defesa dos cristãos novos (judeus que não eram aceitos pela inquisição); oposição rigorosa à inquisição; a luta diplomática e efetiva, contra os holandeses, visando manter a integridade do território brasileiro, notadamente, Pernambuco e Bahia, regiões desejadas em razão da grande produção de açúcar; proteção aos índios do Maranhão, que o chamavam de “Paiaçu” (Grande Pai em Tupi), e aos escravos africanos trazidos e mantidos, de forma desumana, na Bahia. Missionário da Companhia de Jesus, teve ainda papel significativo como diplomata e conselheiro político dos governantes da nação portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale destacar que sua crença, típica do sebastianismo, influiu sobremaneira no seu pensamento filosófico. Sempre que lemos o Sermão da Sexagésima, lembramo-nos dos Evangelhos de São Lucas, VIII, 11. e de São Mateus, XIII, 3. “Semen est verbum Dei” (A semente é a palavra de Deus) e “Ecce exiit qui seminati seminare” (Eis que o semeador saiu a semear).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(GONZALO MOTA, professor e economista, no DIÁRIO DO NORDESTE 8,2.08)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-6593997100213533447?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/6593997100213533447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/6593997100213533447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/02/paiau-vieira.html' title='&quot;Paiaçu&quot; Vieira'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-9059802975210917584</id><published>2008-02-08T13:15:00.000-02:00</published><updated>2008-02-08T13:16:55.725-02:00</updated><title type='text'>"Esse povo de palavras"</title><content type='html'>Passam agora 400 anos sobre o nascimento do Padre António Vieira (1608-1697), uma das mais distintas personalidades portuguesas de todos os tempos, sob diversos pontos de vista.&lt;br /&gt;Fernando Pessoa, por exemplo, chamou-lhe “imperador da língua portuguesa”, em poema que lhe dedicou na sua “Mensagem”. E o ex-presidente Jorge Sampaio referiu-se-lhe, em 1997, nas comemorações do terceiro centenário da sua morte, como “Vieira, esse povo de palavras”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homem de vastíssima cultura (aos vinte e sete anos já era um especialista em Latim), foi também um pregador eloquente, mas foi, sobretudo um homem à frente do seu tempo. “Activo abolicionista, defensor dos negros, batalhador incansável contra o extermínio dos índios e uma ameaça constante aos poderosos do clero”, segundo Gondim. Defendeu, ainda, os cristãos-novos e os judeus, contra a tendência da época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tendo regressado a Portugal para assumir o cargo de pregador da corte de D. João IV, logo após a morte do rei, que o protegia, foi preso pelo famigerado Santo Ofício, tendo sofrido um longo processo que o manteve encarcerado durante mais de dois anos numa cela miserável, de quinze palmos por doze, incomunicável, e sem receber luz senão através de um corredor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sua obra, que é indissociável de uma intensa actividade como homem público, compõe-se de cerca de duzentos sermões, de mais de quinhentas cartas e uma série de documentos de política, diplomacia, profecia e religião. Neles evidencia uma profunda capacidade de análise e denúncia dos vícios e das fraquezas humanas, com extremo realismo e uma inteligência implacável na sua acção moralista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regressou finalmente à sua Baía, após quarenta anos de ausência, para preparar doze volumes de sermões, tendo falecido aos 89 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O decano da cinematografia mundial, o nosso Manuel de Oliveira, já produziu obra sobre este nome incontornável do século dezassete português, mas é pena que não sejam figuras riquíssimas como a de António Vieira que nos entram regularmente pela casa dentro, nas televisões, mas sim toda a espécie de superficialidade, mediocridade, boçalidade e cretinice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;( BRISSOS LINO em O SETUBALENSE)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-9059802975210917584?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/9059802975210917584'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/9059802975210917584'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/02/esse-povo-de-palavras.html' title='&quot;Esse povo de palavras&quot;'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-2787095965197581745</id><published>2008-02-08T00:46:00.000-02:00</published><updated>2008-02-08T00:51:14.022-02:00</updated><title type='text'>"Do Candomblé à Lusitânia Feliz"</title><content type='html'>Introdução da obra "No coração do Brasil - Seis cartas de viagem ao Padre António Vieira"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A escrita de Inês Pedrosa e os desenhos de João Queirós evocam de um modo extremamente atraente uma viagem que tão cedo não esqueceremos. É que neste percurso sob a invocação do Padre António Vieira, procurando entender a abertura de espírito, as vicissitudes, as incompreensões e tudo o mais que o orador sofreu, houve uma aura de mistério sempre presente que este livro procurou captar, de um modo algo inesperado, mas irresistível, que nos faz recordar em «flashback» alguns desses momentos inesperados. E tudo podia começar, emblematicamente, na Casa Branca, o terreiro nobre do candomblé de Salvador. Era o momento de celebrar Oxalufam, o primeiro dos orixás, o deus ancião, que simboliza a sabedoria. Na Igreja do Senhor do Bonfim, ao fim da tarde, Marcos, protegido por Oxalá, dera-nos já uma descrição entusiástica da hierarquia dos orixás. À hora marcada, quando entrámos na sala, apercebemo-nos do ambiente geral de mistério, circunspecção e expectativa. Em lugares de destaque estavam as mães-de-santo e os três tambores do “candomblé”, ao som dos quais se desenvolviam as danças rituais. A pouco e pouco, começou a sentir-se que o ritual da possessão ia acontecendo. Olhares em alvo, movimentos mecânicos, êxtase… Vem à memória o Benim e as cerimónias Vudu na fronteira do Togo relatados em “Atlântico: A Viagem e os Escravos” de Miguel real… O sincretismo religioso está bem evidente no terreiro, através de um pequeno altar com as imagens de Cristo crucificado e de santos cristãos. Enquanto as mulheres conduzem os acontecimentos, um homem sai do seu lugar e começa a dançar, sonâmbulo, ao ritmo dos tambores. Marcos estava nervoso e depois percebemos a razão: no auge da celebração, apareceu “incorporado”, inclinado, ausente, dançando, como o pai dos orixás – ele, ao lado de um jovem exuberante com largos movimentos e piruetas…&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Fomos a Cachoeira, nas margens do rio Paraguaçu, com paragem em Santo Amaro da Purificação, cidade da cana-do-açúcar, da mandioca e do fumo – terra de Dona Canô, a mãe de Maria Bethânia e de Caetano Veloso. O Recôncavo Bahiano é a região mítica onde se nota a riqueza de outrora. Aqui pode ter-se iniciado o processo de independência do Brasil. Tudo se desenvolve, por isso, em torno da Praça da Aclamação – onde Damário Dacruz tem o centro cultural “Poiso da Palavra”, e aí ensina que as três grandes riquezas do futuro serão a água, a singularidade e a criatividade. passamos pela Irmandade da Boa Morte, feita pelas mulheres negras da sociedade matriarcal de Gueledé. Almoçamos principescamente na Fazenda de Santa Cruz e regressamos a Salvador, onde “visitamos” o Padre António Vieira, com Edivaldo Boaventura e a directora do Arquivo Público, marli Teixeira, na Quinta do tanque, lugar onde o jesuíta passou os últimos anos de vida, desde 1681, a cuidar da versão final dos Sermões, com o seu companheiro padre José Soares. Em 1688, foi nomeado Visitador da província do Brasil, depois de muitas incompreensões, regressando apenas em 1691, para escrever a “Clavis Prophetarum”.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Com que emoção, no rasto do Padre António Vieira, chegámos à Catedral Basílica da Bahia, a antiga Igreja do Colégio dos Jesuítas! Aí estão a cela onde viveu e a cadeira de jacarandá, que a tradição diz ter sido sua. Veio doente da Quinta do Tanque e morreu a 18 de Julho de 1697, á hora primeira. E então disse o padre André de barros: “no mesmo ponto e hora da noite em que expirou, acendeu o Céu uma nova estrela, ou facho luminoso, que foi visto sobre o Colégio”. E assevera a tradição que a Vieira teria sido dada a sepultura com o número 14, á direita do altar-mor. E foi com grande expectativa que presenciámos as diligências de Miguel Real para descobrir onde estaria esse número. Depois de arrastarmos um tapete, bandeiras e um montão de fios eléctricos, lá apareceu, perante o entusiasmo de todos, o 14 por que todos ansiávamos. Como se sabe, porém, o corpo do Padre foi retirado, no final do século XVIII, e nunca foi reencontrado. Ainda lembrámos os primeiros passos de Vieira: os primeiros estudos, o ingresso no noviciado, os primeiros contactos com os índios com quem aprendeu a língua geral, o tupi-guarani, idioma usado, com o latim, e o português vernáculo, como meio de comunicação dos jesuítas. Depois do Colégio, houve o deslumbramento da Igreja de S. Francisco, onde o barroco setecentista está em todo o seu esplendor. A talha dourada reveste as paredes e o forro da nave e deixa-nos esmagados pela profusão de motivos e pela riqueza luxuriante dos elementos. Ao lado, na Ordem terceira de S. Francisco, vimos os painéis de azulejos representativos de Lisboa por ocasião do casamento de D. José, cujo restauro tem tido o apoio da Fundação Ricardo Espírito Santo. Adriano Jordão acompanha-nos entusiasmado. Depois do Terreiro da Sé e do almoço na Cantina da Lua, fomos au Museu Afro-Brasileiro, onde as esculturas de Carybé nos deram a variedade e a versatilidade do mundo do candomblé. E se recordamos o Padre António Vieira, temos de lembrar Agostinho da Silva, que sonhou tudo de novo e organizou, na Universidade, o Centro de Estudos Afro-Orientais… Dali, é pequeno o salto ao Pelourinho, à Igreja de nossa Senhora do Rosário dos Pretos. na Fundação Casa de Jorge Amado, recordamos a tabela de correspondências dos orixás – Iemanjá (Virgem Maria); Obaluaê (S. Sebastião); Ogum (Santo António de Lisboa); Oxóssi (S. Jorge); Uxumaré (S. Bartolomeu); Iansã (Santa Bárbara). Subimos até ao convento do Carmo, passando pela escadaria da Igreja do Santíssimo Sacramento, onde Anselmo Duarte fez “O Pagador de promessas” (1962) e na Ordem Terceira do Carmo admiramos a imagem de Cristo morto feita em cedro, com rubis sangue de pombo incrustados, da autoria do Cabra, o escravo Francisco Xavier das Chagas.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Conta a lenda que, ainda na infância, o jovem António Vieira tinha dificuldades de aprendizagem que muito o angustiavam. Passando pela antiga Sé (que hoje já não existe), entrou no templo e deteve-se em oração perante a imagem de Nossa Senhora das Maravilhas. Então sentiu o famosíssimo “estalo”, que lhe despertou a vocação e os dotes de oratória. Estivemos, porém, quase para não ver a imagem de Nossa Senhora das Maravilhas. havia uma greve nos museus, que mantinha fechado o Museu de Arte Sacra no Convento de Santa Teresa de Ávila. Graças à gentileza do Reitor da Universidade, tivemos o privilégio de olhar a extraordinária imagem, tão ligada à memória de Vieira. É uma figura em madeira policromada e dourada do século XVI, com revestimento a prata do século XVII. Foi uma das raras peças que se salvaram da invasão dos holandeses. O museu é constituído por um repositório único dos melhores exemplos da arte religiosa dos séculos XVI a XVIII. É difícil encontrar no mundo um conjunto tão rico e diversificado. Na Igreja do Convento de Santa Teresa, antecâmara do museu, vemos o altar de prata que foi da antiga Sé, e na parte central do altar-mor está a campa do fundador da Universidade Estadual da Bahia, o Professor Edgrard Rego dos Santos, amigo da cultura portuguesa.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Na Rua dos Judeus ou do Bom Jesus, já no Recife, visitamos a primeira sinagoga das Américas. Aqui ensinou Isaac Aboab da Fonseca, vindo de Amesterdão, para acompanhar seiscentas famílias de sefarditas portugueses. Era o tempo de Maurício de Nassau (1637-1644). Em 1654, depois da Restauração Pernambucana, estes judeus de origem portuguesa tiveram, no entanto, de partir apressadamente para Nova Amesterdão, a actual Nova Iorque… Só Deus sabe o que o Padre António Vieira se bateu para que os judeus ficassem. O projecto de Zahal Zur Israel exigiu a remoção de centenas de toneladas de entulho, mas hoje o Centro Cultural Judaico de Pernambuco apela à memória em nome do entendimento. Do Recife histórico, fomos às origens, a Olinda. O fantasma de Vieira encontra-se aí com o arcebispo D. Hélder Câmara, nas sete colinas da cidade antiga. No altar-mor da igreja do Mosteiro de S. Bento, vemos a talha dourada com elementos exuberantes (grinaldas, flores, conchas e anhos), em que o barroco tardio anuncia o neoclássico. Adiante, o conjunto franciscano destaca-se – com a Igreja de Nossa Senhora das Neves e o Convento – e, mais acima, a Igreja do Salvador do Mundo, a catedral, onde está sepultado D. Hélder. Bem perto, está o Seminário de Olinda, local onde esteve Vieira, junto à casa mítica de Branca Dias, personagem querida de Miguel Real. E, regressados ao Recife, ouvimos ao jantar a voz timbrada de Augusto Lopes Cardoso, a recitar Manuel Bandeira: “Não a Mauritsstad dos armadores das Índias Ocidentais.” E logo: “Vou-me embora p’ra Pasárgada/ Lá sou amigo do rei/ Lá tenho a mulher que eu quero/ Na cama que escolherei…”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;No Gabinete Português de Leitura do Recife, encontrei velhos amigos há muito desaparecidos, e meu Avô, entre livros, memórias e lembranças, na biblioteca de Jordão Emerenciano. Leonardo Dantas acompanhou-nos na recordação da antiga cidade e da sua história. E visitamos a Capela Dourada, a dois passos do Gabinete, no convento dos irmãos terceiros de S. Francisco, com o altar de 1697, revestido a ouro, expressão suprema do barroco do Recife. A capacidade de nos surpreendermos não pára. O Recife é um porto de encontro de várias histórias, de vários tempos, de diferentes tradições. Como disse o padre Fernão Cardim, no final do século XVI: “Enfim em Pernambuco se acha mais vaidade do que em Lisboa”… E ao visitarmos o Instituto Ricardo Brennand, sentimos isso mesmo, não apenas perante a obra de Frans Post, mas pelo encontro do Norte e do Sul, da predestinação puritana e da força vital da natureza pródiga…&lt;br /&gt;S. Luís do Maranhão! Partimos para a cidade de Alcântara, no outro lado da baía de São Marcos. é a recordação de um tempo que não volta. E Josué Montello ajuda-nos na decifração da cidade fantasma: “Tudo quieto. Não ouço rumor de vida à minha volta. Nem sequer uma revoada de andorinhas estala o seu alarido feliz por cima dos telhados escuros.” Mas recuemos. A cidade foi rica e opulenta. Fundada em 1648, foi centro da actividade económica da produção da cana-de-açúcar e do algodão até á abolição da escravatura. É um conjunto arquitectónico dos séculos XVII e XVIII, paradoxalmente preservado, entre ruínas e memórias, pelo abandono dos seus habitantes. O catamarã que nos leva a Alcântara sob um sol intenso, numa viagem de hora e meia, enfrenta o mar revolto e o vento forte. Danilo recorda-nos o povoamento tupinambá, fundado por índios tapuias, que os tupis expulsaram. A vila desenvolveu-se porque se tornou ponto obrigatório nas ligações entre São Luís e o Pará, e porque serviu de base ás forças portuguesas que expulsaram os holandeses. Depois de subirmos desde o Porto do Jacaré, deparamos na Praça da Matriz com as ruínas da Igreja de S. Matias. O pelourinho, com as armas de Portugal, esteve na Rua da Bela Vista, depois designada como Rua da Amargura. E não se sabe se esta designação vem dos castigos infligidos aos escravos, se do facto de ser daqui que se faziam as despedidas dos que partiam para o reino.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;S. Matias está em ruínas e conta-se que um novo-rico teria mandado demolir parte da torre para poder ter melhor vista do seu sobrado. “Por estas calçadas compridas, ao pé dos sobrados que rodeiam o largo, retiniram esporas de cavaleiros, tacões de botas de soldados e sapatões ferrados de graves ouvidores. Estas pedras foram pisadas por sinhás-donas e sinhazinhas. Nelas também estalou o pleque-pleque das sandálias de seda das negras de cintura fina, peito cheio e bunda redonda, que não se deitavam com brancos, negros e mulatos de outro lugar” (J. Montello). Quando acabou a escravatura, as técnicas de exploração mudaram, a Guerra da Secessão teve o seu fim, voltou a concorrência do algodão americano e a cidade começou a ser abandonada e depois saqueada. Os antigos senhores foram substituídos pelos filhos e netos dos escravos. Além da restaurada Igreja de Nossa Senhora do Carmo, encontramos os dois palácios inacabados dos barões de Mearim e Pindaré. São ruínas da expectativa de que o imperador D. Pedro II viesse. Mas não veio. São casas que simbolizam o drama de Alcântara. Na rua Grande, olhamos o longe da baía de São Marcos e descemos a ladeira do Jacaré, lembrando ainda Montello em “Noite Sobre Alcântara”. E ao chegar a S. Luís, com um mar terrível, fomos à Capela do Senhor dos Navegantes ouvir o Sermão de Santo António aos Peixes e descerrar a homenagem do CNC ao Imperador da língua portuguesa…&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Belém do Pará surpreende-nos pela presença de Portugal! E é grande o orgulho em mostrar a recuperação patrimonial e histórica da “Feliz Lusitânia”, graças á decisão e à sensibilidade do arquitecto Paulo Chaves. A história da borracha confunde-se com o apogeu e a decadência do Pará. O teatro da paz foi erguido à imagem e semelhança do Scala de Milão, financiado pelos senhores da borracha. Se houvesse dúvidas, o mercado de Ver-o-Peso demonstra a grandeza antiga. O nome vem do entreposto fiscal. É um mercado à sombra tutelar de uma estrutura de ferro airosa e austera, trazida da Inglaterra no século XIX, onde se compra e vende de tudo, peixe, comida típica, artesanato, mas também unguentos, mezinhas e ervas… Centenas de urubus vieram para ajudar á limpeza e preparar o novo dia. Belém é a cidade das mangueiras, que bordejam as avenidas da cidade, mas hoje o fruto mais desejado é o açaí. A baía de Guajará é amena e luxuriante. Sentem-se o Amazonas e os rios Tocantins, Pará e Guamá, que aqui desaguam. E não se esqueça a portuguesíssima toponímia imposta no tempo de Sebastião José – Santarém, Alter do Chão, Alenquer, Porto de Mós, Salvaterra, Sintra, Barcarena… Enquanto almoçávamos na Estação das Docas, no restaurante Lá em Casa, recordámos os bandeirantes que romperam o meridiano de Tordesilhas e construíram a fantástica Amazónia. O Padre António Vieira, nosso cicerone e nosso companheiro, teria sonhado com esta capital para o Quinto Império. Mas houve a forte animosidade dos senhores da terra – e teve de partir. À vista estão a Sé Catedral, a Igreja de Santo Alexandre, o Museu de Arte Sacra e a Casa das Onze Janelas. Da Sé Catedral sai todos os anos, no segundo domingo de Outubro, para a Basílica de Nossa Senhora da Nazaré a procissão do Círio, em que participam dois milhões de pessoas, em homenagem á Virgem aparecida no nosso “Sítio da Nazaré”. O Museu de Arte Sacra, anexo à Igreja de Santo Alexandre, alberga um acervo de grande beleza e qualidade, servido pelas mais modernas técnicas da museologia, o que permite aos retábulos de cedro vermelho ganharem vida. O barroco jesuítico concilia austeridade e audácia. Os temas religiosos são servidos pela decoração com motivos próprios do Equador, o que permitia aos artífices a aprendizagem religiosa a partir da matéria e do “espírito” do lugar e da comunidade. O clima equatorial não nos faz perder a sensação de que estamos num dos pontos do Brasil mais próximos do reino, numa rota cheia de espíritos.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guilherme d'Oliveira Martins&lt;br /&gt;Publicado em 29.01.2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-2787095965197581745?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/2787095965197581745'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/2787095965197581745'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/02/do-candombl-lusitnia-feliz.html' title='&quot;Do Candomblé à Lusitânia Feliz&quot;'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-1882208510653808078</id><published>2008-02-08T00:39:00.000-02:00</published><updated>2008-02-08T00:52:09.652-02:00</updated><title type='text'>"No coração do Brasil"</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_vHfhEO08cCE/R6vCfudwfvI/AAAAAAAAEqs/TMjf6xjROek/s1600-h/Nocorgrande.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5164435248014982898" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_vHfhEO08cCE/R6vCfudwfvI/AAAAAAAAEqs/TMjf6xjROek/s400/Nocorgrande.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;"No Coração do Brasil" - Um Diário de Viagem pelo Brasil do Padre António Vieira", escrito por Inês Pedrosa e ilustrado por João Queiroz.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Este livro parte de uma viagem que a escritora fez, em 2005, a convite do Dr. Guilherme de Oliveira Martins, presidente da direcção do Centro Nacional de Cultura: “ao encontro do Padre António Vieira”. Desta forma, homenageia-se a memória do Imperador da língua portuguesa, o Padre António Vieira, nos lugares por que passou, deixando os seus ensinamentos e defendendo a dignidade de todas as pessoas, fossem elas índias, de cor negra, parda ou branca. Salvador, Recife, Olinda, São Luís do Maranhão e Belém do Pará foram os pontos altos dessa passagem. Um texto para descobrir e viajar pelo Brasil de Vieira no momento em que estamos prestes a comemorar os 400 anos do seu nascimento, a 6 de Fevereiro de 1608.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-1882208510653808078?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/1882208510653808078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/1882208510653808078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/02/no-corao-do-brasil.html' title='&quot;No coração do Brasil&quot;'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_vHfhEO08cCE/R6vCfudwfvI/AAAAAAAAEqs/TMjf6xjROek/s72-c/Nocorgrande.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-1281770259329589859</id><published>2008-02-08T00:32:00.000-02:00</published><updated>2008-02-08T00:34:15.394-02:00</updated><title type='text'>Vieira - a grandeza de um imperador</title><content type='html'>&lt;em&gt;Foi outro grande dignitário da Língua Portuguesa, Fernando Pessoa, que apelidou o Padre António Vieira de “Imperador da Língua Portuguesa”, com a dupla autoridade que lhe assistia: a de um dos maiores cultores da nossa língua, e a de uma cosmovisão multiforme, tanto da condição humana, como da cultura portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com efeito, poucos portugueses se impuseram, nacional e internacionalmente, à memória das nações, pois não cabem nessa galeria de génios só os grandes navegadores e políticos, mas também os religiosos, os homens de Letras, das Ciências, e das Artes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Vieira é um deles, nos dois grandes cenários que definem os clássicos: o da vida, e o da memória que deles se conserva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dotado de um temperamento aguerrido, apaixonado, apesar de saúde frágil, pôs todas as suas forças ao serviço da fé e do duplo império que queria construir: o da Realeza, e o da Fé Católica-Quinta Monarquia da História do Mundo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso concitou não poucos inimigos, desde os colonos esclavagistas, a pregadores de outras Ordens, a políticos, à Inquisição que não desistia de o perseguir, chegando a processá-lo, metê-lo na prisão, e até o proibir de pregar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tudo resistiu o intrépido jesuíta, que foi missionário, diplomata e político ao serviço da Nação restaurada, pregador eminente, cultor da língua e da cultura portuguesas, nos seus mais altos níveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como missionário, foi-o, primeiro na Bahia, dedicando-se especialmente a defender os escravos dos excessos dos senhores, a combater a própria ideia da escravização. Depois, no Maranhão, sendo aqui o combate mais radical, pois ao contrário do que sucedia com os negros que, em grande parte já vinham escravos de África, não era essa a situação dos índios, importando obstar, a todo o custo, que lhes fosse criado o mesmo estatuto. Por isso conheceu o ódio e as perseguições dos colonos, que atentaram contra a sua vida e o expulsaram do Maranhão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como diplomata e político fez-se embaixador para defender a restauração portuguesa e D. João IV, de 1642 a 1652, junto das cortes de França, Holanda, Itália, especialmente em Roma. Não foi alheio à diplomacia da guerra, do comércio, das alianças, advogando o regresso a Portugal dos judeus expulsos, emitindo pareceres, viajando incansavelmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivia sobriamente, recusando honrarias e missões dispensáveis, como o ser embaixador em Haia ou aceitar a mitra episcopal que lhe foi proposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como pregador, agigantou-se por uma eloquência arrebatadora que conhecia os segredos da língua e da eloquência, de sólidos fundamentos teológicos, bíblicos e retóricos, abusando, não poucas vezes, do processo encantatório dos malabarismos barrocos, ao manipular os vários sentidos bíblicos, as alegorias, comparações, metáforas e os exempla da antiguidade clássica, multiplicando os silogismos, as antíteses, os paradoxos, as hipérboles, as apóstrofes, em suma, misturando, estrategicamente, o docere com o delectare, sobretudo quando um sopro de utopia era usado para arrebatar, ou amedrontar os ouvintes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal foi o seu êxito que se tornou o pregador da capela real, da elite de Roma, sobretudo na Igreja de Santo António, pregador da rainha Cristina da Suécia, sendo o seu prestígio tal que, em Roma, foram ouvir o seu sermão do Carnaval de 167319 cardeais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homem contraditório, tanto se ocupava das mais variadas questões terrenas, das mais elevadas meditações teológicas, como das mais ousadas utopias do Quinto Império, em obras como a História do Futuro e a Clavis Prophetarum, dando crédito às profecias de Bandarra, às interpretações escatológicas ligadas à passagem dos cometas que afirmava augurarem calamidades públicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como expressão desta multifacetada actividade e pensamento, deixou para a posteridade uma vasta obra escrita de sermões e cartas. A todos se dirigiu: aos poderosos, aos mais humildes, repreendendo, ameaçando, satirizando, tanto em Portugal como no Brasil e em diversos países europeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com os seus escritos, a língua portuguesa tornou-se mais dúctil e plástica, e a nossa cultura, sobretudo na sua expressão literária, ganhou dimensões de universalidade. E tão cuidadoso foi que, no fim da vida, retocou e aprimorou os seus sermões, consciente também da sua missão de escritor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sermões estes que também pela forma se impõem, pois se modelaram pelos bons preceitos de Cícero e Quintiliano: depois da captatio benevolentiae dos ouvintes no exordium, dispunha-os para a matéria do sermão, ordenando-o depois segundo as boas regras da inventio (escolha da matéria adequada), da dispositio (ordenação de ideias, pensamentos ),da elocutio (arte e escolha das palavras), seguindo-se a realização artística, pelo que, em três partes se estrutura, na prática, essa execução: o exórdio, a narração-argumentação e a peroração, recapitulando ou reforçando as ideias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa riqueza basta lembrar alguns momentos que são referências inesquecíveis:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sermões do Rosário às confrarias de escravos, sobre Nossa Senhora Rosa Mística, do Advento, da Quaresma, de Santo António aos peixes…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo grande impacte obtido, limitamo-nos a alguns exemplos mais emblemáticos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Sermão pelo bom sucesso das armas portuguesas, pregado na Bahia em 1640, usando para Deus o argumento ad absurdum: “Entregai aos holandeses o Brasil, entregai-lhe as Índias, entregai-lhe as Hespanhas (que não são menos perigosas as consequências do Brasil perdido), entregai-lhe quanto temos e possuímos (como já lhe entregastes tanta parte); ponde em suas mãos o mundo; e a nós, aos portugueses e hespanhóis, deixai-nos, repudiai-nos, desfazei-nos, acabai-nos. Mas só digo e lembro a Vossa Magestade, Senhor, que estes mesmos que agora desfavoreceis e lançaes de Vós, pode ser que os queirais algum dia, e que os não tenhais”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do 27ºSermão do Rosário, pregado numa confraria de escravos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Nas outras terras, do que aram os homens e do que fiam e tecem as mulheres, se fazem os comércios: naquela, o que geram os pais e o que criam a seus peitos as mães, é o que se vende e se compra. Oh trato deshumano, em que a mercancia são homens! Oh mercancia diabólica, em que os interesses se tiram das almas alheias(…) Os senhores poucos, os escravos muitos; os senhores rompendo galas, os escravos despidos e nus; os senhores banqueteando, os escravos perecendo à fome; os senhores nadando em ouro e prata, os escravos carregados de ferros; os senhores tratando-os como brutos, os escravos adorando-os e temendo-os como Deuses.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que dizer de sátiras humorísticas como no Sermão de Quaresma pregado como censura aos habitantes do Maranhão pelas falsidades a que recorreram. Imagina o pregador que, quando o diabo, condenado, caiu do céu, feito em bocados, “estes pedaços se espalharam em diversas províncias da Europa, onde ficaram os vícios que nelas reinam. Dizem que a cabeça do diabo caiu em Espanha, e que por isso somos fumosos, altivos e com arrogância graves (…) o peito caiu em Itália (…)o ventre caiu na Alemanha (…) os pés caíram em França (…) os braços, com as mãos e unhas crescidas, um caiu em Holanda e outro em Argel (…) E suposto que à Hespanha lhe coube a cabeça, cuido eu que a parte dela que nos toca ao nosso Portugal, é a língua (…)E se as Letras deste abecedário se repartissem pelos estados de Portugal; que letra caberia ao nosso Maranhão? Não há dúvida, que o M Maranhão, M murmurar, M motejar, M malsinar, M maldizer, M mexericar, e, sobre tudo M, mentir”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não acabaríamos se quiséssemos inventariar verdadeiras jóias lapidadas como as descrições-definições da guerra ,do estatuário, do polvo, do “non”…&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Fernando Cristóvam, Universidade Clássica de Lisboa, im "Agência Ecclesia")&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-1281770259329589859?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/1281770259329589859'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/1281770259329589859'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/02/vieira-grandeza-de-um-imperador.html' title='Vieira - a grandeza de um imperador'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-7304338764487898474</id><published>2008-02-08T00:21:00.000-02:00</published><updated>2008-02-08T00:24:49.947-02:00</updated><title type='text'>Rede de Universidades estudará Vieira</title><content type='html'>A criação de uma rede internacional de universidades para o estudo da obra do padre António Vieira será uma realidade a muito curto prazo, foi, ontem, anunciado pelo presidente da comissão organizadora de 2008 ano vieirino no decorrer da sessão solene dos 400 anos do nascimento do jesuíta português. Na mesma ocasião, foi também anunciado que António Vieira terá finalmente direito a estátua na cidade que o viu nascer. O monumento será erguido no Largo de São Roque, em Lisboa, que previamente será objecto de obras de requalificação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cerimónia, que teve como palco a Academia das Ciências, em Lisboa, contou com as presenças de Cavaco Silva, presidente da República, e dos ministros da Ciência e Tecnologia, Mariano Gago, e da Cultura, o recém-nomeado José António Pinto Ribeiro, que, pela primeira vez, marcou presença numa cerimónia pública.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como referiu, na ocasião, o presidente da Academia das Ciências, Adriano Moreira, a quem coube as honras de abertura da sessão, "a meditação a que somos chamados nesta circunstância do centenário de Vieira e de viragem do milénio ensina uma vez mais que não são os impérios que duram, são as culturas que têm vocação de eternidade".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adriano Moreira lembrou que Vieira ajudou a que entendêssemos que "os países, as culturas, são um futuro com passado" e que "é sobretudo a esta luz que celebramos Vieira, confiados na validade do recurso à sabedoria dos mortos talentosos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi precisamente sobre essa sabedoria que incidiu a prelecção do ensaísta Eduardo Lourenço, subordinada ao tema "Vieira do Império do Verbo ao Verbo como Império". "Sou admirador, como todos vós, da obras do padre António Vieira, mas não sou o que se chama um vieirista", confessou Eduardo Lourenço. Ao longo de mais de uma hora de dissertação, o ensaísta falou do génio literário de Vieira, evocando um texto de Fernando Pessoa. Falou do assombro vocabular dos seus sermões e comparou-o mesmo a "uma espécie de James Bond jesuíta". Aludindo ao "famoso estilo de Vieira", Eduardo Lourenço afirmou que, "muito provavelmente, ele recebeu a impregnação do texto bíblico, essa espécie de geometria ideal onde tudo nasce certo como se fosse uma geometria da ordem do coração".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E falando dos seus sermões, o autor de "Labirinto da saudade" referiu que "eles estão cheios de observações, de notas da sua própria vida. Se pensarmos bem, eles são uma alegoria não só universal mas do Mundo, da sociedade, da predação em que grandes comem os pequenos e os anulam".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também o jornalista António Valdemar, da Classe de Letras da Academia das Ciências de Lisboa, enalteceu o génio literário de Vieira, lembrando que ele "trouxe contributos inovadores, deu outro estatuto à língua". Para o jornalista, "cada sermão de Vieira é uma 'partitura linguística' e constituía um acontecimento religioso, político e mundano".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao falar da temporalidade e intemporalidade do padre António Vieira, o jornalista lembrou que ele "tem um discurso organizado, persuasivo, às vezes, provocador, para se apoderar do auditório. Criou um estilo que é só dele. Sem uma palavra a mais, sem uma palavra a menos; sem uma palavra que pudesse ser outra. A propriedade vocabular, o acabamento formal, a rigorosa construção frásica não reprimem os largos voos da imaginação e um dinamismo de propostas que, muitas vezes, se sucedem entre concordâncias e contradições". E concluiu dizendo que, ao celebrar o quarto centenário de António Vieira, "enaltecemos o génio que engrandeceu a língua na qual dizemos uns aos outros o que nos une e o que nos distingue".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o presidente da República, que encerrou a sessão, evocou a "actualidade" com que António Vieira "continua a surgir aos nossos olhos". Para Cavaco Silva, "tal como acontecia há 400 anos, a diversidade dos povos e civilizações precisa hoje, porventura ainda mais, de políticos e mediadores como Vieira, que acreditem realmente no valor da pessoa humana e sejam suficientemente inspirados para estabelecer as pontes que levem à paz". E concluiu o chefe de Estado "Podemos e devemos acreditar nas nossas potencialidades enquanto nação que possui uma história de oito séculos, uma história que pode, por isso mesmo, ser também uma história do futuro".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(MÁRIO CRUZ - AGÊNCIA LUSA 7.2.08)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-7304338764487898474?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/7304338764487898474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/7304338764487898474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/02/rede-de-universidades-estudar-vieira.html' title='Rede de Universidades estudará Vieira'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-1836473267481643166</id><published>2008-02-08T00:20:00.000-02:00</published><updated>2008-02-08T00:59:37.082-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_vHfhEO08cCE/R6vFa-dwfwI/AAAAAAAAEq0/Of6OcqO5d3Y/s1600-h/Vieira+1.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5164438464945487618" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_vHfhEO08cCE/R6vFa-dwfwI/AAAAAAAAEq0/Of6OcqO5d3Y/s400/Vieira+1.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-1836473267481643166?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/1836473267481643166'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/1836473267481643166'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/02/blog-post.html' title=''/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_vHfhEO08cCE/R6vFa-dwfwI/AAAAAAAAEq0/Of6OcqO5d3Y/s72-c/Vieira+1.gif' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-4165060838011623487</id><published>2008-02-08T00:15:00.000-02:00</published><updated>2008-02-08T00:19:19.575-02:00</updated><title type='text'>Vieira e o Novo Mundo</title><content type='html'>Quando celebramos o 4.º centenário do nascimento do Padre António Vieira será redundante elaborar sobre a sua figura e a sua obra. Outros o têm feito com talento e conhecimento de causa, designadamente nas páginas deste jornal. Limitar-me-ei por isso tão-somente a lembrar o quanto a Língua Portuguesa ficou a dever ao autor dos famosos ‘Sermões’ e ‘Cartas’. Quem, nas gerações mais velhas, não se recordará por exemplo das impressionantes passagens do ‘Sermão de St.º António aos Peixes’ que se estudavam no Liceu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é justo evocar também as campanhas de António Vieira em defesa dos escravos e das populações indígenas do Brasil, país onde esse insigne jesuíta lisboeta viveu 52 anos da sua longa existência. Tal como merece ser lembrada a sua acção diplomática em França, na Holanda e na Itália ao serviço da Coroa. E se nem sempre Vieira conseguiu atingir os objectivos que lhe foram confiados não terá sido certamente por falta de esforço e dedicação. Aliás, a sua erudição e os seus dotes literários e oratórios só podiam ter contribuído para reforçar a boa imagem e o respeito por Portugal nas capitais da Europa onde exerceu a sua enviatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há porém um facto menos conhecido, originado no continente americano, que se prende com as críticas feitas por sóror Joana Inês de la Cruz, uma contemporânea mexicana do Padre António Vieira. Sóror Joana foi uma religiosa de grande cultura que se distinguiu como poetisa e dramaturga e que exerceu uma apreciável influência no México, então colónia espanhola. Ora, sendo conhecedora e admiradora da obra do Padre António Vieira, sóror Joana não deixou de refutar algumas concepções teológicas do orador português, dando origem a uma curiosa controvérsia. De um modo muito resumido a questão foi a seguinte: enquanto Vieira defendia que o maior feito de Cristo tinha sido amar a Humanidade, a monja mexicana alegava que o maior feito de Cristo havia sido morrer na cruz pelo Homem. Esta polémica poderá parecer-nos hoje anacrónica mas não devemos esquecer que o preciosismo do barroco setecentista atingia também as questões religiosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(F. Falcão Machado, Embaixador de Portugal no México .&lt;/em&gt; Correio da Manhã 8.2.08)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6130401891343094894-4165060838011623487?l=vieira2008.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/4165060838011623487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6130401891343094894/posts/default/4165060838011623487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vieira2008.blogspot.com/2008/02/vieira-e-o-novo-mundo.html' title='Vieira e o Novo Mundo'/><author><name>Embaixada de Portugal - Brasília</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6130401891343094894.post-5301147525797212936</id><published>2008-02-07T20:35:00.000-02:00</published><updated>2008-02-07T20:37:06.061-02:00</updated><title type='text'>"O primeiro grande pensador do providencialismo português"</title><content type='html'>O escritor Miguel Real, confesso admirador da figura e obra do Padre António Vieira, aponta-o como o primeiro grande pensador do Providencialismo Português, que defendia ter Portugal uma missão no mundo superior à de todas as outras nações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A sua importância está na teoria do Quinto Império, segundo a qual os portugueses aparecem como o segundo povo eleito - o primeiro teriam sido os judeus - para conduzir a humanidade a um certo estado de felicidade `paz, harmonia e abastança`, como ele dizia, sem guerra, sem ódio e sem pobreza", disse Miguel Real, em ent
